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Turismo no Camboja: roteiro e dicas de viagem para um destino vizinho à Tailândia

Wendell Oliveira
Wendell Oliveira
27/09/2020 às 5:43

Turismo no Camboja: roteiro e dicas de viagem para um destino vizinho à Tailândia

O Camboja levou tempo até ser considerado um bom destino de turismo. Mas o passado sombrio e a história de guerra ficaram onde deviam estar: no museu. Ofuscado pela vizinha Tailândia, o Camboja é lar do Angkor Wat, o maior templo do mundo; tem uma culinária com influência francesa e algumas das praias mais paradisíacas do Sudeste Asiático. Por isso, razões não faltam para combinar o Camboja ao seu roteiro e fazer uma viagem inesquecível pela região.

Além de ser um destino barato para viajar gastando em dólar, o Camboja oferece uma cultura exótica, que merece ser conhecida. Em tempos de paz e com diminuição da pobreza, o país cresce cada vez mais na preferência dos turistas. Chegou a hora de conhecer o Camboja!

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Como chegar ao Camboja

O Camboja está localizado no Sudeste Asiático, entre a Tailândia, Laos e Vietnã. Não existem voos diretos saindo do Brasil e será necessário fazer ao menos uma conexão.

O jeito mais barato de viajar para o Camboja é aproveitar uma promoção para a Tailândia, de onde normalmente surgem mais voos. Partindo de Bangkok, companhias low cost oferecem passagens baratas para às principais cidades cambojanas.

Bandeira do Camboja

O Angkor Wat é a principal atração do Camboja, estampado até na bandeira do país 🇰🇭

Quanto custa o visto para o Camboja?

Brasileiros precisam de visto para o Camboja. Atualmente o visto cambojano de 30 dias custa US$ 30 e pode ser obtido na chegada ao país (via fronteiras terrestres ou aeroportos). Para evitar contratempos e extorsões de autoridades corruptas locais, é recomendável obter o visto eletrônico, ao custo de US$ 30 + US$ 6 de taxa de emissão, através do site oficial do e-Visa.

Mas atenção: durante o período pós-pandemia, o Camboja vem adotando novos requisitos de entrada que podem dificultar a visita de turistas, como testes de saúde, quarentena, seguro obrigatório e depósitos. Confira as exigências antes de viajar!

Roteiro de viagem para o Camboja

Embora muitos turistas estejam interessados em explorar apenas o Angkor Wat, um roteiro completo pelo Camboja pode incluir uma visita aos museus de guerra em Phnom Penh para conhecer a história de guerra do país. Depois dos passeios culturais, não deixe de se divertir na agitada vida noturna de Siem Reap, ou nos cassinos de Sihanoukville; além de nadar nas praias paradisíacas de Koh Rong.

Confira as principais atrações do Camboja:

Angkor Wat: o maior templo do mundo

Patrimônio da Unesco, o Angkor Wat não é somente uma das maravilhas da arquitetura mundial, mas também o maior complexo religioso do mundo! Com 400 quilômetros quadrados, o parque arqueológico é herança do Império Khmer, civilização que dominou grande parte do Sudeste Asiático entre os séculos IX e XV d.C e deu origem ao povo cambojano.

Ingressos para o Angkor Wat

  • Preço: US$ 37 (1 dia); US$ 62 (3 dias) e US$ 72 (7 dias). Compre os ingressos na bilheteria principal, único ponto de venda oficial. Não há vendas pelas internet.
  • Horário de funcionamento: de 4h30 às 17h30 (todos os dias)
  • Localização: a cerca de 7 km do centro de Siem Reap, vá de táxi ou tuk tuk.
Angkor Wat, o maior complexo religioso do mundo

Angkor Wat, o maior complexo religioso do mundo

O naturalista francês Henri Mouhot “descobriu” as ruínas em meio à densa floresta cambojana, no ano de 1858. Em seu diário de viagem, suas anotações narravam uma construção “mais grandiosa do que qualquer uma deixada pela Grécia ou por Roma”. Ele ainda considerava o Angkor Wat como “rival ao Templo de Salomão e projetado por algum antigo Michelangelo”.

Há mais de 100 templos em todo o complexo, que impressionam pela suntuosidade e grau de conservação. No Angkor Wat, a ambição criativa e a devoção espiritual se misturam. Lá tudo é grandioso, a exemplo de um fosso de 190 m de largura que o circunda e das cinco belas torres esculpidas, ainda mais bonitas durante o nascer e o pôr do sol.

Pôr do Sol no Angkor Wat, Camboja

Pôr do Sol no Angkor Wat: absolutamente imperdível

Arquitetura Angkor Wat

Por dentro dos templos do complexo de Angkor Wat

As partes internas chamam a atenção, formadas por uma grande quantidade de quartos, galerias, corredores, pátios e escadarias — além das esculturas de deuses e demônios nas paredes. Estima-se que há pelo menos três mil esculturas do tipo.

As árvores do Angkor Wat são um destaque à parte. Algumas têm mais de 500 anos e suas raízes continuam a crescer e se emaranhar em meio às estruturas dos templos locais, roubando a cena. Aliás, você achou a paisagem familiar? Então provavelmente deve ter visto o filme “Tomb Raider”, com a atriz Angelina Jolie no papel de Lara Croft. Algumas cenas foram gravadas no Templo Ta Prohm, que significa “O Templo da Floresta”.

Árvores no Angkor Wat

Templo Ta Prohm, famoso pelas raízes de árvores centenárias que tomaram a paisagem

Se estiver com sorte, será possível encontrar apresentações culturais, danças típicas e cerimônias religiosas que eventualmente acontecem no território sagrado do Angkor Wat.

Apresentação de danças típicas Khmer

Apresentação de danças típicas Khmer

Há ingressos de um, três e sete dias para visitar o Angkor Wat. Sete dias é demais, recomendável apenas para os apaixonados por arqueologia. Já três dias é o bastante para explorar o complexo de maneira independente, sem se cansar.

Passar apenas um dia no Angkor Wat pode ser pouco, a menos que você contrate um passeio guiado. Guias que falam vários idiomas (inclusive português!) oferecem seus serviços nas entradas dos principais templos do complexo. Os preços são negociáveis e pode ser uma boa alternativa para aqueles com tempo reduzido.

Outra opção é explorar o Angkor Wat de bicicleta, uma experiência única. Mas mantenha-se hidratado, pois o calor pode ser muito forte ao longo do dia!

Passeio de bicicleta no Angkor Wat

Passear de bicicleta no Angkor Wat é uma ótima pedida, mas leve bastante água!

 

Siem Reap: ponto de partida

Siem Reap é a porta de entrada para o Camboja e provavelmente onde seu voo irá chegar. É nesta cidade que está localizado o complexo de templos do Angkor Wat, tendo ainda hotéis, restaurantes e uma boa infraestrutura que serve como base para turistas. Além disso, nas redondezas de Siem Reap é possível encontrar atrações como o museu das minas terrestres e as interessantes vilas flutuantes.

A área do Mercado Antigo é uma das mais antigas e vibrantes da cidade. Lá fica a movimentada Pub Street, rua famosa pela enorme quantidade de atrações como bares e boates, além de casas de massagem, entre elas as “fish spa“, técnica que consiste basicamente em ter os pés massageados por pequenos peixes, que se alimentam da pele morta acumulada.

Phnom Penh: o “legado” do Khmer Vermelho

Phnom Penh é a capital do Camboja e pode assustar à primeira vista com seu trânsito intenso, mas oferece excelentes museus. O Tuol Sleng Genocide Museum e o Choeung Ek Genocidal Center (Killing Fields) são atrações tristes, porém necessárias, que explicam em detalhes a complicada história do Camboja e os anos de dominação do Khmer Vermelho.

Entre 1975 e 1979, o Khmer Vermelho (Partido Comunista do Camboja), liderado pelo sanguinário ditador Pol Pot, foi o responsável por conflitos que causaram a morte de cerca de 2 milhões de cambojanos —  o equivalente a 25% da população total do país na época! A maioria foi executada ou morreu por excesso de trabalho, fome e doenças.

Choeung Ek

Choeung Ek, antigo campo de extermínio que conta o triste passado do Camboja

Durante o regime, a população foi forçada a marchar para áreas rurais a fim de viver em um modelo de agricultura do século XI. Valores vistos como “ocidentais” foram descartados, templos e bibliotecas foram destruídas e intelectuais foram assassinados — em alguns casos, os “intelectuais” eram apenas pessoas comuns que usavam óculos ou sabiam ler e escrever.

O antigo campo de extermínio de Choeung Ek atualmente é aberto a visitação, tornando-se um centro de conscientização contra o genocídio. As marcas do passado continuam fortes e o passeio não é recomendado para pessoas mais sensíveis. Perto dali, o Museu Tuol Sleng passa uma mensagem igualmente poderosa, possibilitando a visita ao interior de uma escola transformada em prisão.

Escolas-prisões do Camboja

Escolas-prisões do Camboja

Sihanoukville e Koh Rong: cassinos e ilhas paradisíacas

Seja sincero: com quantos anos você descobriu que Camboja e Tailândia são banhados pelo mesmo mar? Esse é um segredo bem guardando pelos viajantes mais experientes. Afinal, ninguém quer espalhar que o Camboja é dono de algumas das praias e ilhas mais bonitas do mundo, a preços ainda mais baratos do que as concorrentes tailandesas…

Praias do Camboja

Não é exatamente essa imagem do Camboja que você tinha em mente, certo?

Os chineses já descobriram o litoral cambojano, e praticamente tomaram para si a cidade de Sihanoukville. Com a maior infraestrutura da região, Sihanoukville é repleta de cassinos e tem até aeroporto com voos internacionais. Mas não perca muito tempo jogando — ao invés disso, faça a aposta certa de conhecer as ilhas de Koh Rong Koh Rong Samloem, dois paraísos a pouco menos de 30 minutos de distância de barco rápido, com passagens a US$ 10 o trecho.

Sihanoukville, Camboja

Sihanoukville: cassinos chineses e porta de entrada para ilhas paradisíacas

Koh Rong é a preferida dos mochileiros, com uma infame Full Moon Party (“Festa da Lua Cheia”) e bangalôs pé na areia, de frente para o mar cristalino, a preços incríveis. Já a vizinha Koh Rong Samloem é um vilarejo de pescadores, com aparência mais pacata, perfeita para quem quer relaxar ou fazer passeios de mergulho.

Melhor época para visitar o Camboja

A melhor época para visitar o Camboja é entre novembro e abril, quando o calor não é tão intenso e há poucas chances de chuvas. Se possível, evite os meses de maio a outubro, com mais incidência de monções, típicas do Sudeste Asiático.

tailandia songkran ano novo tailandes

Apesar da rivalidade, Camboja e Tailândia celebram o Ano Novo em abril de maneira bem parecida

A alta temporada também coincide com as datas de Natal e Ano Novo, embora sejam menos celebradas por lá em razão da cultura budista. Mas fique atento ao Ano Novo Khmer, que costuma ocorrer em meados de abril, variando conforme o calendário lunar. As celebrações do réveillon cambojano lembram o songkran da Tailândia, com guerrinhas de água, ruas encharcadas e alta ocupação nos hotéis. Vá preparado.

Quantos dias ficar no Camboja?

A quantidade ideal de dias para ficar no Camboja vai depender das atividades e passeios que você pretende fazer no país. Para quem se contenta em ver apenas o Angkor Wat, há ingressos de um a três dias, que já são o suficiente para conhecer o complexo religioso. A cidade de Siem Reap, onde fica o Angkor Wat, não exige muito tempo e pode ser facilmente explorada à noite, durante o tempo livre após a visitação ao templo.

Já a capital Phnom Penh, embora antiestética e caótica, merece ao menos um dia para aqueles queiram se aprofundar na história recente do país e ver museus e instalações de guerra. No entanto, as praias do Camboja são uma grata surpresa. Quem visita o litoral e as ilhas do país não costuma ter pressa para ir embora.

Culinária do Camboja

Vizinho de três países famosos pela culinária — Vietnã, Tailândia e Laos — e com fortes influências francesas, o Camboja não deixa nada a desejar quando o assunto é comida. Sua gastronomia é diversificada, farta e faz uso de ingredientes frescos e temperos que dão origem a pratos super saborosos.

Amok, prato típico do Camboja

Amok, prato típico do Camboja

Não saia do Camboja sem experimentar o Amok, um dos pratos mais tradicionais do Camboja. A receita leva peixe cozido com leite de coco fresco, pasta de curry feita com capim-limão, cúrcuma, gengibre e alho.

Segurança no Camboja

O Camboja é um destino relativamente seguro para turistas, embora exija precauções como qualquer outro lugar. A guerra civil no país acabou em 1975 e as temidas minas terrestres não são um problema fora das áreas rurais. Apesar disso, batedores de carteira e golpes de viagem nos centros urbanos infelizmente ainda são comuns. Então, fique atento!

Os golpes, aliás, são tão bem elaborados que merecem menções à parte. O Camboja é frequentemente listado em infames rankings de corrupção, com cobranças de propinas feitas até mesmo pelas autoridades nas fronteiras do país. Obter o e-Visa ao invés do visto na chegada é uma boa alternativa para fugir de eventuais extorsões. Outros golpes famosos são as cobranças adulteradas de táxi (ou tuk tuk) e mães com bebês de colo que pedem aos turistas para comprar leite — e depois devolvem o produto e dividem o lucro com o comerciante.

Happy pizza no Camboja

Fuja das “happy pizzas” no Camboja, com drogas que podem causar alucinações e intoxicação

Apesar das leis antidrogas rigorosas, o acesso aos entorpecentes é facilitado nas regiões turísticas, frequentemente disfarçados de “happy pizzas” (que não levam exatamente orégano na receita) e cogumelos “mágicos” com alucinógenos. Desnecessário dizer, não há o menor controle sobre essa atividade ilegal e o risco de intoxicação e overdose são grandes. Recuse, pela sua saúde e segurança.

Dicas de viagem para o Camboja

– Planeje seu roteiro com antecedência. O Camboja ainda é um país em desenvolvimento, com estradas nem sempre em bom estado de conservação e transportes com horários limitados. Locomover-se espontaneamente sem reservas e roteiro prévio pode causar contratempos durante a sua viagem.

Ao visitar o Angkor Wat, vista-se adequadamente cobrindo ombros e joelhos como forma de respeito. Lembre-se, é um lugar sagrado!

– A moeda oficial do Camboja é o dólar americano. O riel também é uma moeda local utilizada para valores fracionados e pequenos trocos. Como há somente notas, US$ 1 equivale a 4.000 riels. Logo, uma compra de US$1,25 pode ser paga com uma nota de um dólar e uma nota de um riel. Parece complicado, mas você vai se acostumar.

Moedas oficiais do Camboja

Moedas oficiais do Camboja: dólar americano e riel (para valores fracionados)

Cervejas são ridiculamente baratas no Camboja, com chopp e latinhas a partir de centavos de dólar. Divirta-se, mas lembre-se de beber com moderação.

– O trânsito pode ser perigoso, já que nas cidades há uma grande concentração de motos e tuk tuks, nem sempre respeitando as regras. Olhe sempre para os lados e, na dúvida, peça a ajuda de um local ao atravessar a rua.

Não contribua com o turismo exploratório. Denuncie abusos de animais e exploração sexual infantil, infelizmente ainda comuns no Camboja.

Faça um seguro viagem. Você pode precisar.


E você, já foi ou tem curiosidade de viajar para o Camboja? Deixe seu comentário!

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