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O piloto sumiu! Novo sistema permitirá que aviões da Airbus voem sozinhos

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
04/07/2020 às 6:10

O piloto sumiu! Novo sistema permitirá que aviões da Airbus voem sozinhos

A Airbus iniciou em 2018 o desenvolvimento de um sistema autônomo de taxiamento, decolagem e pouso de aeronaves, denominado ATTOL (em inglês, Autonomous Taxi, Take-Off and Landing). A novidade completou a primeira fase de testes essa semana e deve equipar as próximas gerações de aviões comerciais da empresa. No total, foram realizados mais de 500 voos com essa tecnologia que tem potencial para revolucionar a aviação mundial.

Calma! Isso não quer dizer que teremos voos sem pilotos humanos, pelo menos por hora. Mas essa tecnologia provavelmente irá mudar de maneira permanente a forma como os pilotos controlam as aeronaves, além de tornar a operação aérea mais segura e viável em baixas condições de visibilidade.

Objetivos da Airbus com o sistema de pilotagem autônoma

De acordo com a Airbus, o voo autônomo tem como objetivo inicial proporcionar mais economia de combustível, reduzir os custos operacionais das companhias aéreas e apoiar os pilotos na tomada de decisões estratégicas e no gerenciamento dos voos, concentrando-se menos nas operações da aeronave.

Essa operação aprimorada também permitirá que a tripulação organize melhor sua presença na cabine de comando durante o voo de cruzeiro (quando a aeronave atinge uma altitude estável e segura, mantendo uma velocidade constante). Assim, de acordo com a fabricante, os pilotos podem alcançar um melhor equilíbrio entre o tempo de trabalho e o descanso, otimizar o gerenciamento de fadiga em voos de longo alcance e concentrar-se nas tarefas mais estratégicas para aumentar a segurança.

A automação poderá reduzir ainda a necessidade de se manter dois pilotos na cabine e até mesmo permitir voos sem pilotos humanos num futuro mais distante, ajudando o setor de aviação a enfrentar a escassez desses profissionais tão especializados. Vale lembrar que isso já aconteceu no passado, quando os aviões mais modernos deixaram de demandar três pilotos nas cabines dos grandes aviões comerciais. Além disso, o piloto automático é amplamente utilizado em diferentes fases do voo hoje.

Se formos pensar bem, em outros setores essa tecnologia está bem mais próxima da nossa realidade do que imaginamos. O metrô da linha 4 (amarela) de São Paulo funciona de forma totalmente autônoma, sem maquinista, desde a sua implantação. Nos Estados Unidos, a Uber e a Apple já testam há vários anos carros autônomos, que já circulam em determinadas cidades em caráter experimental. E, agora, essas tecnologias começam a influenciar o desenvolvimento de voos mais autônomos.

Imagem: Airbus

Como funciona a tecnologia de voos autônomos

A tecnologia que está sendo trabalhada pela Airbus utiliza visão computacional avançada e aprendizado de máquina, com sensores e câmeras. Algoritmos permitirão que uma aeronave faça o taxiamento, decole e aterre sozinha – sem a ajuda do aeroporto ou dos sistemas de satélite.

“Muitas aeronaves já conseguem pousar automaticamente nos dias atuais”, disse Sébastien Giuliano, líder do projeto ATTOL. “Mas elas dependem de infraestrutura externa como ILS (Instrument Landing System), usada para auxiliar operações por instrumentos, ou sinais de GPS. O ATTOL vai tornar isso possível, usando exclusivamente a tecnologia de bordo para maximizar a eficiência e reduzir os custos de infraestrutura”.

Um software chamado Wayfinder vai permitir que uma aeronave detecte seu ambiente circundante e calcule a melhor forma de navegar dentro dele. Muito parecido com um carro autônomo, ele usa sensores como câmeras, radar e LiDAR (um método de detecção baseado em laser e em poderosos computadores de bordo).

“O principal desafio para as capacidades de autopiloto é como o sistema reage a eventos imprevistos”, explica Arne Stoschek, executiva do projeto Wayfinder. “Esse é o grande salto de automatizado para autônomo”, complementa.

Mais de 500 voos de teste

A primeira fase de testes contemplou mais de 500 voos. Aproximadamente 450 foram dedicados à coleta de dados brutos de vídeo, para suportar e ajustar algoritmos, enquanto uma série de seis voos de teste, cada um incluindo cinco decolagens e pousos por corrida, foram usados ​​para testar recursos de voo autônomos.

Reprodução – Airbus

Uma combinação personalizada da interação humano-máquina

A Airbus reconhece que, além dos desafios técnicos, as tecnologias de voo autônomas também devem obter aceitação do público. E os passageiros estão acostumados a ter dois pilotos na cabine de comando… Mas Arne acredita que isso pode mudar com o tempo: “Os elevadores costumavam ter operadores, por exemplo, mas esse conceito parece estranho hoje. Com nosso histórico de segurança, a Airbus estará posicionada para conduzir essa mudança.”

Enquanto isso não acontece, a empresa destaca que o voo autônomo não é uma proposta de tudo ou nada: é uma combinação personalizada de humanos e máquinas que evoluirá com o tempo. Os sistemas estão focados no gerenciamento da aeronave enquanto o piloto permanece no centro da operação para tomar decisões, recebendo todas as informações necessárias e tempo para analisá-las. Esse é um objetivo para o qual é essencial a tecnologia de processamento de imagem por trás do ATTOL e do Wayfinder.

Pilotos da Azul na cabine do Airbus A320neo


Será que as atuais gerações estão preparadas para um voo sem pilotos humanos? Provavelmente não! Por isso, é provável que essa mudança seja lenta e gradual, reduzindo daqui a alguns anos a demanda de dois para apenas um piloto. Mas, para isso acontecer, a aeronave terá que ter capacidade de se virar sozinha, já que se algo acontecer com o único piloto, não terá ninguém capacitado para substituí-lo.

A empresa também liberou um vídeo de um desses voos de teste. Nele, dá pra notar que o piloto intuitivamente tenta tocar no controle do avião na hora da decolagem, mas é orientado pelo instrutor a ficar parado e deixar a máquina fazer todo o trabalho sozinha.

 

E você, viajaria num avião sem pilotos humanos? Comente e participe!

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