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Aerovias: quais são e como funcionam as rotas utilizadas pelos aviões

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
21/04/2020 às 8:46

Aerovias: quais são e como funcionam as rotas utilizadas pelos aviões

Quando um voo comercial decola, o piloto não tem total liberdade para definir o caminho que a aeronave deve seguir até o destino final. É preciso seguir as aerovias, ou rotas aéreas pré-estabelecidas, que no Brasil são de responsabilidade do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Nesse post explicamos como funcionam esses corredores por onde os aviões se deslocam e o que é feito para garantir a segurança e a eficiência desse sistema.

O que é uma aerovia?

São tipos de corredores virtuais que delimitam a trajetória e a altitude que as aeronaves devem seguir num terminado espaço aéreo, permitindo que o piloto, através do equipamento de navegação da aeronave, consiga conduzir o voo com segurança e precisão.

Reprodução. Fonte: DECEA

Vários aviões podem voar simultaneamente numa mesma aerovia. É a separação vertical das aeronaves, ou seja, a altitude (ou nível de voo), que garante a segurança das operações. Para isso, a distância mínima entre aviões numa mesma rota deve ser de 1.000 pés (305 metros). Ou seja, se numa estrada os carros podem andar lado a lado, numa aerovia os aviões podem andar um sobre outro, em diferentes níveis de voo.

Reprodução. Fonte: DECEA

Além disso, como muitas aerovias são de mão dupla, o controle de tráfego aéreo utiliza níveis de voos em altitudes pares e ímpares, dependendo da direção, para impedir que dois aviões se cruzem em direções diferentes. É a chamada regra semicircular ou hemisférica, aplicada no mundo inteiro.

Novo padrão de navegação aérea

Na última década o Brasil, junto com outros países, implantou a Navegação Baseada em Performance (PNB – Performance Based Navigation), um novo padrão de controle do espaço aéreo que utiliza a orientação por satélite e recursos digitais (RNAV), ao invés do controle via rádio e ondas eletromagnéticas que dependia de antenas instaladas no solo. É como se fosse o Waze dos pilotos, só que mais preciso. Esse novo padrão exige que as aeronaves tenham um equipamento embarcado capaz de calcular sua posição geográfica sem a necessidade do auxílio de solo, permitindo que o piloto a mantenha dentro dos limites da aerovia.

Com a implantação desse novo padrão as aerovias foram redefinidas e as aeronaves passaram a seguir trajetórias de voos mais curtas, diretas e precisas, sem precisar fazer deslocamentos desnecessários para se aproximar das antenas instaladas no solo. Veja na imagem o comparativo de uma rota com auxílio de navegação em solo (em verde) e com orientação por satélite (em vermelho).

Reprodução. Fonte: DECEA

Além de um menor tempo de voo, essa tecnologia contribui para um menor consumo de combustível e de emissões de gases poluentes, agilizando pousos e decolagens e reduzindo o acúmulo de aeronaves nos terminais aéreos.

Há ainda uma tecnologia mais avançada que adiciona padrões de desempenho específicos nos sistemas de navegação por satélite (RNAV), chamada de Performance de Navegação Requerida (RNP da sigla em inglês). Nesse caso, o próprio sistema embarcado na aeronave faz um monitoramento em tempo real da rota planejada e executada, alertando imediatamente os pilotos em caso de desvio. Tal inovação aumenta ainda mais a precisão da navegação aérea, permitindo uma redução do distanciamento entre as aeronaves e a otimização das pistas dos aeroportos, com menor intervalo de tempo entre pousos e decolagens.

Tipos de aerovia

As aerovias são divididas em dois grupos:

  • Aerovias Superiores: voos ocorrem acima de 24.500 pés (7.468 metros) – utilizadas por aviões a jato, com cabine pressurizada.
  • Aerovias Inferiores: voos ocorrem abaixo de 24.500 pés ou nessa altitude (7.468 metros) – utilizadas por aviões turboélices e, em alguns casos, por helicópteros.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) dividiu o mapa do Brasil em 9 áreas, totalizando 18 cartas de rota, metade delas de Aerovias Superiores (H – High) e a outra metade de Aerovias Inferiores (L – Low), como indicado na imagem abaixo:

Fonte: DECEA

Cartas de Rota por Região do Brasil / DECEA – 2020

Para exemplificar, vamos conhecer a Carta de Rota H2, que define as aerovias de alta altitude dos principais aeroportos da Região Sudeste:

Reprodução. Fonte: DECEA

Na ponte aérea Rio de Janeiro (Santos Dumont / SDU ou SBRJ) – São Paulo (Congonhas / CGH ou SBSP), por exemplo, a aerovia preferencial é a UZ44 (Upper Zulu), como indicada na imagem a seguir:

Quem tiver curiosidade, pode consultar todas as aerovias e cartas de rota nacionais clicando aqui.

Vale destacar que nem sempre vai haver uma rota direta para ligar dois aeroportos. Por isso, antes dos voos, as companhias aéreas e seus pilotos definem o plano de voo com o trajeto mais eficiente, considerando as aerovias existentes. E toda essa informação é repassada ao controle de tráfego aéreo antes da decolagem.

Voos visuais

A regulamentação do tráfego aéreo no Brasil define que caso o piloto tenha visibilidade horizontal mínima e consiga identificar referências visuais em solo a uma altitude inferior a 14.000 pés (4,4 km), ele pode seguir o trajeto que julgar mais adequado, pela navegação visual. Ainda assim, deverá respeitar os níveis de voo previstos pela regra semicircular para manter a separação vertical de outras aeronaves, bem como seguir as orientações dos controladores de voo no caso da aproximação de aeroportos mais movimentados.

Quem quiser se aprofundar mais no tema navegação aérea pode consultar o canal do DECEA no Youtube, um vídeo do Lito do Aviões e Músicas, e o Blog do DECEA.


E você, já tinha noção de como funcionavam as rotas das aeronaves? Curtiu saber um pouco mais sobre os bastidores da aviação? Comente e participe!

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