Islândia: uma viagem incrível pelo sul do país

Por Yenifer Contreras

A Islândia é o lugar mais incrível que já conheci. Não tenho outra maneira de começar este post. Eu viajei por muitos países, mas garanto que o que você sente lá é algo totalmente diferente. Não sei é a proximidade do polo ou o efeito da energia eletromagnética que é liberada e dá origem à aurora boreal, mas acontece algo que te move. Regressar de uma viagem para a Islândia é um ponto sem retorno, a oportunidade de começar de novo como se eles tivessem feito um ctrl + alt + del em você.

Nós viajamos por todo o sul deste paraíso, em uma rota de 700 quilômetros, de oeste a leste, por apenas cinco dias a bordo de um motorhome. Convido você a conhecer todos os detalhes de uma incrível viagem por essas terras Viking. Você quer ir? Aqui vou lhe contar todos os dados para que você não perca nada e gaste o mínimo possível. Venha comigo para visitar o lugar, que na minha opinião, é o mais maravilhoso que já estive.

Chegando à Islândia

É importante contar que eu moro do polo oposto. Eu moro na região de Valparaíso, no Chile, então não é nada fácil subir a percorrer o mundo. Muito menos se a intenção é ir para o outro extremo.

A Islândia é um país instalado em uma ilha que tem cerca de 350 mil habitantes e ocupa uma área de 103 mil quilômetros quadrados. Ele está localizada no Oceano Atlântico ao norte da Europa e ao sul da Groenlândia, em plena dorsal mesoatlântica, por isso tem uma grande atividade vulcânica e geológica. O centro da ilha é composto por montanhas e geleiras, estima-se que 11% do país seja composto por gelo. Segundo a ONU, é o sexto país mais desenvolvido do mundo e ocupa o primeiro lugar no Índice de Paz Global.

A comemoração dos 10 anos do Melhores Destinos em Portugal nos deu a oportunidade de subir o mapa e cruzar a Europa. Era o momento certo para partir antes da viagem da equipe e fazer um desvio para o norte. Voamos em uma tarde de sexta-feira desde Santiago do Chile para Madrid com a Ibéria em um voo de 13,5 horas. Eu disse que não é fácil ser um viajante do meu país. Coordenamos os voos para uma conexão que nos permitia ter tempo suficiente em caso de atrasos. Chegamos às 18h30 de sábado a Madri, e nosso próximo voo na Iberia Express para Reykjavik foi às 22h30. Não tivemos atrasos nos voos.

Algum inconveniente? Sim! O bilhete de Madrid a Reykjavik nos custou cerca de R$ 500 cada, um bom preço para a rota, mas não consideramos que teríamos um voo de 5 horas, com embarque remoto, um avião que prometia ter entretenimento a bordo mas não funcionou, assentos que não reclinavam, e apenas meio sanduíche como jantar. Depois de ter viajado 13,5 horas do Chile, e tendo esperado mais 4 horas em Barajas, isto foi um pouco de sofrimento.

Mas todo o cansaço da viagem passo quando por volta das 2 horas da manhã, no meio do voo, vi através da janela do avião a luz do sol nascer. O polo estava perto: no verão as horas de escuridão não passam de 3 durante a noite. Nós estávamos definitivamente chegando a um lugar muito diferente de todos onde eu havia estado antes.

2 horas e o polo norte no verão é iluminado pelo sol

Alojamento

Nós pousamos em Reykjavik por volta das 2:30 da manhã no domingo. No aeroporto no aguardava um motorhome, que seria nosso hotel, transporte, bar, restaurante e spa durante toda a viagem ao norte do país. Eu nunca tinha viajado deste modo, mas recomendo totalmente, porque na Islândia as aldeias estão muito longe umas das outras, então ficar em hotéis, além de ser extremamente caro, leva muito tempo para se percorrer. É importante mencionar que a Islândia o que tem de maravilhosa tem de cara. De fato, é o país mais caro em que já estive. Nossa maneira de fazer esse percurso foi a opção mais barata, mostrando que você pode viajar para essa maravilha gastando menos.

Fizemos a reserva da campervan dois meses antes pela internet. Existem várias empresas islandesas que se dedicam a isso. Procuramos o carro que mais nos acomodava: aquecimento, cama, fogão de campismo, louças, mesa dobrável interna e externa, seguros, GPS, e até mesmo Wi-Fi, faziam parte dos serviços oferecidos dentro da tarifa de aluguel, com média de R$ 550 por dia. Nada mau!

Imediatamente apreciamos as vantagens de visitar um país extremamente seguro e a opção de ficar em nosso próprio veículo. Nós assinamos os papéis de aluguel de carro, saímos, avançamos alguns metros, estacionamos, instalamos o dormitório móvel da campervan e… fomos dormir!

Acordamos por volta das 11 da manhã no domingo e a primeira coisa que fizemos foi encontrar a área de acampamento mais próxima para tomar uma ducha. Um par de quilômetros de distância estava o Tjaldsvaedi Camping. Na recepção você pode comprar fichas para os chuveiros por R$ 10. O pagamento podoa ser feito em dinheiro, em moeda local, ou com cartão de crédito. Optamos pela segunda opção e funcionou sem problemas. O uso do chuveiro não tinha tempo limitado, o espaço era aquecido, limpo e até tinha secador de cabelo e cabide para deixar as roupas.

Reykjavik

Estávamos prontos para começar nossa excursão pela Islândia e partimos para a capital: Reykjavik, que significa “baía fumegante”, porque é cercada por gêiseres. É uma cidade de 128 mil habitantes, localizada muito perto do Círculo Polar Ártico, que a posiciona como a capital mais ao norte do mundo.

A primeira recomendação para visitar Reykjavik é usar roupas quentes. Chegamos no final de julho, no meio do verão local, e a temperatura não subiu acima dos 12 graus. Além disso, leve sempre um guarda-chuva à mão, a cada poucas horas a chuva cai, lembrando que você está no extremo norte do mundo.

A cidade é pequena e é possível visitar suas atrações em um dia. Estes são os principais, classificados por localização:

Harpa: Seu nome completo é “Harpa Reykjavik Concert Hall e Conference Center“. É um centro cultural localizado em frente à baía que vale a pena conhecer, pois além de uma extensa variedade de atividades, tornou-se um ícone arquitetônico da cidade. Sua fachada brilha em várias cores graças a uma construção baseada em hexágonos de cristal, que interagem com a luz solar e a meteorologia para produzir diferentes reflexos. É também a sede da Orquestra Sinfônica e Ópera da Islândia. Você pode entrar de graça.

Solfar, o Viajante do Sol: É uma escultura icônica localizada em frente ao mar, a poucos metros de Harpa, onde os viajantes gostam de se fotografar. É uma obra do islandês Jón Gunnar Árnasor e foi construída em 1986 para celebrar o 200º aniversário do país. A estrutura de alumínio representa um barco dos sonhos e um agradecimento ao sol.

Mercado Kolaportid: Este lugar é ideal se você quiser dar uma primeira olhada na cultura local. Aqui encontrarão comida, roupas novas e usadas, livros e os típicos suéteres de lã tricotados à mão. Em um ato destemido para conhecer a comida Viking mais típica, em pleno Kolaportid, aceitei o desafio de experimentar o hákarl, o famoso tubarão fermentado. Um minúsculo pote com três pedaços custa R$ 10. E me joguei! Foi uma experiência culinária incomparável… que me custou sair da boca o dia todo. Faça isso, mas eu lhe aviso que é para experimentar apenas uma vez na vida. Sabor forte e nada agradável. Dizem que a força dos Viking vinha desta comida. Eu acredito nisso!

Lago Tjörnin: A poucas quadras de Kolaportid você poderá apreciar a beleza de Reykjavik em seu cartão postal mais autêntico. Casas coloridas como saídas de contos de fadas ao lado de um lago onde nadam os patos silvestres. É um lugar ideal para caminhar, conhecer a arquitetura local e desfrutar do parque Hljómskálagarður: pano de fundo da lagoa.

Igreja Hallgrímskirkja: É um templo luterano de 74 metros de altura que pode ser avistada de diferentes partes da cidade, graças à sua imponente fachada. No lado esquerdo da entrada há um elevador que por R$ 32 permite subir e ter vistas panorâmicas da cidade. Foi construído entre 1948 e 1986 em um projeto do arquiteto Guðjón Samúelsson, que, inspirado pelos fluxos de lava basáltica da Islândia, construiu a igreja mais icônica do país. Também chama a atenção o grande órgão no interior da catedral.

Camping Reykjavik

Assim se foi nosso dia. O melhor? Luz natural! Graças à proximidade do pólo norte, como já lhe disse, no verão as horas da escuridão não passam de três. Então, pudemos passear até muito tarde com a luz do dia. Finalizando nosso roteiro urbano, seguimos para a nossa primeira noite em um acampamento islandês. Nós escolhemos o Reykjavik Campsite para começar a aventura, era muito perto do centro, não mais do que 10 minutos de carro.

Em um sistema muito diferente do da América Latina, na Islândia, ao entrar nos acampamentos, não há barreiras ou guaritas que controlam quem paga ou não. Você apenas estaciona seu motorhome e eles assumem que você irá imediatamente para o escritório da recepção, sempre longe e escondido, para pagar a sua estadia. O custo neste recinto é de R$ 77, que incluem o uso da cozinha, água quente para bebidas, banheiro, wi-fi e chuveiro. Se você quiser usar eletricidade para o seu veículo, o custo é extra, o mesmo com a lavanderia, toalhas e café da manhã. Mas estão disponíveis.

Apesar de ter bastante hóspedes, o acampamento é muito limpo, tem uma grande cozinha com 12 fogões elétricos de duas bocas. Um espaço interno comum que serve como sala de jantar, livraria e sala de estar, com mesas suficientes disponíveis. Além disso, do lado de fora, há uma dúzia de lugares habilitados com mesas e churrasqueiras para quem quiser cozinhar ao ar livre. Tudo isso a cerca de 300 metros dos estacionamentos, onde a partir das 220 horas, embora seja dia, não deve haver barulho. O sonho dos outros é respeitado. Para quem quiser desfrutar de um copo de vinho e conversa junto ao fogo, ou um bate-papo após o jantar, os espaços comuns estão bem equipados. Uma maravilha!

23:00 pm e silêncio (e luz) assumiu o estacionamento no parque de campismo Reykjavik

Segunda-feira de manhã foi hora de deixar o conforto urbano e sair para ver esta maravilhosa ilha de vulcões e gelo. Nossa disponibilidade de dias era pequena, então tivemos que decidir se viajaríamos para o norte ou para o sul da ilha. Nos decidimos pelo sul: lá está o maior número de atrações e, no final da rota, está o Parque Nacional Vatnajökul, com as mais incríveis paisagens de gelo que você pode imaginar. Partimos para lá.

Urridafos

Pegamos a estrada 1 que atravessa a ilha do sudoeste para o leste. A estrada é uma maravilha que mistura longas planícies, com montanhas surpreendentes e cores espetaculares. A 76 quilômetros de Reykjavik, paramos na primeira atração da estrada: as corredeiras Urridafos, localizadas entre as cidades de Selfoss e Hella.

É preciso fazer um desvio de dois quilômetros da Rota 1. A estrada é de terra, a princípio você não sabe se está no caminho certo. No final chega a um estacionamento, e ao descer já pode ver as corredeiras. A rota ao longo da margem do rio é limitada e não levará mais que 10 ou 15 minutos, mas é um lugar onde vale a pena parar.

Seljandfoss

Ao retomar a Rota 1, e após cerca de 50 minutos avançando com calma; já que as estradas islandesas são rápidas e muito calmas, de repente você pode ver entre as encostas uma coluna de água impressionante. É incrível porque ainda está a quilômetros de distância e já é possível apreciá-la. Trata-se da cachoeira Seljandfoss e seus 60 metros de queda livre. Fica a exatamente 53 km de Urridafoss e marca a divisão entre as terras altas e baixas do país.

Originada pelo rio Seljalandsá, essa cachoeira tem a particularidade de poder ser acessada até a parte posterior por meio de uma encosta e sentir a força da água por dentro. Para viver esta experiência é importante trazer roupas apropriadas, e pensar em ter alguma peça de reposição à mão, porque vários metros antes de iniciar a trilha você está completamente encharcado.

O acesso ao local não tem custo, apenas o estacionamento. Ao lado de Seljandfoss existem várias cachoeiras menores que podem ser percorridas por outro caminho. Incluindo esta caminhada, o tempo gasto pensando em ir atrás da cachoeira (ou pelo menos tentar), além das fotografias e do caminho das quedas menores, não deve ser mais do que uma hora. Mas é uma experiência inesquecível que você vai lembrar para sempre.

Skógafos

Este é um dos pontos mais importantes da rota. Skógafos é a mãe de todas as cachoeiras que visitamos. Fica a apenas 30 quilômetros de Seljandfoss na Rota 1 indo para o leste. O estacionamento e a entrada são gratuitos. Chegando ao local não é possível ver nada, mas o barulho da água anuncia que você está prestes a testemunhar algo realmente grande. Quando estaciona, você pode vê-la à distância. Skogafos é imponente e quanto mais você se aproxima mais forte sente a vibração da força da água.

Esta queda de água nas falésias islandesas de 60 metros de altura e 30 metros de largura, faz com que seja uma das maiores cachoeiras do país. Diz a lenda que o primeiro colono viking, Prassi Pórólfsson, enterrou um tesouro atrás dela e ainda permanece lá.

Você pode contemplar a força da água a partir de baixo, chegando muito perto da base, mas também é possível subir até a nascente da cachoeira, onde o rio Skógá se lança em queda livre. É uma subida de intensidade média, por escadas antideslizantes, e não levará mais de 15 minutos para chegar ao cume. Vendo os dois lados da natureza raramente é possível e fácil de acessar, por isso é uma opção que eu recomendo. É incrível estar lá!

Reynifsjara

Também conhecida como a Praia Negra, é sem dúvida a praia mais famosa da Islândia e isso porque combina uma série de atrações que a tornam única no mundo. Saímos de Skógafos continuando a aventura pela Rota 1, a 29 quilômetros de distância tomamos a rota 215 que leva ao litoral. Cinco quilômetros adiante encontramos o estacionamento para acessar a praia. Há também um café (bastante necessário por causa do frio que estava fazendo) e banheiros disponíveis para os visitantes. Novamente não pagamos nada pela entrada e estacionamento.

Ao descer do veículo leve roupas quentes, há muito vento e,  segundo o que dizem viajantes e moradores, isso é verdade o ano todo. Um pequeno caminho te levará à primeira atração, as colunas de basalto chamadas Hálsanef. São pedras que formam figuras semelhantes a degraus de tamanhos diferentes e que chamam a atenção tanto pela sua expansão quanto pela cor, semelhante à areia da praia.

Ao caminhar pela praia, a poucos metros além das colunas de basalto, e com sorte de encontrar a maré baixa, você pode visitar a caverna Halsanefshellir. Ela tem um estilo gótico, cinzento e mesmo misterioso, devido às mesmas formações de rochas vulcânicas de basalto. Um lugar ideal para fotografias. Lugares como esse são incomuns ao que nossos olhos estão acostumados a ver.

E no final da praia você pode ver as ilhotas Reynisdrangar. Com seus 66 metros de altura são visíveis de vários pontos da região, como a vila de Vik e Myrdal e os mirantes de Dyrhoraley. A lenda islandesa diz que eles são trolls que arrastavam barcos até a costa da praia e não perceberam que estava amanhecendo, quando o sol os apontou se transformaram em pedra.

As recomendações para visitar Reynifsjara são usar roupas quentes, não desafiar as ondas e o vento da praia que são de alto impacto, e tentar visitá-la em tempos de maré baixa para chegar com segurança na caverna Halsanefshellir.

Vik e Myrdal

Se você quiser recarregar suas baterias e ver um pouco de civilização, Vik é o lugar certo. Está a apenas 10 quilômetros da Praia Negra, retomando a Rota 1 para o leste, e seus 300 habitantes estão acostumados a receber viajantes que fazem a última parada antes de ir para o Parque Nacional Vatnajökull.

Em Vik você encontra um pequeno posto de gasolina e um mini centro comercial com tudo o que é necessário para a subida ao parque: supermercado, equipamento de campismo, roupa ao ar livre e souvenirs. Além disso, recomendo ir até a igreja que é visível nas alturas de todas as partes da cidade. Lá terá uma visão panorâmica do lugar, que eu garanto que vai deixá-lo impactado.

Vik, a cidade localizada mais ao sul da Islândia, caracteriza-se por estar em frente à costa em mar aberto. Não subestime o vento. Nós planejamos cozinhar e almoçar aqui porque como uma área urbana poderia ser mais confortável. Quase voamos com campervan e tudo! O melhor sempre é procurar espaços protegidos do vento na hora das refeições, ainda mais em Vik, onde há histórias de viajantes que tiveram seus veículos arrastados pelas tormentas.

Rota para o Parque Nacional Vatnajökull

Nos armamos de coragem, porque até agora enfrentávamos um dia intenso, e começamos a rota mais longa da jornada. Faltavam 140 quilômetros para chegar ao Camping Skaftafell, no Parque Nacional Vatnajökull. Íamos ao encontro das geleiras islandesas. A estrada é maravilhosa. Dá a sensação de que poucos seres humanos circularam lá. A cada tantos quilômetros, a paisagem muda bruscamente. Primeiro, o Eldhraun, que aparece com surpresa, como um parque verde no chão cheio de relevos. É uma planície de lava que foi formada durante a erupção do vulcão Laki em 1783, e hoje é colonizada por um campo de musgo que cobre cada uma dessas pedras. Dá a sensação de estar em outro planeta.

Logo a estrada se torna plana, e ao fundo, no lado oposto da costa, aparecem as montanhas cobertas por geleiras, que junto com as placas de gelo cobrem 11,1% do país. Quilômetros e quilômetros de gelo caindo até a costa. Em seguida, casas no meio do nada, que se gabam como se fosse algo normal possuir enormes cachoeiras em seus quintais. Chega um ponto em que você não sabe para onde olhar. Nem as histórias, nem os livros, nem os filmes de Hollywood fazem justiça a estas paisagens. É nesse ponto, quando você sente que a alma se reconforta. Algo acontece que te completa de energia.

Depois de várias paradas, porque eu queria fotografar tudo, começamos a ver pequenos montes de pedras lado a lado. Elas estavam empilhadas por tamanho e, à medida que avançávamos, se multiplicavam. Nós verificamos na internet e se tratava de Laufskalavarda. Um lugar sagrado para os viajantes, onde você deve passar para deixar sua pedra em um desses montes para garantir uma boa viagem. E é claro que assim fizemos.

Um par de quilômetros à frente, as montanhas islandesas pintadas de verde e cinza me comoviam, não conseguia deixar de olhá-las. Até que de repente, na base de uma delas, vimos os famosos cavalos islandeses: baixos e robustos, com crinas compridas e, pelo menos nesse caso, muito mansos. Dizem que os vikings os trouxeram da Inglaterra. Descemos e os apreciamos por alguns minutos.

Parque Nacional Vatnajökull

Decidimos seguir para o acampamento para poder chegar a tempo de fazer o check-in, preparar o jantar e descansar. Por volta das 20 horas de segunda-feira, e depois de viajar 327 quilômetros a leste, estávamos no Camping Skaftafell, às portas do Parque Nacional Vatnajökull.

O espaço para trailers é espaçoso e confortável. No entanto, não tem áreas comuns ou cozinha, por isso todo o equipamento do campista é útil aqui: fogão elétrico, mesa dobrável, cadeiras, etc. Ao contrário de acampar em Reykjavík, não há água quente disponível, por isso, ao alugar um veículo, considere trazer uma chaleira elétrica ou uma panela especialmente para aquecer a água. Os chuveiros são de primeira classe, aquecidos e limpos. O serviço é pago, R$ 21 por pessoa e, segundo os viajantes, é cortado automaticamente em 5 minutos, o que pelo menos conosco, não aconteceu. Além disso, devido à sua proximidade com as geleiras, faz muito, mas muito frio. Considere muitas roupas quentes, especialmente à noite.

Às 23:30 e em plena luz do dia no verão, tem início o período de paz e silêncio no acampamento. Todos os viajantes o respeitam, sem exceção.

Fjallsárlón e Jökusárlon

Terça de manhã deixamos Skaftafell com a intenção de avançar 57 quilômetros e chegar à geleria Jökulsárlón, a maior da Islândia, onde se pode fazer passeios de barco e caminhar entre enormes blocos de gelo batendo contra as ondas no oceano. Chegando ao local indicado pelo GPS, fiquei surpresa que, sendo a atração mais importante deste lado do Parque, havia poucos carros e visitantes. Sem filas, compramos ingressos para fazer um passeio de barco no lago e nos aproximar da geleira. Havia uma cafeteria e banheiros disponíveis nas proximidades.

Quando chegamos ao bote, a surpresa: estávamos na verdade em Fjallsárlón! Um erro na seleção pelo GPS havia nos levado a desviar cerca de 10 quilômetros e encontrar o irmãozinho de Jökulsárlón!

Nós estávamos em um lago com uma geleira bestialmente enorme, medindo 4 quilômetros quadrados, ainda nos dissessem que era menor do que “seu irmão mais velho”, sem dúvida foi o melhor erro! Fizemos um longa passeio no bote motorizado, chegamos ao glaciar com toda tranquilidade, com apenas 6 outros viajantes, além do guia. Mas o melhor: com um ingresso mais barato que no glaciar adjacente. A turnê foi pura magia: o silêncio, o frio e a paisagem surpreendente. Passamos muito perto dos gelos desprendidos. E estivemos ao lado da geleira, foi incrível!

Neste lugar foram rodados filmes como 007 e Tomb Rider, então por um daqueles maravilhosos descuidos dos viajantes, acabamos vivendo uma ótima experiência
em um lugar icônico.

Jökulsárlón

São 18 quilômetros quadrados de lagoa glacial. Você consegue imaginar algo assim? É difícil, especialmente quando nossos olhos estão tão distantes dessas terras geladas. Eles dizem que sua primeira aparição foi em 1934 e cresce rapidamente devido à fusão pela qual os glaciares islandeses estão passando. Tentei fazer muitas fotografias para registrar a imensidão desse gigante, mas não há imagem que consiga exprimir a emoção de ver aquele imenso espaço branco.

Outra característica é que o lago está cheio de icebergs que se desprendem do glaciar e avançam pela correnteza das águas, que a 1,5 km de distância levarão ao mar. Em seguida, o passeio continua seguindo o gelo até a praia, conhecida pelo mesmo nome do lago glacial, onde a caminhada se torna ainda mais mágica. Grandes icebergs fluindo para o mar como diamantes gigantes. É um show único!

Jökulsárlón é apenas 11 quilômetros ao norte de seu irmão mais novo, Fjallsárlón, mas aqui você encontrará filas de viajantes que vêm a essas terras distantes para contemplar a majestade da paisagem. Portanto, a recomendação é fazer reservas anteriores para passeios de barco e as diferentes atividades que você deseja fazer no lago.

Dyrhólaey

Chegamos ao final do nosso trecho e era hora de voltar. Nós retornaríamos pela mesma rota 1, única opção disponível para retornar. Mas nós não iríamos direto para Reykjavik, ainda tínhamos a tarde de quarta-feira e a manhã de quinta para visitar as atrações finais.

212 quilômetros ao sul de Joküsarlon fizemos uma parada majestosa: Dyrhólaey. É um arco de pedra de 120 metros de altura, localizado muito perto de Vik e Myrdal, que começou como uma ilha, mas se juntou ao território graças às suas praias e marés baixas. A subida de cerca de 4 quilómetros é por uma estrada de terra, que com o tempo chuvoso se torna muito complicada, deve-se ter muito cuidado ao conduzir, sempre a velocidades muito baixas.

Do alto de suas falésias é possível ver a praia negra e seus trolls de pedra, do outro lado uma vista panorâmica da praia de Reynifisjöru, e ao olhar para trás, como se não bastasse, você pode visualizar o glaciar Myrdalsjökul. Além disso, há um farol construído no início do século 20 e que hoje é alugado como alojamento para grupos de até 5 pessoas. A sorte nos levou a estar bem ao pôr do sol, a última pincelada de uma pintura única.

Ficamos tão impressionados com tudo, que não nos tocamos que “pôr do sol = deve ser muito tarde”. Quando começamos a descer das falésias, vimos que já passava das 10 da noite. Ainda faltavam 150 quilômetros para chegar ao acampamento onde dormiríamos. Decidimos continuar até lá, porque quando acordássemos estaríamos muito perto das últimas três atrações que nos restavam, e precisávamos usar o tempo da última manhã da melhor maneira.

Fludir Camping e a ilusão das auroras boreais

Foi assim que, por volta da meia-noite, chegamos ao Camping Fludir, a apenas 24 quilômetros do Geysir; uma das últimas atrações que visitaríamos na manhã de quarta-feira. É um lugar muito particular, porque é um tipo de cemitério de motorhomes. Existem muitos em todos os lugares. Não havia pessoas na recepção, mas você poderia pagar mais tarde, de acordo com um sinal que estava preso na porta. Os chuveiros eram aquecidos, os banheiros limpos e havia lavatórios externos.

Nos instalamos em um canto e tivemos a leve ilusão de ver a aurora boreal. Como se tudo o que eu tivesse visto não fosse suficiente. Eram 2 horas da manhã enquanto estávamos preparando o espaço para dormir, cozinhar e jantar, justamente quando estava completamente escuro, e talvez a oportunidade fosse dada. Mas sabe-se que no verão é quase impossível. De acordo com o mapa das auroras, havia condições meteorológicas, no entanto a escuridão estava faltando. E sim, nós nunca vimos o anoitecer completamente. Assim, as auroras estão guardadas para o percurso pelo norte do país. Se você for no verão, não espere vê-las, mas poderá desfrutar de todas as outras atrações com bom tempo. Isso é um presente maravilhoso!

Geiser Strokkur

É um dos gêiseres mais visitados na Islândia e está localizado na área geotérmica de Haukadalur. Irrompe em média a cada 5 minutos e a água pode atingir entre 20 e 40 metros.

É uma área bem delimitada, e pela dimensão da atração está disponível um hotel, um refeitório, uma loja de souvenirs e estacionamento. A entrada é gratuita. Do estacionamento, você deve caminhar alguns metros ao longo de um caminho entre piscinas de lama, fumarolas e depósitos de algas.

É muito legal a tensão gerada pela espera do jato de água. Todos os visitantes com suas câmeras prontas para capturar o momento. Se não conseguir a fotografia ideal, terá que aguardar até o próximo jato de água. Vale a pena incluir Strokkur na sua rota!

Gullfoss

E seguimos o caminho de volta para Reykjavík. A 9 km do geiser Strokkur estão as Cataratas Gullfoss, que se originam no cânion do rio Hvítá e são parte do Círculo Dourado, uma rota próxima a Reykjavik, feita por muitos viajantes que vêm à Islândia.

A cachoeira cai em três degraus semicirculares em saltos de 11 e 21 metros, e depois desce a toda velocidade através de uma fenda de 32 metros de profundidade e 2,5 quilômetros de comprimento. Sabe-se que o fluxo médio dessa catarata é de 140 metros cúbicos no verão e 80 no inverno, devido ao congelamento da água em baixas temperaturas.

Há trilhas onde é possível ver as fendas e saltos. Não esqueça de usar roupas impermeáveis, pois com certeza você vai ficar encharcado. A força da água consegue levantar gotas de chuvisco vários metros acima da catarata. A energia que se sente é ideal para terminar a viagem. Faz desaparecer qualquer sinal de cansaço e dá um refresco ao caminho intenso.

Durante a primeira metade do século XX, pensou-se em usar essa cachoeira para gerar eletricidade, e seus proprietários até a alugaram para fundos estrangeiros. No entanto, e em uma tentativa de proteger essa maravilha natural, o estado islandês a comprou e agora é um espaço protegido.

Caminho para Blue Lagoon

Tínhamos a opção de voltar ao sul pela rota 35 e conectar novamente com a Rota 1, a que usamos em toda a viagem de ida. Mas decidimos que, apesar de ter o tempo certo para aproveitar a última atração, tomaríamos o caminho 365, que é o que passa pelo círculo de ouro; através do lago Pingvallavtn e da área de Pingvellir, com as fendas do famoso cânion Almannanjá.

Por causa do tempo, sabíamos que a única parada seria o almoço, mas o percurso serviria para darmos uma primeira olhada neste lado da Islândia, que programamos para nosso para o nosso futuro retorno ao país, quando faremos a viagem para o lado norte da ilha.

Paramos em um acampamento de Pingveril. O estacionamento estava vazio e, aparentemente, não havia recepcionistas ou empregados. Havia uma pequena casa de lugar comum; a cozinha estava equipada e os banheiros limpos, com papel e sabão disponíveis. Nota-se que é um lugar que é mantido coletivamente, e são os próprios viajantes que cuidam da limpeza. No banheiro havia as instruções para utilizar os artigos de toalete e deixar tudo como o encontramos. Na cozinha, ao ar livre, havia uma pia e uma cesta com alimentos não perecíveis deixados por outros viajantes com um sinal de “pegue o que você precisar”. Era um oásis.

Almoçamos com vista panorâmica para o canyon. Com isso nos demos satisfeitos por esta passagem

Blue Lagoon

Não há viagem perfeita, nem sem inconvenientes. Eu acho que principais pontos mais de uma viagem são descanso mental completo e resolução de problemas. Blue Lagoon nos deu a possibilidade de por em prática a segunda opção. Deixamos para o final da rota porque está a caminho do aeroporto e seria a melhor terapia para uma aventura de 700 quilômetros em quatro dias e meio.

Ao entrar nos pediram a reserva e… Não tivemos nenhuma reserva! Nos concentramos tanto em acampamentos, distâncias e atrações que nunca pensamos que tínhamos que reservar. Depois de conversar com a administradora e explicar que estávamos vindo do outro lado do mundo para visitar a Blue Lagoon, ela nos deixou na espera. A próxima entrada, que eles fazem por hora, um casal havia cancelado e conseguimos enfim entrar.

É cara, como tudo na Islândia, o bilhete na alta temporada com direito a guarda-volumes digital com chave-pulseira, toalhas, roupão de banho, ducha, vestiários (de luxo), máscara facial e uma bebida no bar da lagoa nos custou 330 reais por pessoa. Havia uma tarifa um pouco mais barata, mas é claro que naquela época não havia disponibilidade.

A sensação da água quente ao redor do corpo, enquanto no ar a sensação térmica oscila entre 5 e 10 graus, é realmente prazerosa. Rica em sílica e enxofre, uma vez que um campo de lava está localizado no setor de Grindavík, a Lagoa Azul é recomendada para doenças da pele e dos ossos.

A temperatura da água varia entre 37 e 39 graus. É um bálsamo para o corpo andar por suas águas. Dentro da lagoa há um bar onde você pode pedir sua bebida de boas-vindas, e comprar algum coquetel se tiver vontade. Há também um setor de bem-estar, onde você pode passar por seu creme de máscara facial. É divertido ver todos os visitantes com rosto e corpo brancos pela máscara de sílica. Apesar do custo da entrada, eu absolutamente recomendo manter parte do orçamento para esta atração, que com justiça é um dos lugares mais visitados na Islândia.

Recomendações Finais

Do Brasil, assim como do Chile, não há voos diretos para a Islândia. É necessário fazer uma parada na Europa: Madri e Londres têm várias freqüências disponíveis para fazer uma escala semelhante à nossa.

A moeda local é a coroa islandesa: 33 coroas equivalem a 1 real brasileiro. Nós escolhemos não fazer câmbio manual mas sim saques em moeda local por caixa eletrônico da nossa conta. Casas de câmbio, além de adicionar impostos, dão um valor indesejável à moeda.

A Islândia é muito cara, mas existem maneiras de tornar sua viagem mais econômica: comprar mantimentos no supermercado e prepará-los. Se você não está com excesso de peso em uma mala, é bom que você pode trazer alguns alimentos não perecíveis, como macarrão, arroz ou molhos de casa.

Nós não temos filhos, mas no caminho vimos muitas famílias fazendo essa aventura com crianças no trailer. Pelo que vimos e ouvimos delas, parece ser um lugar ideal para fazer uma viagem familiar. Há todas as comodidades para ir com os pequenos: de chuveiros aquecidos, secadores de cabelo, sinalização em trilhas, estradas curtas para as atrações, motorhomes equipadíssimos –  o nosso ainda tinha bateria extra para aquecimento, resfriamento e eletricidade  – e salva-vidas em locais com água, como na lagoa azul.

Aventure-se! Nossa viagem foi breve, mas já conseguimos sentir toda a intensidade da viagem. Tudo é atraente na Islândia. Agora temos que ir para o norte, que ficou para a próxima viagem!

E você, já esteve na Islândia? Conte como foi sua viagem nos comentários!