Como é voar na Qatar Airways

Marcel Bruzadin 2 · outubro · 2015

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Hoje o Melhores Destinos publica uma das avaliações de voo mais interessantes dos últimos meses, a da Qatar Airways. A companhia aérea é destaque quando falamos de empresas que oferecem um serviço diferenciado aos passageiros e por isso hoje é a 2ª colocada no nosso ranking de companhias aéreas do MD. 

A avaliação foi escrita pelo leitor Sândor Vasconcelos, que voou no trecho São Paulo – Perth, no extremo Oeste da Austrália. Voar na Qatar é o desejo de muitos viajantes, mas será que realmente vale a pena pagar o preço mais alto para voar com a companhia? É com esse propósito que postamos a avaliação de hoje.

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Leia na íntegra a avaliação do voo feito pelo Sândor Vasconcelos e tire suas próprias conclusões sobre a Qatar Airways.

Se você já teve a oportunidade de voar também com a companhia, não deixe de comentar no final do post, seus comentários serão muito importantes para outros milhares de viajantes.

Soou o alarme de promoção do Melhores Destinos e, após pensar muito e pesquisar bastante sobre as atrações de Perth e arredores, durante dois dias, decidi que valia a pena encarar as quase 25 horas de voo entre São Paulo e a maior cidade do oeste da Austrália, fazendo conexão em Doha, no Catar.

A ansiedade e animação eram grandes, já que a Qatar é avaliada com cinco estrelas pela Skytrax, o “Oscar” da aviação mundial. Além disso, no ranking da Skytrax a companhia aérea está sempre lá em cima. Em 2014 ficou em segundo, mesma posição do ano anterior. Em 2012 era a primeira. Expectativa melhor, impossível.

A partida foi na madrugada do dia 5 de novembro, no novíssimo e moderno Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos. A conexão ocorreu no imponente e também recém-inaugurado Hamad Internacional, em Doha. E o destino final foi o pequeno, mas aconchegante, Aeroporto Internacional de Perth, Terminal 1.

Compra das passagens

Comprei os bilhetes diretamente pelo site da Qatar, em cinco vezes sem juros. O ótimo atendimento começa antes da viagem: é possível escolher on-line os assentos e nada menos do que 19 opções de refeição: hindu (vegetariana ou não), ligeira, infantil, diabética, sem glúten, travessa de frutas, judaica, baixo teor de caloria, gordura ou sal, sem lactose, vegetariana (com e sem derivados de leite, não cozida ou oriental), jainista, especial (você escolhe os ingredientes) e, finalmente, sem preferência (minha escolha).

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Minha namorada optou por comida vegetariana sem derivados lácteos e foi atendida perfeitamente. Em apenas uma refeição a comissária se esqueceu de entregar a refeição especial mas, como havia a opção vegetariana no menu padrão, minha namorada resolveu não cobrar. Na volta, predominou no cardápio dela um toque indiano, com curry em vários dos pratos.

Check-in

Recebi um e-mail para fazer o check-in e imprimir o cartão de embarque da ida, mas preferi realizar pessoalmente, já que o horário era tranquilo (cheguei ao aeroporto pouco antes da 1 hora, meu voo sairia às 4:15). Havia também a possibilidade de fazer o check-in automático, nas máquinas do terminal.

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Cartões de embarque

O procedimento foi muito rápido e a atendente, brasileira, foi pura simpatia e educação. Só pediu para eu não fazer foto dos funcionários com uniforme no guichê, por determinação da empresa, mas disse que de longe não havia problema.

Na volta, o check-in em Perth foi um pouco mais chatinho, mas nada grave. Como disse, o aeroporto australiano é bem pequeno. São quatro terminais, sendo três regionais/interestaduais e um internacional (número 1), que estava em reforma. A área de check-in é muito simples, não vi máquinas e, pelo que entendi, as empresas se alternam no uso dos guichês (creio que isso vá melhorar com a reforma). Por isso, ficamos um pouco na fila, esperando as atendentes. Enquanto isso, uma funcionária do aeroporto distribuiu um papel que deveria ser preenchido para a saída. Aproveitamos o tempo para isso. O resto do processo ocorreu sem problemas.

Antes de entrar na área de espera pelo embarque, há um café/restaurante e uma loja com jornais, revistas, souvenirs e outros produtos.

Embarques rápidos e pontualidade

Gostei bastante do terminal 3 de Guarulhos. Muitas possibilidades de refeições, desde as mais elaboradas até as opções rápidas. Almocei lá no fim de outubro, antes de outra viagem, e fiquei bem satisfeito com a comida, a um preço justo.

Durante a espera pelo embarque, utilizei uma hora gratuita de wi-fi, concedida pelo aeroporto. A velocidade de conexão é meio lenta, mas funciona. O embarque, muito organizado, começou às 3:20. O avião decolou às 4:05, 10 minutos antes do previsto.

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No aeroporto de Perth há internet gratuita e ilimitada, de ótima qualidade. Baixei diversas coisas, fiz ligação pelo Skype e não tive problemas. Na área de embarque, além do freeshop, tem lojas com produtos relativos à Austrália: coalas e cangurus de pelúcia, canecas, chapéus, alimentos e outros souvenirs.

Há, também, algumas opções de comida express, como pizza, cachorro-quente, lanches frios e snacks, além de um bar com bebida alcoólica. Ao longo da área de embarque ficam os lounges das companhias aéreas.

Uma facilidade muito legal é que no banheiro existe um box para tomar banho, bem espaçoso e de graça. Bom para quem passou o dia todo fazendo turismo e vai viajar só a noite, como era meu caso. Não usei, mas aprovei. Curti também os sofás: bem confortáveis, dá até pra dormir.

A fila para entrar na aeronave foi rápida e o voo saiu na hora marcada. A pontualidade foi padrão em todos os trechos.

Conexão em Doha

O Aeroporto Internacional de Hamad, a “nova casa” da Qatar impressiona pela beleza moderna e pelo tamanho. Inaugurado neste ano, possui vários restaurantes e lojas. O projeto ainda não está finalizado, mas a proposta é ter mais de 100 lanchonetes e lojas e 65 portões de embarque, sendo oito para o Airbus A380.

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Saguão principal do aeroporto de Doha
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Para as crianças existem alguns playgrounds

Não é necessário ter visto para fazer a conexão, o documento é exigido apenas para quem vai sair do aeroporto. A transferência foi muito tranquila: rápida, tudo muito bem sinalizado e com vários funcionários da Qatar e do aeroporto dando informações (todos com quem falei dominavam o inglês).

A passagem pelo raio-X foi feita em minutos, isso com apenas duas máquinas operando. Depois desse procedimento chega-se à área de embarque. O freeshop é enorme, com quiosques espalhados pelo terminal. Uma das lojas vende apenas produtos do Oriente Médio, como frutas secas, cafés, geleias, etc. Muito legal.

Há boas opções de refeições (de comida japonesa e cafés mais simples) e wi-fi free (o sinal variava bastante). Eles também disponibilizam computadores novos para acesso à internet, gratuitamente.

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Computadores estão disponíveis gratuitamente

Destaque para as áreas de descanso, onde dá até para tirar um cochilo. Existem placas indicando que o uso é separado entre homens e mulheres, mas vi mulher na sala dos homens. Em outra área é possível relaxar assistindo à TV. Para a criançada existem alguns playgrounds.

O embarque foi diferente de tudo que já vi. Você pega uma fila e apresenta o bilhete e o passaporte. Aí vai para uma sala de espera, onde só há cadeiras, e fica lá até poder entrar no avião. Não gostei de ficar “preso”. Dá pra sair e usar o banheiro ou comprar algo, mas tem que carregar o cartão de embarque e o passaporte para poder voltar. Nada prático.

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Aeronave

Os trechos entre São Paulo e Doha foram realizados no Boeing 777-200LR, e entre Doha e Perth no 777-300ER, ambos na configuração 3-3-3. A aeronave é bem grande, com aspecto de nova e estava bem limpa, em todos os voos.

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O interior do B777 é bem espaçoso

Em cada assento há um kit com travesseiro, manta (achei muito pequena), fone e bolsinha com tapa-olhos, meias, tapa-ouvidos, escova de dentes e creme dental. A poltrona é espaçosa (tenho 1,79 m e fiquei à vontade), com boa reclinação. Dá para dormir razoavelmente bem, para os padrões de um avião.

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Kit composto por travesseiro, manta e acessórios

Chamou minha atenção o cuidado com os banheiros, que estiveram sempre bem limpos durante a viagem, com sabonete, papel, lenço umedecido e até creme para as mãos e perfume. Notei que os comissários entraram algumas vezes para checar se estava tudo em ordem. Mesmo no fim do voo os sanitários mantiveram-se limpos, não sei se mérito da tripulação, dos passageiros ou de ambos.

Serviço de bordo

Em todos os trechos a recepção dos funcionários foi ótima, só sorrisos. A comunicação com os passageiros é feita em inglês. Nenhum falava português, no máximo espanhol (no trecho São Paulo – Doha). Os anúncios do comandante e comissários foram todos feitos em inglês e, algumas vezes, também em árabe.

Impecavelmente uniformizados, começaram servindo balinhas e lenços umedecidos. No trecho entre Perth – Doha distribuíram mochilinhas e brinquedos do Bob Esponja para as crianças. À minha frente, uma passageira teve algum problema e a aeromoça foi três vezes falar com ela, até resolver.

No fim do voo entre Doha e Perth uma grávida passou mal. A comissária chegou rapidamente para atendê-la e perguntou no sistema de som se havia algum médico entre os passageiros. Ninguém se manifestou, a comissária pegou o kit de primeiros socorros e ficou ao lado da gestante até ela melhorar.

Notei uma atenção especial com quem viaja levando criança. Entre Doha e São Paulo montaram até uma espécie de berço para uma delas.

Refeições

No quesito comida, a Qatar deixa a desejar. Se comparar, por exemplo, com a Turkish, perde de lavada no sabor. Tudo bem que refeição de avião nunca será um fenômeno, mas dava pra ser melhor.

Nos trechos entre São Paulo e Doha, o cardápio aparece na tela, seguindo uma política de sustentabilidade da empresa (ponto positivo); infelizmente, nas outras pernas utilizam papel. A comida é preparada segundo os princípios do islamismo. Em cada voo serviram duas refeições maiores (café da manhã, almoço ou jantar), intercaladas com lanchinhos e snacks. Basicamente, a cada três horas come-se algo, nem que seja uma batata frita de pacotinho.

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Destaque para o cuidado com a embalagem das refeições

No primeiro voo, pouco tempo após a decolagem (40 minutos, mais ou menos) começaram a servir a refeição, composta por entrada, prato principal e sobremesa. Pedi carne bovina, acompanhada de purê, cenoura e couve cozidas e pão. Os complementos eram salada de frutas, iogurte, chocolate e bebidas. Como adiantei, não estava lá essas coisas. Os talheres eram de metal (outro ponto positivo).

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É possível solicitar antes muitas opções de comida, entre elas a vegetariana

A comida vegetariana da minha namorada veio exatamente como requerida, o que a deixou bastante satisfeita. Quanto a mim, provei também cordeiro, massa (na minha opinião, a opção mais saborosa) e, em uma das vezes, fiquei na panqueca doce (sim, como prato principal).

Os lanches entre as refeições variaram. Teve pão com patê, enrolado de espinafre (péssimo, duro e apimentado) e batata frita de saquinho. Uma iniciativa bacana é que durante o voo distribuem garrafinhas de água para todo mundo.

Em relação às bebidas, gostei bastante. Entre as opções, havia água, sucos, café e chá, além das alcoólicas, como vinho branco e tinto (argentino ou francês), uísque, gim e vodca.

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De forma geral, come-se a cada três horas

Um ponto negativo: servem o vinho em copo de plástico. Não custava colocar uma tacinha de vidro, como faz a LAN, por exemplo. Um ponto positivo: nos voos que saem de Doha é servido champanhe. Aliás, nos voos que partiram de Doha percebi uma qualidade melhor da comida e bebida. Até o chocolate é diferente (Godiva).

Após as refeições servem café, chá, suco, água e conhaque.

Entretenimento de bordo

Quer me ver feliz em um avião? Disponibilize muitos filmes. Assisto a dois, três, quatro, quantos puder. E se sobrar um tempinho vejo um documentário. Mas me decepcionei um pouco com a Qatar. Não pelo conteúdo, muito bom, mas pela inexistência de opções de legenda em português. Embora fale e entenda inglês razoavelmente bem, detesto ver filme sem legenda. Eu me perco, acabo ficando irritado. E se você não tiver a mínima noção da língua, nem compensa ligar a telinha do avião.

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O sistema de entretenimento: falta legenda em português

O sistema utilizado pela Qatar, o Oryx, é on-demand, com tela touch e também controle. Havia vários lançamentos, como O Homem mais Procurado, Boyhood, Guardiões da Galáxia e outros. Tinha também filmes árabes, indianos (Bollywood) e de muitos outros países (alemães, espanhóis, franceses, italianos, cingaleses, japoneses e por aí vai). Nenhum tinha legenda em português, poucos tinham em inglês, o que já ajudaria. As legendas, quando tinham, eram em árabe.

O sistema ainda disponibiliza documentários, séries (as mais conhecidas, americanas), canais de música, jogos, uma seção voltada para crianças (com filmes, músicas e jogos) e outros programas.

Pela telinha é possível comprar no duty free ou obter informações do voo, como duração, altitude, velocidade, hora local e do destino, além do tempo percorrido e o restante. Achei a forma de exibição bem legal, como se fosse o painel do comandante.

No braço da poltrona há uma entrada USB. Carreguei meu telefone e, se conectar um pen drive, dá pra ver fotos na tela.

Desembarque

O procedimento de entrada na Austrália foi bastante demorado. Fila imensa, ficamos uma hora e meia nela. Felizmente, o trâmite na imigração foi rápido.

Brasileiros precisam de visto para ingressar no país, mas o procedimento é superfácil, todo on-line: preenchi os formulários e paguei a taxa pelo cartão de crédito (levei uns 40 minutos para fazer as duas coisas). Enviei e em meia hora (no máximo) o visto estava no meu e-mail, para múltiplas entradas, até o fim da validade do meu passaporte. Imprimi o documento (que tem um QR code) e no balcão da imigração a funcionária (bem simpática) passou o leitor, pediu minha carteira internacional de vacinação contra febre amarela e autorizou minha entrada, sem fazer qualquer pergunta.

Com a demora da fila, as malas já estavam rodando na esteira quando chegamos à área de retirada. O próximo passo foi passar pelo raio-X. Os australianos são muito rígidos com a questão de entrada de alimentos no país. Vi gente tendo a mala revistada, mas não tivemos contratempos.

O aeroporto de Perth fica a 17 km do centro da cidade. O deslocamento pode ser feito de transporte público (ônibus), shuttle e, claro, táxi ou carro alugado, como foi meu caso. Tirando o fato de ter apanhado um pouco da mão inglesa (cansei de ligar o limpador de para-brisa em vez da seta), o percurso até o hotel foi bem tranquilo.

Na chegada a São Paulo, uma sexta-feira à tarde, com feriado no dia anterior, fiquei surpreso positivamente com a rapidez no procedimento de entrada no país e retirada das malas. Nota dez.

Conclusão

O saldo final da minha experiência com a Qatar Airways é positivo. A cortesia e prestatividade dos funcionários foi padrão nos quatro voos, não houve sequer um fato negativo a respeito da conduta dos comissários e atendentes de balcão. Ao meu ver, isso conta muito, pois lidar com gente mal educada num trajeto de quase 25 horas seria catastrófico. Só vale lembrar que ninguém da tripulação falava português.

Tenho que ressaltar, também, a condição das aeronaves: novas, limpas e com bom espaço, mesmo na classe econômica. Mas, por ser uma companhia cinco estrelas, segunda no ranking das melhores do mundo, esperava um pouco mais em relação à alimentação. Penso que esse é o ponto fraco. Como disse, perde de lavada para a Turkish, por exemplo. Quanto às bebidas, gostei das opções e da qualidade.

Outro ponto que poderia ser melhor é o entretenimento, pelos motivos que contei acima. Operando no Brasil, deveriam pensar em colocar legenda em português nos filmes.

Um “presente” que a companhia poderia dar aos clientes é o stop-over em Doha gratuito, ou pelo menos a um preço bacana, para todas as classes de tarifa. Como comprei promo, nem pagando a empresa permite a parada no Catar. Pena.

Por tudo isso, e ainda mais por ter pago uma tarifa excelente (graças ao Melhores Destinos), encararia novamente uma longa viagem com a Qatar, especialmente para um destino tão lindo quanto o oeste da Austrália.

 

Autor

Marcel Bruzadin - Marcel