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Azul, Gol e Latam na crise do coronavírus: confira a situação de cada empresa, o que está sendo feito e perspectivas para o futuro da aviação

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
18/04/2020 às 6:37

Azul, Gol e Latam na crise do coronavírus: confira a situação de cada empresa, o que está sendo feito e perspectivas para o futuro da aviação

O setor aéreo brasileiro dá sinais de força e resiliência frente a maior crise da história da aviação mundial, provocada pelo coronavírus. Preparamos um raio-x da situação da Azul, da GOL e da Latam frente a esse cenário desafiador, com dados sobre frota, destinos, parcerias e resultados recentes. Além disso, listamos as principais ações tomadas por cada empresa em meio à pandemia e perspectivas de futuro para essas companhias aéreas que, como as congêneres no mundo todo, travam uma verdadeira batalha pela sobrevivência. Confira nosso post exclusivo.

Azul

Frota da Azul

A Azul possui uma frota de 60 aeronaves Embraer E1 e E2, 38 Airbus A320/321neo, além de 33 turboélices ATR-75 para voos nacionais. Nas rotas internacionais de longo curso, utiliza 10 Airbus A330 e A330neo.

Em janeiro de 2020, a Azul assinou um acordo com a Breeze Airways e com a LOT para subarrendar 53 aeronaves Embraer de primeira geração, que seriam substituídas por modelos de segunda geração mais eficientes que já estão encomendados.

Destinos da Azul

A Azul terminou o último ano com 116 cidades atendidas, sendo dez delas em outros países. Entrou em rotas importantes, como a ponte aérea Rio-SP (Santos Dumont – Congonhas), além de inúmeros novos voos em Brasília, Santos Dumont, Recife e Belo Horizonte.

Chegou a iniciar as vendas para Nova York, seu mais novo destino internacional, cujo início de operação teve que ser adiado.

Recentemente a Azul também incluiu em seu inventário alguns destinos da Two Flex, empresa regional que foi adquirida no final de 2019.

Vale lembrar que entre março e maio de 2020 a Azul vai operar uma malha mínima, com cerca de 10% dos voos originalmente programados.

Companhias aéreas parceiras da Azul

TAP e United. Tem ainda acordos de compartilhamento de voos com a Copa e com a Turkish Airlines.

Número de passageiros transportados pela Azul

A companhia aérea transportou 27 milhões de passageiros em 2019, sendo responsável por metade do crescimento do número de passageiros no Brasil nos últimos 10 anos.

Faturamento e resultado da Azul

A Azul foi a companhia aérea mais rentável da América Latina em 2019, com uma receita líquida de R$ 11,4 bilhões. Fechou o último ano com um lucro líquido de R$ 437 milhões e mais de R$ 1,6 bilhão em caixa, dinheiro que será essencial para atravessar o período de crise causada pela pandemia de coronavírus.

Como a Azul está enfrentando a crise causada pela pandemia de coronavírus

A Azul suspendeu pagamentos de leasing de aeronaves e de outros fornecedores para proteger o caixa, enquanto paralisou a operação de 120 das 150 aeronaves. Além disso, conseguiu que mais de 10.000 funcionários tirassem licença não remunerada, além de reduzir os salários dos executivos. Contratou uma consultoria especializada para apoiar as renegociações de contratos e ajudar na redução de despesas.

Perspectivas da Azul após a pandemia

Ainda é cedo para afirmar, mas é provável que a Azul adie para 2021 ou até cancele a nova rota para Nova York, o destino mais atingido pelo coronavírus em todo o mundo. Além disso, a tendência é a empresa racionalizar outras rotas internacionais de longo curso, mantendo menos frequências para Orlando, Fort Lauderdale e Lisboa até que a demanda se recupere. Também deve reduzir o número de voos e de destinos nacionais, especialmente nas rotas menos rentáveis.

Tudo indica que a empresa tem fôlego para suportar uma demanda bem mais fraca do que o normal até o fim de 2020, se adequando rapidamente a nova realidade de mercado. A empresa, que é a mais otimista entre as companhias aéreas nacionais, ainda pode reduzir a quantidade de aeronaves encomendadas e fechar bases para reduzir custos, caso seja necessário.

 

GOL

Frota da GOL

A GOL possui uma frota de 130 aeronaves Boeing 737 NG. A empresa tem ainda 7 Boeing 737 MAX que estão impedidos de voar até que a aeronave seja novamente certificada.

Destinos da GOL

A GOL oferece voos para 76 destinos no Brasil, América do Sul, Caribe e Estados Unidos, incluindo os destinos regionais operados em parceria com a MAP e a VoePass.

Vale lembrar que entre março e maio de 2020 a GOL vai operar uma malha mínima, com cerca de 10% dos voos originalmente programados.

Companhias aéreas parceiras da GOL

A GOL possui acordo de compartilhamento e comercialização de voos com a Air France, KLM, Aeromexico, Aerolineas Argentinas, Copa, MAP e VoePass. Além disso, recentemente anunciou parceria com a American Airlines.

Número de passageiros transportados pela GOL

A companhia fechou 2019 com 36,4 milhões de passageiros transportados.

Faturamento e resultado da GOL

A GOL fechou o último ano com uma receita líquida de R$ 13,9 bilhões e lucro líquido de R$ 179 milhões.

Como a GOL está enfrentando a crise causada pela pandemia de coronavírus

A GOL desistiu de reincorporar a Smiles, e se concentrou na redução de custos, renegociação de dívidas com vencimentos nos próximos meses, e no replanejamento de frota, reduzindo encomendas e devolvendo aeronaves que estavam com contrato temporário de arrendamento. A empresa também cortou 90% dos voos e negociou acordo de redução de jornada e de salário com seus funcionários.

Perspectivas da GOL após à pandemia

Ainda é cedo para afirmar, mas a tendência é a empresa não volte a operar voos para os Estados Unidos, Equador e Caribe no curto prazo. Também deve reduzir  o número a frequência de voos nas rotas nacionais e para a América do Sul, até que a demanda se recupere. A operação de voos em destinos regionais pode ser revista, já que demanda já estava abaixo do esperado antes da crise começar.

Tudo indica que a empresa tem fôlego para suportar uma demanda bem mais fraca do que o normal até o fim de 2020, se adequando rapidamente a nova realidade de mercado. A GOL acertou um acordo com a Boeing quanto ao 737 MAX, que incluiu compensação financeira, pagamentos e uma redução de pedidos firmes de novas aeronaves de 129 para 95 Boeing 737 MAX. Também optou por encerrar o contrato de leasing de algumas aeronaves para reduzir seu endividamento.

 

Latam

Frota da Latam

O Grupo Latam Airlines conta, ao todo, com 332 aviões, incluindo Airbus A350, A321, A320neo, A320 e A319, além de jatos da Boeing 787, 777 e 767. Desse total, 158 aeronaves são utilizadas pela empresa no Brasil.

Destinos da Latam

O grupo Latam oferece voos para 145 destinos, em 26 países. No Brasil são 45 cidades atendidas, algumas em parcerias com a VoePass. Também possui operações domésticas em alguns países da América Latina, como no Chile, Argentina, Colômbia, Equador e Peru. Opera voos para várias cidades na Europa, Estados Unidos, México, Oceania, África e Ásia.

Vale lembrar que entre março e maio de 2020 a Latam vai operar uma malha mínima, com cerca de 10% dos voos originalmente programados.

Companhias aéreas parceiras da Latam

A empresa iniciou recentemente uma ampla parceria estratégica com a Delta, que a levou a encerrar o acordo que mantinha com a America Airlines. Possui ainda compartilhamento de voos com a Qatar, British e Iberia. Acertou a saída da aliança Oneword a partir de 1° de maio.

Número de passageiros transportados pela Latam

A Latam Brasil transportou 38,7 milhões de passageiros em 2019. Considerando as demais operações da empresa em outros países, o total sobe para 74,19 milhões de passageiros.

Faturamento e resultado da Latam

O grupo Latam Airlines registrou lucro líquido de US$ 190,4 milhões (equivalente a R$ 1 bilhão) em 2019. A receita total foi de US$ 10,43 bilhões (equivalente a R$ 54,7 bilhões) no ano passado. Esses valores consideram as operações em todos os países onde o grupo atua.

Como a Latam está enfrentando a crise causada pela pandemia de coronavírus

A Latam reduziu em 95% suas operações nos meses de abril e maio e deve manter um volume muito pequeno de voos pelo menos até o fim de junho, com boa parte das aeronaves no chão. Negociou acordo de redução de jornada e de salário com seus funcionários. No fim de 2019 o grupo recebeu um aporte de US$ 1,9 bilhão (aproximadamente R$ 10 bilhões) da Delta, equivalente a 20% das ações do grupo. Sem dúvida, um recurso valioso para atravessar a crise.

Perspectivas da Latam após a pandemia

A Latam pediu recuperação judicial em maio de 2020. de suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos. As unidades do Brasil, Argentina e do Paraguai não foram incluídas, pelo menos por enquanto. A empresa acredita que a retomada da demanda por viagens será lenta e gradual, chegando a 70% do que era antes da pandemia apenas no primeiro semestre de 2021. Isso se não houver um desdobramento negativo do número de infecções pelo coronavírus, o que pode levar a novas medidas restritivas pelos governos no Brasil e no mundo inteiro, como a manutenção do fechamento de fronteiras, pontos turísticos, comércio e restaurantes.

Ainda é cedo para afirmar, mas a tendência é a empresa reduzir o número de destinos e de voos internacionais, se concentrando nas rotas com maior demanda. No mercado doméstico, a tendência é a redução de frequências até que a demanda se recupere. Entre as empresas que operam voos nacionais no Brasil, a Latam é a mais capitalizada.

 

Comparativo

Preparamos dois quadros resumos com as principais informações de Azul, Gol e Latam, além das ações que estão feitas em meio à pandemia e as perspectivas de cada empresa para os próximos meses.

Raio-x da aviação no Brasil 

Ações e perspectivas para a aviação no Brasil frente ao coronavírus


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