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Viagem pela América do Sul e uma mochila cheia de novos amigos!

Monique Renne
Monique Renne
18/11/2020 às 16:19

Viagem pela América do Sul e uma mochila cheia de novos amigos!

Um mochilão pela América do Sul é um sonho que envolve paisagens espetaculares, destinos inesquecíveis e muitas boas histórias para contar. Mas, acima de tudo, um mochilão pelos países vizinhos envolve também grandes amizades, algumas de um dia outras que irão durar por muito mochilões mais.

E foi exatamente essa experiência de viagem mais amizade que a engenheira e leitora do Melhores Destinos Natália Santiago viveu durante os dias que esteve em um mochilão pela América do Sul. Viajando sozinha, Natália em nenhum momento se sentiu solitária. A viagem pela América do Sul foi cercada de bons amigos que ela fez pelo caminho! Veja o relato da Natália.

Leve na bagagem as pessoas que encontrou pelo caminho em um mochilão

Relato da engenheira Natália Santiago

A definição de mochilão é meio vaga né, para uns pode ser só ter uma mochila nas costas e viajar, para outros já é um estilo de vida, no qual ficam uma boa parte de sua vida mochilando. Para mim, é um estilo de viagem, mas não relacionado ao tempo – longo – e sim de estar aberto a conhecer pessoas pelo caminho. Não estar ligado tanto a pontos turísticos e roteiros fechados, mas sim a querer conhecer pessoas e ter experiências locais. E um dos facilitadores desse estilo de viagem são os hostels. Por terem preço acessíveis e quartos compartilhados, os hostels atraem muitos viajantes e permitem conhecer gente de todo canto do mundo, além de descobrir experiências “fora da caixa”.

Eu acabei optando por fazer um mochilão para conhecer gente, conhecer outras culturas e sair um pouco do que eu estava acostumada. Já tinha feito outros mochilões. Dessa vez, no entanto, quis fazer sozinha. Estar comigo e com as minhas escolhas. Escolhi a América do Sul por dois motivos:  porque eu sempre quis conhecer o Salar de Uyuni na Bolívia e  porque eu iria me mudar para a Europa logo em seguida, então não saberia quando eu teria essa oportunidade de novo.

O Salar sempre foi um sonho, então pesquisei outros destinos próximos e organizei um roteiro bem superficial para seguir. Era mais uma sugestão e eu estava aberta a mudar conforme eu quisesse durante o trajeto. O objetivo dessa viagem foi totalmente conhecer pessoas e fazer trilhas (um desafio para mim, que sempre tinha feito trilhas curtas e não em altitude). Tinha a opção de incluir  no roteiro também Santiago, no Chile. No entanto, por ser totalmente fora do que eu tava procurando, não incluí.

Acabei decidindo começar pelo Peru, depois Bolívia e terminar no Atacama. No Peru fiz Huaraz, uma cidade cheia de trilhas que fiquei curiosa para conhecer e Cusco, onde resolvi ficar 14 dias pela cidade para conhecer melhor sem pressa. Na Bolívia passei em Copacabana, que por uma infecção alimentar acabei não conhecendo e indo logo para La Paz. Lá fiquei alguns dias para conhecer a cidade – e depois fui para o Salar de Uyuni, meu foco principal da viagem. De lá, finalizei a viagem com alguns dias em São Pedro do Atacama.

Fiquei a viagem toda em hostel, alguns reservei com antecedência de um dia, outros chegava na hora mesmo. A maioria foi na hora, e fiquei surpresa como é fácil, eu sempre tive receio de ficar sem hospedagem. Mas essa viagem me ajudou nisso. Aliás, em Cusco foi engraçado, porque eu queria conhecer alguns hostels que tinham me indicado, aí acabei ficando em vários. Acho que em 14 dias, fiquei em uns cinco hostels diferentes lá!

Os passeios também eram todos fechados na hora ou no dia anterior. Mas sempre que chegava na cidade, conversava com o pessoal do hostel e via quais passeios eu queria fazer, e qual o melhor dia para cada um. Ai com essas informações, ia reservando ao longo dos dias naquela cidade. Também dependia das pessoas que eu encontrava pelo caminho, como foi o caso de fazer a death road na Bolívia, escolhemos a melhor data para todo mundo participar.

Em relação ao dinheiro, não estava muito apertada porque estava viajando durante as férias. Porém tinha colocado algumas restrições, pois tinha que juntar dinheiro para me mudar para a Alemanha alguns meses depois. Eu fiz os 34 dias, incluindo passagem aérea, por uns 5 mil reais (mil reais a passagem, uns 1.400 de hospedagem, o resto passagens terrestres, alimentação e passeios).

Sempre indico levar um bom casaco corta-vento impermeável, para o meu tipo de mochilão (com trilhas), levar uma boa bota impermeável também. Eu, por exemplo, só levei uma bota e um chinelo (para usar no hostel) e ela aguentou muito bem, continua comigo novinha. Não esquecer do chinelo para tomar banho no hostel, e também uma toalha de microfibra que não ocupa muito espaço. Sempre é bom ter também um carregador portátil para o celular. Outras duas coisas super importantes, doleira (para qualquer tipo de viagem) e cadeado para guardar as coisas de valor no quarto do hostel.

Uma coisa que me arrependo muito foi ter levado real para a viagem. Além de ter maior quantidade de notas, é sempre bom levar moeda forte para os lugares. Eu pensei que na dupla conversão eu iria acabar perdendo dinheiro, mas não foi verdade. Fiz as contas, e seria bem melhor levar dólar. E foi o que eu fiz no meio da viagem, acabei comprando dólar pela Western Union e retirando em espécie em Cusco. Bem melhor do que ficar andando com uma alta quantidade de cédulas na doleira. Já algo que acredito que me ajudou muito foi não ter reservado as passagens de ônibus e os hostels, mesmo sendo em alta temporada, por que me deu uma liberdade de ficar um pouco mais nos lugares que eu gostei mais. 

No final do mochilão eu aprendi que as experiências são muito mais importantes do que o lugar em si. Que às vezes um lugar imperdível para alguém acaba sendo algo normal para outra pessoa, e que um lugar que ninguém fala muito, acaba sendo incrível por causa das companhias.

As pessoas que você encontra pelo caminho fazem total diferença na sua viagem, e isso foi o que eu amei. Ao invés de contar dos pontos turísticos, conto das pessoas maravilhosas que encontrei pelo caminho. E nada seria possível se eu não tivesse me aberto para isso, acredito que essa seja a principal característica de um mochilão.

Tenho recordações muito boas sobre essa viagem, como quando eu pedi para dois brasileiros tirarem minha foto no primeiro dia de passeio em Huaraz, e meses depois nos encontramos no Rio de janeiro para a minha despedida do Brasil. Ou então quando fui num restaurante árabe com dois meninos do meu quarto em cusco – um israelense e um francês, e agora estamos programando outra viagem.

Em La Paz também fizemos um grupo bem legal, dali surgiram ótimas amizades! O melhor que trago comigo desse mochilão foram as pessoas que conheci. Sem elas, essa viagem não teria sido metade do que foi e eu não teria aprendido tanto. A verdade é que as viagens são sempre mais sobre compartilhar experiências com outras pessoas do que qualquer outra coisa.

Engenheira por formação, viajante por vocação e atualmente morando na Alemanha, Natália adora compartilhar dicas e está sempre pensando no próximo destino. Se quiser saber mais sobre as viagens da Natália, visite o blog queromaisferias.com e o Instagram @queromaisferias.


Agradecemos imensamente à Natália pelo relato! E você? Já esteve em um mochilão pela América do Sul? Que tal relembrar sua última viagem compartilhando o roteiro com a gente? Aqui no MD sempre abrimos espaço para os relatos dos leitores e será um prazer publicar suas aventuras. Para colaborar é bem fácil: é só enviar seu texto e fotos para o e-mail convidado@melhoresdestinos.com.br.

O próximo roteiro de viagem publicado no Melhores Destinos pode ser o seu!