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Voos da 5ª Liberdade do Ar: o que são, como funcionam, vantagens para os passageiros e exemplos de rotas

Mateus Tamiozzo
29/09/2025 às 20:00

Voos da 5ª Liberdade do Ar: o que são, como funcionam, vantagens para os passageiros e exemplos de rotas

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Muitos termos e normas da aviação passam despercebidos pelos passageiros por conta de seu aspecto técnico, já que não afetam diretamente a experiência antes, durante e depois do voo.

Um bom exemplo está na Convenção de Chicago, de 1944, que estabeleceu diversos padrões para o setor, com ênfase para um elemento bastante interessante que acaba ficando nos bastidores: as Cinco Liberdades do Ar, que incluem o direito de embarcar e desembarcar passageiros em um ponto intermediário de uma determinada rota.

Como assim? Bom, se você já viajou de São Paulo para Buenos Aires com a Qatar Airways, com a Turkish Airlines ou com a Air Canada, por exemplo, saiba que você já esteve em um voo da chamada 5ª Liberdade do Ar!

O que é e como funciona a 5ª Liberdade do Ar?

Como dissemos, a Convenção de Chicago, de 1944, estabeleceu, entre outros padrões aeronáuticos, a regra de que as companhias aéreas podem operar e vender passagens para voos em rotas que não incluam seus territórios de origem. Esse padrão, evidentemente, é aplicado somente em operações internacionais – a 5ª Liberdade do Ar faz parte de um grupo de outras quatro liberdades do transporte aéreo (confira os detalhes no fim do post!).

Com isso, é comum que algumas empresas estendam a operação para um segundo destino depois de pousar em uma primeira cidade. Na América do Sul temos alguns exemplos, como na lista abaixo. A relação de companhias aéreas e rotas não é exaustiva, e voos da 5ª Liberdade do Ar acontecem em todo o mundo.

  • Emirates: DubaiRio de Janeiro-Buenos Aires
  • Qatar Airways: Doha-São Paulo-Buenos Aires
  • Turkish Airlines: Istambul-São Paulo-Buenos Aires
  • Turkish Airlines: Istambul-São Paulo-Santiago
  • Air Canada: Toronto-São Paulo-Buenos Aires
  • KLM: Amsterdã-Buenos Aires-Santiago
  • Air China: PequimMadri-São Paulo
  • Swiss: Zurique-São Paulo-Buenos Aires
  • Ethiopian: Addis Abeba-São Paulo-Buenos Aires
  • British Airways: Londres-Rio de Janeiro-Buenos Aires
  • Gol: São Paulo-Punta del Este-Buenos Aires (estreia em dezembro)

Na prática, as passagens aéreas para os trechos dentro da América do Sul (no caso da Gol, Uruguai e Argentina) usados nos exemplos acima podem ser vendidos normalmente pelas companhias aéreas em ambos os sentidos. E em todos os casos, são voos que não envolvem o país de origem das empresas listadas.

Para operá-los, as empresas precisam obter autorização das autoridades aeronáuticas dos três países envolvidos. No caso da Qatar Airways, por exemplo, as validações são dos órgãos reguladores do Catar, do Brasil e da Argentina.

Por que as companhias aéreas usam a 5ª Liberdade do Ar?

Se a 5ª Liberdade do Ar não fosse benéfica para as empresas, provavelmente não existiria ou não seria usada. O principal motivo para seu uso é a otimização da relação oferta X demanda.

Imagine que uma empresa tenha interesse em voar de Nova Delhi, na Índia, para São Paulo e para Buenos Aires. A demanda para a capital paulista é suficiente para voos diretos terem uma alta ocupação, mas não para a Argentina – embora não seja desprezível.

Neste caso, faz mais sentido que a viagem continue de São Paulo até Buenos Aires e depois retorne à capital paulista e siga para Nova Delhi. Assim, não se inclui uma segunda linha que voaria diretamente para a capital argentina, e é possível equilibrar a demanda oferta x demanda atendendo a dois lugares para uma mesma parte do planeta. Isso sem falar na captação dos passageiros que querem voar apenas no trecho sul-americano.

Uma estratégia assim também reduz consideravelmente os custos de operação, já que em vez de colocar dois aviões para uma mesma região, a companhia aérea decola apenas um, responsável por atender dois destinos. Mais cidades podem entrar na jogada, mas isso é algo muito raro nos dias de hoje.

Em outros casos, cada vez menos comuns, faltam aeronaves com autonomia suficiente para uma ligação direta. Com isso, faz-se um primeiro trecho até um ponto mais próximo da origem e depois a viagem segue até o destino final da linha. Com a evolução dos aviões, que têm e terão capacidade de tempo de voo cada vez maior, a 5ª Liberdade do Ar pode perder ainda mais espaço sob este aspecto.

Vale destacar que a 5ª Liberdade do Ar, embora muito presente no transporte de passageiros, é mais usada em operações aéreas de carga ao redor do mundo.

Quais são as vantagens para o passageiro?

A escolha de um voo de 5ª Liberdade do Ar pode ser bastante positiva para um passageiro. Vamos imaginar a linha da Turkish Airlines que faz a rota Istambul-São Paulo e depois segue da capital paulista para Buenos Aires.

Com companhias aéreas locais, como Azul, Gol, Latam e Aerolíneas Argentinas, você viajaria em aviões menores, de corredor único, equipados apenas com classe econômica, sem telas de entretenimento e com serviço de bordo limitado a alguns biscoitos e poucas bebidas.

Já com a Turkish Airlines, o padrão do voo intercontinental continua valendo para o trecho regional: avião grande de dois corredores, classe executiva, mais espaço para as pernas, telas de entretenimento com diversas opções de filmes, séries e jogos e um serviço de bordo mais completo.

Pode parecer que uma diferença de padrão dessas fará com que a passagem seja mais cara do que em um voo “comum”, mas a verdade é que as empresas de fora estarão concorrendo diretamente com as tarifas mais baixas das companhias aéreas locais, e por isso os preços tendem a diminuir.

Além disso, há muito mais assentos a serem preenchidos em um avião wide body – normalmente com mais de 300 assentos – do que em um narrow body, que mal chega a 200 lugares.

Evidentemente, podem não chegar a bater as passagens das empresas locais, mas são opções muito mais confortáveis e com um custo-benefício que pode compensar. Imagine embarcar em uma classe executiva “tradicional” em um voo regional onde esse modelo de cabine normalmente não está disponível! Imagine, ainda, viajar em algumas das melhores classes executivas do mundo, como a da Qatar Airways entre São Paulo e Buenos Aires!

O ponto mais negativo seria para quem vai do início ao fim da linha. No exemplo da Índia até a Argentina, com uma parada no Brasil, os passageiros que seguiriam até Buenos Aires teriam que fazer uma escala (ou seja, uma parada sem descer do avião) em São Paulo. Uma viagem bem mais cansativa do que quem sobe ou desce do avião no ponto intermediário.

Quais são as outras quatro Liberdades do Ar?

Como dissemos no início do post, são cinco as Liberdades do Ar estabelecidas pela Convenção de Chicago. Além da que exploramos neste post, as outras quatro são:

  1. Liberdade de trânsito pacífico: o nome fala por si, e estabelece que voos comerciais de passageiros possam trafegar sem interferências;
  2. Liberdade de parada: aplicado em casos em que um avião precisa pousar (em emergência ou não) para reabastecimento, reparo ou refúgio;
  3. Liberdade de tráfego da nação de origem para qualquer outro país: dá o direito a um operador aéreo de levar passageiros de seu país de origem para outros locais (sem paradas intermediárias). Exemplo: voos São Paulo-Paris com a Latam;
  4. Liberdade de trazer tráfego de qualquer país para a nação de origem: dá o direito a um operador aérea de trazer passageiros de qualquer país para seu local de origem (sem paradas intermediárias). Exemplo: voos São Paulo-Paris com a Air France.

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