Azul promete passagens mais baratas, novos destinos e aeronaves e outras novidades para 2020

Leonardo Cassol
11/12/2019  ·  14:00Publicado 11 · dez · 2019  ·  14:00Atualizado 12 · dez · 2019

Azul promete passagens mais baratas, novos destinos e aeronaves e outras novidades para 2020

Novos destinos, novos aviões e o mais importante: passagens aéreas mais baratas! São essas as novidades da Azul para 2020. A companhia realizou ontem um evento com a imprensa para comemorar os bons resultados de 2019 e apresentar seus planos para os próximos anos. Entre as novidades, a empresa prometeu tarifas mais baratas, internet wi-fi a bordo e voos para 6 novos destinos, sendo pelo menos um deles internacional. Confira os principais destaques!

Novas rotas e destinos

A Azul deve lançar de 6 a 8 novos destinos em 2020, sendo pelo menos um deles fora do Brasil. A escolha do destino internacional deve ser anunciada no primeiro trimestre de 2020 e está entre Nova York e Paris, conforme adiantou o CEO da empresa, John Rodgerson.

A cidade de Nova York leva vantagem, pois a Azul terá no aeroporto JFK uma conectividade muito maior, aproveitando os voos da parceira JetBlue para vários outros destinos nos Estados Unidos. Teria também da United, no aeroporto de Newark, mas a empresa enfatizou que se o destino escolhido for Nova York os voos serão para o JFK. Já em Paris a Azul não teria parceiras para distribuir seus passageiros para outros destinos na Europa, já que a Aigle Azur faliu e a Air France é parceira e acionista da GOL.

A Azul também destacou os 7 novos destinos lançados em 2019, o que levou a empresa a atingir a marca de 116 cidades atendidas, sendo dez delas em outros países. Sem contar a entrada em rotas importantes, como a ponte aérea Rio-SP (Santos Dumont – Congonhas), além de inúmeros novos voos em Brasília, Santos Dumont, Recife e Belo Horizonte.

A companhia aérea deve ultrapassar a marca de 30 milhões de passageiros transportados em 2020. E deve fechar esse ano com 27 milhões de clientes. “A Azul foi responsável por metade do crescimento do número de passageiros no Brasil nos últimos 10 anos”, destacou orgulhoso Abhi Shah, vice-presidente de Receitas.

Outro ponto ressaltado pelos executivos foi o crescimento da empresa em alguns aeroportos, especialmente em Belo Horizonte, Recife, Cuiabá e Rio (Santos Dumont). A Azul lidera com folga na quantidade de destinos atendidos com voos diretos nesses terminais, além, é claro, de Campinas, seu principal hub (centro de operação).

A Azul também ampliou a quantidade de destinos e a frequência de voos nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, ainda dominados pela GOL e pela Latam.

Novas aeronaves e internet Wi-fi em 2020

A Azul vai receber um número recorde de 31 novas aeronaves em 2020. Deve completar o próximo ano com 20 novos Embraer E2 e 52 Airbus A320neo e A321neo em operação, totalizando 72 aeronaves de última geração.

Além disso, a Azul começou a operar hoje sua primeira aeronave com internet Wi-fi a bordo. A partir de 2020 a empresa vai disponibilizar uma aeronave com o serviço a cada 10 dias. Todos os novos aviões que vierem de fábrica já terão o wi-fi ativado. “Vamos ter um enorme diferencial em relação aos concorrentes, tanto no preço, como na velocidade do serviço. Tenho certeza que nossos clientes vão ficar satisfeitos”, destacou o CEO John Rodgerson.

Mas as novas aeronaves não foram encomendadas apenas para agradar aos passageiros. Elas trazem uma redução importantíssima nos custos de operação, já que consomem muito menos combustível e têm menor custo de manutenção. Nas rotas onde o novo Airbus A320neo substitui o antigo Embraer 195 os custos por assento chegam a ficar quase 30% menores. Já o Embraer E2 oferece um custo por assento 26% menor que o modelo de primeira geração da empresa.

As novas aeronaves, gradativamente, abrem espaço para a empresa oferecer tarifas mais competitivas.

Passagens mais baratas

Em meio à saída da Abear, associação que reúne as companhias aéreas nacionais, e a disputa pelas rotas operadas pela Avianca Brasil, a Azul foi criticada publicamente pelos presidentes das suas concorrentes por praticar tarifas muito altas. O fato é que em muitas cidades a Azul opera sozinha, sem competição, já que são mercados que não interessam para a GOL, a Latam e a Voepass, ou que não têm demanda que justifique a entrada de mais de uma empresa.

“Estamos ampliando rapidamente a oferta para dezenas de destinos, incluindo rotas que não eram operadas pela Azul. Com mais oferta e aeronaves mais eficientes, vamos conseguir praticar tarifas menores”, enfatizou John Rodgerson. “Nossa intenção é baixar o preço das passagens. Isso deve acontecer nos próximos anos. O que atrapalhou em 2019 foi a alta do dólar, o preço do combustível de aviação e a questão da Avianca”, completou.

Ainda que o dólar, o combustível de aviação e outros fatores econômicos continuem desafiando as companhias aéreas nos próximos anos, os executivos da Azul se mostraram confiantes na redução das tarifas. “Cada vez mais teremos as aeronaves certas para os mercados certos. Vamos substituir os E1 pelos E2 e estamos adicionando a incrível capacidade dos Airbus A320neo e A321neo para interligar nossos hubs e os mercados de maior demanda, com muito mais eficiência”, afirmou Alex Malfitani, vice-presidente de Finanças. “E vamos repassar grande parte dessa eficiência para a tarifa, para beneficiar os clientes que já voam Azul, ou que querem voar com a gente. As pesquisas e os prêmios mostram que já somos a empresa preferida dos viajantes”, destacou o executivo.

Executivos da Azul: Abhi Shah, Jason Ward, Flávio Costa, John Rodgerson, Alex Malfitani e Marcelo Bento

O Diretor de Relações Institucionais da Azul, Marcelo Bento, afirmou que alguns outros fatores também entram na conta na hora de definir a tarifa da passagem aérea. “A empresa se preocupa com questões regulatórias e tributárias, como a volta da cobrança do imposto sobre o leasing de aeronaves, além do aumento do custo com ações judiciais, que cresceu muito em 2019. Também temos um alto gasto com cancelamentos de voos por motivos meteorológicos, ou falta de infraestrutura em aeroportos nacionais, quando temos que arcar com todos os custos de atendimento ao passageiro, mesmo sem ter culpa por isso”, disse. “Cada dia aparece uma coisa nova, um projeto de lei, uma regulamentação, um problema que pode trazer custo adicional para a empresa, é um desafio”, finalizou.

Joint Venture com TAP Portugal

Outra novidade é que o Conselho de Administração da Azul aprovou a implementação de uma Joint Venture em conjunto com a TAP Portugal. O negócio, que ainda precisa ser aprovado pelas autoridades brasileiras e portuguesas, vai ajudar as empresas a coordenar custos, oferta e demanda nas rotas entre o Brasil e a Europa.

Para os clientes, a promessa é que o acordo vai melhorar a integração dos voos, das rotas e do atendimento. “O passageiro não vai sentir diferença se estiver voando com uma empresa ou com a outra”, destacaram os executivos.

É bom destacar que a criação da Joint Venture é diferente de uma fusão. As empresas vão continuar operando de forma independente, coordenando esforços apenas nas rotas entre o Brasil e a Europa. O mesmo se aplica aos programas de fidelidade, que seguem separados, mas com a perspectiva de uma melhor integração de disponibilidade de voos e de benefícios para passageiros frequentes.

Outro ponto que costuma gerar confusão nesse tema é o fato da TAP ser membro Star Alliance. E a Joint Venture não altera em nada isso. A Azul já deixou claro que não vai ingressar na aliança, portanto, clientes da Azul não terão benefícios da aliança após a implantação da Joint Venture.

Por fim, vale lembrar que a Azul detém 47% das ações da companhia aérea portuguesa. O Governo de Portugal é o sócio majoritário.

Novo hangar de manutenção e simulador

Em 2020 a Azul vai começar a operar um novo hangar de manutenção no aeroporto de Viracopos, em Campinas, assumindo atividades que hoje são realizadas no México e em El Salvador por empresas terceirizadas. Segundo a Azul, só com esse investimento serão gerados mais de 800 empregos diretos.

“Além de gerar empregos no Brasil, não precisaremos mais voar com a aeronave vazia para estes países para fazermos uma manutenção”, explicou o CEO da Azul.

A Azul também adquiriu um simulador do A320neo para o treinamento de pilotos na universidade Azul, em Campinas.

Investimentos no Brasil

“Vamos investir 6 bilhões de reais por ano, nos próximos dez anos porque acreditamos no Brasil e no potencial da Azul crescer aqui. E somos a única companhia nacional que utiliza aeronaves produzidas no Brasil”, disse John Rodgerson, CEO da Azul.

O executivo destacou que mesmo considerando a renda média do Brasil, o brasileiro ainda voa pouco se comparado a outros países em desenvolvimento. “O brasileiro voa comparativamente menos que o colombiano, o chileno e o mexicano, se consideramos a renda per capita. Há forte potencial para crescimento do mercado”

Como cada aeronave da Embraer contribui para a economia

Outra ação destacada, desta vez pelo vice-presidente de Pessoas e Clientes, Jason Ward, foi a criação da Associação Voar, para custear bolsas de estudo para formar pessoas que sonham em ser pilotos, comissários ou mecânicos de aeronaves.

A Azul teve resultados muito positivos em 2019, ultrapassando 25% de participação no mercado. Ocupou boa parte dos espaços deixados pela Avianca Brasil e ainda chegou a novos destinos. O volume de investimentos anunciado, a ampliação da oferta de voos e rotas e as novas aeronaves mais eficientes mostram que a empresa está com apetite para crescer muito mais.

Vamos torcer para que a redução de tarifas se torne mesmo realidade em 2020.  Quem ganha com isso somos nós, passageiros, que teremos mais e melhores opções para viajar.

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