Como é voar na Porter Airlines

Denis Carvalho 2 · julho · 2014

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Nosso giro mundial de avaliações de companhias aéreas embarca hoje no Canadá para avaliar a Porter Airlines, uma companhia regional do país que opera voos para 20 destinos – 14 canadenses e seis nos Estados Unidos. A frota da companhia é composta por 26 turboélices Bombardier Dash 8 Q400 e foi em um deles que nosso leitor Vitor Saiki Scarpinetti embarcou de Toronto rumo a Chicago, viagem que deu origem à avaliação a seguir. Acompanhe! 

Desde a minha chegada a Toronto, em dezembro de 2013, para uma estada de seis meses, eu planejava conhecer Chicago num final de semana, porém, acabei sendo surpreendido pelos altos preços das passagens aéreas no Canadá, especialmente quando se trata de voar para os EUA. Economizar e ir de ônibus era uma opção, porém, nunca achei muito atraente a ideia de passar mais tempo em trânsito do que no destino em si, mesmo que a economia fosse significativa.

avaliacao-porter

Além da Air Canada, o país possui apenas outras duas companhias menores, Westjet e Porter Airlines, e algumas opções de voos por companhias americanas, principalmente Delta e US Airways. Entre elas, a Porter era sem dúvida uma das melhores opções pois é praticamente a única que decola do Aeroporto Billy Bishop, localizado no centro de Toronto, e a que tem a maior oferta de voos diretos para o Midway Airport em Chicago, bem mais tranquilo e ligeiramente mais perto de Downtown Chicago que o gigantesco O’Hare. Além diisso, a companhia é famosa entre os canadenses pela qualidade do serviço de bordo. No entanto, a Porter é conhecida também por ter um preço acima da média das demais.

Dados dos voos:
Toronto Billy Bishop (YTZ) X Chicago Midway (MID) – Voos números 393 (ida – 7/2) e 394 (volta – 11/2)

Compra

Pesquisei diariamente durante dezembro inteiro e os preços nunca chegaram a baixar de 350 dólares canadenses para voos com conexão, se mantendo normalmente acima dos $450 para voos diretos, valor que inviabilizava por completo a minha viagem. Cheguei até a cogitar ir de ônibus até Buffalo, NY e de lá pegar um voo já dentro de território americano (alternativa muito comum entre os canadenses que desejam viajar para os EUA), porém, a economia de menos de $100 se revelou muito pequena perto do inconveniente de gastar pelo menos 3 horas nesse translado, fora o risco de perder o voo por problemas na fronteira.

Até que veio o famigerado Boxing Day, 26 de dezembro, e suas promoções malucas (em tempo, embora o Canadá também tenha seu Black Friday no final de novembro como os americanos, o dia de maior desconto no ano para os canadenses é mesmo o dia seguinte após o natal), e a Porter acabou entrando na onda com descontos de até 50%.

Acabei achando diretamente no site da companhia um voo exatamente do jeito que eu queria, partindo na sexta-feira, dia 7 de fevereiro, no fim da tarde e retornando na terça-feira, 11 de fevereiro, à noite, por $258 com as taxas inclusas, ainda caro na conversão para reais mas bem mais barato que o preço regular. A Air Canada estava com preços semelhantes para voos diretos, porém, partindo apenas do Pearson Airport, bem mais afastado do centro de Toronto, e chegando no O’Hare em Chicago.

A vontade de comprovar a fama da companhia tão desconhecida para nós e conhecer o aeroporto Billy Bishop também acabaram pesando para eu fechar com a Porter. O processo de compra pelo site foi extremamente simples e o pagamento foi efetuado com meu cartão de crédito canadense para fugir do IOF. No mesmo instante eu recebi o e-mail de confirmação com o número de controle.

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Durante o processo de compra, foram oferecidos alguns opcionais como a franquia de mala despachada por $25, marcação do assento por $20 e assento “Premium” por $40, todos recusados. Infelizmente, no ano passado a Porter cortou a oferta de uma mala de 23kg despachada gratuitamente para todos os passageiros que viajam aos EUA, mantendo somente a cortesia para os voos domésticos, por mais estranho que isso pareça. Quem viaja pelos EUA deve saber que mala despachada é artigo de luxo por aqui.

Check-in e embarque

embarque (2)Sem dúvida, a parte mais agradável da viagem. O aeroporto Billy Bishop na verdade faz parte de um dos cartões postais de Toronto, as Toronto Islands, e é acessado somente por uma balsa que parte a cada 15 minutos. Há um ônibus (shuttle bus) que faz o translado gratuito de uma estação de metrô próxima, Union Station, o qual acabei utilizando apenas na volta. A balsa é gratuita para pedestres e custa $11 para carros. Assim como o shuttle bus, os táxis ficam todos localizados no continente à espera dos passageiros.

Ao chegar à estação de embarque da balsa, acessei a fila para um balcão de check-in localizado por lá (não é possível para brasileiros realizar o check-in no site da companhia), porém, assim que a balsa chegou, um funcionário orientou todos a embarcar e realizar o procedimento na própria ilha. O translado na balsa nessa época do ano é uma experiência à parte já que o lago encontra-se inteiro congelado.

Vista da balsa
Vista da balsa

 

Ao entrar no aeroporto de fato eu notei que acabei cometendo um equívoco e cheguei cedo demais, com quase 3 horas de antecedência. Ao contrário do que ocorre no Pearson Airport, onde todo o procedimento de imigração para os EUA é realizado ainda em solo canadense e o desembarque em solo americano é similar a um voo doméstico, obrigando o passageiro a se precaver com o horário, no Billy Bishop não existe imigração para saída do país. Por conta disso, demorei menos de 10 minutos para fazer o check-in, passar pelo raio-x e acessar a sala de embarque, bem menos do que o esperado.

Travessia na balsa
Travessia na balsa

 

Durante o check-in, a funcionária conferiu meu passaporte e meus vistos, fez alguns questionamentos de praxe (motivo da viagem, endereço nos EUA, etc.) e perguntou se eu despacharia minha mala, porém, não checou o peso dela. Tanto trabalho para distribuir exatos 18 kg entre a mala e a mochila, de acordo com as instruções da companhia, à toa, pensei na hora. Embora não seja exclusivo da Porter, a presença da Air Canada no Billy Bishop é absolutamente discreta, com um guichê no canto do aeroporto, vizinho a pelo menos uma dezena de guichês da Porter. No check-in da volta no Midway o procedimento acabou sendo exatamente o mesmo, novamente sem pesagem da mala.

Do balcão da companhia, fui direto para a fila do raio-x e não notei nenhuma lanchonete ou loja fora da zona segura. Após um rápido procedimento de segurança (nada muito diferente dos nossos voos domésticos no Brasil), passei por um pequeno free shop no caminho, sem parar para conferir nada, e logo acessei a sala de embarque, tomando um choque de realidade.

Sala_vip_2

A sala de embarque do Billy Bishop na verdade parece mais uma mega sala VIP, com várias poltronas no lugar dos tradicionais bancos numa disposição de lounge, uma estação de trabalho com vários iMacs disponíveis para qualquer um utilizar, tomadas, jornal do dia e café, bebidas não-alcoólicas e alguns petiscos liberados para todos os passageiros, além de internet wi-fi com uma conexão absurdamente rápida. Apenas bebidas alcoólicas e algumas comidas são cobradas para quem quiser comprar.

sala_vip_1Por lá fiquei por mais de duas horas até o horário do meu voo, usufruindo de todo o conforto disponível, até anunciarem no sistema de som que o embarque para meu voo estava autorizado.

No voo de volta, nenhuma mordomia no Midway, apenas o estresse de sempre com os procedimentos de segurança da TSA. Pelo menos, os passageiros da Porter tinham acesso a uma fila mais vazia para o raio-x e scanner corporal.

No embarque em ambos os aeroportos não houve qualquer procedimento de embarque prioritário, mesmo porque a quantidade de passageiros era mínima (no voo de volta havia, no máximo, umas 15 pessoas no avião).

Sala_vip_3Uma curiosidade: em ambos os aeroportos, no momento do embarque, a funcionária que confere o bilhete também oferece a opção de despachar gratuitamente sua bagagem de mão na hora caso você esteja com uma mala. A mala é etiquetada, um comprovante é entregue para o passageiro e você só tem o trabalho de colocar a bagagem num carrinho ao lado da porta do avião.

Quem já voou de ATR já deve saber que isso ocorre porque certas bagagens de mão simplesmente não cabem em certos bagageiros de aviões menores.

 

Avião

embarqueOutra grande novidade para mim, a Porter opera apenas com Bombardier Q400, turboélice concorrente direto do ATR 72, velho conhecido de muitos brasileiros. Isso ocorre basicamente porque a pista do Billy Bishop é curta demais para aviões maiores e a Porter não faz rotas realmente longas.

 

Dentro do avião até havia um folheto comentando sobre a intenção da companhia de mudar parte de sua frota para Bombardier CS100 (concorrente do Embraer 195), porém, sujeita à aprovação de uma reforma em toda a pista principal do aeroporto.

O avião, que não pareceu exatamente novo, embora conservado, tem uma disposição 2+2, com todas as poltronas forradas com couro. O espaço para as pernas é excelente e ambos os voos foram tão vazios que acabei viajando sozinho na janela sem companhia do lado.

Avião_2

O barulho da hélice incomodou um pouco tanto na ida quanto na volta, nada muito diferente dos ATR. Em ambos os voos eu acabei sendo alocado quase no fundo do avião, o que não chega a ser exatamente ruim num turboélice pequeno e com poucos passageiros.Avião_4

Infelizmente, o voo na ida atrasou quase meia hora, o suficiente pra perder o pôr do sol em um dos momentos mais aguardados, a decolagem da ilha. Acabei decolando e pousando á noite tanto na ida quanto na volta.

Serviço

Os voos da Porter contam com apenas dois simpáticos comissários por voo. Todas as mensagens são dadas primeiro em inglês e em francês na sequência. Uma comissária permanece na porta do avião alertando sobre a baixa altura da entrada e entregando o formulário da alfândega referente ao país de destino.

Os comissários foram sempre muito solícitos e educados com todos os passageiros, inclusive quando tive de solicitar um novo formulário para substituir o primeiro com alguns erros. O comandante passou informações de sempre sobre o tempo estimado de voo e condições meteorológicas do trajeto e do destino final.

Refeições

No voo de ida, ainda durante o procedimento de decolagem e as luzes de cintos atados acesas, os comissários passaram com um carrinho servindo um lanche (opção única: salada, mini-wrap de frango e chocolate Lindt de sobremesa) e oferecendo as bebidas, inclusive cerveja e vinho. O café tinha grife Starbucks e a cerveja, minha pedida, era da marca Steam Whistle, cervejaria local de Toronto. Quando o lixo foi recolhido, um dos comissários ainda perguntou se eu não queria outra. Nada mal para um voo de uma hora e meia de duração!

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No voo de volta, nada de wrap e Lindt, embora as opções de bebida tenham se mantido. Foi servido apenas um pacote de nachos tipo Doritos e uma comissária passou anotando os pedidos de bebida antes de distribuí-las. Decidi dispensar a cerveja dessa vez e fiquei apenas com um copo d’água.Refeição

Se fosse apenas pelas refeições, não teria achado nada de mais no serviço da Porter, porém, o privilégio de poder tomar um vinho ou uma cerveja a bordo, e ainda repetir se quiser, realmente coloca o serviço de bordo num nível acima do resto. Quanta diferença para o Brasil!

Entretenimentorevista

A maior decepção do voo. Além de uma revista da companhia em inglês e francês, absolutamente NADA de entretenimento no voo! Nada de canais musicais, filme, wi-fi ou jornal do dia. Embora eu realmente não dê tanta importância assim para esse fator em voos curtos, esperava bem mais de uma companhia que cobra caro para oferecer um serviço que se diz diferenciado.

 

Chegada

Ao desembarcar no Midway, fomos orientados a pegar nossa bagagem de mão no corredor no caminho da imigração e logo encontramos o carrinho com todas as malas esperando pelos passageiros, sem nenhum funcionário por perto. Simplesmente peguei a minha mala e parti para a imigração.

Como meu voo era o único internacional chegando naquele momento, todo o procedimento de imigração durou menos de 10 minutos. Entre todos os passageiros, apenas eu acabei sendo um pouco mais questionado sobre os motivos da minha viagem, porém, nada perto do que havia passado em Miami dois anos atrás.balsa_2

Durante a passagem na alfândega, todos os passageiros e tripulantes tiveram que passar pelo raio-x e um dos comissários acabou retido por estar carregando comida fresca. Após a entrada em território americano, bastou seguir as indicações para a estação de metrô do próprio Midway e curtir a cidade.

Na chegada em Toronto na volta, tudo muito mais rápido e simples. Após a imigração e alfândega, peguei a balsa novamente e o shuttle bus até a estação de metrô.

 

Dica

Não deixe de apreciar a paisagem durante o translado com a balsa e também na decolagem e pouso no aeroporto Billy Bishop. A vista do lago Ontário e toda Downtown Toronto é de tirar o fôlego.

Conclusão

Embora eu não ache que faça sentido nenhum pagar a mais para voar com a Porter, certamente vale a pena considerá-la como uma boa opção caso o preço seja competitivo, pela facilidade que o aeroporto Billy Bishop oferece para quem mora ou vem para Toronto e, claro, por toda a mordomia da sala de embarque. A companhia tem seus altos e baixos, porém, acaba se destacando num mercado com tão poucas opções, oferecendo um avião confortável (apesar de barulhento) e um serviço diferenciado a bordo. Certamente consideraria voar com eles novamente se surgisse outra oportunidade com preço acessível. Recomendo!

Agradecemos ao Vitor por compartilhar conosco esta excelente avaliação, que com certeza vai ser muito útil para os que estão planejando viagens ao Canadá. E você? Já conhecia a Porter? Deixe sua opinião nos comentários e participe!

Autor

Denis Carvalho - Editor chefe