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Tá com fome? Que tal incluir alguns insetos no cardápio na próxima viagem?

Rafael Castilho
Rafael Castilho
14/11/2020 às 11:00

Tá com fome? Que tal incluir alguns insetos no cardápio na próxima viagem?

Um costume meio estranho para a maioria de nós, brasileiros. O inseto ainda não é bem visto e apetitoso neste lado cá do mundo apesar dos índios nativos já admirarem esta iguaria bem antes da chegada de Cabral. Mas os insetos cada vez mais ganham destaque na gastronomia, tanto que eles foram listados como uma das tendências para 2021 pela Forbes. E aí, tem coragem? Então descubra onde e o que experimentar na sua próxima viagem!

Insetos na gastronomia

Mais de 1.900 espécies fazem parte da dieta tradicional de habitantes da Ásia, África e de comunidades indígenas na América Latina. Entre os insetos apreciados se destacam os besouros, lagartas, vespas, formigas, gafanhotos e grilos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo menos 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo alimentam-se de insetos.

Nos preparativos de uma viagem ao Sudeste Asiático garantia para todos amigos e familiares que experimentaria os insetos servidos por lá. Só que não! Ao ver os insetos nos pratos ou sendo vendidos em espetinhos, como o nosso churrasquinho de porta de estádio, não tive coragem de consumi-los. A verdade é que não estamos habituados. De acordo com uma pesquisa na Tailândia, a maioria das pessoas busca esses animais por causa do paladar. Para muitos tailandeses o inseto frito é um belo salgadinho e perfeito acompanhamento de uma cervejinha gelada. Segundo o nosso editor Wendell, que morou na Tailândia, o inseto frito tem gosto do óleo utilizado no preparo.

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Do sudeste asiático, passando pela África e chegando até na Europa. Cada vez mais os insetos ganham o mundo. A consultoria Meticulous Research avaliou em mais de US$ 420 milhões o valor do mercado de insetos comestíveis no mundo e prevê que ele triplique até 2023.

Na Tailândia há salgadinhos industrializados de bicho da seda e grilo vendidos nos supermercados. Na Europa o consumo de insetos também ganha espaço. Pelo menos um grande supermercado agora vende insetos na maioria dos países europeus – Sainsbury’s no Reino Unido, Carrefour na Espanha e Kaufland na Alemanha.

Salgadinho de inseto na Tailândia

Insetos são a comida do futuro?

Para a FAO o consumo de insetos não é só uma questão cultural ou de paladar e sim de sobrevivência. Segundo a entidade, o mundo terá em 2050 cerca de 9 bilhões de pessoas e para alimentá-las a produção de alimentos precisará dobrar. Estima-se que a demanda por produtos agropecuários chegue a 465 milhões de toneladas em 2050, o dobro da atual produção. O relatório aponta que “alimentar as populações futuras vai exigir o desenvolvimento de fontes alternativas de proteína, como carne cultivada em laboratório, algas, feijões, fungos e insetos”.

Além disto, a produção de insetos é muito mais sustentável. Não demanda tanto espaço para o pasto, uma das causas dos desmatamentos, e nem tanta água. Tudo pode ser feito de uma forma bem menos agressiva ao planeta.

A proteína pode vir do inseto. Agora é ter coragem e experimentar. Para isto separamos abaixo algumas iguarias que você pode provar na sua próxima viagem, uma delas é encontrada no Brasil.

Alguns insetos comestíveis

Cupim

Não pense num rodízio de carnes! Não estamos falando daquela parte do boi que é servida na churrascaria. Em alguns países da África, partes da Indonésia e até da América do Sul, aquele bichinho que destrói madeiras é apreciado depois de ser assado.

Formigas

Em muitos países, e até por aqui no Brasil, as formigas são uma iguaria que vai parar na mesa. O costume, que era só indígena, hoje já está presente em alguns restaurantes das principais cidades brasileiras. Por aqui e por toda a região amazônica, que se espalha por outros países da América do Sul, a espécie consumida é a de formigas içá (ou tanajura). A iguaria também está nos pratos da região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo. Na Austrália, os aborígenes curtem a formiga de mel que tem barrigas do tamanho de uvas e são cheias de um néctar açucarado. Já os tailandeses consomem as formigas vermelhas, meio ácida e adocicada.

Aproveite e veja abaixo uma receita de farofa com formiga iça que também pode ser experimentada na sua próxima viagem ao Vale do Paraíba.

Tarântula

Dá arrepio só de pensar! A grande aranha vai para a panela e depois para o prato de cambojanos e até venezuelanos. Bem fritinha e temperada, as patas são crocantes, enquanto a barriga é grudenta. Falam que o sabor lembra de caranguejo… eu nunca experimentei.

Larvas Huhu

Vai uma larvinha aí? Para o pessoal fitness seria uma fonte riquissíma em proteína. Na Nova Zelândia as larvas huhu, meio gordinhas, são retiradas das madeiras apodrecidas e engolidas. Pode ser crua ou salteada e dizem que tem um sabor que lembra o de amendoim.

Parece apetitoso? (Foto: Phil Bendle)

Cigarra

Em muito países, como Japão, China e até partes dos Estados Unidos, a cigarra é apreciada. Pode ser frita ou salteada. O sabor, segundo se comenta, lembra muito o de aspargos.

Grilo

Como não lembrar do querido Chapolin. O nome desta série que embalou muitas infâncias vem do grilo no idioma náuatle, língua dos astecas. É uma iguaria apreciada no México, principalmente no Estado de Oaxaca, com pimenta e limão são vendidos como salgadinhos.

Te gusta un grilito?

Casulo do bicho-da-seda

O bichinho que produz o fio nobre da seda também vai para a panela! Na Ásia, principalmente no Vietnã, China e Coreia do Sul é apreciado o casulo do bicho-da-seda. Pode ser frito ou cozido. Dizem que o sabor é parecido com a de camarões desidratados.

Besouros

Na Tailândia a carne dos besouros gigantes é apreciada. É só tirar a casca depois levar a panela. Dizem que o gosto é parecido com uma bela vieira. Pensando na vieira até que deu vontade!

Casu Marzu

Da bela ilha da Sardenha, na Itália, vem um costume meio estranho a de comer um queijo de leite de ovelha cheio de larvas. Ergh!!! Diz a tradição que para o queijo ficar macio ele deve ser fermentado e depois colocado para decompor. As larvinhas, parecidas com bigatos, surgem por todos os cantos e depois vão para a boca com um pedacinho do queijo.

Larva de palmeira

Gordinha e suculenta! Do Sudeste Asiático até o continente africano, a larva pode ser consumida in natura, diretamente retirada da madeira, frita, assada, ou a escolha do chef. O sabor lembra o de coco. Ficou com vontade?

Qual do inseto acima agradou mais seu paladar? Já experimentou algum ou está criando coragem? Deixe seu comentário abaixo.

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