Roteiro na Angola: 22 dias de turismo e voluntariado

Redação 5 · julho · 2017

Localizada na costa ocidental da África, a Angola é um país vibrante, de belezas naturais, cultura marcante, cores, contrastes e culinária peculiar. É assim que a leitora Cícera Alcântara define o destino que percorreu entre fim de 2016 e o início deste ano.

Para colaborar com os que desejam visitar a Angola, Cícera relatou como foi sua aventura de 22 dias pelo país africano. Mineira que reside em Brasília, Cícera se apresenta como uma “mochileira cristã”, que adora conciliar viagens com voluntariado – exatamente o que ela foi fazer na Angola. 

“Viajar me conecta com Deus de uma forma surpreendente, sem falar que a troca de experiências é o meu hobby predileto”, diz Cícera.

Leia o relato da viagem pela Angola!

22 DIAS DE TURISMO E VOLUNTARIADO NA ANGOLA

* Por Cícera Alcântara

Sempre fui envolvida com projetos sociais (sou voluntária da ONG Mocidade para Cristo – MPC e de outros projetos cristãos que visam o apoio e desenvolvimento integral do ser humano) e apaixonada pelo continente africano. A convite de um amigo angolano, tive a oportunidade de conhecer a incrível Angola. A alegria do povo e a beleza natural desse país pouco divulgado pelos viajantes são encantos para os olhos!

A proposta da viagem de 22 dias entre dezembro de 2016 a janeiro de 2017 surgiu em um convite de voluntariado, que seria realizado em um acampamento cristão, em orfanatos e em uma comunidade rural. Viajamos em quatro amigos e, ao todo, foram mais de 2.200 km de estrada e incontáveis aventuras. Uma das melhores viagens da minha vida!

Passagens e solicitação do visto para Angola

O primeiro passo da viagem foi a escolha da companhia aérea. Há voos pela South África e pela a TAAG – Linhas Aéreas de Angola – Angola Airlines, que oferece voos diretos com saída de São Paulo e do Rio de Janeiro. O voo direto tem duração de 8 horas. Escolhemos o voo direto da TAAG por ter preço mais acessível. A passagem foi comprada com 60 dias de antecedência. O próximo passo, e o mais desafiador, foi o visto.

A embaixada de Angola oferece em seu site os tipos de vistos que podem ser solicitados e quantos dias o visitante pode permanecer com cada tipo. A solicitação do grupo foi através de visto ordinário (fomos a convite de um cidadão angolano). O valor da solicitação foi de U$ 100 convertidos em reais na cotação do dia da solicitação. Na entrega da documentação na Embaixada, há coleta de biometria e os documentos devem ser rigorosamente conforme solicitado, inclusive a carta convite que deve ser originalmente legalizada na Angola e recebida via correios no Brasil – somente a carta original é aceita. O prazo para análise e recebimento do visto é de em torno de 10 dias úteis.

Após a emissão do visto, o grupo foi orientado que o prazo para utilização é de até 60 dias após a emissão – o visto inicialmente é válido para 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período. Para informações de andamento da solicitação de visto, o melhor é ir ao consulado, pois as informações por telefone são difíceis. Acabamos recebendo o visto três dias antes da viagem, o que provocou muita adrenalina! A dica é ser objetivo e ter paciência. Lembre-se que você está saindo do Brasil, a cultura é diferente e as normas também.

Voo para Angola

Saímos de São Paulo num voo direto da TAAG com duração de 8 horas. O atendimento no aeroporto internacional de Guarulhos foi rápido e eficaz. O embarque procedeu sem demora e o voo a bordo do Boeing 777-300, embora estivesse muito cheio, ocorreu sem imprevistos. A partida foi na hora marcada: às 18h25 de 29/12/2016. Por volta das 21 horas, foi servido o jantar com duas opções (carne e peixe) – há também opção vegetariana. O serviço dos comissários foi muito gentil, estavam sempre prontos a atender.

Por volta de 5 horas, foi servido um bom café da manhã que nos animou pra chegada em solo angolano. O avião aterrissou na capital Luanda no horário previsto: 6h25 de 30/12/2016. Ao descer do avião, é perceptível que Luanda é muito quente (rsrs). No aeroporto (de médio porte), não é permitido tirar fotos. Fui severamente advertida por um policial quanto à restrição, pedi desculpas e segui pra o guichê da Polícia Federal da Angola.

A identificação de entrada foi tranquila, embora a longa fila de 30 minutos. A saída do aeroporto é um tanto diferente: muitos angolanos se oferecem para carregar suas malas em trocas de alguns dólares. A dica é dizer obrigada, sorrir e seguir até um transporte oficial. No nosso caso, um amigo estava nos esperando.

Outra dica: leve dólares e troque lá pela moeda local – kwanzas. A diferença de troca nos bancos oficiais e nas ruas é gritante. Um exemplo: nos bancos oficiais U$ 100 equivale a cerca a 17.000 kzs enquanto nas ruas 35.000 kzs (essas cotações variam – vale lembrar que com essa recessão a inflação do dólar em Angola chegou a 700%).

Como qualquer cidade grande, tome cuidado com seus pertences. Esteja sempre atento, pois imprevistos podem acontecer e prejudicar todo seu planejamento de viagem.

Luanda

A cidade de Luanda é grande e com muita circulação de carros e pessoas. Muitos vendedores ambulantes se espalham para vendas de frutas e comidas. Luanda não foi meu destino final, então ficamos na cidade de 6h30 até as 14h. Fomos em direção ao centro da cidade e começamos a busca por um local para alimentação. A escolha foi um restaurante de comidas típicas que estava sob direção de indianos (rsrs).

Foi divertido o primeiro contato. O povo angolano é incrivelmente acolhedor, estão sempre abertos para conversa – parecíamos velhos amigos. O Brasil é um país amado pelo povo angolano, eles conhecem nossas músicas, novelas, roupas e muitos têm parentes que vivem por aqui.

A culinária da Angola é influenciada pela portuguesa e pela moçambicana.  Escolhemos experimentar o típico funge com feijão – o funge consiste em uma massa cozida de farinha de milho ou de mandioca. O sabor é exótico, experimente!

Fomos em busca de transporte de Luanda para a cidade Benguela. Os transportes oficiais saem em pouquíssimas opções de horários e, por esse motivo, precisamos nos aventurar nos MINI TÁXIS – vans que comportam em média 28 pessoas (só saem do local marcado quando a van enche, ficamos aguardando em torno de 3 horas para a partida).

Foi um trajeto de 600 quilômetros em estradas movimentadas, desgastadas, curvas acentuadas e com pouquíssima fiscalização de trânsito. O resultado: cerca de 9 horas de viagem. É aventura e adrenalina do início ao fim. Os motoristas, que por vezes fazem muitas viagens na mesma semana, precisam ganhar tempo. Aí, a única opção é acelerar – logo, não se preocupe e aproveite a sensação de estar numa montanha russa. Os gritos são inevitáveis!

A aventura vale o valor da passagem, cerca de 1.500 kwz. Paradas de aproximadamente 20 minutos são feitas umas três vezes, boas para esticar as pernas e tomar folêgo. Por todo trajeto é possível ver a linda paisagem, com muito verde e montanhas. Há também animais nas estradas. Conseguimos ver pequenos macacos. Tem também algumas barreiras policiais, onde os turistas são identificados, e os passaportes, são verificados e liberados. O processo é rápido.

Saímos de Luanda por volta 14 horas e às 23h chegamos a Benguela. Capital da Província de mesmo nome, no oeste de Angola, a cidade tem ruas largas, belas praias e um povo acolhedor. Ficamos hospedados na casa de amigos durante dois dias. Descansamos por toda noite e acordamos cedo para conhecer a cidade e desfrutar a companhia de novos amigos.

Mais uma vez, vale a dica de não fotografar em locais fechados, como supermercados e shopping. Decidimos passar a virada de ano em Benguela e foi uma das mais belas festas que já vi e vivi. Fomos a uma igreja cristã local que se reuniu para apresentações. Lindas canções em língua Umbundu foram cantadas, e as danças fizeram com que muitas lágrimas fossem derramadas. A alegria do povo é contagiante e é impossível ficar parado. Dançar a noite toda ao som de musica angolana é inevitável e vale aproveitar cada minuto. Disposição não falta ao povo! Logo, aproveitei cada minuto, e a festa só terminou ao amanhecer.

A alimentação é cara. Uma dica é comer nas praças de refeições de grandes supermercados, que oferecem self-service (cada porção tem um preço) e têm bom custo-benefício. O sabor da comida é bom e interessante.

Lubango

No dia 2 de janeiro nos deslocamos à cidade de Lubango, no sul de Angola, mais precisamente no planalto da Huíla. É a capital da província da Huíla. Dessa vez, ainda abalados com tanta adrenalina na viagem anterior, decidimos pegar um ônibus da empresa Macon. A viagem levou de cerca de 10 horas. Detalhes: não há banheiro no ônibus e os espaços para as pernas são apertadíssimos.

Em Lubango permanecemos por 11 dias, a região é linda e vale muito explorar. A começar pela a estátua do Cristo no alto da cidade, a vista é simplesmente espetacular, a noite é possível ver a imensidão iluminada. A Serra da Leba é outro ponto que tira o fôlego de qualquer visitante, separe um tempo e sente admire a vista e caso seja explorador, com segurança e guia local, explore as lindas trilhas. Por entre caminhos baixos, há cachoeiras – mas somente é possível o acesso com conhecedores da região.

Outro local que fiquei extasiada foi Tundavala, um amontoado de montanhas com um vale de tirar o fôlego, o silêncio proporciona reflexão e deslumbre. A paisagem é exuberante, a natureza impera e o sentimento de impotência me mostrou que diante de um vale tão impetuoso nos resta somente admirar e agradecer a Deus por sua bondade. Ir a Angola e não ir a Tundavala é como ir ao Rio de Janeiro e não visitar o Cristo Redentor. Sem dúvidas, um dos lugares mais lindos que meus olhos já viram.

A cidade de Lubango é recheada de bons restaurantes, food trucks e tendas com vendas de artigos artesanais a comidas de ruas. O shopping é um lugar muito interessante para passar um tempo livre, há exposição de artes locais e interação com visitante.

Lá se foram 11 dias de voluntariado e descobertas, além de Lubango, passamos por uma região chamada Tchivinguiro, a natureza e os contrates de pequenos agricultores florescem o lugar, população simples e um contato mais tímido com estrangeiros.

Os transportes são mais reduzidos nessa região, mas ao fazer contato com os locais é possível se adequar e se locomover, as tarifas são em torno de 200 kwz o trajeto, não espere nosso modelo de transporte, porém é eficiente.

Huambo

Continuamos nossa viagem com rumo a comunidade rural de Kalungo, no município de Mungo, na província do Huambo. Mais de 400 km nos separam e, outra vez usando transporte da empresa Macom, a saída do ônibus estava agendada para 21h, mas embarcamos somente duas horas depois. Às 7h da chegamos à linda cidade de Huambo, conhecida por Nova Lisboa.

A arquitetura portuguesa está presente por toda parte, há muitas árvores e as ruas são largas e bem organizadas. Há um parque no centro da cidade onde estudantes se reúnem para estudos e encontros. As marcas da guerra também são visíveis pela cidade: há ainda prédios totalmente marcados por balas. É possível ver tanques de guerra abandonados e monumentos aos mortos de guerra. Muitas bandeiras são hasteadas representando o domínio dos dois principais partidos de Angola.

Há um projeto de amigos que se tornou o primeiro parque com materiais reciclados na região, é lindo de ver a intervenção ecológica e o despertar para o impacto de práticas sustentáveis na vida da população. Ao contrario de outras cidades, Huambo tem um visual mais limpo. É bom passear a pé pela cidade. A população interage com os turistas e torna a visita ainda mais agradável.

Bailundo e Mungo

Partimos para Bailundo, uma cidade e município da província do Huambo, localizada em pleno planalto central. Local lindo e para os amantes de história. A dica é desfrutar do local com um guia local. Separe tempo e interaja com a história. Vale a pena visitar o museu local e o monumento do centro da cidade. Permanecemos em Bailundo por 2 dias, aproveitamos a região para conhecermos e visitarmos o orfanato da missão católica, um lindo trabalho que merece nossa afeição.

Nos deslocamos em veiculo 4×4 para região de Mungo, onde tivemos o imenso prazer de sermos recebidos na comunidade rural de Kalungo – as estradas merecem atenção e veículos pequenos tem dificuldade em trafegar.

Vivi dias que marcaram minha vida. Ao chegar à comunidade rural – distância de cerca de 60 km de Bailundo – fomos recebidos com cantos em Umbundu, na presença da população local e do Soba (Rei da Ombala). Fomos acolhidos e cuidados. A população fez questão de nos presentear com alimentos e cortesias. Voluntariamo-nos num projeto de construção de uma escola e trabalhamos junto com a comunidade por alguns dias. Se quiser saber mais sobre o projeto, visite nossa página: Uma escola para Kalungo. Eu me senti totalmente acolhida pela população local e dizer adeus foi difícil e doloroso.

DE VOLTA A LUANDA

Após a despedida, hora de refazer a mochila e retornar a Luanda. Desta vez, decidimos optar pela empresa AngoReal, que possui a particularidade de só vender o bilhete, mas não o lugar marcado. Então a dica é: seja o primeiro a entrar no ônibus, principalmente se viajar em grupos, uma vez que as pessoas não são muito favoráveis a trocar lugares. A viagem custou cerca de 4.000 kwz e teve duração de 10 horas foi interrompida por um pequeno incêndio no ônibus. A opção foi permanecer sentado junto às folhagens vendo o pôr do sol, curtindo a noite linda e estrelada por quatro horas até o ônibus-reserva nos resgatar. Passado o susto, a viagem de retorno a Luanda foi tranquila.

De volta a Luanda, tivemos um dia para conhecer a cidade. Fomos à Avenida 4 de Fevereiro e à baía. A poucos quilômetros do centro, fica o Mussulo, o principal local de lazer de Luanda, graças às praias de areia branca, águas cálidas e coqueiros. Em Luanda é possível ainda conhecer dois grandes rios: o Bengo e o Kuanza, do qual deriva o nome da moeda nacional. Um dia foi muito pouco para andar por Luanda, há muito mais a conhecer: museus, bares e restaurantes. Além disso, separe tempo e conheça os ritmos contagiantes do kizomba, semba, redita e kuduro.

O último dia chegou e o desejo de voltar o mais rápido possível já foi construído através do laço com os incríveis angolanos. Fizemos as malas e fomos à feira comprar lembrancinhas e pegar o caminho de volta pra casa.

DICAS

Ressalto que a Angola é um pais caro, mas as suas belezas valem o investimento. A hospitalidade do povo, a diversidade da culinária e a natureza nos convidam à reflexão. Vale a pena separar um tempo e desbravar esse lindo país. Se eu pudesse voltar ao tempo, teria separado mais dias para visita a parques ecológicos e ter uma maior interação local.

Dica #1 – Onde é melhor se hospedar: em hotéis nas regiões centrais das grandes cidades, sendo que o melhor mesmo é se hospedar em casa de amigos.

Dica #2 – Restaurantes ou comidas que recomendo: calulu, feijão com óleo de palma, carneiro assado e a típica bebida quiçamgua.

Dica #3 – Passeios e atrações imperdíveis: Tundavala, Serra da Leba, praias de Luanda, feiras de artesanato.

Dica #4 – Melhor forma de transporte: carro 4×4.

Dica #5 – Como levar dinheiro: em dólar.

CONCLUSÃO

A Angola me surpreendeu com pela diversidade, natureza exuberante e um povo cativante. A cultura riquíssima e acolhedora me fez sentir em casa. Se você gosta de aventuras, acolhimento e experiências pouco tradicionais, aconselho que faça sua mala/mochila e descubra a Angola. Vale muito a pena.

Ndapandula! (Obrigada)

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Agradecemos à leitora Cícera Alcântara por esse super roteiro, que certamente vai ser muito útil para quem está planejando uma viagem para a Angola! Quer mandar o roteiro de sua viagem para o MD? Entre em contato com a gente pelo e-mail convidado@melhoresdestinos.com.br

Autor

Redação - redacao
  • Ernesto Lippmann

    Muito interessante seu relato, obrigado por compartilhar

    • cicera

      Obrigada, foi um prazer compartilhar =D

  • Ricardo

    Excelente o relato, adorei! Não posso deixar de destacar o otimismo diante das dificuldades, realmente a Cícera deve ser uma companheira de viagem excelente. Vans superlotadas com motoristas suicidas? Uma aventura! “Pequeno” incêndio no ônibus? Uma perfeita oportunidade de ver o pôr do sol e a noite linda e estrelada!
    Essa mentalidade positiva é fundamental para aproveitar qualquer viagem. Eu confesso que viajo com a mente aberta, mas não a esse extremo e tenho que confessar que Angola não está na minha lista de desejos. Mas sem dúvida essa é das viagens que faz você crescer como pessoa. Parabéns!

    • Leonardo F J

      X2

    • cicera

      Obrigada Ricardo, realmente eu procuro sempre ver a vida com muito otimismo e por amar aventuras eu ficaria ate desapontada se não houvesse agitos rsrs
      Mente aberta nos ajuda sempre =D
      Nos encontramos nas aventuras da vida por ai =D

  • Angie Bathke

    Trabalhei e vivi 1 ano em Angola; em 2009-10; e devo dizer que a autora é bem otimista.
    Com certeza muito deve ter mudado, e o povo angolano é otimo e muito parecido com o brasileiro (ja que foi um dos dois povos que mais foram obrigados a vir como escravos pelos portugueses para ca)… Mas ha muito que acontece em Angola que pouco se fala por aqui, e deve se ter cuidado ao viajar por la; é uma ditadura ha decadas e a regiao sul é cheia de minas terrestres ainda.
    Espero que o povo consiga viver com mais dignidade e liberdade por la logo.. É um dos paises mais ricos da Africa, mas a desigualdade é gritante, qualidade de vida baixa e muito a reconstruir.

    • cicera

      Angie, obrigada por ler, realmente algumas coisas mudaram e há muito ainda que restruturar, mas o povo extremamente otimista dá sinais de superação por toda parte, por onde passei, conversei com os locais e o desejo de avançar é coletivo, eu acredito em dias melhores e sonho utopicamente, mas,sonho que a desigualdade seja amenizada =D

  • cicera

    Oi Alexandre, bem pontual suas observações, aqui no Brasil eu participei e participo de ações que acompanham comunidades de extrema pobreza/vulneralibilidade, e acompanhamento de jovens/adolescentes. Se você quiser conhecer mais de perto, meu instagram: Cícera Alcântara
    Obrigada =D

  • Vivi

    Adorei o relato. Realmente a Cicera é uma pessoa iluminada.