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Como ser piloto de avião: o passo a passo, provas necessárias e o mercado da aviação

Rafael Castilho
Rafael Castilho
29/07/2020 às 5:03

Como ser piloto de avião: o passo a passo, provas necessárias e o mercado da aviação

Ser piloto de avião é uma das carreiras que mais mexe com a paixão do ser humano. Deixar para trás o sonho de infância de se divertir com aviões de brinquedo e efetivamente sentar num cockpit e voar com um de verdade. Quem nunca sonhou em pilotar um Boeing ou um Airbus? Tirar da pista dezenas de toneladas e voar por aí? A formação de um piloto de avião é complexa, requer muito estudo e dedicação. Além é claro de investimento financeiro alto principalmente no início da formação. Conheça neste post um pouco do mercado da aviação e veja o passo a passo para se tornar um piloto de uma companhia aérea.

Como ser piloto de avião

Tipos de Carteiras de Piloto de Avião

Piloto Privado (PP)

A entrada do mundo de pilotagem de aviões é a carteira de Piloto Privado – PP. Os interessados devem procurar o aeroclube de sua cidade ou uma escola reconhecida pela Anac mais próxima de sua casa. Você deve ter mais 18 anos e o ensino médio completo. Outra pré-requisito é a realização do exame médico pra obtenção do Certificado Médico Aeronáutico de 2ª Classe. O exame é realizado em clínicas habilitadas pela Anac. Encontre aqui a clínica mais próxima de você. Antes de realizar o exame é obrigatório o cadastro na Agência Nacional. O custo para o exame inicial é de cerca de R$ 450, já a revalidação sai por R$ 270.

O custo do curso teórico de Piloto Privado em algumas escolas pode passar dos R$ 2.500. Mas com disciplina e vontade, o aluno pode estudar por conta própria. As aulas são bem puxadas devido ao conteúdo extenso e teórico. Mas com a paixão pela aviação você tirará de letra. São quase 4 meses de aulas estudando as seguintes matérias:

  • Conhecimentos Técnicos;
  • Meteorologia;
  • Teoria de Voo;
  • Navegação Aérea;
  • Regulamentos de Tráfego Aéreo.

Com o exame na mão, o aluno já pode começar a melhor parte do curso: os voos. O valor varia bastante de cidade para cidade e do tipo de aeronave. É hora de abrir a sua Caderneta Individual de Voo (CIV) que pode ser Física ou Digital. A mais tradicional é a física, mas agora é possível fazer a digital que está disponível no Sistema Integrado de Informações da Aviação Civil (SACI), da Anac.

Ao final do curso teórico, é hora de fazer a prova da Anac. Se prepare, pois é puxado. O teste para PP está dividido em cinco grupos distintos: o primeiro sobre as matérias de Regulamentos de Tráfego Aéreo, Regulamentação da Aviação Civil e SIPAER; o segundo sobre Meteorologia; o terceiro sobre Navegação Aérea; o quarto sobre Teoria de Voo; e o quinto com a matéria de Conhecimentos Técnicos.

O candidato tem 3 horas para terminar a prova digital e deve acertar 70% das 100 questões. Não pode acertar menos de 14 questões em cada segmento. Caso o candidato seja reprovado em até duas das cinco matérias, ele poderá fazer uma nova prova apenas com as matérias nas quais não foi aprovado. Se for reprovado novamente, dessa vez perderá suas chances e terá de voltar ao início e fazer novamente as cinco provas, inclusive aquelas nas quais já havia sido aprovado.

Não há limites de vezes para se refazer a prova. Mas a cada tentativa o aluno deve pagar por cada matéria o valor de R$ 68,21. Na prova inicial, com cinco matérias, o gasto total será de R$ 341,05.

Com a aprovação na prova da Anac e com o mínimo de 40 horas voadas ( sendo obrigatório 10 horas de voo solo diurno, incluindo 5 horas de voo de navegação), o aluno poderá realizar o exame de cheque com um piloto autorizado pela Anac, que pode ser um inspetor de Aviação Civil (os chamados inspacs) ou mesmo um instrutor da escola. O custo da checagem é de R$ 300 de taxas mais as horas de voo. Aprovado, o novo piloto está apto a fazer voos não remunerados em monomotores. Já será um piloto de avião! Veja mais detalhes no site da Anac.

Piloto Comercial (PC)

Para avançar na carreira de piloto, o aluno deve novamente voltar à sala de aula e voar mais horas. Com a carteira de Piloto Privado na mão, deve ser feita a inscrição em um novo curso técnico agora de Piloto Comercial – PC, onde as matérias se repetem, mas com enfoques mais específicos para a profissionalização. São estudados:

  • Conhecimentos Técnicos;
  • Meteorologia;
  • Teoria de Voo;
  • Navegação Aérea;
  • Regulamentos de Tráfego Aéreo.

A prova da Anac repete a mesma metodologia, onde é obrigatório o acerto mínimo de 70% das questões. O custo é o mesmo da prova de PP.

O aluno também deve tirar um novo Certificado Médico Aeronáutico, mas agora de 1ª Classe. E realizar muitas horas de voos. São 150 horas mínimas de voo, das quais 60 horas têm de ser de navegações (voo por instrumentos, com no mínimo 40 milhas de distância). Aqui também rola os voos noturnos para treinar a habilidade do piloto. Veja mais detalhes no site da Anac.

Aprovado na prova teórica da Anac e também no voo, o piloto já estará habilitado para trabalhar como piloto comercial. Para seguir na carreira há mais alguns passos, como se habilitar em IFR (voos por instrumento) e em multimotores (diferentes tipos de aeronaves).

– Voo por Instrumentos (IFR)

O voo por instrumentos é uma habilitação adicional às licenças. Normalmente é realizado em conjunto com o curso de Piloto Comercial. Durante estes estudos, o aluno aprenderá e desenvolverá a habilidade de operar aeronaves com segurança sob condições meteorológicas que não permitem a realização do voo visual, onde o piloto de avião utilizará os instrumentos de bordo necessários para esta prática. Novamente o aluno passará por um voo de cheque feito por um examinador da Anac para conseguir esta habilitação.

– Voo em Multimotor

Esta é mais uma habilitação adicional que a maioria dos alunos faz com o curso de Piloto Privado. Parte das horas mínimas para PC são feitas em aviões em multicolores, normalmente um bimotor. Assim na hora da checagem da Anac, o piloto realiza um único teste de voo para PC IFR Multimotor.

Instrutor de voo (INVA)

Outra possibilidade de seguir carreira na aviação é ser instrutor de voo. Aqui novamente o aluno terá que estudar para mais uma prova da Anac. Diferentemente das outras habilitações, o curso de instrutor foca também nas relações interpessoais, processo de ensino e aprendizagem. O objetivo é dar bagagem ao piloto para ele se tornar um professor de voo. Além da prova teórica, o futuro instrutor terá que realizar no mínimo 25 horas de voo e passar por um voo de cheque.

Muitos pilotos que buscam chegar a uma companhia aérea encontram na instrução de voo uma forma de ganhar horas de experiência sem ter que por a mão no bolso. Acumula horas e ainda ganha um salário.

Piloto de Linha Aérea (PLA)

Este é o topo da carreira em relação à certificação oficial. Aqui novamente é feita uma prova teórica da Anac. Mas os requisitos mínimos para obtenção desta carteira são altos. O piloto deve ter no mínimo 21 anos e 1.500 horas de voo.

A certificação completa de PLA não é obrigatória para ingressar nas companhias nacionais, mas é um grande diferencial. Algumas exigem somente o PLA teórico, que seria a aprovação na prova da Anac sem o voo de cheque. Mas para tornar-se comandante a carteira de PLA deve ser completa. Já no exterior, o certificado de Piloto de Linha Aérea é obrigatório.

Investimento para se tornar piloto

Se tornar piloto não é barato. Você pode até economizar. Ao invés de realizar cursos técnicos, você pode estudar por conta e fazer a prova da Anac. Mas o que pesa mesmo são as horas de voo que passam facilmente dos R$ 500 por hora. Aqui não tem escapatória: terá que colocar a mão no bolso. Você pode buscar aeroclubes no interior ou em cidades menores onde o custo da hora de voo é mais baixo do que nas capitais. Segundo estimativas, um piloto gasta do início até a obtenção da licença comercial de R$ 90 mil até R$ 140 mil. Neste custo está incluído treinamentos, horas de voos, cursos teóricos, matérias didáticos, exame médico e provas da Anac.

Como acumular horas de voo?

O nível básico para qualquer piloto chegar a uma companhia aérea ou trabalhar na área é tirar a licença de Piloto Comercial IFR Multimotor. Para conseguir esta carteira o aluno terá acumulado no mínimo 150 horas de voo, mas as grandes empresas chegam a exigir de 500 horas ou até mais de 1.000. Mas como acumular tudo isto sem quebrar financeiramente?

A maioria dos pilotos formados no Brasil segue dois caminhos com empregos trampolins: piloto freelancer ou instrutor de voos. Para ser instrutor, ele terá de voltar aos estudos e fazer uma nova prova da Anac. Já como piloto freelancer terá que ter paciência e força de vontade para aguentar este mercado disputado e pouco valorizado. Como freelancer, o novo piloto será contratado para voos privados para empresários, puxará faixas nas praias, pulverizará campos agrícolas, e outros voos. Assim as horas necessárias serão alcançadas aos poucos.

Como entrar no mercado de aviação comercial

Cada companhia tem uma exigência mínima de horas para que o piloto possa se inscrever no processo seletivo. Também é obrigatória alguma proficiência no idioma inglês. Cursos extras, faculdade de ciências da aviação e carteiras de habilidades em determinada aeronave são diferenciais positivos durante a candidatura.

Vale destacar que o número de horas de voo exigidas muda em cada companhia, mas em média varia de 500 a 1500. Na Latam, por exemplo, é exigido 500 horas de voo, licença de Aeronaves Multimotores/Tipo (CHT), licença de Jato ou Jet Trainning, licença de voo por instrumentos (IFR), licença de Piloto Comercial, proficiência linguística (inglês ICAO 4 ou superior), habilitação como Piloto de Linha Aérea teórico (CCT PLA), Curso Superior Completo, além de ser brasileiro ou naturalizado.

Os requisitos da quantidade de horas pode ser alterado durante crises econômicas quando há grande oferta de pilotos experientes no mercado. Durante a crise de 11/09 a Latam chegou a exigir 5.000 horas no mínimo. A atual crise de Covid-19 já está atingindo em cheio o mercado da aviação. Por todo o mundo companhias aéreas podem sumir e muitas outras estão dispensando funcionários ou colocando em lay-off. Assim, com pouca demanda e muita oferta de pilotos experientes no mercado, o nível exigido para novas contrações deve ficar mais rígido no curto prazo.

No Brasil, Azul, Gol e Latam estão com a maior parte da frota no chão e muitos funcionários em casa em férias não remuneradas. Confira a situação de cada empresa, o que está sendo feito e perspectivas para o futuro da aviação.

Habilitações de Classe e Tipo de Avião

A cada tipo de aeronave o piloto deve se preparar e tirar a habilitação específica. Aqui no Brasil, as companhias aéreas providenciam o treinamento. Mas pilotos já com habilitações levam vantagem nos processos seletivos e após a contratação o piloto passa por mais de 250 horas de treinamento entre teórico e simulado e cerca de 100 horas de voos acompanhados por instrutor.

Em outros países, algumas companhias não pagam o estudo para a habilitação de classe e tipo de avião e só aceitam pilotos já habilitados. Se Fort tirar por conta, o curso é caro. Para se ter uma ideia, um piloto que queira ser certificado no A320, uma das aeronaves mais populares, pagará cerca de US$ 15.000 pelo curso, que inclui horas no simulador e estudos teóricos.

Quanto ganha um piloto de avião comercial?

O salário médio dos pilotos de aeronaves da aviação civil no Brasil é de R$ 16.470, sendo que a maioria desses profissionais (66%) possui remuneração acima dos R$ 11 mil. Os dados são do Anuário Brasileiro de Recursos Humanos para Aviação Civil 2019, do Instituto Brasileiro de Aviação. No Brasil, a Latam é a companhia que melhor paga seus pilotos iniciantes, já a Azul tem os salários mais baixos.

Com crescimento do mercado mundial, principalmente o asiático, o piloto de avião tem sido muito disputado e em alguns lugares a remuneração pode chegar aos R$ 100 mil mensais. Mas vale lembrar, as empresas que pagam mais são em países com culturas e rotinas de trabalho bem diferentes da nossa brasileira.

Mercado para os pilotos comerciais

Com um mercado crescente e com poucos pilotos disponíveis, principalmente devido ao alto custo da formação, a carreira é bem dinâmica e muito promissora. Dificilmente um bom profissional ficará desempregado.

A principal demanda por pilotos vem da região da Ásia e Pacífico que responde a cerca de 35% do tráfego mundial no último ano. Segundo a Boeing, serão necessários 637 mil novos pilotos em todo o mundo para suprir o crescimento da aviação nos próximos 15 anos. Somente a região da Ásia e Pacífico vai precisar de 253 mil novos pilotos nesse período, ou 40% do total de novos profissionais. Só a China precisa de cerca de 5 mil pilotos por ano.

Com a grande demanda, a expectativa é que falte pilotos nos próximos anos. De acordo com o Departamento de Aviação da Universidade de Dakota do Norte, os Estados Unidos devem registrar um deficit de 15 mil pilotos até 2026.

Vale destacar que mesmo com a atual crise do Covid-19 o mercado continuará pujante no longo prazo. O Coronavírus atingiu em cheio o mundo da aviação e muitas empresas estão passando por reestruturação. Isto deve provocar demissões e o mercado de piloto de avião será atingido no curto prazo.

Mercado brasileiro para pilotos

O Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de aeronaves. São cerca de 10 mil, sendo cerca de 500 das companhias aéreas e o restante servindo voos privados, agrícolas, táxi aéreos e puxadores de faixas em praias. Apesar deste grande número de aeronaves o mercado é pequeno se analisarmos que a maioria dos pilotos em início de carreira sonham em entrar nas companhias aéreas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Aviação, 98% dos pilotos brasileiros são homens e 2% mulheres, sendo que 66% do total trabalham em companhias aéreas e 9% em empresas de táxi aéreo.

Pontos positivos da carreira de piloto de avião

O item positivo mais citado pelos pilotos é a realização da paixão em voar. Aqui está a maior motivação da carreira. A realização da vocação e a sensação de dominar uma máquina aliada a bons salários também são destacados pelos pilotos. Outros pontos apresentados: possibilidade de trabalhar em qualquer país do mundo, viajar a trabalho ou a lazer aproveitando os benefícios para funcionários de companhias aéreas.

Pontos negativos da carreira de piloto de avião

O principal ponto negativo é os efeitos da aviação sobre a saúde do piloto. Eles relatam um forte desgaste devido à radiação, insalubridade, vibração, ruído, jet leg, e outros problemas que interferem negativamente na qualidade de vida e de saúde. Outro ponto destacado é viajar para lugares indesejados e a relação com a família e a vida social, pois devido à escala de voo muitas datas importantes são passadas longe dos familiares e muitas noites são dormidas fora de casa.

Se animou? Quer se tornar piloto de avião? Deixe um comentário abaixo e conte-nos o porquê sonha com esta profissão.