Cajón del Maipo: um dia no Embalse El Yeso saindo de Santiago

Thiago Ibrahim
21/03/2019  ·  4:46Publicado 21 · mar · 2019  ·  4:46Atualizado 17 · set · 2019

Cajón del Maipo: um dia no Embalse El Yeso saindo de Santiago

Cajón del Maipo é uma região turística que cada vez mais atrai brasileiros que visitam Santiago do Chile. Localizado a 100 km da capital chilena, trata-se de um cânion em plena Cordilheira dos Andes cortado pelo bacia do Maipo, o rio mais importante da região, e tem chamado atenção por sua localização e pelas atrações diferenciadas que oferece.

Cajón del Maipo é um local ideal para quem deseja ter um contato mais próximo com a Cordilheira do Andes ao visitar o Chile. No Cajón é possível fazer trilhas pelo Monumento Natural El Morado, um parque nacional na Cordilheira ou banhar-se nas piscinas naturais de águas termais com temperaturas que podem chegar a 70ºC.

Entretanto, uma das atrações mais famosas da região do Cajón del Maipo é o Embalse El Yeso. O Embalse – reservatório em espanhol -, é uma represa que foi construída na década de 1960 com o objetivo de fornecer água potável para a região metropolitana de Santiago, aproveitando o curso do rio El Yeso e o degelo dos picos da Cordilheira.

O local fica a aproximadamente 2.600 metros de altitude e fornece cerca de 70% da água consumida pela população da região metropolitana de Santiago. O resultado é uma espécie de lago artificial de cor azul turquesa que contrasta com a cor escura das montanhas e o branco da neve nos picos:  um deleite para os olhos e convite para quem adora tirar fotos e fazer vídeos. Uma curiosidade sobre o local: ele serviu de cenário para o clipe da música “Não quero mais”, da cantora carioca Ludmilla.

Chegando a Cajón del Maipo

Saímos de Santiago bem cedo, por volta das 8 horas. A viagem até o Cajón duraria cerca de duas horas. Fizemos uma parada, ainda na capital, para comprar água e ir ao banheiro. Depois seguimos viagem.

Aos poucos, conforme nos afastávamos da cidade, a paisagem ia mudando e a cordilheira ficava cada vez mais próxima. Chegando à região de San José de Maipo, era possível ver picos cobertos de gelo e aos poucos começamos a subir na direção deles. Na região de San Gabriel, fizemos uma parada para tirar fotos da da paisagem. Uma visão incrível!

Dica: É comum um pouco de mal estar na subida dos cerca de 2.600 metros devido as curvas sinuosas da estrada. Recomenda-se beber muito líquido para combater os efeitos da altitude.

Seguimos viagem e mais à frente a estrada mudou bastante: agora não tinha mais asfalto. Era uma via de pó de pedra pouco sinalizada que nos levava cada vez mais cordilheira adentro. Faltando alguns quilômetros, mais um pit stop, dessa vez na última parada com banheiros antes do Embalse. O guia avisou que era melhor se aliviar ali mesmo, já que no Embalse não tem estrutura com os baños, caso precisássemos.

Nessa parada – uma espécie de lanchonete bem ao estilo filme de faroeste -, era necessário pagar 500 pesos chilenos (cerca de R$ 3,00) para usar banheiros construídos em madeira, mas com toda estrutura necessária para quem precisasse fazer o número 1 ou mesmo o número 2.

Partimos mais uma vez, e alguns poucos quilômetros à frente começava a se revelar a estrutura da represa e as montanhas que a cercam. Sabe aquela sensação de “eu não acredito no que meus olhos estão vendo”? É assim que você se sente ao chegar ao Embalse El Yeso.

Embalse El Yeso

Aos poucos a van foi entrando, percorrendo a pequena e estreita estrada de pó de pedra que margeia o Embalse. Novas paisagens, dignas de filme, iam se revelando à medida em que entrávamos. Continuamos mais um pouco até que paramos numa espécie de mirante, onde foi possível descer da van para tirar as primeiras fotos.

Entramos novamente na van e continuamos percorrendo o entorno do Embalse em direção a uma espécie de “praia”, bem pertinho da água. A van estacionou e nós pudemos descer pra tirar fotos e tocar a água geladíssima do Embalse.

Afirmo que a água é gelada por acreditar na informação do guia, já que por não ter levado agasalho suficiente, fiquei com as mãos quase congeladas e perdi um pouco da sensibilidade dos dedos (sabe como são os cariocas…). Meu conselho: leve casaco, luvas e touca se não quiser passar frio. Mesmo com sol de novembro, a sensação térmica era próxima de 0ºC, com o vento gelado que estava batendo. Ah, e não esqueça o protetor solar. Em razão da sensação térmica, o sol pode castigar a sua pele sem nem você sentir.

Além de tirar fotos, aproveitei para um momento de contemplação. Parei, respirei, olhei para a linda paisagem em volta, percebi o quanto era privilegiado por estar ali no meio da Cordilheira dos Andes e agradeci. As nuvens passavam bem baixinho tocando o cume das montanhas logo acima da minha cabeça. Então tive a ideia de registrar isso num timelapse que você pode ver no Instagram do Melhores Destinos.

Depois de algum tempo o pessoal da Sousa’s Tour, agência de turismo com a qual fizemos o passeio, começou a montar uma mesa e tirar comidas e bebidas de dentro da van. Logo percebi que estava chegando a hora do piquenique! À mesa, biscoitos, pães, pastas, queijos, salames, sucos, cervejas e vinhos. Fizemos um brinde e: “atacar!” Saboreamos uma ótima refeição com aquele visual incrível bem à nossa frente.

Após a refeição, tivemos mais um tempo para fotos e caminhada pela “praia” da represa. Nosso guia nos chamou dizendo que era hora de retornar para Santiago. Nos acomodamos na van mais uma vez e começamos a percorrer o entorno do Embalse voltando para a estrada.

Mas o nosso passeio não havia chegado ao fim. No caminho de volta o guia fez mais duas paradas para que pudéssemos tirar fotos das paisagens que iam ficando para trás. Era como se aquele lugar incrível que havia acabado de nos receber estivesse acenando e dizendo “Até logo! Espero ver vocês de novo em breve”. Eu também espero!

De volta a Santiago, eu estava maravilhado com o cenário e a experiência que tinha acabado de viver. Alma grata, corpo alimentado e câmera cheia de fotos incríveis!

Como chegar?

Existem duas maneiras de chegar ao Embalse el Yeso: por conta própria (alugando um carro) ou contratando uma das muitas agências de turismo. Eu aconselho contratar uma agência, já que o caminho até o embalse é complicado e partir de determinado local a estrada não tem pavimentação e sinalização adequada (lembre-se: você estará no meio da Cordilheira dos Andes).

Quanto custa?

Nosso passeio foi feito com a Sousa’s Tour. O valor é de 53 mil Pesos chilenos (cerca de R$ 280,00). Esse preço inclui o translado de ida e volta, guia e piquenique à beira do embalse.

Existem várias outras agências que também fazem o passeio, além de particulares que oferecem o serviço. Mas antes de contratar, é sempre bom pesquisar sobre a empresa e combinar tudo direitinho, para não levar gato por lebre.

Quando ir?

Entre novembro e abril. Por se tratar de um passeio na Cordilheira, não aconselhamos que você vá durante o inverno, já que o acesso pela estrada nessa época é mais complicado e pode ser perigoso, além das baixas temperaturas que podem tornar a experiência menos agradável.

Vale a pena mesmo?

Se você é o tipo de viajante que gosta de visitar locais com visual de tirar o fôlego e quer viver uma experiência diferente de contato próximo com a imponente Cordilheira dos Andes sem se arriscar, vale muito a pena separar pelo menos um dia da sua viagem para fazer esse passeio!

Não deixe conferir nossos posts completo sobre o que fazer em Santiago do Chile e o que fazer em uma segunda visita a Santiago, além do nosso Guia de Santiago, com todas as informações para a sua viagem!

O Melhores Destinos viajou ao Chile a convite da GOL