Trem na Europa: dicas para aproveitar gastando pouco!

Gisela Cabral
24/10/2019  ·  10:24Publicado 24 · out · 2019  ·  10:24Atualizado 7 · nov · 2019

Trem na Europa: dicas para aproveitar gastando pouco!

Quer saber tudo sobre viagens de trem na Europa? Nesse post a gente conta, passo a passo, como encontrar passagens baratas, onde comprá-las, limite de bagagens, passes de trem e muito mais!

Promoções de passagens aéreas “pipocam” aqui na Europa. Precinhos que enchem os olhos de uma viajante profissional como eu, seja para trabalho ou lazer. Mas, como uma brasileira nada acostumada a viajar de trem em meu país, acho fascinante poder cruzar um continente sob trilhos. É fácil, eficiente, moderno, romântico e repleto de paisagens incríveis!

Para quem não está acostumado pode parecer um pouco confuso todo o processo de viajar de trem: como adquirir o bilhete mais barato, decifrar horários, saber ao certo a quantidade de bagagem permitida, se vale a pena comprar um passe, como agir na estação, entre tantas outras questões. O objetivo desse post, portanto, é responder a todas essas dúvidas e tornar a sua viagem de trem pela Europa inesquecível!

Trem saindo da Estação de Colônia, na Alemanha

Trem na Europa: vantagens

Evitar o aeroporto. Não ter que chegar com pelo menos duas horas de antecedência é uma das principais vantagens do trem. Com exceção de algumas poucas estações – por medidas de segurança necessárias nos últimos tempos – basta chegar 10, 15 minutinhos antes da partida e embarcar por conta própria.

Não ter limite de tamanho, peso de bagagem e transporte de líquidos. Apesar disso, eu não aconselharia ninguém a viajar com muitas malas. Isso porque o espaço para bagagens não costuma ser dos maiores e precisa ser dividido entre todos os passageiros do vagão. Além disso, tenha em mente que você é o único responsável pela sua bagagem durante todo o trajeto: vai ter que carregá-la, acomodá-la nos compartimentos certos e, claro, ficar sempre de olho.

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Sair e chegar na região central da cidade. Diferentemente dos aeroportos, situados em áreas mais afastadas, as estações de trens são supercentrais. E se o seu hotel ou apartamento de temporada estiver nas proximidades, melhor ainda. Caso contrário, transporte público não vai faltar.

Passageiros aguardam o trem na estação Madrid-Atocha

Fazer a compra do seu bilhete pela internet ou app da companhia. Alguns cliques depois e a passagem estará devidamente armazenada no seu celular. Papel está, realmente, virando coisa do passado!

Aproveitar as paisagens pelo caminho e levar o seu próprio lanchinho. Algumas companhias de trem oferecem vagões lanchonete que vendem café, croissants, biscoitos, entre outras delícias, mas muita gente prefere fazer o seu próprio piquenique durante a viagem.

Mais conforto. As poltronas dos trens costumam ser mais largas do que as dos aviões, há assentos para grupos – com mesa compartilhada – e o passageiro pode se movimentar mais livremente lá dentro. Ah, algumas companhias reservam “vagões silenciosos” para os que desejam apenas descansar.

Estação de trem de Corniglia, em Cinque terre, Itália

A beleza de algumas estações europeias impressionam. Historicamente, estações de trem sempre foram pontos importantes de comércio e transporte, motivos pelos quais muitas cidades ergueram construções imponentes e cheias de obras de arte.

Aparentemente melhor para o meio ambiente. Impossível não mencionar o impacto do turismo no meio ambiente e, neste quesito, viagens de trem aparentam causar menos impacto ambiental. Segundo informações coletadas, enquanto um avião produz 285g de CO2 por passageiro-quilômetro, um trem produz 14g de CO2.

Trem na estação ferroviária do Pinhão, em Portugal

Trem na Europa: desvantagens

Preços altos. Infelizmente, ainda é difícil bater as tarifas de companhias de aviação low cost. Especialmente se a passagem for comprada em cima da hora.

Ruim para os que têm pouco tempo e precisam percorrer longas distâncias. Um bom exemplo é a viagem de trem de Amsterdã a Paris, de estação a estação, com duração de 3 horas e 20 minutos. A viagem de avião dura uma hora, apenas, mas é preciso chegar no aeroporto pelo menos duas horas antes e também adicionar o tempo de viagem do aeroporto até o centro de Paris. Diante desse cenário, a viagem de trem acaba sendo mais rápida.

A viagem de trem também pode não ser tão eficiente assim para longas distâncias, principalmente se no percurso for preciso optar por trens regionais, geralmente, mais lentos e sujeitos a atrasos e cancelamentos. Nestes casos, é melhor optar pelo avião.

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Viajar de trem pode ser um pouco confuso para quem não está acostumado. Horários, cidades que contam não só com uma, mas várias estações de trem (às vezes é preciso trocar de estações) e até greves ferroviárias, que não são comuns, mas é preciso sempre contar com o pior cenário.

Trem da Holanda para a Bélgica no inverno/foto: Rafael Dantas

1º passo – Planejando a viagem de trem

A dica é que você faça a pesquisa no site da companhia de trens do país a ser visitado. Na França, a SNCF, na Holanda, a NS, na Espanha, a Renfe, na Itália, a Trenitalia e Eurostar para viagens de Paris e BruxelasLondres. Porém, o site da Deutsche Bahn (DB), a poderosa companhia alemã, é uma excelente ferramenta de pesquisas, pois tem a programação (horários e outras informações) de todos os trens do continente. Infelizmente, as compras só são permitidas para viagens de ou para a Alemanha.

Um site/aplicativo para celular muito legal, também, é o Omio (disponível em português). Nele o usuário obtém rotas de trem, de ônibus e também de avião. Vale a pena conferir!

Como pagar mais barato

Para pagar menos no bilhete de trens de alta velocidade na Europa é preciso se antecipar. Veja, por exemplo, o caso de Amsterdã-Paris. Adquirindo o bilhete com três meses de antecedência da viagem – no caso, janeiro de 2020 – o trecho custaria €35. Caso precisasse viajar agora no final de outubro, a passagem sairia a €115. O melhor, portanto, é monitorar os preços pelos sites ou app.

Lembrando que os bilhetes mais baratos, adquiridos com antecedência, não são reembolsáveis em caso de cancelamento. Nos casos dos trens regionais/mais lentos a situação é diferente. O preço da passagem é fixo e determinado pela distância, isso quer dizer que ele vai ser sempre o mesmo, o usuário adquirindo o bilhete com antecedência ou não.

Print do site da NS. Calendário com preços dos trens Amsterda-Paris para Janeiro de 2020

Onde comprar a passagem de trem

Eu sempre compro o meu bilhete de trem no próprio site da companhia, quando preciso fazê-lo com antecedência. O problema é que nem todos os sites aceitam cartões de crédito de fora da Europa, o que pode ser um problema para quem está no Brasil. *A saída é utilizar o Paypal, além de sites como o próprio Omio, citado alguns parágrafos acima, e o RailEurope. Vai para o leste europeu, mas não encontrou muita informação online, a respeito dos trens? O melhor nesse caso, é pedir ajudar do seu hotel ou de um agente de viagens.

*sujeitos a sobretaxas

Coletando o seu bilhete

Assim que a compra é concluída, o usuário pode receber a passagem via e-mail ou aplicativo. Daí é só fazer o download no seu smartphone e mostrá-la ao funcionário da companhia no momento necessário. Outra opção é imprimir o tíquete em casa, caso você prefira ter uma prova em mãos. Há casos, ainda, em que é necessário coletar a passagem na estação de trem e para isso é fornecido um código ao usuário.

Bilhete de trem utilizado na minha última viagem à Espanha

Passes de trem na Europa

Compensa se você pretende visitar uma grande quantidade de países ou fazer muitas viagens dentro de um único país, em um determinado espaço de tempo. Também há vantagens de preços para jovens, idosos e grupos (a partir de duas pessoas). No site da Eurail (com versão em português) você obtém todas as informações necessárias e ofertas de passes divididos por categorias.

Passes de trem: vantagens

Flexibilidade – com o passe em mãos é só se dirigir à estação e embarcar no trem, sem precisar se planejar muito;
Menos dor de cabeça – ter que lidar com o planejamento de várias viagens e a compra de vários bilhetes pode ser estressante para algumas pessoas. Neste caso, o passe vale a pena.

Passes de Trem: desvantagens

Pagar para fazer reserva de assento alguns países fazem essa exigência no caso dos trens de alta velocidade e isso quer dizer ter que desembolsar alguns euros a mais, mesmo depois de pagar pelo passe;
Mais caro – o passe sai mais caro do que os tíquetes adquiridos em separado, com antecedência, online. Aqueles que deixam tudo para a última hora, no entanto, podem acabar se beneficiando mais em termos de preço, com o passe.

Bagagem

Em geral, as companhias de trem da Europa costumam ser bem mais flexíveis em relação às regras de bagagem do que as companhias aéreas. Nos trens de alta velocidade Eurostar, por exemplo, são permitidas duas malas médias (comprimento máximo de 85 cm) e uma bagagem de mão por passageiro adulto. Já as crianças têm direito a uma mala média e um item de bagagem de mão, ambos, no entanto, sem limite de peso.

Não é preciso fazer check-in previamente, mas é aconselhável que cada mala esteja devidamente identificada com o nome do portador, endereço e telefone. Peças maiores costumam viajar em prateleiras especiais situadas nas entradas de cada vagão, já as bolsas de mão e malas estilo cabin size podem ser acondicionadas nos compartimentos que ficam acima das poltronas.

Estação de trem de Toledo, na Espanha

Segurança dentro do trem

Viagens de trem costumam ser seguras. Alguns países implementaram aparelhos de raio-X nas estações, como é o caso da Espanha – mais especificamente Madrid – e França, com os portões de segurança da Thalys, na Gare du Nord, de Paris. Em se tratando de trens regionais, há pessoas subindo e descendo dos trens a todo momento e é aí que você precisa ficar atento aos seus pertences. Especialmente bolsas e carteiras contendo dinheiro, cartões, passaportes e eletrônicos. Casos de furto dentro de trens, infelizmente, são cada vez mais frequentes!

Estações de trem na Europa

No geral, as estações de trem europeias atendem bem o usuário. As maiores vão oferecer lounges, lanchonetes, lojas que vendem de tudo, caixas eletrônicos e balcão de informações com alguém que fale inglês. Ah, muitas delas também disponibilizam armários pagos onde você pode deixar a sua bagagem por um determinado tempo. São os chamados lockers, em inglês.

Confira sempre o nome da estação antes de sair, pois algumas cidades possuem mais de uma. Também não chegue no local muito em cima da hora, caso nunca tenha estado por lá. Isso porque algumas são realmente grandes e pode ser preciso andar mais do que se imagina, até chegar à plataforma.

Falei sobre segurança alguns parágrafos acima, mas o alerta também vale para as estações. Batedores de carteiras e golpistas estão sempre inovando nas técnicas e as estações, infelizmente, são alvos certeiros!

Comprando o tíquete na estação

Dirija-se às máquinas de venda de bilhetes que encontram-se no saguão, geralmente próximo da entrada das plataformas. Todas as vezes que precisei adquirir o bilhete dessa forma, não tive problemas em selecionar o idioma (inglês, na maioria das vezes) e efetuar o pagamento com cartão de crédito ou dinheiro (notas ou moedas). Fique atento para o fato de que algumas máquinas só aceitam cartões de débito/crédito, e outras só dinheiro vivo. Caso haja dúvida ou dificuldades com a máquina, é melhor procurar o balcão da companhia de trens e realizar a compra com a ajuda de um atendente.

Encontre a sua plataforma

Bilhete em mãos, agora é só seguir as placas que o levarão até a plataforma anunciada no quadro eletrônico da estação. Como dito anteriormente, trens de alta velocidade trabalham com assento marcado; antes de embarcar, confira a classe (1ª ou 2ª), o número do carro e da sua poltrona. Caso não haja assento marcado, basta escolher o carro de acordo com a classe e ocupar qualquer poltrona livre.

Bagagens devidamente acomodadas? Chegou a hora de relaxar e aproveitar a viagem. Mantenha o bilhete sempre a mão, caso um funcionário da companhia passe pelo corredor fazendo a checagem. Ah, caso sente-se na janela, divirta-se com as paisagens. E, claro, tire muitas fotos para guardar de recordação!

Trechos famosos

  • Paris – Londres: 14 trens diários deixam a estação Gare du Nord, em Paris, com destino à estação St. Pancras, na capital do Reino Unido. A viagem de 186 milhas por hora, sob o canal da mancha, tem duração de 2 horas e 17 minutos e é superconfortável. O trem possui vagão restaurante, assentos mais largos e Wi-fi a bordo. Duas horinhas que “voam”!

Quando viajei de Eurostar, comprei a minha passagem com antecedência no site, lembrando que é preciso chegar 30 minutos antes da viagem para passar pelo raio-X e pela imigração, que já acontece na França e não na chegada em Londres. Ah, foi no café do trem que adquiri o meu Oyster Card, o cartão do transporte público londrino. Uma mão na roda!

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  • Trem na Itália: a Itália é um país bem conectado por ferrovias. Por menor que seja a cidade, ela sempre vai ter uma estação, mesmo que pequenina. Eu tive algumas oportunidades de viajar de trem dentro do país. Fiz os trajetos Roma-Milão, Florença-Pisa-Cinque terre e Florença-Roma, todas elas bem tranquilas desde a compra da passagem – pelo site ou nas máquinas nas estações – embarque, trajeto e chegada nas cidades.

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A Itália conta com duas companhias ferroviárias, a estatal Trenitalia (com maior cobertura no país) e a privada, Italo Treno, com trens mais modernos. Qual das duas oferece o melhor preço? Um site bom para esse tipo de pesquisa é o Trainline, com versão em português.

  • Trem Lisboa-Porto: eis aqui um dos trechos que mais adorei fazer na Europa, mesmo tendo sido durante o jogo do Brasil na Copa do Mundo, o terrível 7×1. A diferença de preço entre a 1ª e a 2ª classe era bem pequenininho, portanto, acabei optando por viajar com ainda mais conforto e Wi-fi de graça. Se bem que, naquela ocasião, era melhor nem ter tido acesso à internet!

Eu comprei a minha passagem direto no site dos Comboios de Portugal, a empresa ferroviária local. Aliás, a melhor pedida para qualquer viagem de trem dentro de Portugal. Para uma viagem mais rápida – de Lisboa ao Porto –  opte sempre pelos trens AP (Alfa Pendular) – 2h 45 minutos de viagem – ou IC (Inter Cidades) – 3 horas e 10 minutos. Os comboios, como se diz em Portugal, partem da estação Lisboa Oriente e chegam na estação Campanha, no Porto.

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  • Trem Paris-Amsterdã: o trecho facilita demais a vida daqueles que estão a turismo na Europa, pois, como já mencionei nesse post, a viagem acaba sendo bem mais rápida do que a de avião. Para os mais animados, dá até para considerar um day trip, partindo da capital francesa. Para economizar, adquira a sua passagem com o máximo de antecedência nos sites da NS – a companhia holandesa – ou da RailEurope.

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  • Trem na Espanha: outro país muito bem servido por ferrovias é a Espanha. Madrid-Barcelona, Madrid-Sevilha, Barcelona-Valência e Madrid-Toledo são alguns dos trechos famosos e que podem ser adquiridos no site da Renfe, a companhia local. A dica é que você faça a sua compra com antecedência e não só pela questão do preço, no caso dos trens de alta velocidade. Me refiro à quantidade de lugares disponíveis mesmo.

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Comigo aconteceu no trecho Madrid-Toledo. Não pesquisei antes sobre o assunto e fui direto para a estação, bem cedinho, na tentativa de comprar o bilhete e já embarcar. Para a minha surpresa, os trens para Toledo estavam lotados até o meio-dia e como havia planejado uma day trip, tive que adiar os planos para o dia seguinte. Fica a dica para que você não perca tempo como eu!

Este post foi publicado originalmente em junho de 2013 e vem sendo periodicamente atualizado desde então.

E você, leitor do MD, já fez um tour de trem inesquecível pela Europa? Conta aí pra gente qual foi o seu roteiro?

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