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Dá para viajar sem falar inglês? Confira as experiências de quem provou que sim!

Wendell Oliveira
Wendell Oliveira
23/04/2020 às 5:00

Dá para viajar sem falar inglês? Confira as experiências de quem provou que sim!

To be or not to be? Será que é possível viajar para o exterior sem falar inglês? Seja por falta de tempo ou interesse, muita gente não fala o idioma de Shakespeare. Mas isso não é desculpa para desistir de uma viagem internacional. Você pode aprender algumas palavras básicas, usar aplicativos de tradução ou simplesmente ir na cara e na coragem!

Confira as histórias de superação (e os perrengues!) de quem encarou viajar falando apenas o português — e sobreviveu para contar a história.

Mímicas, Google e muita confusão

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Berenice e Marcelo Basile: “Nosso companheiro de viagem é o Google Tradutor”.

Basile & Berê são um casal que adora viajar, mas só tiveram coragem de fazer a primeira viagem internacional em 2014. O destino escolhido foi Istambul, na Turquia. Como não falavam inglês (e nem turco!), contrataram um guia para acompanhá-los durante todos os trajetos. Mas quem disse que ele apareceu?

Levamos um bolo do guia logo na chegada ao aeroporto, mas conseguimos ir para o hotel de táxi apenas mostrando o endereço. O problema é que a recepcionista também não falava inglês!”, lembra Berê, que hoje ri, mas na hora ficou bem assustada. “Acabamos sendo levados para um quarto diferente do que havíamos reservado, bem mais caro. Tivemos que mostrar o preço certo na calculadora, falar bastante ‘no, no, no‘ até sermos entendidos”.

Na hora do almoço, foram a um restaurante e tiveram mais uma surpresa: o menu era em turco! “Nem adiantaria falar inglês… acabamos pedindo ‘Coca-Cola’, que é universal”. Com fome, o jeito foi apelar para a mímica: “Para pedir frango, batíamos as asas imaginárias e fazíamos ‘có có có’; se quiséssemos carne, um longo e sonoro ‘muuu‘ com chifrinho bastava. Carne de cordeiro era mais fácil: era só fazer ‘béééé‘”.

Viajar sem falar inglês é possível?

“Não falar inglês nunca nos impediu de fazer amigos durante a viagem”.

“No Palácio Topkapi, uma das principais atrações de Istambul, ainda pensamos em pagar por um guia de áudio com fone de ouvido, mas eram todos em inglês. Como eles não iriam ajudar em p**** nenhuma e ainda teríamos que pegar fila, preferimos inventar na própria cabeça a história do palácio. Brincávamos: ‘Aqui era o calabouço, aqui era onde ficava o sultão, esse era o quarto da esposa preferida…’. De volta ao hotel, pesquisamos no Google a história verdadeira. E não é que ela era muito parecida com a nossa invenção?”, surpreendem-se.

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“Negociávamos nos bazares turcos com mímicas e calculadora”.

Na mesma viagem, Basile e Berê ainda visitariam Egito e Itália. “Na Itália a língua é mais parecida. Entre guias em inglês e italiano, preferíamos o italiano. Às vezes ficava meio embaralhado, mas nos sentíamos mais próximos. Depois dessa viagem, tomamos gosto de viajar. Fomos picados pelo mosquitinho das viagens e não paramos mais”.

“Na época não usávamos chips locais e dependíamos de redes Wi-Fi liberadas, mas nem sempre havia uma disponível. Hoje a gente já compra um chip assim que desembarca no aeroporto. Com o Google, Facebook e grupos de viajantes brasileiros no WhatsApp, nossa vida ficou bem mais fácil. Curiosamente, em países como Tailândia, Vietnã e Camboja, percebemos que mesmo quem fala inglês tem dificuldades para entender, porque o sotaque é muito forte”.

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“Em alguns países, mesmo quem fala inglês pode ter dificuldades de entender o sotaque”.

Com o chip, passamos a ser cidadãos do mundo. Nada nos nos limita. Nunca tivemos medo de ir para nenhum lugar. A internet veio para nos salvar”.

Mas nem tudo são flores na vida dos viajantes. “Em lugares sem internet, já passamos por perrengues. A situação mais traumatizante e constrangedora foi em Singapura. Tínhamos estudado sobre o país e sabíamos de algumas leis esquisitas, como a proibição de mascar chiclete. Mas ao passar pela alfândega, revistaram nossa mala e fomos presos! Não entendíamos o que os policias diziam, eles estavam de má-vontade. A Berê começou a passar mal, ficamos muito nervosos. Imploramos ‘please, Google, please!‘. Finalmente conseguiram explicar pra gente: estávamos sendo presos porque tínhamos quatro maços de cigarro na mala, e em Singapura não é permitido entrar com cigarros de outros países sem declarar antes”.

Felizmente a situação se resolveu e ficou o aprendizado. “Viajar é maravilhoso, desde que você tenha internet para se comunicar! Fizemos um curso rápido de inglês para aprender a perguntar ‘onde é a saída?‘, ‘onde é o banheiro?‘ e não ficarmos perdidos no aeroporto (o que já aconteceu bastante). Não demos continuidade às aulas, mas aprendemos uma palavra muito importante: beer“.

Ao serem perguntados se realmente não sentem nenhum medo ou vontade de desistir ao viajar para o exterior sem falar inglês, Basile e Berê são enfáticos: “Medo? Pensar em desistir? Nunca, jamais. Never!

Um camelo com sede de viajar

Viajar sem falar inglês na Índia

Antonio Camelo (centro) em McLeod Ganj, norte da Índia, onde fica o Templo do Dalai Lama.

O paraibano Antonio Camelo tinha um sonho desde criança: conhecer a Índia. “Lembro-me de uma antiga marchinha de carnaval, que minha mãe cantava no início dos anos cinquenta: ‘Hindu, minha linda hindu, Que nasceu em Calcutá, É melhor ser minha esposa, Do que ser escrava de um Rajá…‘.  Na escola, lá vinha Índia de novo, com suas especiarias e a Companhia das Índias Orientais. Fiquei adolescente, casei, tive filhos, e a Índia não me saía da mente. Lia artigos, assistia a vários filmes, documentários, relatos de viagem…”

“Um dia, quando já morava em São Paulo, conheci a revista National Geographic e adorava folhear as matérias, mesmo que em inglês. Numa dessas edições encontrei o artigo “India by Rail“, onde um jornalista contava a travessia de trem que fez pelo país. Foi um tiro de misericórdia, a partir de então a paixão cristalizou-se tornando-se quase uma obsessão!”

“Com a internet, parti para uma verdadeira garimpagem cibernética! Fiz amigos virtuais enviando e-mails aleatórios. Não foi fácil, por questões culturais e linguísticas, nem todos respondiam. Uma vez com contatos estabelecidos, fiz meu roteiro de viagem. Coragem eu tinha! Só faltava o inglês fluente e as passagens.”

As passagens não tardaram a vir. “Fui surpreendido com a solidariedade de alguns colegas de trabalho. Um me doou as passagens aéreas, outro me ofereceu dólares e euros que haviam sobrado de viagens anteriores. Tinha certeza de que Deus estava comigo pois conspirou para que tudo desse certo. Meus filhos e amigos próximos diziam que era uma loucura o que eu estava fazendo, uma viagem tão longa para um país tão distante, para me encontrar com pessoas que eu havia conhecido apenas pela internet, sem nunca tê-las visto pessoalmente!”

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“Fiz muitos amigos na Índia, sempre era convidado para passeios, festas e até casamentos”.

Já o inglês veio com o tempo. “Descobri que não precisava me preocupar tanto com a fluência no inglês, porque nem todos os indianos falavam bem o idioma. Deixei as preocupações de lado e fiz uma viagem incrível pela Índia. Visitei o Taj Mahal, fui aos templos exóticos do Norte do país, participei de festas e casamentos no deserto do Rajastão. Meus cyber amigos tornaram-se amizades para toda a vida”.

“Desde a realização deste sonho, nunca mais parei de viajar. Fiz uma jornada pelo Japão, chutando latas desde Tokyo até Nagasaki e Hiroshima. Neste ínterim ainda realizei uma ‘expedição’ ao Peru, visitando Cusco, Macchu Pichu, Lima e Arequipa. Falar inglês ajuda, mas não é tudo.”

Apaixonado por Israel, traumatizado com a Etiópia

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“A emoção que eu sinto ao visitar a terra onde Jesus nasceu não se traduz em idioma nenhum”.

O guarda municipal Jules Gerson nunca escondeu o sonho de conhecer a Terra Santa. Tanto que aproveitou a ocasião de sua lua de mel para visitar Israel, um destino até então mais preferido por turistas religiosos do que casais apaixonados.

“Convenci a minha esposa e lá fomos nós para Israel pela primeira vez. Como costuma acontecer com muitos, fomos barrados pela imigração e mandados para a temida ‘salinha’. Sem falar inglês e não sabendo explicar o que os policiais pediam, ficamos retidos por horas. Que lua de mel inesquecível, hein?”

“Mas nem isso desanimou nossa paixão. Pelo casamento? Não, por Israel! Andamos por toda Jerusalém, fizemos um passeio para o Mar Morto e conhecemos lugares por onde Jesus Cristo passou. Foi indescritível!”

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“Israel recebe muitos turistas brasileiros, sempre faço amizades e exploro novos lugares com eles”.

Jules ainda visitou o país pela segunda vez, sozinho. Dessa vez o problema foi antes mesmo de chegar a Israel, na conexão em Addis Abeba, na Etiópia. “Acho que me confundiram com um traficante de drogas, por estar viajando desacompanhado e pouca bagagem. Fui humilhado, me colocaram numa salinha fria. Mesmo sem falar inglês, entendi o que queriam: que eu ficasse nu e defecasse. Eles estavam achando que eu carregava entorpecentes no estômago.”

A situação foi traumática, mas pelo menos a entrada em Israel foi tranquila. Sem salinha desta vez, Jules foi além: “Israel recebe muitos turistas brasileiros, é fácil ouvir português pelas ruas antigas. Conheci um grupo que me levou ao lado palestino, justamente onde fica Belém, terra natal de Jesus. Valeu a pena!”

“Não parei depois disso. Visitei Israel num total de quatro vezes e quero mais. A Imigração não me assusta, nem mesmo não saber falar inglês. A emoção que eu sinto ao visitar a terra onde Jesus nasceu não se traduz em idioma nenhum.”


E você, tem alguma história de viagem por não falar inglês ou o idioma do país visitado? Deixe seu comentário!