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Férias em alto mar: por que passei a gostar de viajar em cruzeiros

Bruna Scirea
Bruna Scirea
17/05/2021 às 4:30

Férias em alto mar: por que passei a gostar de viajar em cruzeiros

Já estufei o peito pra dizer, com quase nenhum conhecimento de causa, que eu tinha p-a-v-o-r de cruzeiros. Talvez, nessas situações, até tenha emendado, com o nariz todo empinado, que é um tipo de viagem para quem tem uma idade já mais avançada, que a comida é ruim, que o cloro da piscina deixa a pele esturricada e o cabelo duro, que obviamente não vale a pena.

A verdade, no entanto, é que eu havia estado uma única vez de férias em alto mar, 15 anos atrás.

Agora, já na casa dos 30 e com mais três experiências em cruzeiros, venho me redimir: pode ser legal, divertido e até emocionante ver o sol se pôr e colorir um céu que se esparrama ao infinito quando visto do alto de um navio. É bem bom passar a noite em alto mar e, ao acordar, abrir a sacada da cabine e ver que se está chegando a um novo destino – que talvez ainda lhe reserve um mar azul-esverdeado, dando vontade de improvisar um toboágua e mergulhar, ali, no mesmo instante. Come-se bem, bebe-se bem e se descansa muito bem também.

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Já arrisco dizer: é uma viagem para mim, para os mais jovens do que eu, para uma roda de amigos, para os meus pais e quem mais quiser ir. Só não vale achar que não gosta sem nunca ter experimentado. Até porque embarcar em um destes gigantes e deslizar aí pelos mares é daquelas experiências que precisam ser vividas pelo menos uma vez na vida.

Então, com certo atraso, mas ainda em tempo, compartilho alguns dos motivos que me fizeram repensar minhas percepções sobre viagens de cruzeiro:

“É coisa de velho”

A gente vai crescendo e tornando o vocabulário um pouco mais respeitoso. Hoje eu mudaria as palavras. Diria, como escrevi ali acima, que cruzeiro é coisa para pessoas de idade mais avançada. Mas não digo, porque, politicamente correto ou não, cruzeiro não é só para quem já atingiu certa idade. Pelo contrário, as embarcações mais novas foram projetadas justamente para contemplar todas as gerações. Aliás, veja qual é a viagem de cruzeiro ideal para o seu perfil de viajante.

A exemplo os últimos cruzeiros que fiz: o Seaside, da MSC pelo Caribe, e o Symphony of the Seas, da Royal Caribbean. Em ambas as embarcações, as crianças pequenas (e beeeem pequenas, como bebês) são contempladas com áreas divididas por idade, com atividades para cada fase da infância e monitores treinados para entretê-las e também cuidá-las. Se os pais desejarem curtir um ofurô ou qualquer outra atividade para adultos por um tempinho, é possível deixar os filhotes de 6 meses a 3 anos no Berçário, com profissionais preparados para isso. Uma espécie de creche em alto mar. Além disso, tem atividades de escalada para os “maiorzinhos”, karaokê e até mesmo festas para os adolescentes.

As piscinas são divididas por idades, há quadras de esportes, salas de jogos com videogames e até lugares onde crianças não podem entrar – como cassinos e bares com piscinas e vista para o mar, onde o silêncio é um aliado. Quer manter a linha nos exercícios? Tem pista de corrida, academia e aulas de ginástica. Quer relaxar e fazer tratamentos? Vai para o spa. Voar em alto mar? Tirolesa. Surfar? Simulador de ondas no último andar do navio. Compras? Uma rua cheia de lojas, que mais parece um shopping center. E se já não houver disposição ou condições para percorrer os infinitos metros quadrados de atrações de um navio, saiba que a acessibilidade é levada muito a sério neste tipo de viagem – e senhores e senhoras em cadeira de rodas estão lá, se divertindo por todos os cantos.

Veja nossas dicas para uma primeira viagem de cruzeiro e sete passos para planejar uma viagem de cruzeiro.

Não é preciso se preocupar com nada em um cruzeiro

Talvez eu fosse umas das últimas pessoas a achar vantagem nisso, mas é bem verdade. Apesar de me divertir um tanto só no planejamento de uma viagem, pensando no roteiro, nos hotéis, nos passeios, nos restaurantes e tudo mais, às vezes é bem bom se deixar levar. Organizar uma viagem exige muito tempo – o que nem sempre temos. Isso tudo fica ainda mais difícil se for viagem em família ou grupo de amigos, quando todo mundo quer dar pitaco e, para se bater o martelo sobre qualquer questão, é preciso do aval de todos. A democracia é sim linda e maravilhosa, mas dá um trabalho!

Aí, não há dúvidas: um cruzeiro é uma mão na roda. Basta definir a empresa, o navio, o roteiro, as datas e pronto. Não é preciso pensar na estadia, nas passagens ou transportes entre os destinos, nas reservas em restaurantes, nem nos ingressos para as atividades culturais. E a bordo ainda existe a facilidade de sair caminhando sem lenço nem documento, já que um cartãozinho de identificação irá abrir as portas para tudo o que você tiver direito e registrar todos os eventuais gastos extras ao longo da viagem, como compras, restaurantes especiais e passeios em terra – que mais tarde serão descontados diretamente do seu cartão de crédito.

Seu namorado quer ficar no ofurô e você no bar logo à frente tomando um drink? Pode. Seu filho quer brincar na área kids e você quer aproveitar para tomar sol, lendo um livro, ao lado da sua esposa? Tem como. Parte do grupo prefere desembarcar em tal destino para ver o que há em terra, mas você prefere esperá-los a bordo para curtir um por do sol no deck? Tudo bem. É isso: em um navio cada um faz o que quer, correndo o risco de se esbarrar pelos tantos andares da embarcação, mas, no fim, segue todo mundo junto, curtindo o mesmo rolê.

Férias que chama, né? Para que elas sejam sem perrengue, confira nosso post e saiba como evitar os mais comuns erros em viagens de cruzeiro.

Os pacotes de cruzeiro já incluem entrada a alguns espetáculos a bordo, que são altamente profissas!

Vários destinos em uma mesma viagem

Pensa comigo: de que maneira você viajaria para Miami, passaria por alguma ilha nas Honduras (Bay Islands), daria um pulo no litoral do México (Costa Maya, Cozumel), um mergulho nas praias das Bahamas…? Difícil fazer isso em uma semana por terra ou voando, não? Pois bem. Viajar de cruzeiro é como se você fosse para uma cidade que está transitando por uma região do mundo, passando por vários destinos. E aí, cabe a você descer para explorar o que há em terra ou não. “Ou não” porque é preciso considerar que o navio é cheio de atrações e piscinas e brincadeiras para crianças e comidas por todos os lados, e haverá dias em que você provavelmente vai querer apenas relaxar a bordo.

…relaxar a bordo, curtindo um visu desses, que registrei chegando a Nassau, Bahamas

É bem provável que você não dê conta de percorrer todos os pontos turísticos de cada destino ficando apenas poucas horas nele. Mas, por outro lado, você terá um panorama de uma região e, mais tarde, terá um certo repertório para poder definir cidades/destinos que merecem ser visitados com calma em uma outra viagem – e também descartar aqueles que algumas horinhas já deram mais do que conta do recado.

Soma-se a isso a vantagem de os percursos entre um destino e outro serem feitos à noite, enquanto você relaxa ou se diverte no cassino, bares e outras atividades. Isso significa que você não perderá tempo com deslocamentos, como facilmente ocorre quando se precisa a cada poucos dias fechar de novo as malas e enfrentar embarques e desembarques, seja em trem, ônibus, carro ou voos. Aliás, num navio, dá até tempo (e vontade) de desfazer toda a bagagem e arrumar as roupas no armário da cabine do cruzeiro. Afinal, ela será a sua casa do início ao fim da viagem.

E falando nisso, confira nossas ficas para escolher a melhor cabine de cruzeiro e localizações que você deve evitar. Também veja 7 motivos para reservar uma suíte em um cruzeiro.

Conforto e custo benefício dos cruzeiros

Eu jurava não valer a pena o valor pago para o tipo de viagem realizada. Achava que era muito mais barato pegar uma sequência de voos ou trens e ir conhecendo um canto do mundo por ar ou terra. Aí resolvi dar um basta no xalalá e ir às contas. E fiquei surpresa ao descobrir que uma viagem de cruzeiro de 3 noites pelo Caribe por custar R$ 965 por pessoa em acomodação dupla (veja os orçamentos da MSC Cruzeiros, mais adiante).

Royal Caribbean

Caribe

Em uma rápida busca no site da Royal Caribbean encontrei o pacote mais econômico por R$ 1.675 para um cruzeiro de 3 noites pelo Caribe saindo de Porto Canaveral, na Flórida, Estados Unidos. O valor inclui refeições (café da manhã, almoços e jantares) nos maiores restaurantes do navio, além de lanches por toda a parte. O pacote de bebidas é pago separadamente.

É claro que o valor pode subir consideravelmente se no pacote você desejar incluir internet, passeios em terra, jantares nos restaurantes de especialidades (veja alguns pratos abaixo), massagens ou tratamentos no spa… ou mesmo ficar em cabines mais luxuosas e espaçosas. Mas acho deu para se ter uma ideia de que o custo para viajar de cruzeiro pode estar bem longe de ser um absurdo!

MSC Cruzeiros

A MSC Cruzeiros faz viagens pela América do Sul, Caribe, Estados Unidos, Europa e vários outros destinos. Veja alguns valores que encontramos:

Costa Brasileira
Embarque: Rio de Janeiro
Desembarque: Santos
Noites: 3
Valor: R$ 1.505 por pessoa em acomodação dupla (promoção 2º hóspedes grátis)

Caribe
Embarque: Cabo Canaveral (Orlando)
Desembarque: Cabo Canaveral (Orlando)
Noites: 3
Valor: R$ 965 por pessoa em acomodação dupla (promoção Super Bingo)

Mediterrâneo
Embarque: Nápoles (Itália)
Desembarque: Barcelona (Espanha)
Noites: 3
Valor: R$ 1.812 por pessoa em acomodação dupla

Costa Cruzeiros

Costa Brasileira
Roteiro: Santos – Balneário Camboriú – Ilhabela – Santos
Noites: 3
Valor: R$ 1.767 por pessoa em acomodação dupla

Mediterrâneo
Roteiro: Barcelona, Marselha, Savona Barcelona
Noites: 3
Valor: R$ 1.318 por pessoa em acomodação dupla

*Valores por pessoa em acomodação dupla. Não inclui taxas de qualquer natureza que serão cobradas à parte. Sujeito a disponibilidade e alteração sem aviso prévio. 

Experiência única

E, bem… no fim de uma viagem de cruzeiro você pode muito bem se dar por satisfeito e preferir investir nas formas, digamos, mais tradicionais de passar as férias por esse mundão. Aposto as minhas fichas, no entanto, que você julgará que valeu a pena ter embarcado em um navio, nem que essa tenha sido a primeira e última vez da sua vida. Estar cercado pelo mar, longe da terra, sentir o ventinho que sopra sobre os oceanos à noite e acordar com o sol iluminando as águas é, mais do que um discurso poético, uma vivência. E é justíssimo que você se permita fazer isso pelo menos uma vez na vida.

Além disso, um cruzeiro não deixa de ser uma pequena e provisória sociedade em alto mar, formada por gente de tudo que é canto do mundo – sejam turistas ou integrantes da tripulação. Em poucos dias a bordo você já irá se familiarizar com alguns rostos. Reconhecerá aquele americano figurão que dá tudo de si na aula de hidroginástica, a família que sentou ao seu lado para assistir algum espetáculo artístico, quem sabe até já terá eleito os tripulantes mais divertidos que cruzaram o seu caminho (porque bom humor não falta). E, de repente, e tomara que sim, você até faça novos amigos a bordo! Porque também é pra isso que a gente viaja.


As imagens deste post são do Symphony of the Seas, cruzeiro da Royal Caribbean