Vai pra Cuba? Roteiro de 11 dias por Havana e Varadero

Redação
18/08/2018  ·  19:24Publicado 18 · ago · 2018  ·  19:24Atualizado 18 · nov · 2019

Vai pra Cuba? Roteiro de 11 dias por Havana e Varadero

Viajar para Cuba é um sonho cada vez mais acessível para muitos brasileiros, com uma grande oferta de passagens baratas para Havana. Independente de qualquer posicionamento político, Cuba é um destino aberto ao turismo, repleto de história e lindas paisagens naturais que com certeza valem a visita! Nossa leitora Marina Almeida aproveitou a oportunidade de visitar esse belo país e ainda nos presenteou com um roteiro completo de 11 dias pela capital cubana e as praias de Varadero, confira!

Roteiro de viagem a Cuba

Eu já tinha planos de ir pra Cuba desde que comecei a entender as questões políticas que envolviam o local. Sempre tive a sensação de que em algum momento a ilha vai sucumbir e em alguns anos terá um McDonald’s ou Starbucks em cada esquina, e queria conhecer Cuba antes disso. Com a notícia das eleições gerais que tiraria os Castro da presidência, uma promoção de passagem aérea e um bônus no trabalho, pude conferir as peculiaridades de Cuba em março de 2018, pela primeira vez.

Antes de ir

Cuba é um destino curioso e não é para menos. O embargo estadunidense a um governo socialista no mundo capitalista traz algumas peculiaridades para se fazer turismo lá.

A primeira delas é o dinheiro: não se aceita cartão de crédito em lugar nenhum, então não conte com essa alternativa, nem Travel Money, nada. Leve em moeda tudo o que você acha que precisar. A escolha da moeda também é importante. Eles trocam dólares, euros e outras, mas os dólares são taxados em 10%, de modo que o euro é a melhor alternativa – 1 CUC (dinheiro local para os turistas) é praticamente equivalente a 1 Euro. Eu levei 500 euros para 11 dias, mas acabou me sobrando 100. Deve-se considerar que no resort eu não gastei nada com comida, tudo já estava incluído no preço que paguei quando reservei.

A segunda questão importante é: precisa-se de visto para entrar em Cuba. O visto é um pedacinho de papel que nem vai no passaporte, é separado. Eu fiz por conta, pelo consulado de Cuba em São Paulo. Por e-mail, eles me informaram os documentos necessários, que enviei pelo correio, junto com o pagamento de R$ 152,00 (por transferência bancária). Depois, paguei pelo serviço de retirada, pela empresa Jetlog, e foi mais aproximadamente R$ 120,00 para entregar o visto em Porto Alegre. O visto também pode ser feito presencialmente no Consulado, em São Paulo. Ainda, há a opção de fazer com a companhia aérea, antes do embarque. No dia em que embarquei, a funcionária da Copa perguntou: “Já tens o visto?”, no que respondi que sim, perguntei quanto custava fazer na hora “R$ 60,00”. Ou seja, é uma opção bem mais em conta.

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Chegada ao local – Primeiro dia

Canal do Panamá – Eclusa Miraflores

Fui a Havana com a Copa Airlines, com conexão na Cidade do Panamá. Minha conexão era de pouco mais de oito horas, então li as dicas sobre o que fazer durante uma conexão longa na Cidade do Panamá e acabei contratando o motorista Orvill. Paguei US$ 80 por um city tour e pessoalmente não achei que valeu a pena. A cidade do Panamá não conta com pontos turísticos imperdíveis e as eclusas do Canal, embora economicamente superimportantes para o mundo, não são algo bonito ou divertido de se ver.

Passeio pela cidade do Panamá

Cheguei ao aeroporto de Havana por volta das 17 horas e, já na chegada, percebe-se a diferença de qualquer outro aeroporto de país capitalista tradicional. O Aeroporto José Martí é pequeno, cheira a charuto (alérgicos – levem antialérgico!!!) e não conta com o aspecto moderno clean de aeroportos. Eu aproveitei para trocar a maior parte do dinheiro lá mesmo, e é uma boa ideia. Em Cuba, há duas moedas: o peso cubano (CUP) e o peso conversível (CUC), sendo esse último indexado ao Dólar e de uso dos turistas. Embora seja equivalente ao Dólar, essa moeda é taxada em 10% nas casas de câmbio, de modo que vale mais a pena levar euros. Os CUC são praticamente equivalentes ao euro, mas se for pra trocar uma quantidade maior as casas de câmbio acabam valendo mais a pena, porque na rua as pessoas trocam um euro por um CUC.

Para ir para onde eu ficaria hospedada, contratei diretamente com a casa o serviço de transfer, mas há muitos taxis disponíveis e eles cobram o preço fixo de 30 CUC para levar até o centro.

Me hospedei em uma casa particular, que é uma forma de hospedagem comum na ilha e permite contato com os locais. É uma opção sensivelmente mais barata do que os hotéis disponíveis em Havana. Fiz a reserva pelos sites tradicionais de reserva de hotel, que foram liberados para os cubanos em 2017. Fiquei no San Leopold Rooms, e paguei aproximadamente US$ 52 por noite, com café-da-manhã básico incluído. O quarto era grande e tinha banheiro privativo, com chuveiro quente. Os anfitriões, Barbaro e Isabel, foram extremamente solícitos e gentis. Foi uma excelente opção pelo custo-benefício, especialmente porque era muito bem localizada, a quatro quadras da Paseo de Martí, a avenida principal do bairro Havana Vieja, onde a maioria dos pontos turísticos estão.

A primeira coisa que impacta, especialmente se você chegar depois de anoitecer, é a pobreza. O centro da cidade é muito pobre, com os casarões antigos em baixo estado de conservação e as ruas e as calçadas piores ainda. Isso assusta um pouco, com a sensação de um assalto iminente, mas, na verdade, Havana é muito segura.

Como cheguei tarde, estava muito cansada e resolvi somente descansar, então a Isabel preparou um jantar para mim quando eu disse que não sairia para comer e que comeria alguns biscoitos que tinha comprado no Panamá.

Segundo dia – Havana

Neste dia, achei que seria uma boa opção partir para um reconhecimento geral dos pontos turísticos da cidade. Na mesma casa em que eu estava tinha uma moça inglesa de seus 40 anos que também recém tinha chegado e estava sozinha, como eu, então fizemos amizade e decidimos andar juntas.

Caminhamos até o Parque Central, de onde parte o ônibus de city tour, que era a minha primeira opção para esse dia. Contudo, nos ofereceram o serviço de tour privado em um carrão conversível, um Chevrolet cor de rosa 1956, e foi difícil dizer que não. Fomos eu e a minha nova amiga e o passeio custou 20 CUC para cada uma. A motorista ia explicando os pontos turísticos em que passávamos.

Praça da Revolução e painel do Che

A primeira parada foi a Plaza de la Revolución, onde tem a famosa imagem do Che e a nem tão famosa imagem do Camilo Cienfuegos e onde a maioria dos atos políticos aconteceram na história de Cuba. O ponto pede a tradicional foto, mas a praça não convida a ficar mais tempo nela em si, porque nada mais é do que uma quadra de concreto sem nada (nem uma árvore, nem um banco).

A parada seguinte foi o Parque Lennon, onde tem a estátua do John para posarmos juntos. A motorista nos levou à Union Francesa, do outro lado da rua, onde, nas palavras dela, provaríamos o melhor mojito de toda Cuba. Depois de outros mojitos, vi que não era o melhor, nem o mais barato (5 CUC), então talvez tenha algum combinado dos motoristas com o restaurante. De todo modo, valeu a parada pela conversa que tivemos com a motorista sobre como é a vida em cuba para os cubanos.

O passeio nos levou de volta ao ponto de partida, andando pelo Malecón, a beira-mar que costeia Havana, que merece um momento só para ele, como relato mais adiante.

No resto do dia, caminhamos pela Paseo del Prado – Passeo de Martí. É uma avenida que lembra muito as Ramblas de Barcelona, larga e com uma calçada no meio. Nos sábados e domingos tem uma feira de arte nessa calçada e é preciso controle para não comprar tudo.

Lá na ponta, fomos ao Castillo de San Salvador de la Punta. Para entrar paga-se 2 CUC. Não é um grande passeio, porque a exposição que tem lá dentro é desorganizada e confusa (saí sem saber bem o que eles estavam expondo), mas é legal curtir a vista do oceano dali.

Depois, entrei na jornada de conectar a internet para dar sinal de vida para minha família. A internet em Cuba é paga, 1 CUC por hora. Adquire-se um cartão, que tem um login e uma senha, e, em algumas praças e em alguns hotéis onde tem sinal de wifi, pode-se conectar. A minha recomendação é fazer isso tomando um drink no lounge do Hotel Inglaterra.

Nesse dia, estava tão empolgada com tudo que esqueci de almoçar, e a janta foi na casa em que eu estava hospedada – eles cobravam 10 CUC o prato.

Parque Central

Terceiro dia – Havana

Parque e mais um memorial a Marti

Neste dia, dediquei-me a conhecer o centro mais turístico e histórico de Havana, o bairro Havana Vieja, que fica à direita da Paseo de Marti (no sentido de quem olha para o mar). Caminhei bastante neste dia, porque aqui, a regra é se perder nas ruazinhas olhando as casas antigas, com o seu charme bem característico.

Fui caminhando pela Calle Obispo, uma rua apenas para pedestres que tem livrarias, feirinhas de artesanato, hotéis e museus. As livrarias são muito interessantes, pois contam com diversos livros da história de Cuba, do Che, do Fidel e da Revolução, a maioria em espanhol, mas com alguns exemplares em inglês.

Fui ao parque que fica no fim da Obispo e segui caminho para a Plaza de San Fracisco, que tem uma basílica antiga lindíssima e que estava fechada. Então, tomei o rumo na outra direção, para a Plaza de la Catedral, essa sim, aberta. A arquitetura colonial das igrejas é muito charmosa.

Catedral Metropolitana de Havana

Pertinho da Catedral, na rua Empedrado, chega-se diretamente na famosíssima Bodeguita Del Medio, lugar dos mojitos de Hemingway que é parada obrigatória. O mojito custa 5 CUC e é delicioso sim, embora feito em grandes quantidades. Há turistas em todos os lados e você tem que se espremer no balcão para conseguir o drink, enquanto uma bandinha ali do lado toca salsa. Leve canetinha para deixar sua marca nas paredes do lugar!

Neste mesmo dia, tentei ir no Museo de la Revolución, mas ele fecha às 16h e eu cheguei por volta de 16h30. Assim, me planejei para voltar no dia seguinte e parti para a Floridita, seguindo as dicas de drinks do Ernest: “Meu mojito na Bodeguita e meu daiquiri na Floridita”. O daiquiri custa uma fortuna (6 CUC), mas é tão delicioso que tive que tomar dois, um sabor limão e outro sabor morango.
Com os drinks, fui para casa, e jantei novamente por lá (10 CUC).

Botequim na rua

Quarto dia – Havana

Museu da Revolução por dentro

Como no dia anterior não deu tempo de conhecer o Museu da Revolução, fui no quarto dia, logo pela manhã. A visita custa 8 CUC e é imperdível. O Museu começa com explicações sobre a vida de Che e do Camilo Cienfuegos, o comandante que está estampando na Praça da Revolução, amado pelo povo cubano. Na sequência, o museu explica o processo de tomada da ilha, parte que eu, particularmente, achei mais chatinha. São muitos mapas e trajetos dos revolucionários, além de alguns itens expostos. Depois começa a seção que mais gostei: a revolução no poder, que explica as medidas tomadas por Fidel após a tomada do governo. Além disso, o prédio é muito bonito. No pátio externo, pode-se ver o barco Granma, usado pelos revolucionários para chegar à ilha, e outros automóveis e aviões do processo.

Meu passeio continuou com a visita guiada ao Grand Teatro Alicia Alonso, onde o famoso Ballet Cubano se apresenta. O povo cubano ama muito o seu ballet, e o teatro é um prédio lindíssimo. A visita guiada custa 5 CUC e você pode ver o teatro por dentro, além de um salão de baile. No período em que estive, não tinha nenhuma apresentação de Ballet, mas já ouvi dizer que é imperdível. Então, se você estiver em Cuba quando tiver a apresentação: VÁ!

Malecón ao pôr do sol

Para completar o dia, resolvi fazer a caminhada pelo Malecón durante o pôr-do-sol. Então peguei um Táxi e paguei 6 CUC até a Embaixada dos Estados Unidos, que é uma das pontas desta Beira-Mar. O táxi lá não tem taxímetro, ou se tem, eles não ligam, então é importante negociar o preço antes.

A Embaixada dos Estados Unidos é interessante porque tem muitos mastros na frente, que foram colocados ali pelo Fidel. Na verdade, os programas americanos na Guerra Fria eram filmados na embaixada, para mostrar a pobreza de Havana. Então, já que não se pode mexer no território da Embaixada, Fidel colocou aqueles mastros com bandeiras de Cuba para ocultar a visão. Ainda naquela ponta tem o Paço Anti-imperialista, com uma estátua do José Martí apontando, acusatório, para a Embaixada dos EUA.

A caminhada do Malecón ao pôr do sol é um programa incrível. O sol traz uma coloração incrível aos prédios, os pescadores se juntam nos muros, e dá um prazer incrível.

Neste dia jantei no restaurante Nazdarovie, de comida soviética, que foi provavelmente o lugar onde eu melhor comi em toda a estada lá. Os funcionários são muito educados e gentis e a comida é espetacular. Eu pedi o Frango à Kiev, um bolo de frango recheado MARAVILHOSO, que custou aproximadamente 9 CUC.

Malecón

Quinto dia – Havana

Neste dia, com praticamente todos os destinos que queria ver já devidamente vistos e visitados, optei por caminhar novamente pelo centro de Havana Vieja e comprei souvenirs para todo mundo. Cuba não tem tanto aquelas mais tradicionais, a maioria das coisas são feitas a mão pelo artesanato local, o que eu particularmente acho muito mais charmoso.

Minhas lembrancinhas variaram entre quadrinhos, chaveiros, garrafinhas de rum, bolas de baseball para as crianças e algumas bolsas. Eles vendem a tradicional boina verde com a estrela vermelha em tudo que é canto, e charutos também são fáceis de achar, embora não sejam baratos (de 2 CUC ao infinito, dependendo da pureza e da grossura do charuto). Dizem que no passeio à Viñales é possível comprar a preços mais em conta, mas esse passeio eu não fiz e, como não fumo, não comprei charutos.

À noite, fui ao terraço do hotel Inglaterra. É só chegar na recepção do hotel e pegar o elevador ao quarto andar. Tem música ao vivo em vários dias da semana, lá, tocando ritmos de salsa, e tem bastante gente que dança. Os locais se mesclam aos turistas ensinando os passos de salsa, alguns com segundas intenções não tão nobres.

Pintura nas paredes de Havana

Sexto dia – Havana para Varadero

Hora de arrumar as coisas e partir para Varadero. Comprei pela internet a passagem do ônibus pela linha Viazul, saindo às 14. Então, pela manhã, arrumei as malas e me despedi de Havana com uma última caminhada. Ao caminhar, acabei descobrindo uma informaç.ão que me partiu o coração: o Capitólio fora aberto à visitação neste ano – na internet, sempre li que o local estava fechado há anos. Não havia tempo para mim, então, de coração partido, segui minha caminhada, voltei ao hotel e chamei um taxi para rodoviária.

Lá tive uma informação interessante: eles fazem o serviço de “taxi coletivo” para levar até varadero, e cobram em torno de 30 CUC até o hotel. Se somar o que gastei de táxi até a rodoviária (10 CUC), de ônibus (10 CUC) e de taxi lá em Varadero (15 CUC – mediante muito choro, porque queriam me cobrar 25 CUC), acaba que é bem mais em conta essa opção maluca dos cubanos.

A viagem de ônibus foi tranquila, com paisagens bonitas, já que ele vai pela rodovia que costeia a ilha. Chegando em Varadero, há vários táxis que levam aos hotéis e a regra da ilha continua valendo: pechinche, chore os preços, porque há margem pra isso.

Eu fiquei hospedada no hotel Starfish Varadero, que era um dos resorts mais em conta de se reservar pelo Booking. O fato de ser “em conta” teve o seu preço, porque o hotel estava longe de ser espetacular, como vou abordar no próximo tópico.

O “Táxi” que me levou para a rodoviária Viazul

Sétimo, oitavo e nono dias – Varadero

Piscina do Hotel

Varadero, em termos de resorts, é uma oportunidade incrível de descanso. O que eu fiz todos os dias foi praticamente a mesma coisa: da praia da piscina, do livro para o fone de ouvido, um pouco mais de praia, uma piscininha, um drink, um livro…

A praia é paradisíaca. Quando cheguei, fui direto para beira da praia, e estava “bandeira vermelha”, o que lá significa “não pode nem entrar no mar”. Eles são exigentes mesmo, não deixam e saem apitando se tu passa da água na altura do joelho. Nos dois dias seguintes, a bandeira estava amarela: pode entrar no mar, mas não pode a prática de esportes náuticos, o que inviabiliza os passeios para os corais para fazer snorkel. No último dia, a bandeira estava verde, o sinônimo de paraíso: mar sem nenhuma onda, parecia uma piscina. Foi nesse dia que fiz o snorkel do qual falo abaixo.

O resort que escolhi, Starfish Varadero, era bem mediano. A comida do buffet estava sempre meio fria e essa era a minha maior insatisfação. Além disso, não havia grande variedade e o sabor também não se destacava. Não cheguei a passar fome, até porque diversos bares permitiam lanches como hambúrgueres, mas não foi a orgia gastronômica que eu estava esperando. Os drinks eram bem feitos e disponíveis 24h. Os bares tinham horários de funcionamento próprios, mas no geral conseguia-se tudo o que queria a uma pequena distância de caminhada.

O hotel contava ainda com duas piscinas e uma estrutura na beira da praia, com cadeiras guarda-sóis e um bar lá, com bebidas e lanches disponíveis. À noite, havia uma apresentação e depois uma “baladinha”, em níveis questionáveis de bom gosto. O atendimento, no geral, era bom. Tanto a equipe de alimentação e bebidas quanto a de entretenimento falava um inglês razoável e eram pacientes com meu portunhol, gentis com o fato de eu ser brasileira e bastante solícitos.

Passeio para fazer snorkel e ver os peixinhos

Existem passeios pela cidade de Varadero, mas acabei não fazendo nenhum. Fiquei o tempo todo no resort. Das coisas imperdíveis, destaco: ver o pôr-do-sol no mar, cuja beleza é impagável e, se o tempo estiver bom, fazer o passeio de snorkel e nadar com os muitos peixinhos. Esse passeio dura duas horas e é pago a parte (20 CUC).

Eles levam ao local do coral de catamarã e fornecem tudo: colete, snorkel, pé-de-pato e comida para os peixes. Eu levei a Gopro, mas eles tiram fotos lá e vendem no hotel, para quem quiser. No mais, aproveite a península para descansar os pés das caminhadas, colocar a leitura em dia, tomar uns bons drinks e relaxar!

Praia de Varadero

Décimo Dia – Varadero para Havana

Novamente, dia de arrumar as malas e voltar para Havana. Já tinha passagem comprada pelo site, também para a volta, e novamente teria valido mais a pena ter acertado um taxi coletivo. De qualquer forma, arrumei as coisas, chamei o táxi, peguei o ônibus e voltei. Na volta, fiquei em outra casa de família, dessa vez localizada perto da Praça da Revolução. Novamente, não é uma localização que sugiro para a hospedagem principal de Havana, porque fica longe de tudo e os taxistas cobram o que dá na telha na hora de fazer os deslocamentos. Por outro lado, é uma região menos turística que te aproxima mais dos cubanos.

Na chegada, caminhei por toda Calle 23, uma avenida de comércio, até o Malecón. Na esquina do Malecón com a 23 tem a fonte com o letreiro de Cuba, onde parei para tirar fotos. Jantei em um pequeno restaurante por ali, onde comi uma pizza gostosa e tomei uma limonada por 9 CUC. A região tem boa oferta de lugares para comer.

Depois, fui para o hotel me preparar para a despedida.

Entrada do Hospital Geral

Décimo Primeiro Dia – Havana – Último dia

Meu voo de volta era às 17h, de modo que eu precisava estar somente às 15h no aeroporto. Então acordei, tomei café-da-manhã e fui me despedir de Havana e de Cuba na Praça da Revolução. Tirei mais fotos com a imagem do Che e, dessa vez, fui ao outro lado da rua, onde tem o memorial ao José Martí.

Paguei 10 CUC para entrar no memorial e subir no elevador, que dá acesso a torre. O nome José Martí aparece por todos os lados de Cuba e ali explica-se o porquê: José Martí foi um dos líderes da independência cubana dos espanhóis e seus ideais foram adotados por Fidel e pelos revolucionários. Destaco uma das frases que achei lindona: “Los Derechos se toman, no se piden: se arrancan, no se mendigan.” A exposição conta sobre a vida e a luta de José Martí até a construção do memorial. O elevador leva ao alto da torre, onde se vê toda Havana do alto.

Almocei na Calle 23 um hambúrguer (4 CUC), que era meio o que o dinheiro restante me deixou pagar. Já tinha combinado com o motorista do táxi do dia anterior de ir ao aeroporto com ele, que me cobrou 20 CUC (normalmente é 30 CUC), e assim, com alegria e já saudade, deixei a ilha cubana com muita vontade de voltar.

Outdoor de propaganda cubana na Calle 23

O que mais gostei na viagem?

1) contato com o povo cubano – eles são instruídos, gentis e curiosos; os turistas são o meio que eles têm de conhecer o mundo;

2) a arquitetura – os prédios de Havana trazem consigo uma aura e um charme que fotos não são capazes de demonstrar: sim, eles são velhos e sim, eles estão caindo aos pedaços… mas ver uma senhorinha estender roupa na sacada do terceiro andar de um casarão envelhecido é a cara da cidade; e

3) a praia paradisíaca – acho que dispensa explicações, certo?

O que poderia ser melhor?

Das coisas que me arrependo de não ter feito, estão fazer o tour pelo Capitólio e assistir a uma apresentação de ballet (observe-se que dessa última eu não tive culpa: não tinha apresentações no período em que eu estava lá). Outra coisa ruinzinha, especialmente para mulheres viajando sozinhas, é que os cubanos são muito muito machistas e insistentes. Cantada na rua toda hora, todo tempo.

Outra coisa é a alimentação, que é saborosa, mas não recomendo acompanhar o preparo. Se alimentar em cuba não é para os fracos: o padrão de higiene deles é muito diferente dos nossos e não dá pra ter nojinho, ou você vai acabar ficando sem comer.

Raio X

Onde é melhor se hospedar: Em Havana, no bairro Havana Vieja.

Restaurantes ou comidas que recomenda: Nazdarovie, no Malecón.

Passeios e atrações imperdíveis: Museu da Revolução. Vista guiada ao Teatro Alicia Alonso. Passeio de Carro Conversível. Por-do-sol na beira da praia.

Melhor forma de transporte: Tente se hospedar perto dos pontos turísticos para não depender muito de nada que vá além dos seus pés: ônibus é só para locais, e táxis são caros e bagunçados.

Como levar dinheiro: Leve euros, não dólares, por causa da taxação extra. Ah, e cartão de crédito não passa em lugar nenhum.

Dicas de Cuba

– Leia bastante sobre as cidades antes de chegar lá, mas permita-se ir sem roteiro. Havana pede essa liberdade.

– Converse com os locais: eles contam a história da revolução com orgulho e com lamento, apontam as coisas boas e ruins do regime socialista, e são, de fato, as pessoas que melhor podem opinar sobre o assunto.

– Ande a pé: os táxis são caros e não há nenhum parâmetro de preço, e os ônibus são somente para os locais.

– Tome o Daiquiri da Floridita e o Mojito da Bodeguita, ainda que sejam caros: eles são deliciosos e tem alguns atos turísticos que não podem ser abdicados.

Conclusão

Em tempos de confusões políticas, em que “Vai pra Cuba!” é praticamente um xingamento, eu pude ver com os meus próprios olhos a injustiça desse fato. Independentemente da sua opinião sobre socialismo e capitalismo, o destino turístico Cuba é inacreditavelmente bonito, divertido e engrandecedor. O povo latino transmite uma alegria que nos é peculiar e os passeios ensinam a história sobre outro ponto de vista.

O ponto mais forte da viagem fora as caminhadas por Havana Vieja, onde simplesmente me apaixonei pelos casarões em péssimo estado de conservação. A caminhada pelo Malecón ao entardecer foi também espetacular.

Eu mudaria muito pouco do meu passeio: com mais informações e oportunidade, teria ido a uma apresentação de ballet e entrado na visita ao Capitólio, mas entendo que foram coisas que fugiram das minhas possibilidades naquele momento. Teria certamente escolhido outro resort em Varadero, mas não me arrependo da escolha dessa modalidade, mas do hotel em si. Acho que Varadero combina com descanso e o resort proporciona isso melhor do que hotéis ou casas de família.

Quero muito voltar pra Cuba, para conhecer outras cidades, como Santiago de Cuba, Trinidad e Cienfuegos, e também outras praias e cayos. Não terminei meu roteiro por lá, com certeza.


Agradecemos a Marina pelo incrível relato! E você, quer compartilhar também sua viagem? Envie seu texto com fotos para convidado@melhoresdestinos.com.br, o próximo post pode ser o seu!