Viajar em época de coronavírus: como se proteger durante o voo e em áreas de aglomeração

Bruna Scirea
3/03/2020  ·  23:07Publicado 3 · mar · 2020  ·  23:07Atualizado 14 · mar · 2020

Viajar em época de coronavírus: como se proteger durante o voo e em áreas de aglomeração

O avanço do coronavírus na China e mais recentemente no norte do Itália tem colocado turistas em alerta, sobretudo os com viagem marcada para a Ásia e Europa nos próximos dias. Muitas companhias aéreas já suspenderam suas operações para Xangai, Pequim e Wuhan e estão permitindo que viajantes com passagem para aeroportos italianos como os de Milão, Verona e Veneza remarquem seus voos gratuitamente.

Embora o Ministério da Saúde do Brasil no momento desaconselhe somente viagens para a China, há cuidados que podem e devem ser tomados por todos os passageiros que passarão pelos aeroportos internacionais e áreas de aglomeração como pontos turísticos.

Leia mais:
Coronavírus na Itália: ainda é seguro viajar para o país após o surto?
Os melhores seguros de viagem na avaliação dos viajantes!

Eu me incluo nesta galera: na primeira semana de março embarco para a Tailândia, com conexão no Catar. E imagino que, assim como eu, muitos leitores também estejam preocupados com alguns cuidados e buscando formas de se proteger, principalmente durante os voos (o meu será de 16 horas!). Então compartilho aqui informações importantes para afastar o pânico e dicas essenciais de órgãos como a Organização Mundial da Saúde e a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA).

Viagem internacional marcada: ir ou não?

Essa é uma decisão completamente pessoal e deve ser pensada levando em conta a situação no local de destino. O governo brasileiro desaconselha somente viagens para a China, para onde muitas companhias aéreas já suspenderam voos. Na Europa, os casos ainda estão mais restritos à região norte da Itália, onde ficam cidades como Milão, Turim, Verona e Veneza.

Vale acompanhar as notícias sobre o destino da viagem e ficar atento se atrações estão funcionando normalmente ou foram fechadas em função da epidemia. Caso a decisão seja adiar ou cancelar a viagem, entre em contato com a companhia aérea e veja quais as condições empregadas. Neste post estamos constantemente atualizando os comunicados já emitidos pelas companhias em relação à flexibilização nas políticas de remarcação e cancelamento.

Qual a melhor maneira de se proteger do coronavírus?

A transmissão da maior parte das viroses respiratórias, como é o caso do coronavírus, ocorre por meio das gotículas de salivas de pessoas infectadas. Então a primeira dica é simples, mas não pode ser esquecida: evite ficar muito próximo a pessoas que demonstrem sintomas como espirro e tosse. O ideal é evitar contatos pessoais a menos de dois metros em áreas de grande aglomeração – sobretudo em áreas com mais casos da doença.

Os especialistas também são unânimes: a melhor maneira de evitar o contágio do coronavírus é fazendo uma boa e frequente higienização das mãos, evitando colocá-las em contato com o rosto (principalmente boca, nariz e olhos). O jeito ideal de limpar as mãos é com água e sabão, cuidando para esfregar também a parte posterior, não apenas as palmas. Quando não for possível, o álcool em gel pode ser utilizado – mas ele vem como segunda opção. Esta é uma medida importante porque as gotículas de pessoas infectadas podem estar em superfícies em que você eventualmente irá encostar, como corrimões, aberturas de portas etc. Leia aqui as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Etiqueta a bordo

Em tempos de coronavírus, os bons modos (pra não dizer apenas bom senso) a bordo de aviões e em áreas de aglomeração, como salas de embarque, são mais do que bem-vindos. É de bom tom querer proteger os outros e as superfícies ao seu redor das gotículas que sairão de você quando espirrar, por exemplo. Aliás, você certamente ficaria bolado caso alguém desse uma chuva de saliva em você, não?

Para isso, o ideal é ter sempre por perto lencinhos de papel, que possam ser descartados logo após o uso. Se não houver lenços por perto, outra forma de evitar o contágio e seguir a etiqueta, é espirrar ou tossir na dobra interna do braço, próximo ao cotovelo. E, claro, sempre que possível lavar e secar as mãos.

Vale lembrar que um dos principais sintomas do coronavírus é a febre alta, geralmente acima dos 38 graus. Fique atento a sinais característicos de resfriados, como dor de garganta, tosse, febre… e reconsidere seus planos de viajar caso esteja com estes sintomas. Por outro lado, se alguém perto de você estiver apresentando estes sinais, comunique gentilmente aos comissários – existem procedimentos estabelecidos que a equipe a bordo pode adotar para separar uma pessoa e minimizar o risco para outras, recomenda David Powell, que faz parte do conselho médico da IATA.

Adianta usar máscaras?

De acordo com especialistas, máscaras são úteis quando utilizadas por pessoas que apresentam tosse ou espirros. Para os demais, o médico David Powell afirma não serem realmente protetivas, além de darem uma falsa sensação de segurança que faz com que o passageiro esqueça de outros cuidados mais efetivos, como lavar as mãos e não levá-las ao rosto.

Outro fator a ser considerado é que as máscaras compradas em farmácia frequentemente não têm capacidade de impedir a passagem do vírus pelo tecido. Em voos muitos longos, as máscaras também pode ficar úmidas, propícias para o desenvolvimento de vírus e bactérias. Ainda assim, quem decidir usá-las deve optar pelo modelo N95 (que protege de aerossóis sólidos), descartá-la imediatamente após o uso e continuar não encostando a mão na boca ou no nariz.

O ar do avião propaga o coronavírus?

Conforme e Organização Mundial de Saúde, o risco de contágio durante um voo não é maior do que em outros locais, como edifícios empresariais e salas de embarque de aeroportos. Conforme o órgão, o ar dentro de uma aeronave é completamente renovado entre 20 e 30 vezes por hora – para isso, um pouco de ar de fora da aeronave é sugado para dentro e outra parte é reciclada.
De acordo com David Powell, conselheiro da IATA, o ar recirculado passa por filtros que são os mesmos utilizados em salas cirúrgicas e voltam para a aeronave praticamente 100% livres de vírus e bactérias. Assim, o risco de contágio dentro de um avião não se daria pelo ar fornecido, mas pelo contato direto com pessoas infectadas.

Qual o lugar mais protegido do avião?

De acordo com estudos realizados em 2018, levando em conta a movimentação dos passageiros e o contato entre eles dentro de uma aeronave, os assentos mais seguros num voo seriam os da janela. Isso porque geralmente o passageiro que opta a janela acaba se levantando menos ao longo da viagem (encostando menos em superfícies) e tem em seu raio contato com um número menor de pessoas do que um passageiro que se senta ao lado do corredor, por exemplo.
Outra boa pedida é tentar não ficar ao lado dos banheiros da aeronave, onde há um fluxo maior de pessoas. Mas vale o destaque: as chances de contágio dentro de um avião não são menores do que em um metro ou em ônibus ou qualquer outro local aglomerado. Então mais do que se preocupar com o assento ideal, você deve garantir o básico: mãos limpas e longe do rosto.

Seguro viagem

Por fim, em épocas de viroses, torna-se ainda mais necessária a contratação prévia de um bom seguro viagem. Só fique atento se o plano escolhido contempla o seguro para doenças em casos de epidemia, como o coronavírus.