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Já ouviu falar de Holbox? Ilha mexicana convida a conectar com a natureza perto de Cancún

Jéssica Weber
18/10/2022 às 20:00

Já ouviu falar de Holbox? Ilha mexicana convida a conectar com a natureza perto de Cancún

Holbox é uma ilha hermosa y caliente que fica pertinho de Cancún – e merece ser descoberta. No encontro do Mar do Caribe com o Golfo do México, ela tem boa parte da sua área verde preservada, um belo pôr do sol e um povo receptivo que vai te esperar com margaritas prontas.

Faz uns 15 anos que Holbox tem despontado como novo destino turístico. Caminhando pela ilha, você vê vários prédios em construção e obras nas ruas, inclusive. Mas segue um lugar super pacato, especialmente se compararmos à agitação de outras praias caribenhas do México.

A ilha é uma ótima opção de “esticada” para quem vai a Cancún, Playa del Carmen ou Tulum, com uma vibe mais raiz. Em dois ou três dias, é possível conhecer as principais atrações e pegar uma corzinha na beira do mar – se você não for uma alemoa desprovida de melanina como eu! =P

Como ir de Cancún a Holbox

A jornada para os brasileiros inclui avião, carro e barco. Eu só não peguei tuk-tuk, mas juro que vi por lá.

Você vai chegar pelo Aeroporto Internacional de Cancún, seja em voo direto do Brasil ou com conexão na Cidade do México, de onde já é bom ter agendado um transfer para ir até Chiquila. O trajeto leva, em média, duas horas.

Ali dá para optar por um ferry (mais barato), que sai de meia em meia hora, ou alugar um dos barcos que aguardam turistas no mesmo píer (mais caro). Uma particularidade da ilha é que você não pode entrar de carro. Para passear e carregar suas malas, há carrinhos de golfe adaptados e pintados de amarelo: são os táxis da ilha.

Outra forma gostosa de conhecer Holbox é de bicicleta. É possível alugar uma magrela no centrinho, por hora ou por dia. A ilha tem 42 quilômetros de extensão, mas a parte urbanizada mede pouco mais de quatro quilômetros. Então, se você não estiver com preguiça ou calor demais, dá para desbravar tudo pedalando.

Foto: Jéssica Weber / Melhores Destinos

O que fazer em Holbox

A primeira coisa a fazer é beber uma margarita, afinal, você chegou ao México, muchach@. Já tinha uma me aguardando no quarto do hotel, decorada com chapolines. Não eram bonequinhos do personagem de Roberto Bolaños, infelizmente, eram gafanhotos mesmo. O inseto é um dos ingredientes exóticos que os mexicanos gostam de usar – ou de colocar em tudo para zoar os turistas. A minha margarita favorita foi a de tamarindo. Que, diferente dos sucos do Chaves, tinha gosto de tamarindo mesmo.

Tour das 3 Ilhas

Um passeio de barco imperdível em Holbox é o tour das 3 Ilhas, que custa em torno de 25 dólares por pessoa e pode ser adquirido no centrinho ou nos hotéis.

Na verdade, inclui duas ilhas e uma parada no continente mesmo. É onde fica uma piscina natural de água doce e límpida chamada Yalahau.

Para chegar à nascente, você atravessa um caminho de madeira sobre os mangues, vendo os caranguejos se enterrando no barro. O mergulho é refrescante e revigorante – reza a lenda que te rejuvenesce dez anos, veja que bom negócio.

Dá até para sentir a água brotando do chão em alguns pontos. Eu recomendo chegar bem cedo ali, tipo pelas 9 horas, para pegar o lugar vazio e fazer os registros mais instagramáveis.

Nossa segunda parada foi em uma pequena ilha inabitada de mata virgem, chamada Isla Pasión. Mas preciso ser sincera, não foi paixão, não. Foi no máximo um crush rápido na água cristalina do mar, que passou assim que desci do barco e fui atacada por dezenas de mosquitos.

Ninguém conseguiu entrar na ilha por causa dos insetos, nem para acessar o mirante, que é a única construção que tem lá. Voltamos para o barco rapidinho, eu e meu coração partido.

Punta Mosquito

A última parada do tour das 3 Ilhas é em Punta Mosquito. O lugar é cercado por bancos de areia que te permitem caminhar longa distância com água pela canela.

Os cormoránes, que parecem uns patos marinhos, chegam bem perto dos banhistas para se alimentar, e a água é tão clarinha que você vai ver os peixes-agulha passando entre seus pés.

Uma cerca de arame farpado foi instalada mar adentro para indicar até onde os turistas podem ir – a partir dela, a área é de preservação ambiental. A ideia é garantir a proteção de espécies como flamingos, crocodilos, guaxinins e tartarugas marinhas.

Vai por mim: mesmo se você não fizer esse passeio das 3 Ilhas, precisa conhecer Punta Mosquito. Dá até para ir a pé do centrinho.

O irônico é que, apesar do nome, não flagrei mosquito algum por ali. Devem ter ido todos passar lua de mel na Isla Pasión.

Ver o pôr do sol em Punta Coco

Ver o sol se pôr no mar é uma das vantagens de estar em uma ilha. E o melhor lugar para assistir a esse espetáculo gratuito é em Punta Coco, na ponta oeste da ilha. É uma parte (ainda mais) tranquila de Holbox, com areia coberta por conchinhas brancas e a mata cheia de iguanas.

O pescador esportivo que aparece na minha foto chama-se Guilherme, é do norte do México e se mudou para Holbox há dois anos. Não fisgou peixe algum naquele fim de tarde: puxava o anzol vazio e lançava ele de novo, sem se frustrar. “Não faz diferença”, disse, vendo o sol cruzar a linha do mar.

Bioluminescência em Holbox

A natureza segue dando show depois que anoitece na ilha. As estrelas passam a brilhar forte no céu, e o mar resolve copiar. Eu estou falando de um fenômeno chamado bioluminescência, provocado por microorganismos que emitem luz.

A bioluminescência é uma reação química comum a espécies como vaga-lumes, alguns tipos de cogumelos e, no caso de Holbox, esses plânctons. Não espere ver o mar todo iluminado. São uns pontinhos de luz pequenos, bem sutis, que nem aparecem nas fotos. Mas ainda assim, é um negócio mágico.

@melhoresdestinos 😱 Um paraíso pertinho de Cancún que nem todo brasileiro conhece. #dicadeviagem #holbox #cancunmexico ♬ som original – Melhores Destinos

É necessário movimentar a água para que eles surjam, e usamos guardanapos para notá-los melhor. O legal é que, mesmo tirando o pano da água, o brilho continua por alguns segundos. Eu me senti uma criança faceira brincando de “acender plânctons”.

O melhor lugar para ver a bioluminescência é junto à Punta Coco, tem um trecho escuro da praia onde os guias levam turistas.

Mergulho com tubarões-baleia

Além de fazer o mar brilhar, o plâncton constitui a base nutricional de mais de 200 espécies de peixe da região, incluindo os gigantescos tubarões-baleias. De Holbox, partem barcos que levam turistas para mergulhar ao lado do animal.

O tubarão-baleia é maior espécie viva de peixe dos oceanos: pode atingir até 15 metros de comprimento e 18 toneladas. O tamanho pode assustar, mas é uma espécie dócil. ˜”Amigável”, como disse um guia, ˜”porque é mexicano”.

Foto: divulgação/ Governo do México

Não foi possível fazer o passeio nessa viagem porque recém havia acabado a temporada – eles aparecem entre o maio e setembro. Mas eu tive essa experiência no mesmo lugar há três anos, e funciona assim:

Em uma lancha, navega-se bons quilômetros mar adentro (é bem comum de ficar enjoado, vale tomar um remédio antes de embarcar). Então a gente veste snorkel e pé de pato e espera sentado no parapeito do barco o sinal do guia, que fica à espreita de algum sinal de tubarão-baleia.

Daí é necessário se jogar no mar rapidamente e nadar ao lado dele. O que eu vi tinha pelo menos cinco metros de comprimento. Cheguei a reparar nas pintinhas brancas no dorso, uma de suas marcas. Nosso encontro durou poucos segundos, porque, é claro, ele nadava bem mais rápido que eu.

É importante destacar que os animais não estão presos de nenhuma forma, bem como não é feito nada para atraí-los. A experiência custa em torno de US$ 200.

Centrinho de Holbox

O centrinho de Holbox fica junto à praia e é apinhado de lojinhas de roupa, de souvenires ou restaurantes, onde você pode comer tacos, ceviches, camarão, tostadas com guacamole e tudo o que o México tem de melhor.

É tudo bem colorido no centrinho, decorado com caveiras mexicanas e bandeiras do país. Tive a impressão que Holbox é mais simples e ainda mais bairrista do que outros destinos de Quintana Roo. Não é um primor de limpeza, há de se destacar que lixo em via pública não é incomum. Parece Brasil em alguns pontos, até na presença de vira-latas caramelos na rua.

Também ali no centrinho, as ruas são de areia, e coqueiros contornam a via à beira-mar. Há várias opções de bares na praia. Tem um pouco de sargaço (aquela alga que escurece a cor do mar e a areia na região). Mas não atrapalhou minha experiência.

Onde ficar

A gente viajou a convite do Margaritaville St. Somewhere By Karisma, um hotel inaugurado há meio ano em Punta Coco. Esse pé na areia tem acomodações bem confortáveis, algumas com vista para o mar, outras com piscina particular ou acesso à piscina compartilhada. A decoração é linda também, com muita madeira e materiais locais do México – tipo, a pedra das pias do banheiro foram trazidas de Puebla.

O Villas Flamingos oferece acomodações tipo bangalô à beira-mar, e o Villa Caracol enche os olhos com a arquitetura contemporânea e praieira.
Junto do centrinho, tem opções de hotéis como Aurora e Casa Peregrino, que são bem avaliados pela localização e são mais em conta.

Foto: Margaritaville St. Somewhere/ Divulgação

Quando ir a Holbox

Essa região do México é quente o ano inteiro, e a temperatura da água também não tem grande variação, então isso já facilita sua vida. Os meses mais secos são dezembro, fevereiro, março, abril e maio.

A alta temporada coincide com o verão aqui no Brasil – inverno, em tese, lá. Mas não é um destino que lota tanto como Cancún, né?!

Lembrando que a temporada de furacões no Caribe é do início de junho ao final de novembro. Mas isso não quer dizer que haverá uma tormenta. Nossa viagem foi em setembro e voltamos ilesos.

Outras dicas de Holbox

– Em agosto de 2022, o governo voltou a exigir o visto para o México dos turistas brasileiros, ao custo de US$ 48. Porém, quem tem visto de turismo vigente do Canadá, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Irlanda do Norte ou qualquer país da Europa que pertença ao Espaço Schengen não precisa passar por essa burocracia. Saiba mais neste post.

– Praticamente todos os lugares aceitam dólares em Holbox, até mesmo a tia que cuida do banheiro junto ao píer. Mas os preços estão sempre expostos na moeda local, e a conversão para dólar é calculada na hora. Vale trocar uma quantia por pesos mexicanos.

– Não subestime os mosquitos holboxenos, eles picam até por cima da roupa. Então repelente é item indispensável na sua mala.

– Outra coisa a não subestimar é a pimenta. Senti meu rosto pegar fogo algumas vezes. Especialmente com uma safadinha chamada habanero.

– O padrão de voltagem no México é 127 V, e a tomada segue o padrão americano – tem dois pinos chatos paralelos com um pino extra redondo. É interessante levar um adaptador.

– É sempre fundamental fazer um seguro-viagem antes de embarcar. Leia mais sobre o assunto nesse link e fique de olho aqui no Melhores Destinos, que volta e meia tem cupom de desconto.

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