Avaliação da Avior Airlines

Redação 19 · julho · 2018
Econômica
MAO - BLA
9V 1271
Boeing 737-200
Fevereiro/2018

Embarque

Previsto: 06:30h
Efetivo: 06:30h

Partida

Previsto: 07:00h
Efetivo: 07:00h

Chegada

Previsto: 09:25h
Efetivo: 09:25h

Nossa vizinha Venezuela já viveu dias melhores. Imersa em um imbróglio político e diplomático, o país vem recentemente perdendo voos importantes e vendo o número de visitantes despencar. Mas nada disso desanimou nosso leitor Fábio Dias, que em sua viagem ao país voou com a Avior Airlines, fundada em 1994 e atualmente a única empresa aérea venezuelana a operar no Brasil. Confira o emocionante relato que ele enviou para o MD, com mais informações sobre a empresa e também da realidade do país!

Todo santo dia chegando ao trabalho a primeira coisa a ser feita é entrar no Melhores Destinos e ver o que de bom tem pra gente. Algumas de nossas viagens já saíram daqui e apesar desta nem ter passado perto (por motivos de excentricidade, diga-se logo), não via a hora de poder contribuir com o site e com outros leitores de alguma forma.

Eis que tivemos a oportunidade de voar por duas companhias que certamente são pouco comuns para a grande maioria dos brasileiros. São elas a Avior e a Laser, ambas venezuelanas e que tentaremos transmitir o que vivenciamos.

A viagem para a Venezuela era uma coisa que simplesmente não saía da minha mente. Por mais que sejamos bombardeados por notícias do país bolivariano todos os dias sobre a atual crise, sempre prefiro acreditar que qualquer lugar pode oferecer algo de bom. Ver o que inegavelmente ocorre de ruim também era uma coisa que eu não poderia deixar passar e assim, numa bela tarde de domingo, resolvi comprar as passagens com destino a Caracas, mas isso demonstrou não ser das tarefas mais fáceis…

A compra, pelo que li, até pode ser feita pelo próprio site da empresa, mas é obrigatório apresentar-se até 48 horas após a compra com o cartão que foi realizada a transação num balcão da companhia, o que só existe no Brasil no aeroporto de Manaus. Obviamente para qualquer pessoa que resida fora desta cidade (eu moro em Vitória – ES) torna-se impossível esta modalidade de compra. Não há mais voos diretos do Brasil para a Venezuela senão por esta companhia, e as outras rotas mais comuns, via Panamá e Colômbia saem bem salgadinhas.

Sendo assim, a opção mais viável que encontrei foi comprar por uma agência online. Vi que haviam muitas reclamações sobre eles na internet e a indisponibilidade de parcelar, junto com o preço muito baixo me deixaram com o pé atrás, mas comprei assim mesmo com a consciência que se a compra não desse certo era um sinal para não irmos.

Tudo ocorreu absolutamente normal, recebi o localizador apenas algumas horas após o pagamento, conferi no site da Avior e constava com erro de pagamento. Depois de alguns dias dessa forma, entrei em contato com a agência e me informaram que a reserva estava confirmada e tudo em ordem.

Passados mais alguns dias a reserva já estava ok também na Avior, e só então entendi que provavelmente isso ocorre pois o pagamento é realizado a eles em espécie pois a questão do dinheiro na Venezuela é um assunto pra se escrever um livro bem extenso.

Check-in

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De Vitória a Manaus peguei um voo relativamente barato pela Latam, mesmo assim muito mais caro que o trecho MAO-BLA-CCS.

Como iria ter que passar por Manaus, resolvi também conhecer esta cidade e some-se a isso a ideia de chegar com muita antecedência ao aeroporto para verificar de uma vez por todas essa situação da compra com a Avior.

Por fim essa tática mostrou-se falha pois chegamos de madrugada e o balcão da companhia só funcionava das 7h às 20h. Não me preocupei e curti muito Manaus no dia seguinte, mas no dia da viagem fomos os primeiros a chegar para fazer check-in.

Check-in e embarque

Grata surpresa, os funcionários foram extremamente simpáticos (todos brasileiros) e sequer pediram qualquer voucher ou localizador, apenas apresentamos nosso passaporte e sério, em menos de um minuto já estávamos com os cartões de embarque e malas despachadas.

Não houve fila com mais que três pessoas durante todo o período de atendimento, mesmo o voo saindo praticamente lotado.

Cabine

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Voltando ao assunto, a cabine da aeronave, como dito antes bem antiga, estava em ótimo estado de conservação. Os espaços também causam saudosismo quando comparados às aeronaves modernas, muito amplos.

O avião possuía duas classes, executiva no 2X2 e econômica 3X3.

O voo em si foi muito marcante. O avião que faz o trecho MAO-BLA é um 737-200 fabricado em 1987. Para quem é aficionado por aviação assim como eu sabe que não se vê um desses todos os dias por aí, aquele “motorzinho” com toda a pinta de antigão, foi uma visão dos sonhos.

Confesso que voar neste ícone foi um grande presente para mim. Durante a fase de cruzeiro me peguei em lembranças de quando era criança e morava no interior, numa casinha que foi ter luz elétrica somente aos meus 6 anos de idade e eu vivia olhando o aviões que passavam naquela região e por várias vezes pensei que nunca entraria em um deles.

Hoje estava voando em uma máquina daquelas que via lá de baixo com pés descalços e isso me emocionou bastante.

Entretenimento

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O voo é relativamente curto, cerca de 2h30, e o entretenimento de bordo praticamente nulo, contando apenas com uma revista da empresa.

Ao menos para mim não se fez muito necessário.

Serviço de bordo

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O que pecou bastante foi no quesito refeições. Apesar de ser um voo curto, o fato de termos chegado muito cedo ao aeroporto e na área do embarque internacional de Manaus só haver uma lojinha de comida com praticamente zero opções no menu nos deixou com uma expectativa grande por algo durante o voo.

Mas houve apenas a velha e boa trinca água-suco-refri. Frustrante.

Mesmo com toda a questão da crise, apenas água, suco e refri num voo de mais de duas horas não dá pra engolir.

Comissários e equipe de solo

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A equipe de bordo era muito simpática e solicita, destaque para o uniforme que era realmente muito bonito, apenas ele bem moderno contrastando com absolutamente tudo com ar vintage no interior da cabine.

Programa de fidelidade

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A Avior possui seu programa de fidelidade, o Avior Plus. Mas acredito que só possa ser ofertado aos venezuelanos pois logo de cara pede o documento de identidade que deve começar com VE-, o que impossibilita estrangeiros a realizar o cadastro online. Tenho minhas dúvidas se para os Venezuelanos o programa pode oferecer de fato alguma vantagem.

Ela também não faz parte de nenhuma aliança, portanto acumular ou resgatar pontos seria muito difícil para nós brasileiros.

Nota final

6,3

Chegamos à Venezuela pelo aeroporto Internacional Gen. Jose Antonio Anzoategui , Barcelona. E aqui tentarei ser breve, mas é com certeza a parte mais importante desta avaliação.

Para quem for pela primeira vez a este aeroporto, assim como nós, tenham em mente – este aeroporto não pode ser considerado a primeira impressão da Venezuela, pois se assim o fosse seria mais prudente retornar dali mesmo.

Vou tentar explicar! Ele é o hub da Avior, e só se vê praticamente suas aeronaves no pátio. Apesar de ser o segundo mais importante do país, seu estado de conservação é, no mínimo deplorável. Sério, não há no Brasil terminal rodoviário de interior que se compare. Não sou chato com essas coisas, mas passamos mais de 5 horas ali e foi muito complicado.

Barcelona é uma cidade na área de savana da Venezuela e é muito quente lá, muito quente mesmo, facilmente na casa dos 40 graus e não existe ar condicionado! Fizemos o processo de imigração, tudo tranquilo, comemos na área externa do terminal na limitadíssima “praça de alimentação” e entramos para o terminal domestico, que separa do internacional apenas por uma parede de vidro. E foi aí que começou nosso martírio.

Em meio a pombos voando dentro do terminal e propagandas enormes dos dois ícones do país, seus políticos e a PDVSA, esperamos nosso voo para Caracas dentro de um forno. Cada minuto contava pra acabar logo aquilo tudo e quando finalmente se iniciou o embarque descemos uma escada adjacente ao finger (que estava quebrado) e quando iríamos começar a caminhar pelo pátio até a aeronave, eis que o órgão regulador aéreo deles resolve fazer uma inspeção.

Diga-se de passagem, a Avior nada teve o que fazer a respeito, isso é um sorteio que é feito e aconteceu justamente em nosso voo, mas ficamos mais de uma hora no sol de 40 graus esperando para embarcar e certamente isso está guardado em nossos corações como um momento muito sofrido da viagem.

Para compensar um pouco nosso voo ate Caracas foi na classe executiva e pudemos relaxar um pouco, nada de mais pois foi um voo de 35 minutos e sequer uma água foi servida. Estávamos bastante ansiosos pela chegada em Caracas e graças a Deus tudo ocorreu perfeitamente bem. Inclusive me surpreendeu muito o aeroporto de Maiquetia, que serve a cidade. Por fotos e relatos imaginava um terminal praticamente deserto visto que a situação econômica de país está destroçada e várias companhias deixaram de voar para lá, mas o que encontramos foi um aeroporto muito movimentado.

Uma curiosidade neste momento: devido às regras de câmbio impostas pelo governo, as companhias aéreas operam e alguns casos com o câmbio oficial, o que para quem tem acesso ao paralelo coloca oportunidades realmente inacreditáveis. Conhecemos um rapaz em Barcelona que havia comprado uma passagem aérea da Isla Marguerita para Valencia por R$20,00, via agência de turismo. Em Caracas vimos passagens sendo vendidas para Porlamar (um voo de cerca de 40 minutos) por Bs 20130,00; o equivalente ao câmbio negro do dia a US$0,20 (isso mesmo, vinte centavos de dólar!).

Bom, de maneira geral foi um grande sucesso nossa viagem com a Avior. Uma viagem para a Venezuela nessa altura do campeonato requer um planejamento muito bom, pois há inúmeros fatores que contribuem para dificultar muito a vida de um turista neste país. Li que antes dessa crise toda haviam cerca de 130 aeronaves disponíveis dentre as companhias venezuelanas. Devido às dificuldades financeiras várias tiveram de ser canibalizadas para manter as atuais voando em segurança com peças provenientes dessa vasta frota.

O que percebemos é isso, eles fazem o possível para continuar operando com excelência em meio a tantas dificuldades e levando-se isso em consideração, dou uma boa nota à Avior pois tudo o que houve de ruim nessa aventura em nada ela foi culpada e toda sua equipe foi extremamente eficiente a todo momento.


Agradecemos ao Fábio pelo super relato! Na semana que vem publicaremos a segunda avaliação dele, da Laser Airlines. Não perca! Também quer ver a sua avaliação publicada no Melhores Destinos? Peça as instruções, capriche no texto e nas fotos e mande para a gente: avaliacao@melhoresdestinos.com.br