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Estudo revela as 10 rotas mais turbulentas do mundo – metade delas fica na América do Sul

Mateus Tamiozzo
12/07/2025 às 14:00

Estudo revela as 10 rotas mais turbulentas do mundo – metade delas fica na América do Sul

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Se você já foi para o Chile, com certeza ouviu o anúncio específico da tripulação para afivelar cintos quando o avião está próximo do sobrevoo na Cordilheira dos Andes. O aviso é claro: há a possibilidade de forte turbulência (na minha vez, nada disso aconteceu!) e ninguém deve sair do assento até que o sinal luminoso do cinto de segurança seja apagado.

Se em muitos voos em outras rotas há passageiros que ignoram o anúncio, neste caso, costuma acontecer o contrário. Na internet, circulam vários vídeos de aviões sacolejando sobre os Andes e até alguns passageiros mais apreensivos.

Não à toa, a América do Sul está na liderança absoluta das rotas mais turbulentas do planeta em 2024, segundo um estudo da Turbli, empresa que monitora o fenômeno. Por conta da Cordilheira dos Andes, a Argentina e o Chile ocupam 5 das 10 primeiras posições do ranking! Só mesmo o Himalaia para fazer frente, como você confere a seguir:

  1. MendozaSantiago
  2. Cordoba – Santiago
  3. Mendoza – Salta
  4. Mendoza – Bariloche
  5. Kathmandu (Nepal) – Lhasa (China)
  6. Chengdu (China) – Lhasa (China)
  7. Santa Cruz de la Sierra – Santiago
  8. Kathmandu (Nepal) – Paro (Butão)
  9. Chengdu (China) – Xining (China)
  10. Bariloche – Santiago

O que todas essas rotas têm em comum é que passam por regiões montanhosas, e justamente por duas das mais impressionantes do planeta. O estudo da Turbli analisou um arquivo de 10 mil rotas que conectam os 550 maiores aeroportos do mundo, considerando dados de turbulência no intervalo de um ano. A metodologia inclui informações do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, e do UK Met Office, órgão de meteorologia do Reino Unido.

A turbulência é definida por uma “taxa de dissipação de redemoinho” (tradução livre de “eddy dissipation rate”, ou EDR, na sigla em inglês). É uma unidade de medida que representa a velocidade com que as estruturas turbulentas se desfazem e dissipam sua energia na atmosfera. A avaliação da Turbli vai de 0 a 100, e quanto maior o número, mais forte o fenômeno. O trecho Mendoza-Santiago ficou com 24 pontos – uma escala moderada, segundo o estudo.

Como a turbulência se forma?

O National Weather Service, órgão dos Estados Unidos que monitora o clima, avalia que a turbulência é um dos fenômenos mais imprevisíveis para pilotos. Trata-se de uma movimentação irregular do ar a partir de redemoinhos e correntes verticais. Em muitos casos, o avião inevitavelmente passa por essas áreas, que originam os avisos da tripulação aos passageiros – e que devem ser levados a sério!

A turbulência costuma ter quatro graus de severidade, e considera o efeito que a inicia e o grau de estabilidade do ar:

Leve – causa mudanças sutis e momentâneas em altitude. Os efeitos para os passageiros são insignificantes.

Moderada – similar ao grau leve, mas ligeiramente mais intensa. Os passageiros já sentem o contato do corpo com o cinto de segurança.

Severa – traz mudanças abruptas de altitude e de velocidade. Os viajantes são forçados de forma mais violenta contra o cinto de segurança.

Extrema – o avião sacode violentamente e é quase impossível de ser controlado. Nestes casos, podem aparecer danos estruturais.

O National Weather Service lista uma série de causas específicas para a formação do fenômeno. Com relação a este post, destacamos as “ondas de montanha”, que o órgão considera um dos tipos mais severos de turbulência.

De forma geral, são redemoinhos que nascem a partir do impacto de correntes de ar com as montanhas, ou seja, uma “perturbação” do movimento horizontal do vento, que encontra um obstáculo em seu caminho. A corrente de ar, então, passa a ser vertical. A combinação disso com o atrito do vento com a montanha cria o que é chamado de “vórtice rotativo”, uma das causas de turbulências severas.

Turbulência derruba avião?

Há muitos mitos e verdades em torno do assunto, mas não se preocupe! A única forma para um possível acidente seria uma turbulência muito extrema. Mesmo assim, os danos provavelmente se limitariam à estrutura do avião. Além disso, com toda a tecnologia de previsão meteorológica existente nos dias de hoje, a trajetória pode ser redefinida para evitar a passagem por áreas de instabilidade mais fortes.

Por isso, a resposta imediata para uma das perguntas mais comuns entre as pessoas sem tanta experiência em viagens aéreas é não! No entanto, a turbulência pode causar problemas a bordo se for forte, súbita e pegar os passageiros sem o cinto de segurança afivelado ou acontecer durante o serviço de bordo.

A própria Turbli, autora do ranking, tem uma opção em seu site que permite consultar com antecedência se você vai encarar turbulência em sua viagem.

Como é voar sobre a Cordilheira dos Andes?

Particularmente, foi uma das melhores experiências visuais que já vivi de dentro de um avião. Sabendo que iria para Santiago, corri para reservar logo uma janela e garantir a vista da Cordilheira dos Andes. Tanto faz o lado desde que o voo seja diurno, obviamente.

Quando estávamos perto de iniciar o sobrevoo, a tripulação acendeu o sinal para afivelar o cinto de segurança e fez o anúncio de que atravessaríamos a Cordilheira dos Andes, e que por isso ninguém deveria levantar por quaisquer motivos. Todos obedeceram, embora não tenhamos sentido turbulência alguma naquele voo. Uma pena, pois gostaria de ter experimentado a sensação.

Do lado de fora da janela, a impressão é a de que, em alguns momentos, o avião passa muito perto do topo da cordilheira. Os picos nevados são belíssimos e se perdem no horizonte, até que as montanhas passam a dar lugar aos terrenos mais planos e à área urbana de Santiago.


Já viajou para o Chile e passou pela turbulência da Cordilheira dos Andes? Sacudiu muito? Foi tranquilo? Como você costuma reagir? Conte nos comentários!

Mateus Tamiozzo
Mateus Tamiozzo

Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.

Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!

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