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Combustível de aviação sobe 40% em 2020 e pressiona preço das passagens aéreas

Leonardo Cassol
15/12/2020 às 10:39

Combustível de aviação sobe 40% em 2020 e pressiona preço das passagens aéreas

A pandemia de coronavírus não é o único fator que tem preocupado as companhias aéreas nacionais neste ano. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o preço do querosene de aviação já acumula alta de 40% em 2020, bem acima da inflação do período que não passa de 4%. Isso limita o espaço para redução nos preços das passagens, corroendo as margens já combalidas do setor por conta das oscilações de demanda.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, disse num webinar realizado pelo grupo Globo que no mercado internacional o combustível de aviação corresponde em torno de 18% a 22% do valor da passagem. No Brasil, chega a 38%, por conta dos impostos e da paridade de preços com o mercado internacional, já que em 2020 o dólar teve forte alta.

Vale lembrar que como as companhias aéreas também têm outras despesas importantes atreladas ao dólar, como o aluguel de aeronaves e a compra de peças para manutenção, o impacto de uma desvalorização cambial acaba indo muito além do combustível.

De acordo com Alexandre Barreto, presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Brasil tem um problema que começa na formação dos preços do combustível de aviação, que decorre de uma estrutura de refino monopolizada. Já o Secretário nacional de Aviação Civil,  Ronei Glanzmann, reconheceu que um caminho é abrir o mercado, aumentar a competição na distribuição e quebrar o monopólio do refino.

A Abear reconheceu que a maioria dos Estados implementou reduções no ICMS sobre o combustível de aviação nos últimos anos, o que ajudou a reduzir os custos. Mas, de acordo com a Associação, ainda existem custos tributários de ICMS, PIS e Cofins que não incidem sobre combustíveis usados em voos internacionais, o que acaba onerando as operações domésticas. Por exemplo, um voo que decole do Aeroporto de Guarulhos para os Estados Unidos é isento do ICMS no combustível. Mas se o mesmo avião viajar para Fortaleza terá que pagar 12% de ICMS.

“É um absurdo que tenhamos um dos combustíveis mais caros do mundo”, reclamou John Rodgerson, CEO da Azul, no evento. “Nós estamos em uma indústria global concorrendo com empresas estrangeiras que recebem dinheiro do governo e têm menos custos.”, disse.

Reclamações à parte, o Brasil é um dos países que lidera a recuperação da aviação comercial no mundo, graças ao crescimento da demanda no mercado doméstico, motivada em grande parte por viagens a turismo. O setor deve fechar 2020 com cerca de 80% da oferta de voos nacionais que tinha antes da pandemia. Já as viagens a negócio e as internacionais ainda representam uma pequena fração do período pré-Covid-19 e dependem da disseminação da vacina e do fim das restrições nas fronteiras para se recuperar.

Nas últimas semanas, felizmente o dólar deu uma trégua, se aproximando dos R$ 5,00. Ainda muito alto se comparado a 2019, mas com tendência de baixa.

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