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Mantenha-se à esquerda! Dicas para dirigir na mão inglesa

Monique Renne
Monique Renne
27/01/2021 às 20:00

Mantenha-se à esquerda! Dicas para dirigir na mão inglesa

Dirigir na mão inglesa em outros países exige uma certa dose de atenção e muito desapego a comandos que executamos quase automaticamente ao volante. A começar pela hora de entrar no carro! É neste momento, quando seguimos para a porta do lado esquerdo do veículo e percebemos não existir um volante, que bate um friozinho na barriga e a cabeça dá um nó.

Alugar um carro no exterior já é uma tarefa que pode causar tensão em muitos viajantes e dirigir do lado “errado” da estrada amplifica um bocado o estresse do momento. A boa notícia é o cérebro, no geral, se adapta bem rápido. Em algumas horas você já estará dirigindo em modo automático do lado esquerdo da pista. Ao menos até a próxima parada… Quando dá um bug na hora de decidir se você deve sair do posto de combustível para a esquerda ou para a direita. Nada que parar, respirar e pensar um pouquinho não resolva!

Quais são os principais países que dirigem na mão inglesa?

Apesar do nome e da fama, o Reino Unido não é o único país que utiliza a mão esquerda no trânsito. Mais de 50 países, muitos deles de colonização inglesa, mantêm a direção do lado esquerdo, o que pode pegar muito viajante desprevenido e causar uma certa tensão ao olhar para o volante do lado direto do carro. Entre os principais destinos turísticos que usam a mão inglesa como regra no trânsito estão: Reino Unido, Irlanda, Tailândia, Indonésia, Nepal, Singapura, Hong Kong, Japão, Nova Zelândia, Austrália, Índia, África do Sul, Namíbia, Bahamas, Barbados e Jamaica. 

Só por curiosidade, alguns países abandonaram completamente o uso da mão esquerda há apenas algumas décadas, entre eles Argentina (em 1944), Itália (em 1926) e Portugal (em 1928). Veja a lista completa de países que usam a mão inglesa.

Por que alguns países dirigem na mão inglesa?

Há diferentes versões para a questão do tráfego de veículos pela mão esquerda, ou mão inglesa, como é mais conhecido no Brasil. E todas elas remontam a tempos anteriores aos automóveis motorizados. Uma das versões mais aceitas é a de que cavaleiros e combatentes preferiam trafegar pelo lado esquerdo das trilhas ou manter-se sempre à esquerda dos oponentes para deixar a mão direita livre, caso fosse necessário sacar a espada ou outra arma para uma luta ou defesa inesperada.

Uma das versões mais aceitas é a de que o hábito teria começado ainda na Roma antiga e foi mantido por cavaleiros medievais na Europa. À medida que os veículos foram evoluindo, o tráfego pelo lado esquerdo da pista foi mantido em diversos países. A regra de circulação pela mão esquerda foi descrita no século XVIII no London Bridge Act e hoje tem a terminologia internacional é LHT para left-hand traffic. No Brasil, a mão esquerda  ganhou o “apelido” de mão inglesa. Já a mão direita teria ganhado popularidade na França e Estados Unidos devido ao lado que do cocheiro nas grandes carruagens de transporte. Sendo necessário usar o chicote na mão direita, eles comandavam a carruagem sentando-se à esquerda do “comboio”.

Como dirigir na mão inglesa

Foto: Hulki Okan Tabak

Como é dirigir na mão inglesa?

Já tive a oportunidade de dirigir em três países que adotam a mão inglesa como regra de trânsito: África do Sul, Namíbia e Nova Zelândia. E nas três experiências me adaptei muito rápido ao novo lado da pista, porém igualmente passei aperto em todos os destinos ao menos uma vez. Apesar do cérebro aprender com facilidade a nova forma de dirigir, ele algumas vezes nos trai em momentos de desatenção. E é exatamente aí que você corre o risco de causar um acidente.

Na minha primeira experiência, na Namíbia, além da mão inglesa ser novidade, era também a primeira vez que eu dirigia um carro automático. Passei longos minutos sentada dentro do carro respirando fundo, arrumando cada detalhe, ajustando o GPS e me acalmando pra não errar já na saída do estacionamento. Eu estava sozinha e precisava prestar atenção no trânsito, no GPS, na mão inglesa e no pedal que sequer existia, mas que fazia meu pé apertar o vazio a todo momento.

A decisão de alugar um carro automático foi exatamente para facilitar na hora de dirigir do lado esquerdo da pista. Eu não precisaria passar a marcha e seria um pepino a menos para ocupar o cérebro. A decisão foi acertada e em poucos quilômetros rumo ao Etosha National Park eu já estava adaptada. Vez ou outra só esquecia que o lado “lento” da via era o esquerdo e não o direito, o que me rendeu algumas buzinadas. A empreitada foi um sucesso e consegui até mesmo encontrar leões e rinocerontes enquanto dirigia sozinha durante um safári em meio à savana africana.

A segunda experiência também envolveu mais uma novidade. Durante 21 dias percorri a Ilha Norte e a Ilha Sul da Nova Zelândia em uma campervan. Eu já tinha dirigido na mão inglesa, mas nunca tinha “pilotado” um carro tão grande, carro que seria também a minha casa durante toda a viagem. No caso da Nova Zelândia, o desafio era manter os olhos na pista, já que a todo momento eles insistiam em correr pela paisagem. Por sorte, havia um adesivo bem grande no painel do carro lembrando o mantra “mantenha a esquerda”.

O mesmo alerta, caso você seja da turma desatento com todas as forças, também era estampado no asfalto dos trechos mais perigosos da estrada. Ajudou bastante, mas não impediu que meu cérebro “bugasse” na saída de um posto de combustível e eu tomasse uma bela e longa buzinada ao entrar na contramão. Por sorte, havia um retorno logo na sequência, o que me salvou daquelas cenas de filme onde um carro percorre um longo trecho desviando dos veículos em sentido contrário. Voltei viva e sem multas.

Já na África do Sul, quando dirigi na mão esquerda pela terceira vez, eu já estava bem mais tranquila e relaxada. Tanto que levei uma multa por alta velocidade. Ainda que já estivesse adaptada ao volante do lado direito do carro, habitualmente eu ligava o limpador de parabrisa ao invés de ligar a seta e sempre, seeeeeeempre, confundia a porta do motorista com a porta do passageiro. Nada que uma meia-volta no carro não resolvesse. Atravessei o país do Kruger National Park à Cidade do Cabo sem grandes incidentes, mas o marido lascou o parachoque ao manobrar o veículo no estacionamento. E lá se foram alguns rands a mais na locadora de veículo.

A verdade é que dirigir na mão inglesa é quase a mesma coisa, mas é fato que um vacilo pode ser suficiente para um acidente. E ninguém quer esse problema durante uma viagem ao exterior. Para te ajudar na hora de encarar o volante e a estrada do lado “errado”, temos algumas dicas para você!

Dicas para dirigir na mão inglesa

Algumas dicas simples são capazes de te salvar de várias roubadas e, claro, acidentes! Não confie nos seus dotes de direção cegamente. Eles podem não valer quando tudo está do lado contrário. Tenha atenção e dirija com segurança, afinal, ninguém quer ter um problema de trânsito durante as férias, ainda mais no exterior! Confira as dicas para dirigir na mão esquerda com mais segurança!

Prefira alugar um carro com câmbio automático

Ao alugar um carro em países de mão inglesa, dê preferência aos modelos de veículos com câmbio automático. Passar a marcha com a mão esquerda pode tomar a sua atenção ao dirigir, especialmente nas primeiras horas ao volante. Com um câmbio automático você terá uma coisa a menos para se preocupar enquanto dirige. Caso alugue um carro com câmbio manual, você terá que passar as marchas com a mão esquerda. A boa notícia é que a ordem das marchas é a mesma dos carros brasileiros.

Spoiller: será frequente o impulso de passar a marcha com a mão direita, o que vai render algumas batidas na porta do carro, já que a marcha estará do lado esquerdo!

Use um GPS para dirigir na mão esquerda

O GPS é sempre um bom aliado para quem pretende alugar um carro no exterior, mas ao dirigir na mão esquerda ele é ainda mais importante! O GPS ajuda a não precisar prestar tanta atenção ao roteiro e se concentrar mais no trânsito. Além disso, ele é um forte aliado na hora de lembrar que as saídas das rodovias para estradas secundárias são pela esquerda e não pela direita, como estamos habituados. Isso evita ajuda a te manter do lado certo da via para pegar a saída sem risco de acidentes.

No impulso de entrar, é comum tentar “atravessar” toda a rodovia na esperança de ainda alcançar a saída sem precisar fazer um retorno mais à frente, o que pode render mais alguns quilômetros de estrada. Para quem não quer alugar um GPS, vale usar o Google Maps, que resolver muito bem o problema. Lembre-se apenas de levar um carregador.

Como dirigir na mão inglesa

Estrada na Nova Zelândia

Os pedais ficam na mesma posição dos carros no Brasil

Ufa! Seria demais para a cabeça trocar a sequência dos pedais. Seria também potencialmente perigoso! A boa notícia é que os pedais de embreagem, freio e acelerador seguem na mesma posição que estamos acostumados. Uma coisa a menos para pensar enquanto dirige. Você seguirá usando o pé esquerdo para a embreagem e o pé direito para freio e acelerador.

Controle de seta, farol, cinto de segurança e outros acessórios podem estar invertidos

Não é apenas o volante que estará do lado contrário ao qual você está habituado. Comandos como o do limpador de parabrisa, seta, alavanca para abertura de combustível e mala também poderão estar invertidos (mas nem sempre). O problema é recorrente e muitas vezes você irá ligar o limpador ao invés da seta. E quando você estiver se acostumando, será hora de voltar para casa.O mesmo acontece com o cinto de segurança, que rende boas risadas toda vez que você tenta pegar o vácuo do lado esquerdo do banco. Diferente dos carros no Brasil, o cinto de segurança estará no lado direito do veículo, como no banco dos caronas no Brasil.

Mantenha-se sempre à esquerda

Este mantra é fundamental para que você não cause um acidente. Sendo necessário, vale até botar um alerta no painel do veículo. Ao dirigir em países de mão inglesa, mantenha-se sempre à esquerda! A regra vale para todas as vias e é a principal e mais importante medida para que você dirija em segurança. Vale dizer que, diferente do Brasil, a faixa de aceleração para ultrapassagem é a da direita. Ou seja, você deve manter-se a esquerda e usar a faixa da direita para ultrapassar outros veículos.

Olhe para os dois lados na hora de entrar em qualquer via

Redobre a atenção sempre que precisar fazer uma manobra, acessar uma via depois de uma pauta (como em um posto de combustível), ao entrar ou sair de um cruzamento ou ao passar por uma rotatória. Nesses momentos, especialmente quando não há outros carros como ponto de referência, é normal o cérebro “bugar”. Na dúvida, pare, pense, respire, pense mais uma vez e entre. E se a dúvida persistir, repita o mantra “mantenha-se à esquerda”. A chance de você errar será bem menor.

Lembre-se que você, motorista, deve estar sempre do lado de dentro da faixa

O truque parece bobo, mas ele te ajudará muito em estradas de mão dupla, quando o risco de acidente é maior. Assim como no trânsito do Brasil, os motoristas na mão inglesa devem estar sempre na parte interna da faixa ao trafegar. Ou seja, o lado do volante deve estar sempre na parte interna da faixa, nunca na parte de fora da faixa, onde está o acostamento. Isso garante que você estará na faixa certa!

Cuidado redobrado ao estacionar

É muito normal perder o senso espacial quando invertemos tão bruscamente a posição de algo que fazemos habitualmente. Seu cérebro já está condicionado ao espaço para estacionar em um carro com volante do lado esquerdo. Ao mudar, você certamente terá dificuldade para fazer balisa e até para entrar no certinho de uma vaga de estacionamento. A dificuldade espacial pode causar pequenos acidentes, o que vai gerar uma grande dor de cabeça ao devolver o veículo à locadora. Sendo assim, siga atento mesmo com o carro parado!

Siga o fluxo dos outros carros

Seguir o fluxo dos outros carros é sempre uma boa pedida, especialmente em situações que fogem do habitual, como um posto de combustível, estacionamentos ou locais com muitos cruzamentos.

Faça um seguro para o veículo

Ao alugar um veículo no exterior, não se esqueça de fazer um seguro! Todo motorista está sujeito a um acidente e não é uma boa ideia passar por esse aperto em uma viagem ao exterior. Para se prevenir, sempre faça um seguro ao alugar um carro. Vale o do cartão de crédito e também o contratado direto na locadora. Veja mais sobre dicas e detalhes sobre o seguro na hora de alugar um carro.

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E você? Já passou algum perrengue de viagem ao alugar um carro em países de mão inglesa? Conte pra gente como foi a sua experiência e quanto tempo você demorou para se adaptar ao novo volante. E se quiser mais dicas de viagem, acompanhe também o Tik Tok do Melhores Destinos!

Com informações da BBC, History e Wikipedia.

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