Emergência a bordo: se houver algum médico no avião por favor se identifique!

Denis Carvalho 6 · novembro · 2014

Por Ernesto Lippmann*

É uma situação comum. Você está no avião, um passageiro se sente mal, a comissária solicita um médico. E a partir daí, surgem muitas dúvidas: O médico é obrigado a atender? O que diz a ética médica? O médico pode cobrar pelo serviço prestado a bordo? De quem? Do passageiro ou da empresa aérea? Quais são os casos mais comuns de atendimento a bordo? E se houver algum erro, o doutor é responsável? Como as empresas aéreas agem em casos de passageiros que passam mal no avião?

É algo desagradável, mas pode acontecer com qualquer um. Neste post, vamos conhecer seus direitos como passageiro e as obrigações do médico nesta situação, e vamos mostrar um pouco como cada empresa aérea vê este tipo de ocorrência. Além destes pontos vamos mostrar quais são os problemas de saúde a bordo que podem comprometer sua viagem e como evitá-los. Também vamos mostrar quais são os procedimentos que devem ser seguidos por aqueles que não estão bem de saúde mas precisam viajar. Boa viagem, e apertem seus cintos!

1. Problemas mais comuns de saúde a bordo

Cada vez mais pessoas viajam de avião. Enquanto você lê este post, há 600.000 pessoas voando em aviões comerciais. Imagine numa cidade deste porte, quantos habitantes estariam doentes? E seria possível imaginar que não houvesse qualquer hospital para atendê-los? E se esta “cidade” fosse um ambiente insalubre, que pode agravar diversos problemas de saúde?

É exatamente isto que ocorre quando você viaja, devido às condições da cabine de passageiros dos aviões, que tem sua pressão mantida artificialmente, a chamada pressurização, além de níveis de oxigenação e umidade mais baixos do que os que encontrados em terra, especialmente nos aviões mais novos que recirculam parte do ar interno, ao contrário dos primeiros jatos, onde o ar era renovado constantemente.

Outros decorrem da precarização da condição da classe econômica, em lugares cada vez mais apertados, que agravam problemas circulatórios, como as tromboses e as embolias a bordo.
Este problema é agravado pelo alcance cada vez maior das aeronaves, sendo comuns voos cada vez mais longos, que chegam a representar mais de 14 horas sem escalas, podendo levar a trombose venosa profunda (TVP) e sua mais temível consequência, a embolia pulmonar, decorrente do surgimento de coágulos de sangue nas veias das pernas, que podem viajar pela corrente sanguínea até se fixarem no pulmão, o que pode ser fatal.

É fato que o número de atendimentos a bordo vem crescendo, e “a cada dia ao menos uma emergência médica ocorre em voos comerciais que saem do Brasil, ou chegam ao pais, em casos que vão de desmaios a paradas cardíacas (….) Em 2013 foram 371 casos em voos internacionais em que o Brasil foi origem ou destino; duas pessoas morreram. No mundo, a empresa Medaire, líder do setor, fez 28.866 atendimentos médicos, 79 por dia – houve cem mortos . E estes números não incluem os voos domésticos.

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2. Evitando problemas de saúde a bordo.

Para evitar os problemas de saúde mais comuns a bordo, se recomenda não viajar em regra pelo menos 15 dias depois de procedimentos cirúrgicos, inclusive aqueles realizados por dentistas, salvo se autorizado pelo médico. Também se recomenda não voar quando estiver com intensa congestão nasal ou diagnóstico de sinusite aguda e/ou otite média, não fumar antes de embarcar, beber líquidos durante a viagem, se movimentar o máximo possível dentro do avião e em voos mais longos usar meias compressoras, e evitar roupas muito apertadas.

A dra. Vânia Elizabeth Ramos Melhado, presidente da Sociedade Brasileira da Medicina Aeroespacial (SBMA) e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e da cartilha “Doutor, posso viajar de avião?”, onde são detalhadas várias condições de saúde e suas restrições para viajar, recomenda também uma dieta com poucas fibras um dia antes da viagem (pois sempre há a o desagradável fenômeno da expansão de gases), tomar bastante líquido, escolher roupa confortável, usar meia elástica e fazer exercícios com os pés para evitar a trombose, associada à imobilidade por muitas horas seguidas. “As pessoas ligam o péssimo hábito de tomar bebida alcoólica a uma sensação de relaxamento, mas estão piorando a situação. O ambiente é seco, frio e desidrata.”

O cardiologista Sérgio Timerman, diretor do comitê de emergências cardiológicas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), esclarece que problemas como pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma aguda, pneumotórax e doença cardíaca podem agravar o quadro de hipóxia (baixa de oxigênio) e devem ser objeto de consulta prévia com o médico.

3. Passageiros com problemas especiais de saúde, trâmites para o embarque e necessidade de autorização

Os passageiros que tenham condições especiais de saúde, que precisam de atendimento especial por questão de saúde, ou tenham condições que possam se agravar a bordo, ou tenham necessidades especiais e precisam voar com acompanhante, devem preencher o formulário de informação médica (MEDIF que está disponível nos sites de todas as empresas aéreas) e estão sujeitos a aprovação prévia da empresa para poderem viajar, o que ocorre quando o passageiro:

– Sofre de alguma doença que seja contagiosa;
– Possa desenvolver qualquer comportamento ou condição física incomum, que possa gerar efeito adverso ao bem-estar e conforto de outros passageiros ou da tripulação;
– Precise de atenção médica ou equipamentos especiais para manter sua saúde durante o voo (oxigênio ou maca);
– Possa ter sua condição médica agravada durante ou por causa do voo;
– Necessite de acompanhamento médico ou de tratamento médico a bordo.

Segundo o site da TAM, os problemas de saúde geralmente considerados inaceitáveis para uma viagem aérea são:
• Anemias severas
• Otite média e sinusite aguda
• Doenças contagiosas ou infecciosas ativas
• Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) ou outras patologias cianóticas descompensadas
• Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) com menos de 6 semanas
• Doença respiratória grave ou pneumotórax recente
• Lesões gastrintestinais que podem causar hematêmese, melena ou obstrução intestinal
• Pós-operatório recente (10 dias para operações abdominais simples e 21 dias no caso de cirurgia torácica ou cirurgia invasiva nos olhos sem uso de laser)
• Fraturas de mandíbula com imobilização (a menos que esteja com acompanhamento profissional) • Doença mental instável (a menos que esteja viajando com acompanhamento profissional e devidamente medicado para a viagem)
• Doença epiléptica não controlada (a menos que esteja viajando com acompanhamento profissional)
• Gestantes com mais de 35 semanas e multíparas com mais de 32 semanas
• Crianças com menos de 7 dias de vida
• Introdução recente de ar em cavidades do corpo para fins diagnósticos ou terapêuticos (nos últimos 7 dias)

As pessoas portadoras de necessidades especiais, tem seus direitos previstos na Resolução 280 da Anac, que vale apenas para voos nacionais, mas que também se aplica a gestantes, lactantes, pessoa acompanhada por criança de colo, ou qualquer pessoa que por alguma condição específica tenha limitação na sua autonomia como passageiro, inclusive devido a problemas temporários de saúde.

Se houver necessidade de um acompanhante, em função de problemas de saúde, ou de necessidades especiais para aquele que viaje em maca ou incubadora; em virtude de impedimento de natureza mental ou intelectual, não possa compreender as instruções de segurança de voo; ou não possa atender às suas necessidades fisiológicas sem assistência, a Resolução estabelece que deve ser dado desconto de 80% sobre a tarifa do passageiro que necessita de assistência, sendo que nestes casos a GOL oferece 100% de desconto sobre a tarifa. A Azul também informa sobre estes procedimentos no seu site e a Avianca informa que não transporta passageiros em maca, nem admite o uso de oxigênio medicinal a bordo. O site da TAM não traz qualquer informação à respeito.

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4. Casos mais comuns de atendimento a bordo

Segundo o New England Journal of Medidicne, que revisou as chamadas de emergência a bordo de cinco companhias aéreas, de 1 Janeiro de 2008 a 31 Outubro de 2010. Os problemas mais comuns foram a síncope ou pré-síncope (37,4%), sintomas respiratórios (12,1%) e náuseas ou vômitos (9,5%).

Passageiros médicos prestaram assistência em 48,1% das emergências médicas a bordo e 7,3% dos voos foram desviados. De 10.914 pacientes, 25,8% foram transportados para um hospital, 8,6% foram internados e foi observado óbito em 0,3% dos casos. Os motivos mais comuns de admissão foram provável acidente vascular cerebral, sintomas respiratórios e sintomas cardíacos.

5. O dever de prestar socorro do médico.

O Código de Ética médica é claro no sentido de que, havendo necessidade, o médico que estiver a bordo deve atender ao chamado do comissário. É disto que trata o princípio fundamental VII, e o artigo 7 do Código de Ética Médica, que afirmam:

VII – O médico exercerá sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência ou a quem não deseje, excetuadas as situações de ausência de outro médico, em caso de urgência ou emergência, ou quando sua recusa possa trazer danos à saúde do paciente.

Art. 7º Deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação fazê-lo, expondo a risco a vida de pacientes, mesmo respaldado por decisão majoritária da categoria.
A falta de atendimento do médico a bordo, pode assim configurar infração ética, e até mesmo a possibilidade do profissional responder pelo crime de omissão de socorro, mas o médico não tem o dever de prontidão quando embarca na condição de passageiro em voo comercial.

5.1 Dever de prontidão do médico

O dever de prontidão e de atendimento do médico é inerente à sua condição profissional. Assim, o médico que se encontra de plantão num hospital tem o dever de atender numa situação que represente um risco à vida. Já ao embarcar como passageiro, o médico não tem o mesmo dever de prontidão que teria num ambiente profissional na cabine de um avião, na qual viaja como passageiro pagando sua passagem. Isto significa que num ambiente profissional o médico deve estar descansado e com seu raciocínio apto a realizar julgamentos profissionais, o que pode não ocorrer quando viaja.

Como fica a situação do médico que embarca num voo internacional, após trabalhar num plantão de 48 horas e tomar dois copos de vinho para relaxar? Ele provavelmente não estará com condições adequadas para atender e, ao meu ver só deve atender se for o único a bordo, e ainda assim informando estas condições ao paciente.

É ilegal que o médico beba a bordo? Ou que tome um ansiolítico para dormir? E, se nestas situações ele não se sentir capacitado a atender? Como veremos, nestas situações não há infração ética, nem omissão de socorro.

5.2. Omissão de socorro a bordo

Dispõe o art. 135 do Código Penal ser crime “Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

Segundo os tribunais, a caracterização e a punição deste crime dependem da constatação do dolo pelo juiz, ou seja: para que o médico seja considerado culpado do assunto, deve ter consciência da ilicitude. Isto significa que ele deve saber que está contrariando o direito, ou seja, ter consciência das exigências objetivas de cuidado que é necessário que ele proporcione.

Assim, os casos de médicos condenados por omissão de socorro ocorrem nos hospitais, em situações nas quais os profissionais estavam contratados para trabalhar e conscientes da necessidade de atender e se recusam a tratar do paciente. Não localizei qualquer julgado que tratasse de questões ou acusações de omissão de socorro ocorridas no interior de aeronave, nas pesquisas que fiz.

Dessa forma, o médico que estiver dormindo na sua poltrona e não ter ouvido o chamado, ou até mesmo alegue tal fato, dificilmente será condenado por este crime. Além disto, trata-se de crime de menor potencial ofensivo, possibilitando a concessão de benefícios previstos na Lei 9.095, como a transação penal (artigo 76) e ainda o sursis processual (artigo 89), ou seja, na prática um médico não irá para a cadeia por deixar de atender alguém a bordo. Mas, há alguns pontos que merecem ser aprofundados como a questão ética e responsabilidade do médico.

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5.3 Eticamente o médico deve atender ao chamado

Eticamente não há dúvida: o médico deve atender assim que convocado pela tripulação. Esta é a posição oficial do Conselho Federal de Medicina, que fiscaliza o exercício da Profissão de Médico, pois o médico é médico é obrigado a seguir o Código de Ética Médica.

E se ele não for observado, qualquer paciente pode representar ao CRM o chamado processo ético disciplinar, que apurará se o médico agiu corretamente e de acordo com a ética médica. Neste processo tanto o médico pode ser considerado inocente quanto culpado, com penalidades que vão desde uma advertência até a perda de sua licença para praticar a medicina.

O Código de Ética Médica é claro quanto ao dever do médico de atender numa situação de emergência, ou mesmo do simples pedido de paciente a bordo, pois o alvo ético da profissão de médico toda a sua atenção é a saúde do ser humano, sendo que se houver mais de um médico a bordo, deve ser dada preferência ao que tiver a especialidade mais próxima daquela requisitada pela necessidade do paciente.

No processo Consulta CFM nº 5.353/96 foi decidido que “o médico, quando chamado a prestar assistência a bordo de aeronaves, tem o dever ético e a obrigação legal de fazê-lo, cabendo a princípio cobrar ao paciente o atendimento realizado”

Segundo o parecer do CFM, “a boa norma condiciona o médico a apresentar-se sempre que for solicitado a identificar-se profissionalmente, especialmente sendo ele o único da área de saúde presente na aeronave. É seu dever não se omitir ao chamamento para atender uma intercorrência médica a bordo.

Estatisticamente, é do conhecimento de todos que os distúrbios habituais verificados durante um voo costumam ser de pouca ou quase nenhuma gravidade, sendo muito rara a constatação de grave distúrbio à saúde ou mesmo a ocorrência de óbito.

A propósito, não faz muito tempo a imprensa divulgou a proeza de dois médicos ingleses que realizaram, em pleno voo, drenagem de hemitórax de um passageiro, após diagnosticarem pneumotórax hipertensivo. Com certeza, este procedimento só foi possível graças à presença de médico a bordo e a adoção de uma conduta correta, embora improvisada, no momento oportuno, salvando uma vida. O mesmo poderia ter ocorrido, por exemplo, caso se constatasse edema de glote em um passageiro, cuja medida heróica e impostergável seria a realização de uma traqueostomia.

Certamente, ao se deparar com esta modalidade de afecção, o médico, prudentemente, sabedor da falta de equipamentos indispensáveis a bordo para realizá-la, deverá em primeiro lugar optar por sugerir mudança de rota e pouso no aeroporto mais próximo. Não sendo possível a alternativa citada e levando-se em conta a gravidade da situação, agregados os atenuantes que o caso requer, na dependência, ainda, do nível de resolubilidade do profissional, poderá ele assumir a responsabilidade pelo ato comissivo que venha a praticar.”

5.4 Especialidades médicas não familiarizadas com urgências

Geralmente quando se chama o médico a bordo é para algo que seja grave, ou que se supõe ser grave, mas nem todo médico trata com emergências e urgências, e nem mesmo necessita ter prática clínica. Há diversas especialidades que não atuam em casos envolvendo problemas clínicos de urgência como reumatologistas, radiologistas, dermatologistas, psiquiatras, médicos legistas e peritos previdenciários, dentre outros.

Segundo uma reportagem da Revista Isto é “no ano 2000, por exemplo, a Agência de Administração de Aviação Americana registrou uma média de 15 emergências por dia. Nos casos mais graves, houve desvio de rota para providenciar atendimento hospitalar. “Um dos dados mais impressionantes desse estudo é que, apesar de haver médicos a bordo em 85% dos voos registrados, menos de 1% sabia realizar os procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar”, explica o cardiologista Sergio Timerman .

Nestes casos, a preferência deve ser dada ao médico que tenha uma especialidade que seja compatível com o quadro clínico do passageiro. Todavia, não havendo especialista disponível, o médico presente deve fazer o seu melhor, ainda que não se sinta familiarizado com o procedimento, como por exemplo um psiquiatra cuidando de um cardíaco grave, que deve prestar o atendimento, sob pena de ser processado por omissão.

5.4. Falta de proteção para evitar a contaminação do médico

O médico não é obrigado a atender com risco de sua própria vida, se houver risco dele ser contaminado com doença infecto contagiosa, e não houver material de proteção a bordo, o que vale inclusive para a atual epidemia do Ebola.

6. Responsabilidade profissional do médico que atende a bordo

O médico, como regra geral, responde pelo serviço prestado de forma inadequada, do qual resulte o agravamento de saúde do paciente, ou pela perda de uma chance de tratamento, como em qualquer atendimento, caso em que pode ser cobrada uma indenização do médico.

Naturalmente, as peculiaridades de cada caso precisam ser consideradas para se aferir a eventual culpa do profissional, como a questão da falta de meios de diagnóstico auxiliares no avião como laboratórios, raios X, tomógrafos, etc. e de materiais e condições para procedimentos cirúrgicos.
O médico também pode estar cansado, ter dificuldades em compreender o idioma do passageiro, dentre outros problemas que podem dificultar o atendimento a bordo, e diferenciá-lo para fins de responsabilização daquele que é prestado em um hospital.

Nestes casos, não se exige que o médico seja um herói, ou aja com perfeição, especialmente se o atendimento é feito em uma especialidade diferente daquela em que o médico costuma atender. A eventual responsabilização do médico que foi forçado, por ser o único a bordo a atender, numa área na qual não tem prática, nem familiaridade com o problema de saúde do paciente deve ser vista com a máxima prudência pelo Judiciário, pois se houver uma responsabilização excessiva do médico, a tendência é de que estes profissionais, para se protegerem, passem a não atender aos chamados, em especial quando não forem familiarizados com emergências.

7. Responsabilidade pelo pagamento de honorários médicos, e pelo atendimento prestado ao paciente

O médico não tem a obrigação de trabalhar gratuitamente, nem as empresas aéreas têm o dever legal de prestar serviços médicos a bordo. Para a companhia, o médico é tratado como um voluntário e as empresas reiteram que não têm qualquer responsabilidade, seja pelo pagamento do médico, seja pelo tratamento oferecido, no que do ponto de vista jurídico têm razão.

A empresa só terá responsabilidade sobre o ocorrido, se o médico decidir que é o caso de interromper o voo para que o paciente seja encaminhado a um hospital e o comandante recusar o pedido, desde que haja um aeroporto disponível para pouso.

Assim, a responsabilidade pelo pagamento dos serviços do médico é sempre do passageiro que sofreu o atendimento e cabe ao médico valorar os seus serviços, e apresentar a cobrança que entende como devida.

Caso o paciente não concorde com o valor, caberá ao médico ajuizar uma ação contra o paciente, e o juiz avaliará o valor correto a ser pago pelos serviços, tendo-se por base os valores cobrados no mercado pelo procedimento.

A empresa aérea não tem qualquer responsabilidade sobre este atendimento, embora muitas tripulações, por cortesia, e quando seja possível, agradeçam o médico que atendeu, com um upgrade para uma classe superior, o que parece ser algo adequado.

8. Empresas aéreas que prestigiam o médico a bordo

Duas empresas prestigiam o médico a bordo, a Lufthansa no seu programa “Doctor on board”, que oferece bônus de milhagem, descontos especiais em passagens, cursos de medicina a bordo a preços reduzidos e seguro contra eventuais processos ocorridos em atendimentos a bordo, salvo no caso de culpa grave. A Turkish Airlines também tem um programa semelhante, o Smiling Doctors.

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Certamente você será melhor atendido se tiver uma emergência a bordo de uma destas empresas, pois haverá maior facilidade em localizar o médico, e menor receio deste em atender ao paciente, devido ao seguro contra processos que é oferecido por estas empresas. Fica a sugestão às empresas nacionais para que copiem estes programas e privilegiem os médicos pela sua atuação dentro de seus aviões.

9. Treinamento dos tripulantes

A formação em primeiros socorros faz parte das matérias do curso de comissário de bordo, e todas as empresas consultadas enfatizam que realizam treinos adicionais para casos mais complexos como paradas cardiorrespiratórios.

Além do kit de primeiros socorros, as aeronaves da Azul, da Gol, e de todas as empresas que voam para os Estados Unidos, onde é obrigatório por lei, e grande parte das empresas europeias dispõem de aparelhos conhecidos como DEA (Desfibrilador externo automático), utilizado em casos de vítimas inconscientes em parada cardiorrespiratória. Todos os voos com estes equipamentos têm comissários aptos a operá-los, em caso de necessidade, caso não haja um médico presente.

A TAM dispõe de suporte médico remoto em voos internacionais por meio da MedAire, (medaire.com) empresa internacional de gerenciamento de risco médico em aviação civil, que possui expertise aeronáutica em apoio médico remoto pré e durante voo, e orienta a tripulação e o médico voluntário mediante contato por rádio que é feito entre o médico que atende no avião e um especialista na sede da empresa.

10. Uma proposta de alteração de lei, em favor do passageiro

É natural que frente à judicialização da medicina, ou seja a tendência cada vez maior dos pacientes em questionarem o trabalho dos médicos perante a Justiça, especialmente quando o atendimento resulta em falecimento do paciente, haja receio do médico em atender ao chamado do “médico a bordo”.

Uma das conclusões que faço é a necessidade de que haja um seguro pago pelas empresas aéreas, que se de um lado não têm responsabilidade pelo atendimento a bordo, de outro devem proporcionar um seguro para que o médico que atende não tenha que responder por um processo, salvo no caso de culpa grave.

O medo de ajudar e ser processado é real por parte do médico. Pela minha experiência profissional – sou advogado – o médico que é processado é sempre um perdedor. Além o stress que é decorrente da situação de ser réu numa ação judicial, deve pagar os custos do advogado, do seu assistente técnico, ou seja do médico que irá mostrar do ponto de vista técnico ao juiz se sua atuação foi correta, e dificilmente conseguirá o reembolso destes valores, mesmo quando é declarado pelo juiz que seu atendimento foi o correto e que ele fez o possível.

Assim, acredito que o artigo 281 do Código Brasileiro do Ar, que já estabelece o seguro obrigatório de responsabilidade civil para os passageiros no caso de acidente, deveria ter um item adicional que tornasse obrigatório o seguro da responsabilidade financeira sobre o questionamento do médico ou profissional de saúde que atendesse a bordo, salvo no caso de culpa grave. Trata-se de algo com um custo irrisório, mas com um grande benefício social.

A adoção deste seguro traria maior segurança para que os médicos atendessem e aumentaria a resposta aos chamados. Levo também a sugestão para que nossas empresas adotem programas como o da Lufthansa e da Turkish Airlines, que prestigiam o médico a bordo, realizam este seguro, e garantem o rápido atendimento do passageiro.

E você, achou úteis as informações deste post? Se gostou, compartilhe! E, relate a sua experiência nos comentários. Já teve que ser atendido a bordo, como foi? E os leitores que são médicos poderiam contar como foram suas experiências profissionais?

*Ernesto Lippmann, conhecido como o Pato Econômico, é advogado e autor de vários livros na área do Direito, mas também é especialista em dicas fantásticas para economizar nas viagens mundo a fora.

Quer colaborar com um artigo de viagem? Envie para dicas@melhoresdestinos.com.br  

Publicado por

Denis Carvalho

Editor chefe

  • Werlesson

    Bom dia, parabéns pela reportagem Denis.

    • Excelente reportagem mesmo. Boa Denis!

    • Obrigado Werlesson, mas o autor é o Ernesto. Concordo com você ficou excelente! =)

      • Ernesto Lippmann

        Obrigado a todos os que apreciaram!

        • César Augusto

          Posso publicar em meu blog? Muito bom!

  • Rubens Ferreira

    Já tive que realizar um atendimento em voo, quando era recém formado, porém foi de baixa gravidade (apenas uma má disposição por alguma comida que a passageira ingeriu). As comissárias foram solícitas, e pude verificar que a maleta de medicamentos que a tam dispõe é bem completa, e graças a Deus não precisei usá-la. Ao final do atendimento as comissárias pediram meu nome é CRM, e algum tempo depois recebi uma carta de agradecimento da TAM, juntamente com um kit de caneta e lapiseira personalizadas.

    • Taísa da Cunha Azevedo

      Isto não aconteceu comigo…

  • Bruno

    Ótima reportagem. Na urgência seria realizada uma cricostomia e não uma traqueostomia, isso tecnicamente falando.
    Se os médicos já são pouco valorizados no solo imagina em uma situação em que são vistos como obrigados a atender. Sei não…

    • Antonio

      Bruno, discordo em parte de você. Quem não valoriza o medico? Se você se refere ao governo deixe bem claro. Agora 99,9% dos pacientes valorizam o médico. Da mesma forma já vi muito médico “desvalorizar” o paciente, chegando muito tarde no consultório, atendendo em 3 minutos o paciente e muitos, às vezes nem olha pro rosto do paciente. Minha esposa é servidora do CRM e me canso de ouvir descasos médicos. Tenho uma irmã e um cunhado médico, também tenho outro irmão que estuda medicina e o que mais falo a eles é para não se tornarem mercenários como alguns médicos se tornaram.

      • Maria

        Muito bem colocado!

      • Rodrigo

        Discordo plenamente. A campanha de desconstrução da imagem dos médicos, da qual você – pelo jeito – faz parte, é massacrante e diária.

      • Bruno

        Não tire palavras de onde não existe. Pelo visto você discorda 99,9%. Aos profissionais médicos que tanto respeito: vocês não serão valorizados em um atendimento na situação supra citada. Aos olhos de todos não estará fazendo mais do que sua obrigação e cumprindo um juramento criado por uma entidade que viveu a trocentos anos. Palmas e parabéns as pessoas poderiam guardar para o aniversário do afilhado.
        Mercenário tem em todo lugar, então quando cruzarem um médico comprometido e consciente de sua responsabilidade lembre-se que sua saúde e integridade física valem muito mais que aquela ação ajuizada contra a operadora de cartão de crédito ou aquele móvel planejado que a porta está enroscando.
        Médico é médico. Quando precisar de um de verdade vai saber disso….

      • Kairton

        Médico não é mercenário, ele investe tempo e dinheiro na formação e tem que recuperar esse dinheiro, medicina não é caridade, é profissão, tem que estar sempre pagando congressos caríssimos, livros que são fortunas, cursos mais caros ainda, não dá pra cobrar 40 reais e achar que o médico vai estar atualizado.
        Todo mundo que reclama de pagar uma consulta cara com um médico que estudou e dedicou não reclama de gastar 200 reais num jogo de futebol ou 350 reais pra fazer luzes no cabelo.
        Advogados cobram 6 mil reais pra substituir o nome de alguém numa petição já pronta no computador e ninguém chama de mercenário.

        • Hermes Hs

          kairton,

          Concordo que médico é uma profissão e um investimento caro, mas uma emergência na minha opnião, não deve ser vista como um momento para ganhar dinheiro, pois, acredito que isso, não irá fazer diferença na vida do médico, por ter gasto fortunas se formando, com livros, congressos etc. Se não prestar socorro, uma vida deixa de ser salva e seu investimento gasto será o mesmo, não será alterado. É diferente de você ir ao seu trabalho diário e trabalhar de graça. Embora muitas vezes esteja buscando o descanso, será ético e justificável, deixar de salvar uma vida, observando todas os pontos que citei anteriormente, somente porque o médico investiu muito dinheiro?

          Um advogado não ttrabalha de graça, mas não existe morte e situação de emergêcia para salvar vida para um advogado. O cidadão pode procuirar o SUS (apesar de precário), bem como uma defensoria pública, mas na entre a vida e morte não vejo como ético forçaro pagamento ou se negar a fazer pois, estará prejudicando o investimento, afinal uma situação de salvar vida em emergência passa de um trabalho e entre na questão humanitária, uma vez que você não estará dependendo disto pra viver ou recuperar seu investimento.

          • becodomota

            Hermes, a orientação do CFM é atender antes e cobrar depois. Nenhum médico pode deixar de atender um caso de emergência quando for o único no local do evento, mas receber por um trabalho executado é direito de qualquer ser humano, em qualquer campo de atuação. É claro que cobranças com valores despropositais são facilmente questionáveis judicialmente, mas dentro de parâmetros razoáveis, o médico pode e deve cobrar, após realizar o procedimento.

  • Rômulo Valença

    Excelente matéria ! Parabéns

  • Guilherme da Silva

    Os seguros de viagem sobrem atendimentos dentro de avião?

    • Barbara

      Com certeza não Guilherme, mesmo porque não é obrigatória a presença de um médico em cada voo, a matéria é sobre caso tenha um médico voando nesta aeronave.

  • Paula

    Que legal esta reportagem! Informações muito interessantes. Parabéns ao Ernesto.

  • Alexandre Roque

    Minha experiência. Voo do Panamá para São Paulo, pela Copa
    em 2011, as luzes são acessas e o chamado de médico a bordo. Fui atender ao
    ocorrido e as funcionárias da empresa não me deixaram realizar o atendimento
    porque não estava com minha identificação de médico, pois viajava
    “apenas” com meu passaporte. Após alguns minutos de “briga”
    consegui prestar atendimento a passageira e viajei sentado ao seu lado. Após
    pousar em SP, houve a entrada do médico do aeroporto e lhe passei o ocorrido. A
    passageira estava sentada nas primeiras fileiras e minha família nas ultimas,
    assim que o médico saiu com a passageira todos se levantaram e eu tive que
    esperar sair todo mundo do avião para poder pegar minhas coisas e sair. Não
    tive nenhum obrigado da tripulação (diferente dos outros passageiros que me cumprimentavam
    a medida que passavam por mim), assim como não me foi oferecido nada.

    • Natália

      Péssima mesmo a conduta da tripulação e da companhia Alexandre, mas acredito que você não deve se deixar desestimular por ela.É assim mesmo, quando trabalhamos ajudando pessoas nem sempre somos reconhecidos, mas, na verdade, o reconhecimento da parte de quem você ajudou e a sua consciência tranqüila já são muito gratificantes. Eu, por exemplo, apreciaria muito a sua conduta estivesse nessa aeronave, ainda mais se fosse eu precisando de socorro.

    • Vitor

      Pode ter certeza que Deus ficou feliz com sua atitude, e o “obrigado” da tripulação não vale nada ante quem deveria ter agradecido.

      • Alexandre Roque

        Sinceramente achei que eu tinha obrigaçao moral de fazer o que fiz, apesar de ficar desapontado com a empresa. Ser pago por um atendimento em uma situaçao de emergencia nao irá me fazer mais rico, mas o agradecimento ou reconhecimento é sempre um reforço positivo.

        • Vitor

          Ainda bem que existem pessoas como você. Agradeço a sua atitude, sem presenciar o caso. Agora pense o contrário: médico nega/omite a prestar socorro… Então você fez seu papel. Parabéns.

    • Ernesto Lippmann

      Realmente uma atitude lamentável por parte da empresa.

    • Edson

      Para que a tripulação permita o atendimento médico, o médico precisa apresentar CRM ou documento + cartão de embarque, é uma maneira de identificar quem está atendendo, afinal, qualquer pessoa pode chegar lá e dizer q é médico. O procedimento da Copa ou de qualquer aérea é este mesmo. Afinal, ninguém iria querer um parente sendo atendido por qualquer um se passando por médico. Depois se acontece algo, a culpa é da empresa claro.

      • patricia

        mas e se não estivermos portando a carteira do CRM? eu viajo apenas com RG e Passaporte, por exemplo. se não tivermos a carteirinha do CRM e a tripulação não nos deixar atender, configura omissão de socorro? alguém sabe?

    • Oswaldo Fagundes

      Mas me tire uma duvida Alexandre! Como você cobrou pelo atendimento ? A paciente te pagou? Reclamou? Porque vejo nisso uma dificuldade! Muitas pessoas pensam que, como o atendimento é uma obrigação do medico, este não deveria cobrar! Afinal de contas medicina é um sacerdócio !

    • Fernando Martins

      Acho que não tendo uma identificação, a CIA está certa em restringir. SE vc não está com sua habilitação, não prova que está apto a dirigir um carro, por exemplo.

    • Rodrigo

      Mas da Copa não podia se esperar outra atitude. Lixo de companhia.

      • Claudia

        assino embaixo.

  • Natalia

    Passei mal em em voo Tam e tinham 3 médicos à bordo. Fui super bem atendida por um deles.

  • DJR

    Excelente artigo, parabéns Ernesto. Uma dúvida, como fica a obrigação e limite para a atuação médica em voos internacionais envonvendo uma companhia aérea estrangeira? Por exemplo estaria um médico brasileiro obrigado a prestar atendimento de urgência num voo de companhia americana entre NYC-SP e vice versa? Pelo que sei nos Estados Unidos não há obrigação legal do médico prestar atendimento em casos de urgência, ficando esta decisão facultativa ao médico, mesmo durante o voo, a menos que exista uma relação médico paciente prévia.
    Abraços.

    • Ernesto Lippmann

      Eu acredito que embora neste caso tecnicamente falando o avião seja território americando, pois é uma aeronave americana voando em céus internacionais, eticamente ele deveria dar o atendimento. Claro que é possível uma defesa baseada na extraterriatorialidade, se não houver esta obrigação na legislação americana, a qual não conheço o suficiente para dar uma opinião.

    • Hermes Hs

      Legislação internacional de Aviação da OACI (ICAO) – Determina realmente que a legislação vigente é a da nacionalidade da Aeronave, portanto, dependen da legislação americana, para uma aeronave de CIA americana, da mesma forma para outras cias observando cada nacionalidade. Se brasileira, ou outra nacionalidade, a legislação vigente é a da nacionalidade da Aeronave, independente de seu destino ou origem. Embora, vejo como ético a tentativa de ajuda, independente da nacionalidade.

      • Ernesto Lippmann

        Hermes, concordo com você.

    • Marcos

      Ao ler, também tive a mesma dúvida

    • Gerson

      Já prestei atendimento em solo americano e não tive qualquer tipo de represália, e ainda não tenho minha licença americana. Situação de emergência é situação de emergência.

    • Adrianna

      O código de ética médica americano fala que é dever do médico atender urgências, independente do paciente ser dele. Mas existe uma lei, chamada de Lei do Bom Samaritano, que isenta o médico de qualquer culpa, caso ele não cobre pelo atendimento. Caso ele decida cobra pelo atendimento, ele perde esta proteção.

    • Adrianna

      Agora eu não sei dizer se é permitido um médico brasileiro, por exemplo, prestar socorro em outro país.

  • Neosoro

    Sou médico e conheço diversos casos de amigos e familiares que prestaram atendimento e nao ganharam nem um muito obrigado da cia. Se o cara presta atendimento é obvio que ele deveria receber algum tipo de pagamento ou compensacao(que seja um voucher de credito da cia), a pessoa que esta viajando está ali em momento de lazer e não para passar stress e se for obrigado a isso, que voltemos a questao da compensacao. Alguem ja viu chamarem algum advogado para dar opiniao em um caso ou um engenheiro para projetar algo em voo? É a mesma coisa, a empresa que se vire para treinar a tripulacao ou pague um medico para ficar de plantao.

    • Ernesto Lippmann

      Veja, como falei o trabalho do médico deve ser pago, mas pelo paciente, e não pela empresa.

      • Bruno

        Não sou médico e no meu entendimento a empresa deveria arcar. Ela deve se responsabilizar pelo passageiro. Pode-se usar os mesmos argumentos que obrigam um estádio de futebol a possuir um desfibrilador, ambulância….

        Mesmo sabendo que em cruzeiros, todos os gastos são de responsabilidade do passageiro.

      • Poliana

        Boa tarde Dr. Entendo que quando um médico se prontifica como voluntário para auxiliar uma pessoa que está passando mal, ela não tem a obrigação de efetuar nenhum pagamento. Até porque no calor da situação, nem contrato verbal seria possível de pactuarem. É como o nome já diz, atendimento voluntário, gracioso, por mera liberalidade. Abraços.

        • Sérgio

          Que atendimento voluntário? O assunto é a obrigatoriedade de uma pessoa que está em seu momento de folga realizar o seu trabalho ao atender uma outra pessoa. Não tem nada de voluntário nisso. Atendimento é trabalho e tem que ser remunerado sim! Ainda mais numa situação dessas.

    • Hermes Hs

      Não concordo que a compensação deveria ser uma lei e sim algo como questão de consiência da Empresa. Como por exemplo, na Austrália, não há legislação do consuumidor vigente, mas volte a uma loja com um aparelho com defeito de fábrica 1 mês depois de comprá-lo e eles te repõe no mesmo momento, simplesmente pela ética e respeito. Vejo da mesma forma a compensação, seria uma forma de respeito ao favor médico prestado dentro da aeronave.

      Em contrapartida, não vejo o pagamento da mesma forma que um engenheiro ou advogado, ou mesmo um admnistrador. O admnistrador pode se recusar a um parecer de auditoria, bem como o Engenheiro a desenvolver o projeto de um prédio ou qualquer estrutura se não receberem pagamento por isso. Será que dá para comparar a um médico não querer salvar uma vida, simplesmente, por não ter este pagamento? O Alexandre Roque se colocou muito bem (comentário acima), “Ser pago por um atendimento em uma situaçao de emergencia nao irá me fazer mais rico, mas o agradecimento ou reconhecimento é sempre um reforço positivo.” – Isso é um médico consciente. Claro, com todos os adendos já expostos na matéria. Se o médioc não tiver conhecimento para realizar algum procedimento necessário, deve informar e pode se recusar a fazê-lo, inclusive pela própria segurança do paciente em atendimento.

      É muito diferente a ética médica, da ética de um engenheiro. O médico pode deixar de salvar uma vida ao se recusar no trabalho voluntário, um engenheiro, ao se recusar em ser voluntário deixará de construir um prédio, uma ponte, por exemplo. É simples assim.

      • Neosoro

        Então,acho desnecessário remunerar os médicos, afinal todos fizeram o juramento e devem estar sempre prontos ao atendimento, independente do local ou hora, confere? Para que gastar dinheiro com salário de médico ou plantonista? Final do mês, o médico vai no Carrefour e paga as contas do mês com o agradecimento do paciente ou tapinha nas costas, isso é conversa furada, meu amigo. Como já disse, tenho diversos casos de pessoas próximas que por prestarem atendimentos tiveram sua viagem transtornada e não ganharam absolutamente nada em troca, nem um pacote de amendoim, um amigo prestou atendimento a um idoso com sinais de isquemia cardíaca e o avião fez um pouso de emergência, veio uma ambulância – obvio que sem medico, sem nada – e ele foi obrigado a ir até o hospital levar o sujeito, ficou quase um dia numa cidade no meio do nada e que que ele ganhou? NADAAA! É muito bonito ver advogado falando bobagem, mas a boa e velha pimenta nos olhos dos outros, é refresco. Deve-se atender, obviamente,mas que se tenha alguma compensação por todo o stress/transtorno causado, é muito bacana a cia aérea lavar as mãos e jogar a responsabilidade nos médicos.

        • Vanessa

          Deve ser um baita médico! Super humano!

        • OSWALDO FAGUNDES

          Apesar de todos pensarem que medicina é um sacerdócio , nós pagamos impostos! Diferentes dos sacerdotes! Apesar de não mudar minha conta bancaria acharia importante receber pelo trabalho! Como o próprio artigo diz: o medico não é obrigado a trabalhar gratuitamente! Ninguem é obrigado a trabalhar gratuitamente! Mas como existe em nossa profissão, em grande peso, a Ética Medica que nos obriga a não negar atendimentos, as empresas usam desse argumento para “tirar” de si a responsabilidade. Acho muito interessante a a ideia de colocar a disposição do medico um seguro pois, alem de atender o paciente, sofrer todo o stress, ter sua viagem conturbada, ter que se defender de um processo é demais! Mas vejo esses programas da Lufthansa e da Turkish de dar upgrades ou outros benefícios como um modo de a Companhia conseguir médicos gratuitos para seus passageiros! Imaginem, você se coloca a disposição da Empresa durante a viagem! Vai ficar atendendo dor de cabeça e cólica menstrual a viagem toda! Penso que o melhor seria todos os voos terem um seguro medico para eventual urgencia e necessidade de medico e que a Companhia fornecesse um bonus , upgrade ou milhagens para viagens posteriores! Alem , é claro, de um OBRIGADO!

          • Perséfone

            A air France concedeu quinze mil milhas e algumas regalias a bordo qdo eu e meu marido socorremos uma síncope. Em outra ocasião, a alitalia trouxe um cafezinho… Infelizmente, vai da civilidade e consciência da companhia.

        • Junior

          Concordo Hermes, é muito fácil falar que deve seguir a ética, mas vai em um escritório de um advogado e peça uma consultoria na faixa, ou como vc disse, peça para um engenheiro fazer um projeto, aí vão dizer que não é a mesma coisa construir um prédio e salvar uma vida, então construa um prédio com projeto errado e depois q ele cair veja quantas vidas vão ser perdidas, deveria ser obrigação da cia dar um upgrade, milhas, ou qualquer outra compensação, afinal é muito mais barato do que manter um médico de plantão em todos os voos.

        • Junior

          Corrigindo, Hermes não. Concordo com vc Neosoro..

        • Isabella

          “É muito bonito ver advogado falando bobagem”? Meu amigo, se você não tem a capacidade de respeitar outras profissões, como exigir que a sua seja respeitada?
          Admiro médicos que se dispõem a atender a bordo pela simples obrigação ÉTICA (sem contar com a jurídica). Óbvio que a compensação financeira seria mais do que justa, afinal, é o trabalho da pessoa. Mas, ainda assim, em toda e qualquer profissão, a ética profissional deve pautar seus passos.
          Sinto muito pelo seu amigo, realmente deve ser uma situação extremamente desagradável não ser prestigiado pelo trabalho que fez, ou receber sequer com um agradecimento. Mas que bom que ele tinha condições intelectuais de ajudar aquela pessoa, que poderia ter outro destino não fosse o acompanhamento dele.

          Ernesto, parabéns pelo texto! Muito esclarecedor.

        • Perséfone

          Excelente comentário! Como se o tempo e o esforço profissional de um médico pudesse prescindir de remuneração, como se não tivéssemos exatamente as mesmas obrigações e gastos que todo mundo.

          • Eduardo

            Ou até mais obrigações que todo mundo…

      • Carlinhos

        Receber ou nao compensaçao para “Salvar uma Vida” ok….não receber nada para atender dentro de aviao passageiro com febre ou pressão alta é outra historia.

      • jose

        Por isso mesmo continuo achando que médicos são mercenários, se eu fui atendido, eu que devo pagar. Então se o médico atende alguem no metro, quem paga é o estado? No onibus coletivo a empresa?

    • Andressa

      Me desculpe, mas uma pessoa que escolhe a Medicina deve fazer por amor ao próximo, por amor a vida, e não por dinheiro. Querer algum tipo de compensação por ajudar alguém que está com problemas não é bacana, mas essa é só minha singela opinião.

    • patricia

      acho justo chamarem pelos engenheiros a bordo quando o avião estiver caindo

  • Cris Moya

    Excelente artigo!
    Ja realizei atendimento a passageiro em voo da LAN e recebi um voucher de upgrade para utilizar em proximo voo, como agradecimento , mas tambem realizei atendimento em voo da IBERIA e da TAM e nao recebi nem agradecimento ….
    Mas sempre me ofereço quando solicitada!

  • Luci

    Parabéns pela reportagem! Este tipo de informação é extremamente positiva para quem viaja.

    Vou só fazer uma pequena modificação técnica através de um caso:

    Um médico se omite, em um ambiente hospitalar, enquanto estava à serviço e o paciente morre em virtude de tal omissão. O médico responde pelo crime de omissão de socorro? Não, o médico responde por homicídio. A razão? É o chamado crime omissivo impróprio, que, alguém em uma condição de garante², quem tem um dever especial de proteção. Ou seja, o médico responde como se sua intenção fosse a de matar alguém, do art. 121.

    Outro exemplo seria do comandante, por exemplo, que ao saber, através de um médico que está em um voo, que deveria descer pois determinado passageiro está passando mal com sério risco de morte,que somente em um hospital seria salvo, e o comandante se omite e decide não descer, não chegando sequer a comunicar os controladores de voo, responderia também, como no caso acima. Se o passageiro morrer, responderia por homicídio, pois ele devia e podia agir para evitar o resultado.

    ² Os elencados como garantidores, estão no art. 13, § 2 do Código Penal:

    § 2º – A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:

    a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;

    b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;

    c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

    • Robério Moreira Borges

      Iria escrever o mesmo. Excelente comentário.

  • Vitor

    Boa reportagem.

    Comento o item 3 da reportagem. Minha esposa tem direito ao FREMEC (passagem com desconto). Estou elaborando um texto para relatar minha experiencia com isso.

    Duas ressalvas:

    1- A tam fala isso do MEDIF no site:

    http://www.tam.com.br/b2c/vgn/v/index.jsp?vgnextoid=ebfe403be14da210VgnVCM1000009508020aRCRD&utm_source=AGTVirtual&utm_medium=Julia&utm_content=&utm_campaign=JuliaConteudo_AMS_BR_PT_jun13indef

    2-O link para baixar o medif da AZUL não funciona.

    Parabéns pelo artigo.

  • Fernando

    Dênis, saindo do assunto do tópico, quando será postada a avaliação do novo voo da Aeroméxico saindo do Rio de Janeiro? Abraços!

  • Danilo

    Na terceira linha já dava pra ver que é texto de advogado. Valeria a pena ouvir a opinião de médicos… Tenho vários amigos que, quando em férias, nunca dizem a ninguém que são médicos porque ninguém entende que não dá pra fazer apendicite em plena praia deserta, com uma colher torta e um barbeador… O médico é frequentemente importunado com acusações de negligência, de erro, quando na verdade fez o melhor que podia dadas as condições onde ocorreu a emergência. O seguro cobre a responsabilidade civil, mas não cobre a foto do médico no jornal, sob uma manchete acusatória, e nem cobre eventual acusação criminal de algum promotor idiota (desculpem a redundância). Em suma, o buraco é bem mais embaixo.

    • Rosrigo

      Uma dica Danilo: JAMAIS coloque na ficha de admissão dos hotéis que você é médico. Você certamente será importunado fora de hora por uma bobagem. Coloque “Funcionário Público”.

    • Mateus

      Redundância? Putz.. Cada uma..

  • Rafael Sa

    Estava voltando pela KLM, de Amsterdã pra SP e um pax passou mal. Um amigo médico diagnosticou uma ebolia séria. O paciente foi colocado no chão, um pouco de panico entre todos pq o cara tava tendo um ataque bem complicado e feio. Estavamos no meio do oceano, já tinha saido do território Português fazia quase 3 horas… O cmte chamou o médico de lado e perguntou se realmente era necessário pousar, “falou que aquela operação ia custar 40 mil euros”. Meu amigo falou ou vc desce, ou ele morre daqui uns minutos. Anunciaram que iriam pousar em 20 min e que o despejo de combustível já tinha sido iniciado. Em 15 min pousamos numa base militar nos Açores, no meio do nada… Ficamos ali por 2 horas e decolamos sem o pax que passou mal, a mulher e os filhos. A sitação foi bem tensa!!!

  • Romulo Murdock

    Excelente matéria! Parabens!

  • Tax Payer

    gostei do post, mas discordo do seguro obrigatório. Todos sabem que nos EUA o preço de uma consulta médica é astronômica, muito devido ao seguro contra processos que o médico precisa pagar. Obrigar a ter esse seguro, além de uma afronta a liberdade de escolha, é um aumento no custo, com certeza.

    • Ernesto Lippmann

      Acho que o seguro não seria tão caro, se diluído entre todos os passageiros, e estimularia os médicos a atenderem, pois muitos tem o receio justificado, de além de nada receber, como vem sendo relatado, serem processados. Mas, respeito as opiniões contrárias.

      • Adrianna

        Acho que melhor que o seguro, é uma lei semelhante a Lei do Bom Samaritano dos EUA, que isenta o médico de culpa, caso ele atenda uma emergência neste tipo de situação, desde que ele não cobre pelo atendimento.

  • Antonio

    O médico que atende voluntariamente a bordo deveria receber umas milhas da empresa ou um upgrade. Porém um professor do Medicurso disse que quando viaja e é solicitado um atendimento voluntário no voo ele espera o máximo para ver se aparece outro médico. Se não aparecer ele atende. Acho muita falta de ética.

  • Gabriel Campos Pedrozo

    Parabéns pelo post Ernesto! Me formo agora no fim
    Do ano e seu artigo me ajudou com várias dúvidas que tinha sobre o assunto, que é bem delicado. Achei mais interessante ainda os programas oferecidos pela Lufthansa e pela Turkish, vou me informar mais sobre os dois, me interessou bastante. Obrigado!

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado!

  • Carol

    Muito boa a matéria. Parabéns, Ernesto!

  • Lilyane

    Ja tive que atender um caso a bordo… Síncope em um idoso. Sou pediatra neonatologista. O voo era internacional e é extremamente complicado fazer esse tipo de atendimento. A pessoa ficou caida no corredor da aeronave ocupando todo o espaço. Honestamente nao sei como faria uma massagem cardiaca caso precisasse devido a falta de espaço para posicionar o paciente. E tambem os aparelhos fornecidos pela empresa… Copa Airlines foram de pessima qualidade. Um estetoscopio horrivel que nao me permitia ouvir nada, principalmente devido o barulho das turbinas. Realmente é muito complicado fazer atendimento a bordo. E da empresa não ganhei nem um muito obrigado

    • Ernesto Lippmann

      É importante para quem viaja ter este tipo de feedback, de como as empresas tratam o médico que atende. Pode ser um fator decisivo para a compra de uma passagem por um idoso, por exemplo.

  • Thiago Felipe Zotto

    Pretendia realizar a extração dos meus quatro dentes do siso uma semana antes de viajar? Realmente não é aconselhável?

    • Igor

      Não sou médico/dentista nem advogado. Mas sei que não. Não é aconselhável pois a pressão no vôo é diferente da pressão em terra, e se seus pontos não tiverem bem consolidados, poderá ter problemas.

    • Ernesto Lippmann

      Converse sobre isto com seu dentista. Proválvemente ele vai desrecomendar a viagem

      • Thiago Felipe Zotto

        Vou verificar, obrigado!

  • Tom

    É muito engraçado que a maioria das pessoas nos comentários falem em falta de ética e que os médicos deveriam atender, que muitos são mercenários e bla bla bla. Percebe-se que todas as pessoas que falam isso não são médicos. Quando é para alguém trabalhar para mais e talvez não ganhar nada por isso todo mundo concorda, agora se fosse a própria pessoa dúvido que ela teria essa visão. Isso é pura hipocrisia!! Se o médico atendeu ele tem que ser pago independente da forma, ninguém trabalha de graça e se alguém trabalhar me passe o contato que tenho vários trabalhos que posso passar independente da área de atuação.
    Já adianto que não sou médico e nem trabalho na área da saúde.

    • Isabella

      Sou advogada e já fiz atendimentos gratuitos em casos de “urgência jurídica” de quem precisava e não tinha como pagar. Óbvio que eu não faço atendimento jurídico gratuito a todos, pois essa é minha profissão e meu ganha-pão, mas há casos e casos. Assim como falei em comentário anterior, todas as profissões devem ser pautadas em ética. Se julgo antiético recusar um atendimento jurídico de urgência apenas porque não receberei um centavo, exerço minha profissão da mesma forma como exerceria se estivesse sendo remunerada.

      • Gerson

        Não use a sua régua para medir os outros. O fato de você fazer caridade não quer dizer que os outros sejam obrigados a fazer o mesmo.

        • Loki

          Atender a um chamado de urgência não é “caridade”. Até eu que não sou médico ajudarei a socorrer um transeunte que por acaso passe mal na rua. Em mim seria “instinto” parar para tentar ajudar a pessoa – no mínimo para perguntar se ela quer ajuda, se eu posso fazer algo ou se eu devo chamar uma ambulância. Se o médico
          não tem esse instinto nem mesmo em situações de urgência, foi cursar a área errada. Não se trata de não cobrar e sim de atender uma EMERGÊNCIA.
          Depois vê-se como faz. Em situações normais em que se é possível estabelecer um contrato,
          acerta-se o preço devido pela consulta, cirurgia etc. Aliás, só lembrando, todo mundo que faz auto-escola aprende a socorrer minimamente alguém (é omissão de socorro não socorrer alguém envolvido em acidente de trânsito). Mesmo no colégio já tive aulas de massagem cardíaca ou respiração boca a boca – é óbvio que não é todo caso que pede essas coisas mas se uma massagem cardíaca for o suficiente para salvar a vida de alguém, até eu vou tentar fazer. É sempre bom lembrar que poderia ser CONOSCO. Eu sei que existem muitas pessoas ingratas que querem abusar querendo consultas de graça, seja de advogado, arquiteto, médico, dentista etc. Mas esses sugadores não deveriam jamais fazer com que nosso “instinto” de ajudar um outro ser humano em uma emergência (independentemente de nossa profissão) seja eliminado. Se a única razão para não atender alguém em uma emergência for financeira, má vontade ou preguiça, o código de ética médica diz o que deve ser feito. No mais, quanto ao paciente, ele no mínimo deveria perguntar quanto custou, se estiver em condições de fazê-lo, e a companhia aérea deve no mínimo agradecer. Quanto à ingratidão e as agruras de ser médico em um mundo de empresas e pacientes “desumanos”, que não pagam em casos diversos e não agradecem, é por essas e outras que existe algo chamado ética. Na dúvida, faça o que é ético. Se todos fizerem…. (inclusive companhias aéreas e passageiros pacientes….) Ps.: Não que seja fácil saber o que é certo ou não fazer em cada situação.

          • Gerson

            A grande questão é que na maior parte dos casos não são emergências, sequer urgências (e isso não sou eu quem estou falando, há inclusive artigos científicos publicados em jornais médicos de alto nível que investigaram as ditas “urgências e emergências” em voo e chegaram a essa conclusão).
            Não creio que nenhum colega deixaria de atender uma parada cardíaca obviamente ou auxiliar em um parto a bordo. O grande problema é que grande parte dos casos envolvem gente que bebeu demais, gente que simplesmente está com enjoo pela movimentação, gente que esqueceu de tomar o calmante que sempre toma, gente com desidratação leve, etc…
            Só que mesmo sendo um atendimento de baixa complexidade, ele está sendo feito em um ambiente completamente inadequado e por isso você ao faze-lo está se expondo aos riscos legais caso qualquer coisa dê errado.
            Então é preciso pensar um pouco antes de tentar fazer qualquer julgamento. Há vários fatores envolvidos.

          • Isabella

            Perfeito! Faço das suas palavras as minhas.

          • Liv

            Vc certamente ajudaria sem se preocupar com
            Nenhum processo, uma vez que é leigo e ‘fez o que pode’. No caso dos médicos em questão há a chance de, mesmo fazendo todo o possível, fora do ambiente adequado, não conseguir salvar o paciente e ainda ter que aturar um processo. Sou médica e Nunca me negaria a atender um chamado de urgência, até porque tenho experiência para tal atendimento, mas confesso que não me sinto confortável em atendimentos nestas condições! Quase sempre tomo ansiolíticos durante viagens pois não estou trabalhando, pelo contrário, geralmente sao viagens a lazer! Sendo assim, devemos estar sempre a postos!? Não sei se é correto! É muito fácil falar, mas sugiro a cada um que comentou algo se coloque na situação de não poder relaxar, tomar um remédio para dormir em voos longos ou mesmo tomar uma taça de vinho pq alguém pode precisar de vc!!!

          • deborah

            Ok, querida! Mas voce nao responderia processo algum por isso! Afinal, vc não é “perito” no assunto! Já um médico, ao fazer essa “caridade”, “respondendo os instintos humanos”, poderia se desgastar num processo caso as coisas nao corressem bem. E aí, dá pra pensar 2 vezes, né? Se sujeitar ao risco sem receber nem se quer um beneficio moral e ainda por cima ser processado.

        • Isabella

          Não é caridade. É uma questão de ética.

      • Perséfone

        Kkkkkkkkk
        Que piada !!!!
        Como se existisse ” atendimento jurídico de urgência “!!
        Querida, espere passar vc ou alguém de sua família por um acidente ou qualquer condição em que os primeiros segundos de atendimento determinarão a vida ou a morte! Garanto que vc ficaria de joelhos ou daria tudo o que vc tem para ter um médico habilitado (como eu) ao seu lado.
        Não faça comparações descabidas!

      • Ernesto Lippmann

        Como já dito também já atendi pessoas sem cobrar, e trabalho em 2 ONGS, e concordo com você.

  • Wellington

    Vamos lá então questionar o Dr. advogado autor do Texto.
    1. Se um paciente passar mal no voo, tem que chamar um medico. Esse médico tem que saber teorizar juridicamente e saber a que leis estará exposto naquele atendimento nos ceus. Descobrir em que pais esta sobrevoando e que pais é a aeronave. Depois disso apresentar seu CRM as comissarias de bordo para que essas, munidas de sua autoridade suprema verifiquem se o passageiro que se apresentou não é qualquer um querendo se passar por medico. Ou seja, participante estrangeiro do Mais Medicos não pode atender pois nao tem CRM.
    2. Apos se identificar o médico deve realizar o atendimento de emergencia com o que lhe é disponivel, da forma que for, e obrigatoriamente o passageiro doente deve sair bem desta, pois se algo ocorrer o médico será processado, provavelmente por algum colega do autor do texto, com base nos “artigos, paragrafos tal”.
    3. Apos o termino do atendimento é o paciente que deve pagar ao medico, mas se ele esta passando mal, deve o médico neste momento de dor e sofrimento cobrar?, e ainda pelo fato de que quem solicitou a presença do médico não foi o passageiro, e sim a companhia aerea, por meio de seus fucnionarios, pelo altofalante da aeronave, mesmo assim a responsabilidade de pagamento é do paciente?
    Me desculpe, mas essa visão juridica dos fatos, não demonstra a realidade.

    • Ernesto Lippmann

      Wellington
      A questão dos cubanos, não vou entrar na polêmica, até porque eles são obrigados a viajar pela Cubana de Aviacion, e pela lei cubana são médicos.
      Eu acho que o processo não é a regra nos atendimentos a bordo.
      As empresas que consultei, dizem que sempre pedem um voluntário. E, apenas por analogia, nos cruzeiros marítimos, onde há um médico à bordo, funcionário da empresa, a responsabilidade pelo pagamento dos honorários é do passageiro. A posição de que a responsabilidade financeira é do paciente é endossada pelo parecer do Conselho Federal de Medicina que está no texto. Acredito, que eventualmente a empresa aérea poderia responder, caso o atendimento fosse efetuado em um membro da tripulação, pois neste caso se trata de ambiente de trabalho.

      • Wellington

        Nao citei cubanos. Citei participante estrangeiro do Mais Medicos. Programa que nao possui apenas cubanos. 3. Apos o termino do atendimento é o paciente que deve pagar ao medico, mas se ele esta passando mal, deve o médico neste momento de dor e sofrimento cobrar?,
        O valor adequado quem estipula? Quanto custa esse atendimento particular em horário de folga, abandonando sua propria familia para cuidar de outros desconhecidos com enormes riscos embutidos nesse atendimento.

        • Ernesto Lippmann

          Welligton: O medico deve estimar seus honorarios. Se o paciente discordar, cabe ao medico pedir um arbitramento de honorários e o juiz vai estipular um valor que considere o tempo do medico e sua qualificação professional.

      • Wellington

        Cruzeiro Maritimo é um Resort. E no contrato já existe isso previsto.

      • Wellington

        O médico entao ao ser convocado já deve então, antes de atender, avisar quanto vai custar? e se o paciente se negar a pagar, atender mesmo assim, por ética?

        • Ernesto Lippmann

          Se não for uma emergência/ urgência, acho que o médico pode, sim dizer o quanto vai cobrar. Exemplo típico, é o passageiro que passa mal por excesso ingestão de álcool, sem maiores intercorrências. Acho que neste caso, o medico pode e deve avisar antecipadamente a família sobre seus honorários.

      • Oswaldo Fagundes

        O Wellington tem razão em vários pontos: Se o paciente esta passando mal e, por ventura , esteja em estado grave, o medico não terá como fazer uma cobrança de honorários . Mesmo que exista um acompanhante pois o mesmo estará muito abalado. Outro ponto, a empresa não solicita um voluntário pois sabem que se existir médicos a bordo e se o caso é de emergencia, este não pode se recusar a atender. Voluntário tem opção! Mais um ponto: se o caso é realmente uma Emergencia e a comissária ficar adiando o atendimento pois o suposto médico não tem como provar que é medico, como agir?

    • Olívio

      Caso um “colega do autor do texto” (na sua opinião, provavelmente, um “advogado malvado mimimi”) acabasse processando o médico que prestou socorro voluntariamente, nesses termos que vc tão eloquentemente colocou (“com o que lhe é disponivel, da forma que for”), essa ação certamente seria julgada improcedente, ou seja, o “advogado do mal” iria perder o caso, justiça seria feita (~insira aqui o tema de seu super herói favorito~) e nada aconteceria com o médico além de, infelizmente, ter lidado com um belo aborrecimento.

      O acesso à justiça é um direito fundamental, sendo certo que, juridicamente, não haveria qualquer problema na propositura de referida ação. Da mesma forma que eu, advogado, poderia entrar com uma ação contra vc, pedindo dano moral, pois seu comentário me ofendeu, pelo simples fato de “porque sim”. Eu ganharia a ação? Certamente não. Mas eu poderia. Isso é incontroverso.

      Então, mais respeito, por gentileza. Na sua opinião, essa visão jurídica brilhantemente construída pode não demonstrar a realidade, mas, como falei, é a sua opinião. Nada contra opiniões contrárias, mas começar o comentário com “Vamos lá então questionar o Dr. advogado autor do Texto”, na minha singela opinião, foi um grande desrespeito com o profissional que escreveu o texto.
      Just saying….

    • perola

      Concordo plenamente Wellington !! Fala é fácil. Peça para qualquer advogado atender fora de horário seja lá por quem se não serão cobradas essas horas extras. Meu amigo, medico tem dias de folga como qualquer outro trabalhador e diante da exposição que se torna o atendimento em local inapropriado é de se pensar muito antes da execução dos fatos. Eu particularmente só atenderia em caso iminente de morte, fora isso a empresa que se vire para arcar.

  • Eduardo

    Parabéns Ernesto esse é um assunto de extrema duvida a todos!
    Nós médicos estudamos para tentar amenizar a dor das pessoas e intervir no momento que for necessário! Fato é que dificilmente um paciente deixará de ter atendimento em um vôo, além de nao sermos omissos, lutamos pela vida e faremos o que for de nosso alcance onde estivermos, sempre! O que acontece é que todo mundo tem seu momento de lazer, distração, descanso! O medico nao! Deve atuar até dormindo! Nao pode beber,tomar ansiolitico, ficar cansado nem relaxar! Mas mesmo assim estamos na nossa obrigação e dever! Enfim, acho que se a empresa recebe para transportar pessoas ela que deve ser responsável por eles pois estou ali como consumidor! Sou a favor de um profissional qualificado especialista de plantão!

  • Luciano Valadão

    Excelente texto! Parabens… Na minha opinião deveria ser obrigatório a presença de medico, enfermeiro e técnico em enfermagem a bordo de todos os voos internacionais! Capacitados para emergências! Acho um absurdo voos longos com centenas de passageiros sem nenhum suporte medico a bordo!

  • Denis Colli

    Excelente iniciativa e artigo Ernesto!
    Parabéns pela colaboração!
    Cada dia o MD fica mais completo!
    Parabéns Denis, Leonardo e equipe pelo excelente trabalho!

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado!

  • MIchel

    Sensacional!! Parabéns ao Ernesto pela autoria do post e parabens ao Denis pela publicação desse artigo INEDITO e de suma importancia!

  • Ashabty

    Primeiramente parabéns pela matéria! é um pouco mais de conhecimento para aqueles que não tem muito conhecimento da profissão de comissário, na verdade estudamos bastante sobre primeiro socorros e emergências.

    Aqui na empresa que trabalho é informado para que se for necessário a solicitação de um médico, deverá ser feito o seguinte anuncio:

    – Se houver um médico VOLUNTÁRIO a bordo, favor identifique-se a um dos comissários.

    Com isso, anotamos CRM, se não estiver com eles em mãos, pegamos um documento de identificação e cartão de embarque e anotamos, pegamos também duas testemunhas, nós comissários somos treinados para ajudar, mas claro, não somos médicos para diagnosticar nada.

    A empresa ainda possui um kit médico a bordo com tudo que ele precisar (insulina, medicamentos, porém só pode ser aberto com a presença de um médico a bordo).

    Com isso se o médico quiser cobrar depois, está provado que foi solicitado a presença de um voluntário, através do anuncio no P.A, o flight voice recorder vai acabar gravando tudo (é um dispositivo na caixa preta que grava os ultimos 30 minutos do voo pelo rádio da cabine ou pelos interfones (e também pode ser usado em caso de processo e etc).

    Caso a vítima tenha uma parada Cardíaca somos treinados para iniciação do procedimento de Ressuscitação Cárdio Pulmonar (RCP) até a chegada do mesmo ou até o pouso.

    1 abraço!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado, é bom saber que nossos artigos mostram e estimulam outras pessoas a escrever. E é interessante que você divulgue suas experiências para os leitores.

  • Ernesto Lippmann

    Danilo, qual seria sua atitude, se chamado?

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Fico contente que tenha sido útil!

  • Daniel Willian Bloch

    Concordo plenamente!

  • Rui Rodrigues

    Parabéns pelo texto, achei que cumpriu bem seu propósito informativo. Não entendo a irritação e grosseria dos colegas com o autor. Ele apenas informou a legislação vigente, importante até para nós médicos sabermos como agir. Também acredito que deveria ser responsabilidade da empresa pagar os honorários médicos, pois os passageiros, enquanto na aeronave são, ou deveriam ser, de responsabilidade da empresa aérea, do mesmo modo que um carro em um estacionamento – em uma analogia leiga.

  • Flávia

    ótima reportagem! todos deveriam ler!Parabéns

  • SAG

    Tenho uma duvida.. Se o voo é internacional e esta em espaço aereo de outro país como seria aplicado o codigo de etica? As leis nao seriam diferentes?

    • Ernesto Lippmann

      Seria um modo jurídico de defesa em um eventual processo alegar a extraterriatorilidade, ou seja que a lei de outro pais seria aplicável a situação, e que portanto o médico não pode ser punido, isto desde que se tratasse de empresa estrangeira. Voos de empresas nacionais, como TAM, GOL, e Azul são considerados como território brasileiro, para efeitos legais, enquanto estão nos céus internacionais. Mas, acho que neste caso a ETICA, e os deveres que temos com nossos semelhantes falam mais forte do que uma questão processual, e que o atendimento deve ser prestado.

  • Débora

    Excelente artigo!

  • Vitor

    Sou médico, e todos os médicos que conheço, assim como eu, esperam ao máximo para se voluntariar ou então fingem que estão dormindo. Sei de colegas que já ouviram xingamentos em pleno vôo por fazer o avião pousar e também de médicos que já foram processados por atendimentos a passageiros. É muito conveniente à empresa aérea solicitar um “voluntário” quando esse é OBRIGADO a prestar atendimento, o médico obviamente não será remunerado por tal atendimento e ainda correrá risco de ser processado, quando um processo mesmo que ganho pelo médico trará prejuízos enormes para sua prática.

  • Tony

    Parabéns ao Melhores Destinos por esse tópico tão interessante que raramente paramos para pensar quando embarcamos.

    Uma dúvida, vamos supor um avião de bandeira norte-americana cruzando o Atlântico Norte. Se um médico brasileiro quisesse atender em terra seu diploma não seria válido na região. Mesmo assim ele tem a obrigação de prestar atendimento? Estaria arriscando ferir algum código ético se prestasse esse atendimento?

  • Renato

    Parabéns pela profundidade da matéria e precisão, útil e esclarecedora. Isso é prestação de serviços de qualidade.

  • Leandro

    Não custaria acrescentar uma pequena cláusula nos contratos multi-milionários entre CIAS aéreas e Seguradoras para fixação de honorários médicos.
    Tenho amigo médico que fez atendimento de caso simples na Emirates. Agradecimento? Viagem em primeira classe para qualquer canto do mundo. Não é à tôa que é considerada uma das melhores companhias do mundo!
    Excelente a reportagem!

  • Eduardo

    Ernesto parabéns pela escolha do tema. Acredito que além de proporcionar mais informação aos amigos que acompanham o MD possibilita uma boa discussão sobre o assunto. Proponho um exercício: vamos nos colocar no lugar desse médico que vai prestar um atendimento a bordo. Fazer isso em um ambiente inadequado, sem os recursos necessários para tal, fora da sua especialidade e sem nenhuma equipe de saúde de apoio me parece um cenário bastante complexo. Vamos adicionar à isso um médico cançado ou que tenha bebido um vinho no jantar ou tomado um remédio para dormir. Mais complicado ainda, correto?!! Além disso ainda existem questões da legislação de cada país e o idioma diferente. Resumindo, uma verdadeira mistura explosiva! Tenho convicção que o médico deve responder ao chamado mas percebi que no fundo ele tem um monte de deveres legais e obrigações éticas e quase nenhum direito ou atenuante. Imagine estar nessa situação. Muito difícil não é mesmo?! Os médicos são pessoas de carne e osso como todos nós. A pesar da campanha do Governo Federal para desmoralizar a classe não se tratam de mercenários insensíveis. Maus profissionais a parte, como existem em todas as áreas, na sua maioria procuram fazer o seu trabalho de forma correta, recebendo uma remuneração justa para a responsabilidade que assumem. Me parece que nesse caso não é possível fazer nem uma coisa nem outra, isto é, nem fazer um bom trabalho diante dessas condiçoes nem receber uma remuneração justa por isso. Quem de nós gostaria de estar nessa situação? Como todos nós podemos precisar um dia desse atendimento, um bom ponto de partida seria exigirmos uma regulamentação melhor para essa questão como propõe o autor e não demonizarmos os medicos.

    • Oswaldo Fagundes

      Também gostei da observação do Eduardo. É muito fácil dizer que o médico tem obrigação de atender , de salvar vidas, mas ninguem observa as condições que estão sendo impostas no momento. Tenho certeza que se houver um eventual processo, se não houve erros grosseiros, o medico que fizer o atendimento de acordo com a capacidade do momento, ganhará a causa. mas como foi dito na reportagem, sempre existe uma perda pois o medico terá que contratar um advogado para a defesa e também existe o desgaste fisico, mental e da imagem desse medico! Portanto não podemos julgar negativamente aqueles que , por não se acharem eficientes naquela situação, não respondam ao chamado!

  • Renata

    Ola Ernesto,
    Parabéns pela reportagem. Muito esclarecedora.
    Sou medica e sempre quando viajo penso na possibilidade de ser chamada em vôos.
    Gostaria de saber no caso relatado abaixo, se a cia pode exigir a documentação para atendimento.
    Acho complicado exigir documentos, ate porque não viajo com minha identidade medica. E se presto serviço, estou na tentativa de ajudar o paciente, seguindo meu
    Código de Ética.

    • Liv

      Ernesto, Tb sou medica e não viajo com minha identificação medica, apenas passaporte e carteira de motorista. Nesse caso, mesmo me
      Oferecendo para atender o paciente, caso a empresa não me permita o atendimento, posso sofrer as consequencias legais de uma possível complicação com o paciente? Obrigada

  • Eduardo

    Parabéns Ernesto esse é um assunto de extrema duvida a todos!
    Nós médicos estudamos para tentar amenizar a dor das pessoas e intervir no momento que for necessário! Fato é que dificilmente um paciente deixará de ter atendimento em um vôo, além de nao sermos omissos, lutamos pela vida e faremos o que for de nosso alcance onde estivermos, sempre! O que acontece é que todo mundo tem seu momento de lazer, distração, descanso! O medico nao! Deve atuar até dormindo! Nao pode beber,tomar ansiolitico, ficar cansado nem relaxar! Mas mesmo assim estamos na nossa obrigação e dever! Enfim, acho que se a empresa recebe para transportar pessoas ela que deve ser responsável por eles pois estou ali como consumidor! Sou a favor de um profissional qualificado especialista de plantão!

  • Daniel Gulmine

    Estava em Paris dia destes, e meu voo das 23:30 foi cancelado, sendo postergado para o dia seguinte 13h. Air France nos levou para um hotel, e às 3h da manhã tive uma cólica renal. O hotel chamou um médico, que me medicou (injeção de anti-inflamatório e outra de morfina) o que aliviou minha dor. Me forneceu também 2 remédios para eventual nova crise. Cobrou 140 Euros. Recomendou não embarcar no dia seguinte e ir para o hospital fazer exames. No outro dia, o ônibus saia 8:30h do hotel. Eu estava aliviado e o efeito da medicação já tinha passado. Como não tinha minha bagagem, já estava sem dinheiro vivo e não tinha onde ficar, resolvi ir para o aeroporto. Lá fiz o check, expliquei o caso e recomendaram não embarcar. Mesmo assim, mantive o bilhete, fui no pronto socorro do CDG e o médico me liberou por não ter mais dores. Fui no banheiro e expeli a pedra (pequena mas dolorida). Embarquei e cheguei numa boa. Agradeço ao cancelamento do voo, pois caso contrário estaria perdido. Agora a pergunta: alguém sabe se entre os equipamentos de emergência existem medicamentos desta natureza, injeção de morfina, ao algum outro remédio do gênero?? Obrigado, Daniel.

    • Oswaldo Fagundes

      Olha Daniel, acho que você teve sorte mesmo! Não sei dizer se a lista do material de urgência e os medicamentos de uma aeronave são divulgados!
      Como médico acho muito importante saber com o que posso contar se eu for chamado para atender uma emergencia durante voos! Na reportagem somente diz que a maioria das Empresas possuem DEA na aeronave, mas só esse equipamento não é suficiente para atender uma Parada Cardíaca ! Para mim, saber o que contem no kit de emergencia medica me daria maior tranquilidade pois isso agiliza o processo de atendimento de um paciente grave! Também saber se a equipe tem capacidade de ajudar no atendimento ou só de atrapalhar!

    • Márcia

      Daniel, tenho essa mesma dúvida. Tenho quadro crônico de cálculos renais. Para vc ter uma idéia, tenho 51 anos e já expeli mais de 40 pedras!!
      Morro de medo de viajar de avião por esse motivo. Quando viajo fico muito nervosa, não consigo dormir um minuto sequer. Mesmo que no kit emergência exista algo como morfina, quem aplicaria uma injeção intra venosa? as comissárias? algum passageiro médico? Minha cunhada é médica e disse que esse procedimento a bordo é muito arriscado, pode infectar, etc.. Acho que só rezando mesmo. Muito azar ter cólica nessas horas!!!

  • Tiago

    Parabens pela postagem. Levanta o debate sobre um tema muito importante e que não temos muitas informações.

    A propósito, acho que uma forma bacana das empresas aéreas incentivar os médicos seria que o primeiro médico de cada voo que topasse atuar em caso de emergencia (isso ele sinalizaria no ato de compra da passagem) ganhasse um bom desconto (50%, passagem acompanhante, que seja) ou um beneficio extra e com o seguro judicial. Assim, a chance de ter médicos dispostos a atender seria mais alta e evitaria que profissionais a lazer ou sem as condições ideias fossem “obrigados” a prestar socorro. E o correto seria as empresas aéreas ter uma tabela de pagamentos dos procedimentos, pois são eles quem solicitam o serviço e não o paciente. Depois, a cia cobraria do passageiro ou ficaria com o custo, a depender do contrato da passagem. Mas, o médico não deveria ficar a deriva nesse processo.

    Fica a dica para o MD e o Denis Carvalho:
    Nas próximas avaliações da cias aereas colocar um campo de atendimento/prestação de serviços medicos ou emergência. Apesar de poucas pessoas terem vivenciado isso, os relatos e avaliações que existirem serão extremamente úteis para idosos ou pessoas com algum tipo de doença. Uma nota para a cia aerea em relação a isso seria excelente.

  • Paula

    Muito boa e completa a reportagem!! Assim que me formei em
    medicina, procurei sobre esse assunto e nunca achei nada tão completo como a
    sua reportagem. Eu fico muito tensa em voo porque tenho muito medo, então
    geralmente me apago e não quero ser acordada por nada, nem se o avião estiver
    caindo e acho que é um direito meu certo? Sou passageira e estou de férias. Eu
    acordada não iria negar ajuda e iria lá tentar acalmar a pessoa. Trabalho com
    medicina do trabalho (ainda me especializando nisso) e nem prescrever eu
    prescrevo e não conheço nenhum medicamento usado em hospital, porque só passei
    por um hospital mesmo quando era estudante. Tenho o direito de escolher a aérea
    de medicina que desejo exercer e considero normal, não saber varias coisas de
    clínica e urgência, porque uso pouca clínica e nada de emergência, por isso
    dependendo da situação não saberia o que fazer e não seria imprudente. Assim
    como não posso exigir da minha amiga que é advogada a responder perguntas sobre
    leis trabalhistas se ela é da área criminal, A mesma coisa ocorre com a
    medicina. Antigamente o médico clínico geral resolvia tudo, hoje em dia existe
    a necessidade das especialidades. Então no meu caso se eu tivesse acordada e em
    condições para atender eu iria lá e prestaria atendimento, tentando ajudar e
    resolver de acordo com meus conhecimentos, como relatado no texto, a maioria
    das vezes não é nada grave e a pessoa fica nervosa por estar dentro de um avião
    e sem recursos, acredito que a presença de um médico poderia acalmar a pessoa e
    amenizar a situação. Se isso ocorre frequentemente, porque não passa ser obrigatória
    a presença de um comissário médico em voos internacionais? Que pudesse medicar
    com um simples analgésico até fazer manobras invasivas, pois o mesmo seria
    capacitado para isso.

  • Marcelo Frota

    Já prestei atendimento médico em tres voos: TAM (nacional), Azul (nacional) e Iberia (GRU-MAD). Em todas as vezes, os vôos puderam seguir normalmente. Em todas recebi o agradecimento do paciente e da tripulação, mas em nenhuma recebi credito, milhas ou upgrade (mesmo no Voo da Iberia que tinha assento vago em classe superior). Inclusive, em duas das vezes (TAM e Iberia), eu estava dormindo, sendo acordado na madrugada (no susto) com o chamado. Não cobrei do paciente e, por mais que seja “permitido”, não cobraria… Mas que um pouco mais de cortesia das CIAs teria sido bom, teria… Parabens pelo texto, bem interessante…

  • Cassio Rodrigues

    Também sou médico e gostaria de colaborar com os comentários.
    Inicialmente por ver o comentário de meu amigo Alexandre Roque, ratificando o quanto seus comentários são verdadeiros em relação a sua dedicação.
    Também para relatar que já tive uma experiência semelhante: atendi, em um vôo TAM uma paciente com crise hipertensa: mesmo sendo especialista na área, posso dizer o quanto a situação é estressante, desconfortável e difícil, pela estrutura precária, sem recursos adequados, sob alto risco de que “algo dê errado”. Interessante ver aqui a visão legal, embora seja lamentável ser considerado um atendimento voluntário, pois na verdade é uma OBRIGAÇÃO MÉDICA (como corretamente determinado pelo CRM). Correto seria que a companhia aérea tivesse obrigação em relação ao ressarcimento, mesmo que cobrasse posteriormente do paciente. Em relação a minha experiência, recebi um e-mail da companhia. Parte boa, reconfortante, foram os pelo menos 15 “muchas gracias” que recebi da paciente uruguaia.

  • Amélia

    Uma questão em comum tanto para o passageiro quanto para quem presta o atendimento: o pós . Qual é a atitude da cia aerea que foi atendido pelo profissional? qual foi o procedimento da cia aerea para a continuidade do passageiro que apresentou a situação de urgencia? e caso de viajar sozinho, qual foi o atendimento? Em tempos que tudo é imediato, em que tudo é para ontem, qual foi a atitude da cia area ? Sei de relatos de amigos médicos que atenderam um passegeiro e nem um obrigado foi estendido.Como você colcou, além de rever as politicas ref aos passegeiros no sentido juridico, as cias aereas, principalmente as que atuam nas Américas ,creio que deveriam rever como atuam no relacionamento interpessoal cia area>passageiro

  • Alice

    Parabéns pela reportagem!
    Em outubro voltei da Itália e com o avião ainda em solo solicitaram um medico a bordo. Nao concordo com essa conduta da companhia pois o paciente nao necessitava atendimento imediato ( inclusive embarcou no vôo). Eu deixei bem claro que por nao se tratar de uma emergência eu me nao iria atender um paciente dentro de uma aeronave em condições inadequadas. Se havia o julgamento de que era necessário o atendimento naquele momento o paciente nao deveria embarcar. Na minha opiniao a empresa deveria arcar com os custos do atendimento, através de bonificação ou up grade nas próximas viagens.

  • Leandro

    Sou médico e passei por uma situação de emergência num vôo da Azul entre SP e Manaus em julho deste ano. Estava lendo um livro e ouvindo música com meu mp3, não ouvindo a solicitação da tripulação por um médico voluntário. Como estava nas primeiras fileiras, sem ninguém ao meu lado, não havia percebido o ocorrido. Após perceber uma movimentação intensa e comoção geral, tirei meus fones do ouvido e olhei para trás. Já haviam diversas pessoas em volta da paciente. Quando a comissária solicitou novamente um médico voluntário, prontifiquei-me a ajudar, apesar do receio por causa das limitações do ambiente.
    Sou ginecologista e obstetra, com formação cirúrgica e alguma experiência em emergência e CTI. O grande problema é que as limitações geram uma exposição desnecessária ao médico. Creio que por esse motivo, ninguém se voluntariou antes de mim, mesmo com o vôo praticamente lotado (+ de 100 pessoas). Por formação, agimos automaticamente numa situação de emergência. Não me perdoaria nunca em saber que algo pudesse ter acontecido a aquela senhora, podendo o meu atendimento ser essencial para o desfecho do caso. Eu precisaria estar a par do caso para saber das limitações. E aqui vão elas, pelo menos no caso da Azul, no meu vôo: equipe de bordo prestativa mas extremamente mal treinadas e desesperadas, incapazes de manter a ordem do local e afastar os curiosos; mochila de emergência com um lacre que necessita de algo afiado!!! para abri-la; estetoscópio da marca mais barata e vagabunda possível, tornando uma ausculta pulmonar praticamente impossível em pleno vôo ou com turbinas ligadas; desconhecimento por parte da equipe do conteúdo da mochila de emergência. Creio que haja um inventário da mesma, mas a comissária não encontrou. Há cilindro de oxigênio a bordo em condições impecáveis (sem queixas neste quesito). O espaço das poltronas ou mesmo o corredor entre elas não permite posicionar uma paciente idosa e obesa na horizontal, como no meu caso. Não há espaço para a paciente e muito menos para o médico atendê-la. A Azul solicitou que eu preenchesse um relatório de atendimento médico, com meus contatos. Quanto ao contato e dados, tudo bem, mas após o ocorrido ainda me fazer preencher um relatório, estando a paciente perfeitamente estável, é extremamente desagradável. É diferente de eu precisar passar o caso para uma equipe médica em solo.
    Logicamente eu não cobrei pelo atendimento. Mas esperava no mínimo um obrigado do responsável pelo vôo, que no caso seria o comandante, que estava ciente do ocorrido. A comissária que me auxiliou me agradeceu logo após o ocorrido e ficou por isso mesmo. Agora, se o desfecho tivesse sido ruim, garanto que a culpa recairia sobre mim. Sinceramente, somos escravos de nossa ética. Valer a pena, com tudo isso, não vale. Mas minha consciência sempre falará mais alto.
    Ficaria muito feliz e agradecido se a Azul melhorasse alguns pontos que apresentei. Não estou exigindo corredores mais largos, mas um estetoscópio decente, ausência desse lacre quase inviolável e o mínimo de treinamento da equipe de bordo, não é pedir muito, é Azul??? Um obrigado formal também faria bem!

    • Liv

      Obrigada pelo seu relato Leandro! Muitas pessoas pensam que nós, médicos, precisamos apenas dos nossos conhecimentos para um atendimento! Considerando uma emergência REAL, precisamos de condições mínimas para salvar uma vida! E, sem pessoas qualificadas nos ajudando, muitas vezes não conseguimos atuar de forma adequada, o que nos expõe ao risco de um desfecho não satisfatório!!! E, com isso, vem as consequencias legais… muito fácil criticar e fazer apologia ao juramento medico! A realidade é beeeem diferente!!!

  • Jaque M

    Tenho uma dúvida. Um médico brasileiro não necessariamente tem seu diploma reconhecido em outros países, podendo inclusive ser preso por exercício ilegal de medicina naquele país. Como fica essa questão em vôos internacionais, ou mesmo em viagem para outros países? Por ser emergência o médico pode atender com tranquilidade em qualquer país? Ps. Adorei o post.

  • Cecilia Santos

    Excelente artigo, muito esclarecedor.
    Lendo alguns comentários, percebo que algumas discussões se dão pelo desconhecimento.

    Como médica, algumas vezes solicitada para prestar atendimento, posso dizer que é um pouco frustrante, e muitas vezes podemos nos sentir injustiçados sim. Afinal, hoje no Brasil, o atendimento de urgência e emergência nos hosp. em aprox 75% das vezes é realizado pelos residentes (médicos ainda em formação) e/ou clínicos plantonistas fazendo extra. Considerando que a medicina é muito vasta, raramente os médicos que possuem disponibilidade para viajar estão nas posições acima descritas. Então somos chamados pela aeromoça sem saber do caso, com uma tensão prévia por talvez não sermos capazes de ajudar uma pessoa em sofrimento. Chegamos ao local aonde todos os familiares (+ aeromoças + desconhecidos ) colocam toda a sua confiança e medos sobre nossos ombros, e então com todo aquele peso e o risco de perdemos nosso CRM, torcemos para fazer um bom atendimento. No final, a única coisa que queremos é sentar na nossa poltrona, beber uma água e relaxar. Mas quase sempre alguém fala (ou deixa subentendido) ” Não fez mais do que a obrigação/juramento. Essa é sua profissão e a vida que você escolheu”. Será que alguém que passa por tudo isso simplesmente para AJUDAR um desconhecido, não merece pelo menos uma proteção da companhia aérea, ou um saquinho de amendoim?

  • Rodrigo

    Claro q a empresa aérea é responsável e tem que pagar o médico. Nem padre trabalha de graça!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Henrique Rocha Silva

    A cada dia o MD me surpreende com seus temas e reportagens, parabéns a toda equipe!

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado !

  • Ernesto Lippmann

    Se estiver dentro da validade – muitos não contratam o seguro no dia da viagem de avião – deveria cobrir

    • Bernardo Bsb

      Caro Ernesto,
      Sou médico com curso de transporte aeromédico e trabalhei fora do Brasil. Fiquei com a impressão, inclusive por literatura especializada, que a legislação que cobre estes eventos é a do país de origem da cia aérea.
      Você tem essa informação? Como isso se aplicaria a mim, sendo brasileiro e com Conselho de classe brasileiro, num vôo internacional?
      Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado fico contente que tenha gostado!

  • Ernesto Lippmann

    A empresa aérea não tem este dever, assim como cruzeiros, empresas de onibus, etc…. Mas, como já disse, os passageiros devem privilegiar as empresas que tem uma politica de ajudar os medicos. Não acho que attender quem precisa seja prerrogativa de medico. Já fiz vários casos sem cobrar, trabalho como voluntario em uma ONG, e é frequnete, estando no Fórum, ajudar a quem tenha alguma dúvida com relação a seu processo.

    • Adrianna

      Concordo plenamento, Ernesto. Mas infelizmente a maioria ver esse tipo de atitude sua como bondosa e caridosa. Já um médico que por cortesia presta um socorro ou tira uma dúvida na fila do mercado, não faz mais que a obrigação. Se esse pensamento fosse diferente, com certeza teriam mais médicos satisfeitos em prestar o socorro e não cobrar por isso.

  • Ana

    Fui chamada para uma emergencia a bordo em 2012, no voo da TAM Sao Paulo – Milao, para atender uma indisposicao gastrointestinal, me pediram que preenchesse um formulario com os dados do passageiro e meus dados pessoais. Verifiquei o material de urgencia e quando questionei sobre o DEA, me foi informado que nao havia DEA disponivel a bordo, nao houve relato por parte dos comissarios desse programa de assistencia MEd aire, relatado neste post.
    Ao contrario do relato de outro colega não recebi nenhuma carta da TAM.
    Parabens ao autor do post!!

    • Ernesto Lippmann

      Relato interessante. A informação do DEA foi feita mediante contato official com a assessoria de imprensa da TAM, por e mail.

  • Djalma Lima

    Parabéns pela reportagem.
    Sou médico e já tive várias oportunidades de atender à bordo. De aviões e também em um navio. Destaco dois casos em aeronave mais sérios. No primeiro deles em um voo da TAP saindo de Joanesburgo(África do Sul) para Lisboa(Portugal), onde pegaria uma conexão para a Copenhagen(Dinamarca). Estava prevista uma escala em Brazzaville(Congo). Porém, lá chegando, o país estava um conflito e foi negado o reabastecimento da aeronave, tendo esta que seguir para Luanda(Angola), a fim de efetuar o reabastecimento e assim prosseguir ao seu destino. Já em Luanda durante o reabastecimento, estava na galley tomando uma água, quando a comissária portuguesa notando meu sotaque, questionou se eu era brasileiro e o que eu fazia em Joanesburgo. Comentei que na realidade estava trabalhando exatamente onde estávamos, no interior de Angola, para a ONU em Missão de Paz, como médico. Horas após a decolagem e passando pelo noroeste da Africa, a mesma comissária veio me acordar, pois uma passageira estaria sofrendo um infarto. Parecia um pesadelo tal situação extrema em pleno voo, mas sem hesitar fui atender e ver o que poderia fazer. Já havia no local uma pediatra, facilmente identificada pelo estetoscópio que usava. Perguntei se precisava de ajuda, não sendo muito bem recebido, porém quando ia me colocar à disposição e deixa-la mais à vontade ante a clara recusa de ajuda, a paciente, portuguesa, me segurou pelo braço e me pediu para ficar. Assim sendo solicitei e fui atendido para um pouso de emergência em um aeroporto que mal comportava o Airbus. A comissária não queria liberar a bala de O2, porém após um pequeno convencimento da importância a mesma mudou de idéia, A ambulância que veio buscar a paciente veio sem médico e sem equipamento algum, o hospital mais próximo distava 40min e a colega não quis acompanhar a paciente. Por razões diplomáticas também não poderia desembarcar ali e ela seguiu somente com o marido totalmente embriagado. O Comandante deixou claro que não me esperaria. Agradecimento ou upgrade, nem pensar. Mas me senti muito útil e fiz o que pude.
    Em outro evento na TAM, dentro de um Fokker 100, aqui no Brasil, atendi uma paciente em choque, que já sangrava desde o embarque e escondeu o quanto pode. Como estávamos no táxi, pedi a parada imediata da aeronave e naquela ocasião observei um grande despreparo das comissárias, que já com a paciente “apagada”em minhas mãos me perguntavam se eu queria um travesseirinho para colocar sob a cabeça dela. Só tinham a bordo um aparelho de pressão e mais nada. Os passageiros colaboraram demais me liberando no ato as 3 poltronas alinhadas. Pedi ao mais próximo atrás dela que a mantivesse com as pernas quase no teto. Assim ela acordou, mesmo com PA zero e pulso impalpáveis na primeira avaliação. Se recusava a sair da aeronave para a ambulância que já estava na porta. Avisei aos presentes, incluíndo o marido dela, que não me responsabilizaria por sua segurança e que eu mesmo sairia. Só assim ela concordou e desembarcou em Maringá-PR. Recebi diversos agradecimentos dos passageiros e pelo Correio uma miniatura do Fokker 100 com uma carta de agradecimento do saudoso Comandante Rolim. Um agradecimento destes, não tem preço. Descobri na saída do avião que haviam mais dois médicos à bordo. Se identificaram, ante a minha recusa em dar detalhes do que houve. Estavam curiosos, entretanto na hora do sufoco, nenhum veio me ajudar e só quem já passou por esses apuros sabe o quanto uma ajuda é importante. Podia ser eu. Penso assim e adoraria que algum colega aparecesse. Jamais cobraria por isso. A satisfação do dever cumprido vale mais que dinheiro nesta hora.
    Sou Oficial da Marinha do Brasil, Cirurgião Plástico e Especialista em Medicina Aeroespacial pela FAB, além de Piloto de Helicóptero, qualificado em BH06 e H350.

    • Ernesto Lippmann

      Djalma parabéns pela sua conduta. Você é daqueles que honram a farda e o amor por servir a pátria.

  • Nara

    Boa reportagem! Melhor observar as condições clínicas antes de viajar porque, sinceramente, precisar de um atendimento à bordo não é nada fácil nem para o passageiro, nem para o médico e tripulação. Não há ambiente e condições apropriadas para se tratar de alguém que precisa de cuidados médicos.
    Parabéns aos colegas que já se dispuseram a atender pessoas necessitadas de cuidados a bordo.

  • Marcelo

    Parabéns pela reportagem. Muito interessante. Temos que valorizar os médicos. Mais empresas deveriam seguir os passos da Lufthansa e Turkish.

  • Eduardo

    Ernesto parabéns pela
    escolha do tema. Acredito que além de proporcionar mais informação aos amigos
    que acompanham o MD possibilita uma boa discussão sobre o assunto. Proponho um
    exercício: vamos nos colocar no lugar desse médico que vai prestar um
    atendimento a bordo. Fazer isso em um ambiente inadequado, sem os recursos
    necessários para tal, fora da sua especialidade e sem nenhuma equipe de saúde
    de apoio me parece um cenário bastante complexo. Vamos adicionar à
    isso um médico cançado ou que tenha bebido um vinho no jantar ou tomado um
    remédio para dormir. Mais complicado ainda, correto?!! Além disso ainda existem
    questões da legislação de cada país e o idioma diferente. Resumindo, uma
    verdadeira mistura explosiva! Tenho convicção que o médico deve responder ao
    chamado mas percebi que no fundo ele tem um monte de deveres legais e
    obrigações éticas e quase nenhum direito ou atenuante. Imagine estar nessa
    situação. Muito difícil não é mesmo?! Os médicos são pessoas de carne e osso
    como todos nós. A pesar da campanha do Governo Federal para desmoralizar a
    classe não se tratam de mercenários insensíveis. Maus profissionais a parte,
    como existem em todas as áreas, na sua maioria procuram fazer o seu trabalho de
    forma correta, recebendo uma remuneração justa para a responsabilidade que
    assumem. Me parece que nesse caso não é possível fazer nem uma coisa nem outra,
    isto é, nem fazer um bom trabalho diante dessas condiçoes nem receber uma
    remuneração justa por isso. Quem de nós gostaria de estar nessa situação? Como
    todos nós podemos precisar um dia desse atendimento, um bom ponto de partida
    seria exigirmos uma regulamentação melhor para essa questão como propõe o autor
    e não demonizarmos os medicos.

    • Mauricio

      Espetacular!!!
      Parabéns pelo comentário!

  • Helder Reis

    Há 02 dias em um Voo pela TAP entre Lisboa e Salvador foi solicitado a ajuda de algum médico a bordo para atender um paciente que estava com dor precordial (dor no peito). Eu me apresentei como cardiologista e outro colega Gastroenterologista nos dispusemos em fazer o atendimento. O paciente era um idoso com o quadro típico de infarto. Conseguimos deitá-lo no espaço existente entre a primeira classe e a classe econômica. Solicitamos que o avião pousasse no local mais próximo e não foi colocado nenhum empecilho em fazer isso. No avião estava disponível um DEA (desfibrilador externo automático) e uma maleta com medicações essenciais para emergência. A tripulação foi extremamente atenciosa e tranquila. O avião pousou na ilha do Sal (Cabo Verde) e o paciente seguiu para o hospital com a equipe médica local, A tripulação nos agradeceu por diversas vezes e foi dado uma garrafa de vinho para mim e outra para o colega e também irão mandar uma carta de agradecimento.
    Acho complicado um médico que não tenha formação em emergência tenha obrigação de ajudar, pois depois poderá receber até um processo caso faça algo errado.

  • Anna

    Muito boa a materia! Esclarecedora. Mas sempre tive uma dúvida e ninguem nunca conseguiu me responder… no caso de um estudante de medicina do ultimo ano ser a unica coisa mais proxima de um medico, seja numa aeronave, seja num acidente em qualquer lugar que seja, ele deve se identificar ?

    • Gilberto

      Deve se identificar como acadêmico mesmo. No meu sexto ano ja tinha feito o ACLS então a carteirinha ajudaria no caso rs

  • Gerson

    Perceba os comentários abaixo do seu.
    A medicina é uma das profissões mais mal faladas do Brasil infelizmente.

    • Eveline

      Eu valorizo médico que me trata com respeito. Se não, escolho outro….

  • Gerson

    Já aconteceu comigo duas vezes.

    Em uma outro colega se levantou antes e foi ajudar, então não precisei intervir. Em outra aconteceu de o paciente passar mal ainda em terra mas já após o embarque. Eu tive que levantar e acabei impedindo o vôo de sair do JFK para que a ambulância removesse um paciente com quadro confusional agudo. Como poderia ser algo grave não tive escolha senão mandar o indivíduo ao hospital.

    O mais desagradável nessas situações é a ausência de estrutura.

    Não há nenhum local específico do avião para examinar o paciente. Você precisa fazer isso nas poltronas mesmo, com 200 pessoas te olhando. Só existem medicações via oral, oxigênio e coisas básicas. Uma emergência de fato pode acabar em tragédia se o voo estiver no ar longe da civilização.

    Nos cabe sim ajudar as pessoas que precisam, pois querendo ou não temos o maior treinamento quanto a isso na situação.

    Mas é fato que, conversando com colegas, percebo que cada vez mais nós médicos estamos ficando com medo de intervir, pois além de não podermos prestar o melhor dos atendimentos a bordo para um paciente dentro de um avião por falta de estrutura, muitas vezes estamos sujeitos a leis de um país diferente. Vai da consciência de cada um.

    No final das contas, ao menos naquele voo, eu sem querer sai no lucro. Depois que o paciente foi removido, me promoveram para a primeira classe 🙂

  • Gerson

    Importante lembrar que um avião está longe de ser um ambiente hospitalar e que o médico no caso não está a serviço. Logo não cabe ao caso concreto.

  • Gerson

    Certamente imagino que nenhum juiz sensato condenaria um médico que prestou atendimento e teve um desfecho desfavorável.
    O problema é que o médico perderia dias de trabalho tendo que ir a tribunais, teria que preparar defesa, etc… O nome do médico constaria na ação, enfim. Há um custo alto envolvido, ainda que o médico ganhe a ação e não tenha que pagar qualquer tipo de indenização.

  • Rafael

    Muito boa reportagem, sou médico e sempre tenho essa dúvida. Já prestei socorro no transito, enquanto ambulancia e bombeiros nao chegavam e após, segui meu caminho. Mas um vôo de longa duraçao pode trazer transtornos para todos. Vejam bem, acho difícil que algum médico se recuse a ajudar e prestar atendimento, mas conheço colegas que nao viajam sem tomar medicamentos para enjoo e para dormir e isto pode prejudicar o senso crítico e raciocinio em casos de urgencia. Da mesma forma, um médico que há décadas nao lida com emergencia, mas que se prontifique a fazer o seu melhor, o que é muito comum, será que deve atender e assumir a responsabilidade por um eventual dano ao paciente ou se negar e ser responsabilizado por omissao? Médicos já trabalham no Brasil hoje com receio, visando se proteger, é natural que sintamos o mesmo nas alturas.
    Também nao concordo em cobrar de quem recebeu o atendimento, mas penso que deveria haver um reconhecimento da companhia aérea, seja upgrade, diária de hotel, um novo bilhete para outro destino, uma caneta, um cartao de muito obrigado, qualquer coisa. O valor é o de menos, o gesto de agradecimento e reconhecimento é o que importa. O combinado nao sai caro e evita constrangimentos.

    • Ernesto Lippmann

      É um questionamento interessante. Eticamente o médico é obrigado a atender, mesmo que não seja de uma especialidade que lida com urgências/ e emergências, se não houver outro com formação mais adequada. Caso se negue a atender, a meu ver será pior. Mas, deve ser explicadao a família (eu sou ……., e não estou acostumado a lidar com este quadro, mas vou fazer o possível, tudo bem?)

  • CarolinaLannes

    Vários comentários de médicos que já ajudaram a bordo (MUITO OBRIGADA!!). Então vou deixar meu relato, de quem já precisou de ajuda.

    Viagem entre Nouakchott e Paris, na Air France. Coisa de 2 horas depois da decolagem, eu comecei a me sentir mal. Sou hipotensa e, tendo em vista as condições de vida na Mauritânia, possivelmente estava anêmica. Me senti mal, levantei – acompanhada do marido – e desmaiei.

    Acordei cercada por 7 comissários de bordo, com máscara de oxigênio. Não chegou a ser chamado médico, porque meu marido conhece minha situação e pode indicar o que fazer (foi a primeira vez que desmaiei a bordo, mas já aconteceram muitos outros casos em solo). A equipe foi boa, mas algumas coisas mais simples – gente, água com sal! – eu mesma tive que indicar. Marido disse que chegaram a oferecer chamar um médico, mas eu já estava voltando a mim.

    No final do vôo – quando agradeci MUITO a todos os que ajudaram, e mandei elogios formais à companhia e a cada um dos comissários, pelo nome – ainda pegaram meus dados. Como eu seguiria em outro vôo da companhia em algumas horas, tive que passar pelo médico em CDG para ser autorizada. Achei uma medida razoável.

    Ao contrário de muitos aqui, não consigo ver um médico fazendo um atendimento em vôo como cumprindo sua obrigação. Este médico, certamente, estará indo muito além do dever. Teria meu agradecimento e eu com certeza ofereceria para pagar os serviços. É o mínimo. E, desculpem os colegas advogados, é completamente diferente de fazer atendimento voluntário a quem não pode pagar. Pra começar, se a pessoa está viajando de avião, a pessoa PODE pagar a consulta médica. O médico está numa situação absolutamente fora de seu habitual, agindo pela pura necessidade DO PACIENTE e usando de seu conhecimento adquirido com anos de estudo e experiência. Não é nem de perto a mesma coisa que nós tirarmos dúvidas em fóruns ou fazermos trabalho voluntário com a população carente. O médico merece, sim, pagamento pelo serviço. E o paciente deve, sim, pagar. Não estou dizendo que o médico deve “meter a faca”. Mas cobrar dentro do razoável? Claro que sim.

    • Carlena

      Excelente comentário
      Concordo que não há paralelo entre o exercício da medicina em situações de emergência e os plantões jurídicos, trabalhos voluntários e afins!

  • Drive

    Pois é, acredito que quem faz qualquer outra profissão também a escolhe por amor, então, segundo seu argumento, todos que esperam uma compensação por ajudar alguém com problemas não deveriam cobrar, pois “não é bacana”. Reflita um pouco mais sobre o assunto, mesmo que continue não concordando. Ninguém sobrevive só de amor

  • Drive

    Pois é, acredito que quem faz qualquer outra profissão também a escolhe por amor, então, segundo seu argumento, todos que esperam uma compensação por ajudar alguém com problemas não deveriam cobrar, pois “não é bacana”. Reflita um pouco mais sobre o assunto, mesmo que continue não concordando. Ninguém sobrevive só de amor

    • perola

      Concordo plenamente !!!!

  • Diogo

    Muito informativo. Que interessante saber que podemos solicitar desvio de rota conforme a gravidade do paciente!
    Sou médico e também já passei pela experiência de realizar um atendimento a bordo. Simples, mas que pelo constrangimento da situação de estar sendo assistido por dezenas de pessoas e sob limitados recursos, causa bastante tensão.
    Foi o caso de uma mocinha num quadro de resfriado apresentar cefaléia em trovoada (dor de cabeça intensa de início súbito) por provável rinossinusite viral. Com uma solução salina tópica hipertonica e um paracetamol resolveu-se, mas infelizmente a Ryanair Airlines não me presenteou com uma caneta personalizada como ao colega acima haha

  • Lucas

    O único comentário de alguém não médico que parece entender o nosso ponto de vista. A situação é extremamente desfavorável para nós. Eu certamente iria atender e tentar ajudar, por ética, mas sei que advogados veem a situação como uma grande oportunidade para nos processarmos, pois, diferente de nós, não lidam com vidas, mas sim com dinheiro e direitos.

    • Ernesto Lippmann

      Nem todo advogado age assim, acho que as generalizações não são um modelo adequado de raciocínio para um médico culto e esclarecido.

      E, eu trabalho com direito médico, a maioria dos processo começa porque as pessoas procuram os advogados, pois acham que a realção médico paciente foi insatisfatória e arrogante. A questão do dinheiro e dos direitos surge depois. As pessoas em geral não trocariam seus filhos/pais/ esposas/ maridos, por uma compensação financeira, mas buscam o processo quando acham que foram mal atendidas, seja isto verdade, ou não.

  • Pérola

    Concordo plenamente Neosoro! Não recebemos nada por isso, estamos em um momento fora do ambiente de trabalho como pessoa ali, nos sujeitamos a esse tipo de situação de comprometer um dia inteiro de viagem e o PIOR sujeitos a levar um processo no qual a empresa sequer tem obrigação judicial de arcar no atendimento do paciente. Sinto muito mas diante do exposto pouquíssimos médicos irão se expor e pra ouvir que não fez mais do que a obrigação como alguns aqu. É que contas e impostos médicos não pagam, todos vivem de brisa.

  • Perola

    Então se é VOLUNTÁRIO posso nem atender ao chamado. Correto? Voluntário o próprio nome já diz.

  • PZaha

    Sem contar que o que é raridade é juiz sensato, vide o caso de lei seca no rio.

  • André

    Já salvei uma paciente da morte em um vôo, ela desenvolveu um quadro de insuficiência adrenal por supressão de corticóide e entrou em choque. Estávamos no meio do Atlântico. Não recebi sequer um obrigado da empresa aérea.

    • Ernesto Lippmann

      André, você poderia dar o nome da empresa? Acho importante que os leitores conheçam as empresas que reconhecem, e as que não reconhecem o trabalho dos médicos.

  • MTorres

    Fico Decepcionado com os comentários dos amigos médicos daqui. MUITO TRISTE. Sou empresario e Lógico que não faço trabalhos “de graça”. Mas SALVAR UMA VIDA é algo que eu faria de boa se tivesse aptidão. Não estudei para essa profissão louvável, mas faria SIM.

    Prova disso é que já passei por tres situações dessas em voos internacionais e fiquei proximo aos pacientes. Obvio que muito preocupado. Quando acontece algum acidente proximo a mim eu paro e fico até a ambulancia chegar. Já dei apoio a varios motociclistas, sempre conversando e aguardando ao lado da vitima. Isso não é trabalho. Isso é prestar socorro a uma vitima. Socorrer alguem jamais pode ser tratado dessa forma.

    Quem já viu alguem morrer na sua frente sabe como é. Me surpreendi com a frieza de varios médicos daqui. Concordo que a empresa poderia dar um agrado para alguns, principalmente em voos internacionais, mas É UMA VIDA. Tem alguem com um problema grave. Varias pessoas do avião ficam preocupadas e quase todos gostariam de ajudar se pudessem.

    • Alexandre

      O engraçado é ninguém “estranhar a frieza” ou criticar uma pessoa que processa um profissional médico por mero oportunismo ou interesse financeiro. Mesmo que o mesmo tenha de agir sem tempo para raciocinar ou para realizar uma consulta bibliográfica. Quem lida com a área da saúde sabe o campo minado em que pisamos todo dia. Erros existem em qualquer área, mas o único que cái na mídia e é crucificado é o Médico. Vivemos em constante clima de ameaça, falta de reconhecimento (talvez agradecimento seria uma boa palavra) e descrença com a profissão. Claro que faria um atendimento de urgência, caso fosse necessário. Não se trata apenas de financeiro. Um pouco de respeito seria bom. Empresa nenhuma iria à falência se escalasse um médico e desse estrutura para atendimento em grandes vôos internacionais. Ninguém fica satisfeito somente com cobranças e obrigações. É raro ver atualmente, mas médico também precisa ser tratado com carinho e educação. Fica a dica a todos.

    • Gerson

      Não conheço nenhum colega que deixaria de atender uma emergência de fato. Se alguém tem uma parada cardíaca na sua frente você ajuda, uma insuficiência respiratória aguda, ou qualquer outro quadro que realmente aparente gravidade (e isso se percebe já olhando para o indivíduo na maioria dos casos). A grande questão é que a maioria desses atendimentos sequer configuram emergências.
      Dai você vai lá. Você faz uma vez de graça, duas, três, dez.
      O problema no Brasil é que isso passa a virar um hábito, sua obrigação.
      É triste ver colegas que ainda defendem esse ideia de que médico não faz mais que sua obrigação ao atender toda e qualquer pessoa de graça.
      Médico não é Deus, medicina não é obrigação de ajudar de graça, é profissão. A única obrigação de um médico é atender bem seus pacientes desde que 1) Tenha estrutura para realizar o melhor atendimento dentro de seus conhecimentos 2) Tenha a capacidade técnica para realizar esse atendimento, 3) Se sinta confortável com isso. Sem falar, é claro, em ser remunerado (o que em caso de emergência real, obviamente deve ser solicitado em um segundo tempo, primeiro se atende o paciente).

    • Oswaldo Fagundes

      Olá Sr MToress. Não entendi porque o Sr ficou tão decepcionado e triste com os comentários dos médicos! Salvar uma vida para o Sr que não é medico , com certeza é muito gratificante. Mesmo os Sr que diz não ter aptidão, ficar ao lado da vitima, dar todo o apoio , ajuda muito! Mas pode ter certeza, Sr, você é um dos poucos não médico que faz isso com tanta presteza! Isso é sim aptidão!
      Mas para nós médicos isso é um trabalho SIM! Estudamos para isso, nos especializamos nisso e , por mais frio que possa parecer, devemos receber para o que fomos treinados! Mas não somos tão frios assim! Trabalho com Emergencia médica ha 15 anos e posso dizer que já salvei muitas “vidas” e isso é realmente gratificante! Já fiz isso muitas vezes durante os plantões (trabalho que sou remunerado) e ja algumas vezes fora do meu trabalho e nunca cobrei por isso! Mas a situação exposta aqui é muito diferente! Existe uma Companhia Aérea que tem muitos recursos e que , ao meu ver, é responsável pelas pessoas que transporta em suas aeronaves e que deveria , por isso, dar condições adequadas para que uma emergencia seja atendida adequadamente dentro de um avião! Ao meu ver, para isso acontecer, as Companhias deveriam ter uma equipe bem treinada a bordo com materiais adequados, espaço dentro do avião que se adeque ao atendimento e, como ja foi dito por colegas aqui, um medico da empresa a bordo. Mas sabemos que tudo isso é difícil, oneroso e principalmente faria com que as Companhias assumissem oficialmente a responsabilidade de atendimentos de emergencia em voo. Como tudo isso não é exigido pelos Reguladores da aviação, eles colocam materiais inadequados (estetoscopios ruins) ,equipes mal treinadas e, na dificuldade solicitam um médico que eles sabem que não recusarão em ajudar, mesmo não tendo treinamento para isso! Se as Companhias assumirem a responsabilidade do atendimento de urgencia dentro do avião, eles automaticamente receberão todos os processo advindos de um mau atendimento! Quando solicitam um medico que não tem vinculo com a empresa e este comete algum erro, a Empresa se livra do processo! Esses são os problemas reais! Não receber do paciente não é a questão principal, mesmo porque teria que ser muito FRIO para fazer a cobrança naquela situação! Os privilégios que as Companhias “deveriam” nos dar e que todos comentam seria um reconhecimento dado pela Empresa em agradecimento pois, afinal de contas, enxergamos que a principal responsável é ela! O Sr concorda comigo?

    • Ernesto Lippmann

      Parabéns pela sua atitude!

      • David

        Matéria excepcional. Bem escrita. Sensata. Realista, nos aspectos legais. Tão realista que, na segunda frase do segundo parágrafo, já resume o tópico: “… vamos conhecer seus DIREITOS como PASSAGEIRO e as OBRIGAÇÕES do MÉDICO nesta situação, e vamos mostrar um pouco como cada EMPRESA AÉREA VÊ este tipo de ocorrência”! Ou seja: passageiro tem direitos, o médico tem obrigações, e a companhia aérea assiste de camarote!!!
        Sou médico, nunca prestei socorro em vôos, mas certamente o faria por instinto humano, e não por um chamamento ténicno-profissional. Tenho certeza que a maioria dos médicos faria o mesmo, não fosse a atual judicialização da medicina.
        O que é difícil de aceitar e compactuar é o seguinte paradoxo: o sujeito busca descanso numa viagem, encontra um trabalho que se lhe apresenta como obrigação ética e legal, é coagido a fazê-lo nas piores condições possíveis e fora de sua área de atuação e se sujeita aos dissabores de um eventual processo. Conforme descrito na matéria ” Além o stress que é decorrente da situação de ser réu numa ação judicial, deve pagar os custos do advogado, do seu assistente técnico, ou seja do médico que irá mostrar do ponto de vista técnico ao juiz se sua atuação foi correta, e dificilmente conseguirá o reembolso destes valores, mesmo quando é declarado pelo juiz que seu atendimento foi o correto e que ele fez o possível”.
        Sinceramente, se, ao tentar ajudar, eu me tornasse isento aos dissabores de um processo, eu me sentiria bem mais livre em exercer a medicina em sua essência. No atual cenário de judicialização da medicina, está cada vez mais desestimulante exercer a medicina em sua essência, como muitos não-médicos daqui argumentam. Compreendo perfeitamente as expectativas de pacientes e parentes. Seria muito bom se todos entendessem os bastidores e desdobramentos de um atendimento desses.
        Solução? Já foi dito: empresas aéreas fazem um seguro contra processos relativos a atendimentos em vôos (primário) e elaboram uma tabela de valores remuneração de atendimentos (secundário)…

    • Anonimo

      M Torres, será que você ficaria de tão bom grado ao lado dos acidentados caso – o fato de ficar ali ao lado na melhor das intenções – implicasse em riscos de um processo contra você?

  • Fernando Espósito

    Excelente artigo.. parabéns.. apenas tristes algumas discussões nos comentários…mas faz parte das relações humanas

  • Gilberto

    Já fiz um atendimento no vôo São Paulo – Chicago, mesmo apresentando minha credencial do CFM tive dificuldades em realizar o atendimento em uma síncope. Sem falar que os materiais disponíveis no avião, eram de péssima qualidade, estetoscópio com a membrana e borrachas danificadas. Não consegui aferir a PA diastólica devido as condições do aparelho. Porém medindo a sistólica pelo pulso consegui diagnosticar a hipotensão da Sra. rs
    Mas tive que falar um pouco grosso com o comissário. Já que é obrigatório que o médico assine a documentação para abertura desses kit´s e ele não queria que eu os abrisse.
    Não recebi nenhum obrigado da empresa aérea e nem da tripulação, mas da sra e da família sim; não consigo imaginar nenhum médico cobrando o serviço, jamais o faria, o obrigado vale mais que qualquer dinheiro rs
    Vida que segue!

    Abraços

  • Anonimo

    Ja realizei 2 atendimentos a bordo e nem obrigado recebi das comissárias. Da próxima vez, estarei bem embriagado, roncando, feliz. Não posso ser responsabilizado se não tive ciência de alguma emergência a bordo.

  • Carla Reckers

    Gostei da reportagem e foi bastante esclarecedora. Sou anestesiologista e já passei por duas situações diferentes a bordo: uma um vôo da Varig de Miami p o Rio antes da decolagem a comissária perguntou se havia médico a bordo, me identifiquei, era uma passageira epiléptica q gostaria de saber se ela tivesse uma crise teria como atende la a bordo, chequei o material e meu nome e assento foram anotados p um possível atendimento q nso ocorreu. A outra um vôo este ano da Tam de São Paulo p Paris uma passageira deve uma síncope e pediram auxílio médico, uma colega atrás do meu banco se identificou como estava demorando o retorno fui ajudá-la, passageira francesa com esposo q falava algo de português ( Portugal) q não ajudou muito, síncope, hipotensão, bradicarfia e liberação esfincteriana, devido a gravidade foi solicitado pouso de urgência em Porto. A comissária anotou o nome e contato da colega médica. Mas a mesma comissária ao falar com a outra médica perguntou se a mesma faria o atendimento de cortesia

  • Leonardo

    Em um caso de colica renal por exemplo, qual seria o procedimento adotado pela cia aerea no ar? Na minha ultima viagem tive um inicio de colica, mas ainda bem que passou, porém fiquei pensando se a dor tivesse se agravado o que teria acontecido!

    • Gilberto

      Geralmente os kits possuem os analgésicos necessarios, desde que não ocorra hematúria (presença de sangue na urina), febre ou qualquer outro sinal de sepse não há necessidade de desviar o vôo pois é possível fazer uma analgesia, seguida de leve sedação com o famoso “rivotril” ou similares… Caso o kit da aeronave não contenha, certamente algum passageiro tem! Eu mesmo levo o meu. Bem… Essa seria minha conduta, mas cada caso é um caso!
      Abraço!

  • Alexandre Roque

    Meu pensamento, ok? Muitos podem discordar e eu entendo. O caso que eu atendi foi de uma senhora que se entupiu de barbituricos para dormir, por medo de aviao, e fez uma hipotensao (queda da pressao). Eu estava de férias e houve um chamado de emergencia (independente de se configurar risco de morte, visto que quem pede socorro nao tem capacidade de avaliar a gravidade). Acredito que, fora do ambiente de trabalho, tenho por obrigaçao (pelo conhecimento técnico) prestar primeiros socorros e encaminhar o paciente a um serviço para dar continuidade ao tratamento e neste caso nao há, a meu ver, uma necessidade de cobrança, visto que se tratava de uma “urgencia” e a passageira nao é e nao será minha paciente. Agora, se eu tivesse que descer junto com a paciente fazer o transporte até um centro médico e isto for atrapalhar ou acrescentar um tempo a mais a minha viagem, aih acharia justo cobrar de quem solicitou meus serviços, no caso a empresa aérea.

    • Oswaldo Fagundes

      Sim Alexandre, entendo também dessa maneira. Minha curiosidade foi em saber se você cobrou e como fez pois se eu estivesse no seu lugar ficaria constrangido e provavelmente não coraria da paciente! Mas como foi dito no texto, a companhia aérea não tem obrigação de pagar e sim o paciente! O que acho errado. Eles usam a Ética Médica em seu favor!

  • Alexandre Roque

    Ok, Fernado, tambem concordo, porém eu me identifiquei, mostrei meu documento (nao médico), falei da minha formaçao, dei os contatos de onde trabalho, inclusive com telefone. Acho que cabe a empresa avaliar se estou apto ou nao a prestar o atendimento. No caso em questao, por concidencia havia um antigo paciente meu que tambem certificou minha formaçao.

    • Fernando Martins

      Não, ainda assim não é suficiente. É de boca…
      Só o CRM o identifica de fato.
      No Brasil, há falsos médicos que atestam, carimbam… como se o fossem de fato.
      Não digo que este seja seu caso, mas na minha opinião a CIA aérea está correta.
      Sem comprovação você não é médico.

  • Ernesto Lippmann

    Poliana : Eu acho que o voluntário no caso, diz respeito a ajuda, não a dispensa de pagamento. Qual o motivo de não cobrar de alguém que presumivelmente pode pagar? Não vejo a obrigação do médico trabalhar de graça para quem pode pagar por uma viagem.

    • Adrianna

      Acho que é uma situação muito delicada. Por um lado o atendimento não é de todo voluntário (o código de ética e a legislação obrigam o médico a prestar socorro), mas por outro o paciente pode não ter condições de escolher se quer ou não atendimento pelo preço que ele nem sabe ainda. E pode não ter outras opções, como o SUS, como seria se estivesse em solo. A cia aérea, até onde eu saiba, não inclui serviço médico de urgência em seus contratos de venda, por tanto não tem qualquer obrigação de custeá-lo. O fato de ser obrigatório a presença de um DEA, não torno obrigatória a presença de um médico (inclusive o DEA é feita para ser manuseado por não médicos). Logo não acho que a cia deveria custear o atendimento.
      Portanto, usando o bom senso, e querendo imaginar que estudamos medicina para ajudar ao próximo, acredito que o médico deve prestar socorro e não cobrar por isso (apesar de não ser contra quem cobre), mas por outro lado, deveria existir uma ressalva na legislação que isente o médico de culpa por eventuais erros (desde que não muito grave), pois em solo ele pode se recusar a fazer plantões de atendimento em emergências e assim evitar imperícias, mas a bordo e sendo único médico ele não pode. O código de ética fala que é vedado ao médico realizar procedimentos em que não seja capacitado, logo como responsabilizá-lo nesta ocasião?
      Agora, é claro que a cia aérea, por cortesia, poderia recompensar o médico de alguma forma (upgrade de classe, milhagem, etc).

  • Ernesto Lippmann

    Este retorno é importante, de saber como as empesas na prática tratam os médicos.

  • Ernesto Lippmann

    Algum médico leitor já se cadastrou nos programas da Lufthansa e da Turkish? Teve que atender? Como foi a experiência?

  • VINICIUS

    Se identificar como médico jamais, tendo em vista que médico no brasil é aquele profissional formado em medicina e com registro no conselho regional de seu estado de residência. Mas acredito que possa se prontificar a ajudar como leigo, sem poder de prescrição de medicações ou realização de procedimentos, mas orientando o desenrolar do processo já que conta com conhecimentos técnicos.

    • Ernesto Lippmann

      Eu acredito que pode ajudar, se identificando como estudante, e em caso de urgência/ emrgênica, se tiver certeza do que está fazendo, pode prescrever, o que houver disponível, embora neste caso, a preferência deve ser dada ao pouso.

  • Gerson

    Mas é claro. E é isso que o médico espera mesmo.
    Médico não é Deus, é um profissional que está prestando um serviço.

    • Ernesto Lippmann

      Eu acredito que não há paciente que não valorize um médico atencioso e que tenha um bom relacionamento com seus pacientes.

      • Gerson

        Lamentavelmente o mais comum é a generalização e o pré-julgamento, assim como no direito.

    • Ernesto Lippmann

      Eu acredito que não há paciente que não valorize um médico atencioso e que tenha um bom relacionamento com seus pacientes.

  • Gerson

    Eles tem sorte que você por ser anestesista tem uma formação boa com procedimentos invasivos e até sabe manejar descompensações.
    Mas imagina um patologista que se formou há 20 anos? Um oftalmo?

  • Isabella

    Existe sim atendimento jurídico de urgência. Nunca ouviu falar em plantão judicial? Em gente sendo assaltada no meio da madrugada e precisando de auxilio pra ir até a delegacia? Em sequestro relâmpago? O auxílio de um advogado vai além da simples elaboração de peças jurídicas.
    Graças a Deus nunca faltaram médicos habilitados pra me atender ou atender minha família, já que minha família é repleta de médicos. O que você não conseguiu captar da minha mensagem é que eu considero justo que o médico seja remunerado e, particularmente, se fosse eu sendo atendida a bordo, faria questão de remunerar o profissional que me salvou. Mas há casos e casos! Há médicos que se aproveitam da situação para cobrar honorários abusivos (assim como tem muuuito advogado que faz o mesmo, provavelmente mais advogados do que médicos).
    Há que ter um equilíbrio. E advogado, médico, engenheiro, não importa, todos tem um dever ético com a profissão.
    Novamente, isso não significa que eu vá aceitar atender de graça todo mundo que me liga com pepino no meio da madrugada. Mas há situações em que me sinto na obrigação de atender e me sinto constrangida em cobrar. Todavia, faço na certeza de que aquele atendimento prestado não fará muita diferença no meu bolso no final do mês, mas pode fazer muita diferença na vida daquela pessoa.
    Enfim… a consciência de cada um é seu guia.

    • Ernesto Lippmann

      Basta ser preso para precisar de atendimento ´jurídico de emergência, ou mesmo ter uma simples batida de carro com vítimas.

  • Augusto

    Verdade, nao precisamos de holofotes…

  • Thiago Felipe Zotto

    Vou deixar pra fazer na volta mesmo, obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Acho que o medo do médico ser processado por um advogado ganancioso, relamente existe. Eu compreendo este medo, mas é claro que a maioria dos médicos e advogados exerce sua profissão com ética e dignidade.

    • Anonimo

      Matéria excepcional. Bem escrita. Sensata. Realista, nos aspectos legais. Tão realista que, na segunda frase do segundo parágrafo, já resume o tópico: “… vamos conhecer seus DIREITOS como PASSAGEIRO e as OBRIGAÇÕES do MÉDICO nesta situação, e vamos mostrar um pouco como cada EMPRESA AÉREA VÊ este tipo de ocorrência”! Ou seja: passageiro tem direitos, o médico tem obrigações, e a companhia aérea assiste de camarote!!!
      Sou médico, nunca prestei socorro em vôos, mas certamente o faria por instinto humano, e não por um chamamento ténicno-profissional. Tenho certeza que a maioria dos médicos faria o mesmo, não fosse a atual judicialização da medicina.
      O que é difícil de aceitar e compactuar é o seguinte paradoxo: o sujeito busca descanso numa viagem, encontra um trabalho que se lhe apresenta como obrigação ética e legal, é coagido a fazê-lo nas piores condições possíveis e fora de sua área de atuação e se sujeita aos dissabores de um eventual processo. Conforme descrito na matéria ” Além o stress que é decorrente da situação de ser réu numa ação judicial, deve pagar os custos do advogado, do seu assistente técnico, ou seja do médico que irá mostrar do ponto de vista técnico ao juiz se sua atuação foi correta, e dificilmente conseguirá o reembolso destes valores, mesmo quando é declarado pelo juiz que seu atendimento foi o correto e que ele fez o possível”.
      Sinceramente, se, ao tentar ajudar, eu me tornasse isento aos dissabores de um processo, eu me sentiria bem mais livre em exercer a medicina em sua essência. No atual cenário de judicialização da medicina, está cada vez mais desestimulante exercer a medicina em sua essência, como muitos não-médicos daqui argumentam. Compreendo perfeitamente as expectativas de pacientes e parentes. Seria muito bom se todos entendessem os bastidores e desdobramentos de um atendimento desses.
      Solução? Já foi dito: empresas aéreas fazem um seguro contra processos relativos a atendimentos em vôos (primário) e elaboram uma tabela de valores remuneração de atendimentos (secundário)

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado

  • Ernesto Lippmann

    Não estaria violando legislação alguma se não houvesse um médico com licença americana que pudesse atender. Acredito que neste caso, a preferencia deve ser dada ao médico com a licença americana. Do ponto de vista brasileiro, e do CRM, nada estaria fazendo de errado.

  • Ernesto Lippmann

    Parabéns a Emirates pelas atitude. Acho que esta cortesia deveria ser norma nas empresas, pelo menos um up grade para a bussines na volta.

  • Ernesto Lippmann

    Concordo com você, e esta foi uma das razões que me levou a escrever este artigo.

  • Ernesto Lippmann

    A empresa normalmente exige a identidade de médico, sim. Este é o procedimento padrão.

  • Ernesto Lippmann

    Acho a ideia do especialista de plantão inviável em termos econômicos. Mas, para quem quiser a agencia terra mundi esta fazendo uma volta ao mundo em primeira classe, sendo que o tour conta com um médico acompanhante em todo o percurso, inclusive no voo fretado. O preço do Tour e de 35 000 dólares. Se me convidarem, eu conto como é a expriencia de ter um médico a bordo.

  • Ernesto Lippmann

    Existe um kit, mas o conteúdo varia em cada em empresa. Em geral há alugum opiacio (morfina) a bordo.

  • Ernesto Lippmann

    Tiago, veja que um dos objetivos do post foi este. Tivemos avaliações boas e ruins de algumas empresas, que são muito úteis para aqueles que tem problemas crônicos de saúde.

  • Ernesto Lippmann

    Paula os comissários são treinados em primeiros socorros, mas isto não se compara a sua formação como medica.

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Pois é seria bom…. Mas é tão longe da realidade como a antiga Varig, com comissários simpáticos, boas referições, espaço adequado mesmo na classe econômica.
    Na minha opinião as empresas aéreas de maneira geral, são dos piores setores em atendimento para o consumidor quando algo dá errado, mesmo que seja um problema simples como o overrbooking, uma conexão ou bagagem perdida.
    E, pela minha experiência como advogado, a reclamação amigável não funciona, mas meus clientes estavam certos, pois ganharam na Justiça.

  • Ernesto Lippmann

    Em solo, na minha opinião a responsabilidade é da empresa ou das autoridades aeroportuárias. Se não houver urgência, ou emergência, o médico não é obrigado a atender, pois se trata de uma situação diferente

  • Ernesto Lippmann

    Relato muito interessante. Espero que alguém na Azul leia e tome providencias.

  • Ernesto Lippmann

    Se for um caso a bordo pode, tranquilamente, assim como prestar os primeiros socorros até a chegada do SAMU, ou equivalente, sem qualquer problema.

    • Paula

      somente primeiros socorros?

  • Ernesto Lippmann

    Eu defendo que mereceria algum tipo de cortesia, concordo com você. Acho que o mínimo seria um upgrade no mesmo voo para a bussines, e o mesmo na volta, se houvesse disponibilidade.

  • Edson

    Não sou médico, mas achei interessantíssima sua reportagem Ernesto. Parabéns e obrigado por ter compartilhado conhecimento.

  • Jaime

    Apenas um comentário: omissão de socorro se aplica a qualquer pessoa, e não apenas a médicos.

  • Césare Winck

    Parabéns pela reportagem

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado, Renato!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado, e também acho!

  • Ernesto Lippmann

    Eduardo. Todas as situações que você colocou, ou seja falta de materirias, espaço inadequado para trabalho, dificuldade de comunicação, e mesmo a especialidade do médico são excludentes, ou atenuantes de responsabilidades pelo menos no Brasil. Não vou escrever sobre direito estrangeiro, pois não o conheço na profundidade suficiente para dar uma opinião abalizada.

  • Ernesto Lippmann

    Gilberto, qual a empresa?

    • Gilberto

      Perdão Ernesto! Foi TAM! Abraço!!

  • João

    Excelente texto e algumas dúvidas e sugestões:

    1) A gente, como consumidor, já não paga taxas de embarque? Então por que não embutir nesses custos, o seguro médico para reembolsar o atendimento médico numa situação dessas, já incluindo os adicionais por stress, desvio de rota, tempo despendido (de preferência por valor tabelado conforme o tipo de atendimento/especialidade), provável assistência jurídica em caso de processos, etc. Aliás, nós consumidores, ao contratar um seguro viagem não é justamente para não ter preocupações com relação a este tipo de ocorrência. Acredito que este valor seja irrisório, dado que, conforme a estatística do post, os casos mais graves, que requerem maior atenção, sejam a exceção da exceção;

    2) Existe algum organismo internacional que regule a aviação? Se existe, por que este não define um kit de primeiros socorros obrigatório com parâmetros de qualidade a serem seguidos por todas as companhias a aéreas e que seu conteúdo seja amplamente divulgado para conhecimento prévio dos profissionais de saúde?

    3) Além disso, por que não obrigar todas as companhias aéreas a definir um espaço mínimo em cada aeronave justamente para a realização deste tipo de atendimento? (acho difícil uma coisa dessas acontecer, especialmente em aeronaves menores) ;

  • Italo

    Ernesto
    Gostaria de parabenizar pela excelência do post. Sou médico e já tive oportunidade de atender 2 x a bordo, TAM, e 1 x no Aeroporto. Nas duas primeiras muito desencorajadouras, tive de retornar a poltrona e procurar minha carteira do CRM enquanto a passageira continuava sem assistência. No final tive de esperar, com minha família, todos saírem do avião, enquanto o doente e o doutor ficaram por último!!! aguardando médico do solo. Muita responsabilidade para pouco a se fazer, o que se tem a bordo é nada em Emergência!

  • Alexandre Roque

    Concordo plenamente coma as consideraçoes do Cassio.

  • Ana Maria

    Já realizei pelo menos três atendimentos durante vôos. Um deles com gravidade em um passageiro que havia ingerido drogas, com sérios efeitos colaterais. Felizmente eu não era a única médica neste vôo, e fizemos um atendimento conjunto. Nunca recebi um reconhecimento pelo atendimento prestado. Não acho correto que as empresas aéreas se isentem de responsabilidade!

  • Andre

    Caros leitores,
    Sou médico e me ofereci para fazer um atendimento num voo da Gol, voltando da República Dominicana. Fiz um juramento e amo o que faço. Trabalho em emergências desde que me formei e sou psiquiatra. Foi engraçado ver a cara dos tripulantes quando falei a minha especialidade.
    A paciente sentia fortes dores abdominais, apresentava abdômen defensivo e tenso. Havia realizado cirurgia bariátrica ha 9 meses, aberta. não vou me ater aos detalhes médicos, mas ao fato de que a maleta médica da Gol, tinha os recursos, mas em pequena quantidade. Acredito que deva ser reavaliada a quantidade dos recursos, para voos longos. A paciente foi medicada, através de acesso venoso e reposição volemica. No final pousou sentada e conversando, mas passei toda a viagem cuidando da paciente. O capitão do voo foi muito educado e me agradeceu, assim como os tripulantes. Nem um email eu recebi da Gol.
    Não cobraria da paciente, mas acho que a CIA. deveria ser generosa, com aquele que sai da posição de viajante e pode até definir o pouso da aeronave.
    A cada dia tenho mais medo de atender uma situação dessas, devido aos processos.
    Abraços a todos os viajantes.

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado pelo depoimento!

  • y

    Pior é quando perguntam se há um engenheiro a bordo…

  • carlos rocha

    Já realizei atendimentos sem gravidade nos voos da US Airways e na Lufthansa. Na primeira havia os itens básicos para atendimento e me deram uma garrafa de vinho e de champagne como cortesia e agradecimento. A Lufthansa possui a mesma estrutura e recebi como cortesia 50 Euros para gastar dentro do avião com itens do Free Shop, além de ter que preencher uma ficha de atendimento médico padrão da empresa. Apesar de ser especialista em Medicina Intensiva não há como não ficar ansioso quando sou acordado para realizar um atendimento. Você torce para que não seja nada grave pois não há estrutura e espaço físico para atendimento adequado de casos mais complexos. Acho que seria um absurdo total ter que fazer a cobrança pelo atendimento. Aproveitando a discussão :
    Mais importante do que quão valorizada é sua profissão pelas pessoas é o quão valorizado é você como pessoa. Ser um bom profissional é antes de mais nada ser uma boa pessoa. Preocupe-se apenas com isso.

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado pelo depoimento!

  • Pop

    Prestei atendimento ano passado em um vôo da united, NY-SP, o avião era enorme e estava lotado e somente eu e outro médico, um pediatra americano, nos apresentamos. Acho muito pouco provável que não houvesse outro médico a bordo. Fui atender a passageira pois ela era brasileira. Primeiro me espantou a morosidade da tripulação, até eu me apresentar como médica e conseguir chegar até a paciente precisei falar com 3 comissárias de bordo e se passaram 10 minutos. Não me pediram nenhum tipo de identificação e pelo tempo de viagem provavelmente estávamos em solo americano. O estetoscópio era de péssima qualidade, daqueles em que vc não ouve nada em situações normais, imagina em um avião com todo aquele barulho, também não tinha um glicosimetro no kit, o que eu acho essencial. Por sorte não era nada grave, só um mal estar, mas achei muito arriscado realizar este tipo de atendimento. Sou pediatra, não sou treinada em atendimento de emergências cardiovasculares em adultos, além de não termos material adequado e pessoal para tal atendimento – não tem como prestar um atendimento minimamente adequado. Quanto à cia aérea não recebi qualquer tipo de agradecimento. Estou indo para os EUA novamente no domingo, e, se por um acaso acontecer novamente me apresentarei como médica prontamente, como fiz da outra vez, mas, como dizem por aí: com o ** na mão…

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    A judicialização da medicina, foi um dos motivios que me levou a escrver este artigo, pois entendo o receio dos medicos de serem processados pelo atendimento a bordo. E, antes das respostas dos leitores medicos, nao tinha ideia da precariedade do kit de emergência de algumas empresas.

  • Ernesto Lippmann

    Quanto ao leigo, entende-se que sua obrigação é a de prestar Socorro no acidente que causou, e o caso mais comum de processo por omissão de Socorro contra leigo é o do motorista que atropela e foge.

  • Ernesto Lippmann

    Ana : quais foram as empresas?

  • Daniele

    Excelente matéria. Sou médica e por diversas vezes já prestei assistência em viagens, tendo inclusive que decidir se o avião teria que aterrissar ou não em uma caso específico. Acho que todo médico deve sim prestar a devida ajuda a alguém que necessita de cuidados, mas acho um absurdo a atenção que as empresas tem com o profissional médico. Em um dos vôos em que fui solicitada, vindo de Miami, passei a madrugada inteira com o passageiro, fazendo hidratação venosa e diversas drogas, fui a última a sair do avião, pois teria que entregar o paciente à equipe médica de solo e ao tentar resgatar minhas malas me deparo com um enorme “buraco” em uma delas, em que objetos pessoas saiam e circulavam livremente na esteira…Esse foi o agradecimento que recebi da “TAM”, pelo serviço por mim prestado. Nada fizeram com o caso, apenas envolveram a minha mala em diversas sacolas plásticas e me mandaram seguir o vôo, pois meu trecho doméstico iria decolar em 12 minutos…no fim do trajeto, após constatar que havia perdido vários objetos, fui relatar o ocorrido e a empresa friamente me disse que nada poderia fazer, já que a perda ponderal havia sido menor que 1kg. Descaso completo que resultou em ação judicial favorável amim, é claro!

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado pelo depoimento, e voce teve a attitude correta: acionar a empresa pela perda da bagagem. Mais do que nunca é um caso onde deveriam ter avisado algum funcionário de terra para ter especial atenção com sua bagagem.

  • Juliano Salerno Sardo

    Otima reportagem parabens! So quero ratificar que as aeronaves modernas trocam o ar constantemente da cabine(ar que vem oriundas das turbinas), e elas tentam cada vez mais ter a atmosfera igual da habitual.Novos modelos com 787 A350 tem funaliaria mais resistente de fibra de carbono podendo assim ficar bem proximo da atmosfera igual ao nivel do mar.
    Uma duvida , em termos legais qual o papel do medico Brasileiro e sua legalidade em atender em voos internacionais fora do pais?!

    • Ernesto Lippmann

      É verdade, a especificação do 787 fala em um sistema de pressurização melhor do que outras aeronaves. Nunca voei nele, então não posso dizer como é na prática.
      Já voei no A 380, e minha impressão como passageiro, foi que apesar do avião estar cheio, e de ser um voo longo, de Londres À Singapura, o ar e sua renovação me pareceram melhores de que em outras aeronaves.
      Quanto ao medico brasileiro attender no exterior, em caso de urgência/ emergência, não vejo qualquer problema, desde que não haja outro medico da nacionalidade do avião que se proponha a fazer atendimento.

    • Ernesto Lippmann

      Nunca voei no 787, mas já ouvi falar desta caracteristica desta aeronave. Já voei no A 380, e apesar de ser um voo longo, de Londres à Cingapura, a qualidade do ar me pareceu melhor que nos demais aviões; Quanto ao atendimento de emergência em outro pais, enquanto não houver, ou não chegar um medico habilitado, não me parece haver nenhum problema.

  • Ernesto Lippmann

    ou seja, o necessário ate a estabilização do paciente, ou o que se fizer necessario para salvaguradar a sua vida, ate chegar o SAMU, se o avião estiver em terra.

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado, também quis mostrar o tema de modo a ser interessante para os passageiros.

  • Ernesto Lippmann

    1) Me parece que o seguro viagem deveria cobrir o atendimento a bordo. Quanto ao seguro obrigatório, me parece uma boa ideia, pois daria certeza ao medico de que sera remunerado, o que é justissimo.
    2) Existe a IATA, mas eu não localizei nenhuma norma a respeito de obrigatoriedade do kit. Ela é obrigatória por lei nos voos que tem por destino a União Europeira e os Estados Unidos.
    3) Acho dificil disponibilizar um espaço para isto, pois serão poltronas vagas, o que cria um custo adicional grande.

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado!

  • Ernesto Lippmann

    Obrigado por compartilhar sua experiencia.

  • Rui Neto

    Já realizei um atendimento a bordo e foi péssimo. Uma senhora estava com palpitação e formigamento nas mãos. Após exame (tinha pouca coisa na caixa de emergências do aviao), medi pressão , ausculta coração e pulmão. Falei que era ansiedade (talvez nervosa pelo voo) e pedi se alguém tinha um diazepam pra ela tomar, a senhora começou a gritar comigo e seu marido também , acho que ficou constrangida pois a consulta é no meio do avião , não há privacidade e eu terminei a expondo. Enfim vários passageiros ficaram com a cara feia pra mim. Numa próxima vez não me identificarei exceto se notar que a situação é de fato grave (sou especialista em uti e emergencias).

    • Ernesto Lippmann

      Rui, qual a empresa?

      • Rui Neto

        Foi TAM. pediram minha carteira do CRM e tive que preencher um relatório do atendimento. Nem me agradeceram , talvez porque quando pedi para ver o que tinha para atendimento , comentei que era insuficiente para um emergência de verdade. Enfim mais um motivo para evitar este tipo de atendimento, se for algo de fato sério e mesmo sendo médico treinado para isso , com aquele material não teria muito o que fazer, por isso esses relatos heróicos de usar faca e canulas improvisadas pra via aérea. Poderia ter uma máscara laringea e medicações de emergência pelo menos. Não tinha nem o benzodiazepinico que a senhora precisava tive que pedir emprestado de outro paciente.

  • Rosileidesoares

    Sou médica e já prestei atendimento a bordo em um vôo internacional , e concordo com o q foi falado, vc estar cansado, no caso eu estava com minha filha pequena , fui cuidar de alguém q não conhecia, mas consegui resolver o problema , mas com certeza e uma situação de stress.

  • Henrico Oliveira

    Ja prestei atendimento em um voo para Paris pela TAM no dia 10 de abril de 2012 (meu aniversario por sinal). estava super cansado ja pegando no sono, quando anunciaram se tinha edito a bordo…. Me prontifiquei atender uma criança que não parava de chorar… era apenas dor ouvido devido decolagem…. mas fiquei umas 3 hs com criança perdi o sono depois… Fiquei atendendo a criança enquanto todos dormiam…. Não recebi nenhum agradecimento da tripulacao muito menos do comandante… NUNCA recebi nem uma carta de agradecimento da TAM. Esta e a recompensa que temos no dia do aniversario pela TAM…

    Uma vez pela KLM voltando da Holanda perguntaram se tinha medico a bordo, me identifiquei e me colocaram na primeira classe so porque me disponibilizei…. Isso sim e companhia…

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado pelo depoimento. Pelo que vi de seu depoimento e de outros medicos, a TAM é uma das empresas que menos tem consideração pelos profissionais medicos que se voluntariam a bordo. É algo que deve ser levado em consideração,pois “a escolha da empresa é uma opção do passageiro.”

  • José carlos

    Ora onerar a empresa aérea com seguro obrigatório para médico vc acha correto?
    O mais correto é em qualquer situação em que alguem processa um médico (ou outra pessoa qualquer) e fique provado que não houve reponsabilidade nenhuma do médico, o autor da ação deveria ser obrigado a pagar por todos os custos e perdas que envolveram o processo que ele criou, assim como danos morais.

  • Ronei Melo

    As empresas aéreas ainda têm muito a aprender sobre como lidar com o assunto. Sou médico, calculo que já tenha feito em torno de 40 a 50 viagens aéreas, incluindo-se viagens a trabalho, lazer, nacionais e internacionais. Em várias delas, diga-se a maioria, me dirigi às comissárias de bordo me identificando e pedindo que comunicassem ao comandante minha presença e disponibilidade profissional. Sou cirurgião com experiência de 20 anos em atendimentos de emergência, e infelizmente constato que, na maioria dos casos, nenhum membro da tripulação dá retorno satisfatório. Em um voo para Atlanta o comandante me convidou a ocupar um assento disponível na primeira classe; em alguns poucos recebi agradecimento do comandante ou mesmo diretamente da comissária. Infelizmente, na maior parte das vezes o retorno inexiste.

  • Sérgio

    Acho um absurdo a simples ideia de que o médico teria que trabalhar de graça, o paciente tem sim que pagar e depois que se entenda com seu plano ou seguro de saúde. Também não acho que seja obrigação da cia aérea. E vai ser um atendimento caro, independente do que for. O médico está de folga, viajando, curtindo seu tempo livre com a família e tem que parar para trabalhar, tem todo o direito de ser remunerado e compensado por isso.
    Já adotei como padrão tomar um vinhozinho e um Lexotan antes de embarcar, agora vou deixar o CRM em casa também.
    Imagina só ter que fazer o avião descer (até aí tudo bem) e depois ainda ter que abandonar sua família no avião e seguir na ambulância com o paciente porque é ambulância básica, como citaram em um comentário. O cara vai perder uns 2 dias de férias pelo menos com essa brincadeira. Além do prejuízo financeiro, o médico provavelmente não vai poder prorrogar o final da viagem e vai acabar deixando de fazer muita coisa que planejou durante meses. Pode ter certeza que cobraria até na justiça se fosse necessário e essa conta seria bem cara aos olhos desses hipócritas que acham que médico é escravo.

  • Leticia

    Já prestei socorro na TAM e não recebi sequer um “obrigado”. Tanto da parte da companhia como do paciente e sua acompanhante. Desestimulante.

    • Ernesto Lippmann

      Espero que alguém da TAM leia todos estes depoimentos e mude a politica da empresa.

  • Ernesto Lippmann

    Gerson, em que empresa foi o ocorrido?

  • Otávio Santos

    Brilhante reportagem!

    • Ernesto Lippmann

      Obrigado amigo!

  • Igor Soares

    Essa semana senti uma dispneia durante um vôo e é incrível como lá em cima um leve desconforto deste tipo é agravado pela rarefação do ar. Como sou médico e o vôo era de apenas 2 horas me contive apenas relaxando e aumentando a reserva respiratória. Mas se fosse um vôo longo não tinha me contido.

  • Henrique Andrade

    Esse texto me fez refletir sobre a seguinte situação: um avião que esta no espaco aéreo braileiro tem um medico estrangeiro a bordo viajando a turismo. Eles pode atender ao chamado ou isso seria exercício ilegal da profissão?

    • Ernesto Lippmann

      Com certeza o médico estrangeiro pode e deve atender ao chamado, se não houver um brasileiro disponível.

  • Andreia

    Bom dia. Sou medica e atendi 3 pessoas em um voo da azul em 2010, de Fortaleza a Campinas. Minha experiência não foi boa. Havia kit lacrado com ampola quebrada dentro (faltando metade da ampola!!!). Os comissários não pareciam tão preparados. Pedi que montassem o descarpack para descartar perfuro-cortantes e eles nao sabiam como fazer e um comissário me disse que deixaria a agulha contaminada “num cantinho” e “não teria problema” (????!!!!). Montei eu o descarpack, além de prestar o atendimento, incluindo acesso venoso periférico enquanto eles estavam preocupados em servir o lanche e me atropelavam com o carrinho (eu estava no chão, puncionando uma funcionária deles, atendendo a uma solicitação deles e eles preocupados com o café (!!!!!!!). Pedi algum formulário pra registrar meu atendimento e eles me disseram que não precisava….eu insisti que queria registrar e me deram umas folhas, as quais não me deixaram levar ou tirar cópia para minha segurança. Enquanto eu registrava no “prontuário improvisado”, a comissária que recebeu medicação deixou a aeronave sem eu saber. Tentei contato no balcão da azul, preocupada em passar o caso para o profissional que deve te-la atendido em terra, mas fui dispensada com arrogancia e tapinha nas costas. …..pagamento? Da pra imaginar que não, né? Nem um “obrigada”!

  • Daniel

    Boa matéria. Estava em um vôo neste último domingo, voltando de bogotá, em um vôo Avianca, onde foi requisitado um médico à bordo.

  • Fernando Gama

    Parabéns, gostei muito da reportagem! 😀 😀

  • Paula Chaves

    Achei a reportagem excelente e de fundamental importancia para a segurança de todos, mas como profissional de saúde, me coloco na situação de atender o paciente, que assim como foi descrito na reportagem, muitas das vezes não está apto para fazer aquele procedimento, e então é pressionado ou tenta fazer da melhor forma que pode, mesmo sem recurso ou instrumental para realizar aquele procesimento (é o famoso “se virar nos 30”) e então vem a questão: qual é a segurança de que nós, profissionais da saúde, temos, mesmo quando solicitado em alguma emergencia em pleno voo e em condições precarias? Quem nos garante que estamos sendo resguardados no cumprimento de nossa profissao, em situações precarias? E se algo mais sério acontecer, mesmo que o médico tenha a melhor das intenções em salvar aquela vida, quem nos ampara? E se algo mais grave acontece e nos perdemos a licença para exercer a nossa profissao?? Dificil tambem, para nós, profissionais da saude, que quase nao temos respaldo nenhum para tal pratica….

  • Gloria Pegas

    Ernesto adorei o artigo.. Muito esclarecedor para nós que viajamos. Quero comentar que uma vez voltando dos Estados Unidos vivi uma situação de emergência médica. Um passageiro teve mal súbito e foi atendido a bordo . Haviam vários médicos a bordo , porém o comandante resolveu descer em Manaus. O paciente desceu e ficou lá. Foi uma confusão geral no avião . Houve, por conta desse fato, atraso de mais de 2 horas na chegada .conclusão.. Passageiros do meu vôo perderam os transfer e outros as conexões . Casos como esses atingem não só o passageiro e o médico, caso esteja presente , mas todos os demais passageiro. Entra aqui a questão .. As Cias aéreas podem ser responsabilizadas por esses prejuízos?? Como advogada tentaria.. Não pesquisei julgados neste sentido.Ernesto o q vc acha?Gloria Pegas advogada

  • Adrianna

    O texto é realmente muito bom e muito esclarecedor. Importante também as contra-indicações de vôo, e observar que todas elas (exceto doenças contagiosas) é para a proteção do próprio passageiro, visto que são condições que podem se agravar durante o vôo.
    Trabalhei em um posto médico de um aeroporto e rotineiramente atendíamos passageiros encaminhados pela cia aérea para saber se podiam embarcar. Na maioria das vezes quem tinha contra-indicação ficava indignado, dizendo que era um absurdo essa atitude da empresa, que é um desrespeito com o cliente, etc.
    Não sou a favor que qualquer passageiro seja constrangido sendo chamado em público para uma avaliação médica, mesmo no caso de suspeita de doença infecciosa, mas defendo a ideia de que na dúvida, o comissário deve sim encaminhar (discretamente) o pax para o pronto atendimento do aeroporto para saber se o pax pode ou não viajar.
    Já atendi um caso que a comissária suspeitou que uma criança estivesse com catapora e a levou (com a mãe) para o PA. Se tratava de picadas de inseto e mãe achou um absurdo a comissária suspeitar de catapora. Entretanto é importante lembrar que os comissários não são capacitados para fazer esse tipo de diagnóstico, e, por mais simples que pareça o caso, eles não tem obrigação de saber do que se trata.

  • Germano Schüür

    Compartilho minha história publicada na Zero Hora de Porto Alegre:

    SUSPEITA DE INFARTO OBRIGOU VARIG A POUSO DE EMERGÊNCIA

    Jornal Zero Hora, 23 de abril de 2006 (Lúcia Ritzel)

    O professor universitário Germano Schüür, de Caxias do Sul, viveu momentos de pânico em vôo internacional e até hoje é grato à calma e à gentileza da tripulação da Varig

    Quando embarcou, no Rio de Janeiro, rumo a Cancún, no final de julho de 1998, o professor universitário e fotógrafo Germano Schüür, morador de Caxias do Sul, acreditava estar começando férias tranqüilas.

    A viagem ao paraíso caribenho tinha o objetivo de compensar um período de intenso estresse. Além disso, ficaria para trás o inverno gaúcho. Mas uma indisposição durante o vôo e o diagnóstico equivocado de uma médica levaram Schüür a protagonizar um movimentado episódio, que ele guarda na lembrança como exemplo do bom atendimento da Varig.

    Durante a madrugada, o avião quase deixando o espaço aéreo brasileiro e a tensão acumulada nas semanas anteriores capturaram Schüür: a pressão arterial caiu bruscamente, e ele começou a passar mal. Sem conseguir entender direito o que estava acontecendo, ouviu apenas a aeromoça perguntar pelo microfone de bordo se havia algum médico na aeronave. Alguns instantes e uma cardiologista carioca dava o diagnóstico. “Este senhor está tendo um infarto”, disse a médica.

    Por causa dessa sentença, o comandante decidiu fazer um pouso de emergência em Manaus, apesar dos protestos do fotógrafo:

    – Eu sabia que não havia nada de errado com o meu coração. Eu só estava tendo uma indisposição por causa do estresse – conta Schüür.

    Mas nada demoveu o comandante e a tripulação, que passou a cercá-lo de todos os cuidados. O aeroporto de Manaus teve de ser ativado, de madrugada, para que o avião pousasse. O gaúcho foi levado ao hospital local, fez exames (que afastaram a possibilidade de doença cardíaca) e dormiu em um bom hotel da cidade. Até tirou foto com o médico cardiologista Sócrates, que o atendeu na cidade.

    No dia seguinte, novos exames e, quando obteve liberação, embarcou para São Paulo para retomar a viagem. Anos mais tarde, graças a um trabalho acadêmico realizado por um aluno da Universidade de Caxias do Sul (UCS), pôde calcular quanto custou o desvio de rota e as novas passagens para ele e sua mulher: US$ 15 mil, hoje o equivalente a R$ 32 mil. Ao ler sobre as recentes dificuldades da Varig, Schüür decidiu divulgar o episódio:

    – Sempre achei que devia algo à Varig. Essa é a minha maneira de agradecer à empresa, que considero muito humana – disse a Zero Hora, do Rio de Janeiro, onde está passando férias.

    Adendo complementar feito por Germano Schüür (não presente na matéria da ZH): Além de providenciar o retorno à capital paulista, a VARIG forneceu novos bilhetes para nosso destino final, com conexão via Miami (USA), de onde por conta da VARIG e, graças a sua interferência, pela empresa empresa aérea MEXICANA, chegamos a Cancún. Tudo com direito à milhagem (Smiles). Em Cancún perguntamos aos companheiros de viagem do dia anterior como foi a vinda a Cancún: “Péssima, deu um treco no coração de um coroa que estava no avião, que nestas alturas já deve estar enterrado a sete palmos em Manaus. Este desvio de rota nos atrasou quatro horas”, se apressou em dizer um dos turistas brasileiros.

    O coroa enterrado era eu…

  • Odone Bisaglia

    Fiz um atendimento médico num voo da Lufthansa Frankfurt-Rio. Encontrei uma brasileira inconsciente deitada sobre outro passageiro que por sinal também era médico. Colocamos a paciente deitada, sobre o piso do avião e comecei a avaliá-la. A princípio não consegui encontrar sinal de vida. Os pulsos carotidianos não estavam palpáveis e ela permanecia imóvel e inconsciente. Com a ajuda da uma lanterna percebi que havia reflexo pupilar e que portanto havia integridade do Sistema Nervoso Central. Iniciei massagem cardíaca, mas logo em seguida pude interromper porque percebi pulso fraco, mas presente. Estava com pressão arterial zero e eu necessitava fazer infusão rápida de líquidos. Como não encontrei nenhuma veia – estavam todas colabadas devido ao choque – optei por puncionar uma veia profunda, a veia subclávia direita. Fiz isto utilizando um cateter inadequado para este procedimento, um ” jelco ” , o mais comprido que encontrei na maleta de emergência. Logo após o início da infusão de expansores plasmáticos ( líquidos que usamos para aumentar a pressão ) a paciente começou a esboçar reações. Tudo isto foi feito no chão do avião à luz de lanternas porque a tripulação não queria acender as luzes para não ” incomodar os outros passageiros”. Tive grande dificuldade em puncionar a veia profunda porque os movimentos que fazia ficavam travados pela perna de um passageiro sentado ao lado e que a tripulação não tomou a iniciativa de remover. Com a paciente apenas iniciando recuperação mas ainda inconsciente, fui informado que o comandante queria saber se deveríamos pousar na África – Casablanca – ou não. Respondi dizendo que necessitava de 5 minutos para responder. Nestes 5 minutos a paciente apresentou importantes sinais de melhora e recuperou a consciência. Decidi então que poderíamos atravessar o Atlântico na direção normal – Fortaleza – passando pelas ilhas oceânicas. A paciente foi melhorando bastante e por minha recomendação a realocados na 1ª Classe onde poderia ficar deitada, posição mais apropriada para estes casos. Permaneci na classe econômica e a cada meia hora ia visitá-la para me certificar que tudo estava bem. Quando estávamos para chegar no Brasil fiz contato com o comandante e recomendei que convocasse uma ambulância para levá-la a um hospital para realização de exames para se certificarem que a punção que eu havia realizado não teria causado nenhum dano já que é um procedimento com muitos riscos mesmo para um medico-intensivista como eu, treinado neste item. O comandante fez o que pedi e fui então informar a paciente da minha decisão. A esta altura ela já estava totalmente recuperada, sem o acesso venoso profundo e hidratando-se por via oral, completamente lúcida. Ela então recusou-se terminantemente a ser transferida para um hospital demostrando uma irresponsabilidade absoluta e colocando a minha posição em risco. Agradeceu-me por ter salvo sua vida mas repetiu que não iria ” de jeito nenhum para um hospital ” . Preocupado em me tornar vítima depois de um atendimento impecável, redigi um termo de responsabilidade e pedi que ela desse ciência. Ela concordou e assinou juntamente com o comandante, este como testemunha. Ao chegarmos no Tom Jobim ainda pude vê-la transitando pelo aeroporto numa cadeira de rodas. Ufa! Deu tudo certo.
    Nos dias seguintes continuei a refletir sobre o ocorrido e me ocorreu cobrar pelo atendimento, já que tinha ficado ajoelhado durante três longas horas no chão do avião foras outras tantas que me dediquei ao pós atendimento. Telefonei para o Conselho Regional de Medicina e perguntei se a cobrança era legítima. A resposta foi que sim, eu poderia cobrar diretamente da paciente ou então relevar em nome de uma solidariedade mundial. Confesso a vocês que na verdade eu não estava muito interessado em compensação pecuniária mas pensei que com esta cobrança, a Lufthansa se sensibilizasse e me oferecesse uma passagem na baixa temporada, uma ninharia para eles. Liguei para a paciente que me atendeu muito bem e novamente me agradeceu pelo atendimento dizendo que eu ” havia salvado sua vida ” . Quando efetuei a cobrança, ela mostrou muito espanto, e disse que ia consultar seu marido, alto executivo de uma empresa alemã mundialmente conhecida. No mesmo dia ela me telefonou de volta e disse que havia se comunicado para o marido que havia lhe recomendado de não pé pagar porque está era ” minha obrigação”. Disse-me também que havia ido à sede da Lufhtansa no Rio para tentar uma solução. Foi muito bem atendida e aconselhada a não me pagar pelo mesmo motivo. Procurou então seu advogado que a representava numa questão envolvendo um imóvel que ela possuía no Rio e ele engrossou o coro dizendo para não me pagar. Respondi que ela poderia me pagar tranquilamente por dois motivos. O primeiro é que minha cobrança foi muito módica, calculei o dobro de uma consulta em consultório, ou seja, o equivalente a uma consulta domiciliar, muito menos do que valia o atendimento. O segundo motivo é que ela seria reembolsada pelo seu seguro-viagem que jamais contestaria meu preço por ser módico. Ela então me disse que, consultando o marido, disse que o seguro dela só cobria atendimentos médico na Alemanha(??). E termina assim a minha história, ressaltando que neste episódio da cobrança o que eu queria mesmo é medir a gratidão da companhia aérea para um médico que salvou a vida de uma passageira e que economizou milhares de euros que seriam gastos pela companhia caso eu decidisse pela descida na África. Eles teriam que jogar o combustível fora, pagar taxa de aeroporto e acomodar 300 e poucos passageiros em hotéis da cidade. Isto sem falar no novo abastecimento para poder voarmos até o Brasil. Fiz isto com total segurança para a paciente e utilizei para isto minha vasta experiência com mais de 35 anos dedicados ao Intensivismo em vários hospitais do Rio de Janeiro. Alguns meses depois, li uma carta de um médico postada na Carta dos Leitores do New England Journal of Medicine. Ele é um oftalmologista renomado, morador de Boston, e que viaja uma média de 5 vezes por ano para a Europa na companhia de sua esposa para ministrar palestras da sua especialidade. Aproveita e vai a concertos e espetáculos. É uma viagem de cunho profissional mas também de lazer. Nesta carta ele reclama das inúmeras vezes que foi solicitado para atender pessoas no avião e sugeriu que a companhia contratasse um médico de bordo assim como fazem os navios. Na resposta, garantida pela editoria do NEJM, a companhia disse que sua tripulação está treinada para fazer qualquer atendimento e que ele poderia se escusar de atender na próxima vez. Fácil, não? Como o médico ficará com sua consciência sabendo que a passageira está sendo atendida por leigos? Claro que ele vai atender. Óbvio. Eu faria e farei a mesma coisa, se solicitado. Para terminar, quero revelar o motivo da síncope da passageira que atendi. Bebedeira. Isto mesmo. Ela havia bebido grande quantidade de vinhos no aeroporto de Frankfurt acrescido de incontáveis outros cálices da mesma bebida que os comissários de bordo a municiaram durante o voo. Sem restrições! Deixo a pergunta no ar: o médico é responsabilizado e incorre em crime grave se não atender o paciente. Omissão de socorro agravada pelo fato de ser pessoa habilitada. Pode ele antes de iniciar o voo limitar a ingestão de bebidas alcoólicas para todos os passageiros para apenas uma taça de vinho ou uma ” long neck” de cerveja? Se a resposta for não, é uma incoerência porque é também dever do médico prevenir as doenças e segundo a literatura médica que consultei, a maior cajus D e atendimento médico à bordo é devido a excesso de bebida.

  • uberto arena

    Muito interessante e de grande ajuda todas as informações.