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Cidade na Bahia cria taxa de R$ 200 para turistas durante festival de música e gera polêmica

Aline Bernardes
24/07/2026 às 20:00

Cidade na Bahia cria taxa de R$ 200 para turistas durante festival de música e gera polêmica

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Quem quiser ir ao Universo Paralello, festival de música eletrônica realizado na Praia de Pratigi, no litoral da Bahia, terá um custo extra de R$ 200 a partir da próxima edição. O valor corresponde à nova Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá (TUPI), criada pela Prefeitura de Ituberá para visitantes e não moradores que forem ao festival.

Localizada próxima a destinos como Morro de São Paulo e a Península de Maraú, Ituberá é palco de uma discussão que interessa a outros destinos turísticos brasileiros: como financiar a estrutura necessária para receber grandes eventos sem comprometer sua atratividade. A criação da TUPI já provocou forte repercussão entre organizadores, moradores e frequentadores do festival.

O Universo Paralello surgiu no começo dos anos 2000 e tem uma longa relação com Pratigi, onde é realizado de forma contínua desde 2012. A próxima edição está marcada para acontecer entre 27 de dezembro de 2026 e 4 de janeiro de 2027.

Universo Paralello na Praia de Pratigi, na Bahia

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Por que turistas terão que pagar R$ 200 a mais para ir ao Universo Paralello?

Segundo a Prefeitura de Ituberá, a Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá (TUPI) foi criada para ajudar a preservar o patrimônio natural do município e ampliar os investimentos necessários para receber o público do Universo Paralello. A cobrança foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal no fim de 2025 e passará a valer na próxima edição do festival.

Em entrevista ao Correio 24 Horas, o prefeito Reges Aragão afirmou que Ituberá, que tem cerca de 24 mil habitantes, recebe praticamente o mesmo número de visitantes durante os nove dias do evento.

Como o festival acontece na Praia de Pratigi, uma Área de Proteção Ambiental (APA), ele afirma que a arrecadação permitirá reforçar serviços como limpeza urbana, segurança, mobilidade e saúde, além de contribuir para a conservação ambiental da região.

Veja a publicação da Prefeitura Municipal de Ituberá no Instagram

Como será feita a cobrança da taxa?

O pagamento pode ser feito antecipadamente pelo site da TUPI, onde o visitante informa CPF e outros dados para emitir o voucher. Também haverá pagamento presencial na chegada ao evento, antes da retirada da pulseira, com opções como Pix e cartão, segundo informou a administração municipal. O comprovante será válido durante o período de permanência no festival.

A cobrança será destinada aos visitantes que forem ao município para participar do Universo Paralello. Segundo a prefeitura, ficam isentos moradores de Ituberá e dos demais municípios do território Baixo Sul, além de crianças de até 5 anos, idosos com mais de 60 anos, pessoas com deficiência, servidores municipais em serviço, trabalhadores locais, prestadores de serviço previamente cadastrados e profissionais em missão institucional.

O que diz o Universo Paralello sobre a nova taxa?

A organização do Universo Paralello publicou uma nota nas redes sociais criticando a criação da TUPI. No comunicado, o festival afirma ter recebido a medida “com enorme preocupação” e diz que a lei foi aprovada sem diálogo prévio com os organizadores, representantes do setor turístico, comerciantes e a sociedade civil.

Segundo a organização, a cobrança representa um aumento no custo para quem participa do evento e pode afetar não apenas o festival, mas também hotéis, pousadas, restaurantes e outros negócios que recebem visitantes durante o período.

O Universo Paralello também afirma que, ao longo de mais de duas décadas em Pratigi, sempre buscou atuar em parceria com o poder público e defende que medidas desse tipo sejam discutidas em conjunto com a comunidade e o setor turístico.

Ver publicação do Universo Paralello no Instagram

O Universo Paralello pode deixar Pratigi?

A possibilidade foi levantada pela própria organização. Em seu comunicado, o Universo Paralello afirma que, “caso a lei permaneça nos moldes atuais”, poderá reavaliar a permanência em Pratigi nas próximas edições. Segundo a nota, a continuidade do evento depende de condições jurídicas e econômicas que garantam sua viabilidade e segurança.

Nas redes sociais, muitos comentários destacam o papel do Universo Paralello no desenvolvimento turístico de Pratigi e afirmam que o festival foi um dos principais responsáveis por dar visibilidade ao destino. Também há pedidos para que a prefeitura reveja a cobrança e manifestações de preocupação com os impactos que uma eventual mudança poderia causar à economia local.

A repercussão foi tanta que até cidades vizinhas passaram a ser citadas como possíveis alternativas para receber o festival. Em Maraú, município vizinho a Ituberá, o secretário municipal de Turismo afirmou que a cidade estaria de “portas abertas” caso o Universo Paralello decida buscar um novo destino.

O que torna a taxa de Ituberá diferente de outras cobranças turísticas?

A cobrança de taxas turísticas está longe de ser uma novidade. Fernando de Noronha, por exemplo, faz isso há mais de 35 anos. Neste ano, Mateiros, uma das principais portas de entrada para o Jalapão, também passou a cobrar taxa. Fora do Brasil, um dos exemplos mais conhecidos é o de Veneza, que adotou uma cobrança de acesso em dias de maior movimento para tentar reduzir os impactos do turismo de massa e ajudar a custear a cidade.

O modelo adotado por Ituberá, porém, tem uma característica pouco comum. Diferentemente dessas cobranças, que costumam valer para todos os visitantes ou durante determinados períodos do ano, a TUPI foi criada especificamente para o Universo Paralello.

Mais do que uma discussão sobre uma taxa de R$ 200, o caso de Ituberá levanta uma questão que interessa a diversos destinos: como conciliar os benefícios econômicos do turismo com os custos e impactos que a atividade também gera?

Estrutura do festival Universo Paralello em Pratigi

* Fotos da capa e do post: site e Instagram do Universo Paralello

* Com informações de Correio 24 Horas


Você concorda com a criação da taxa ou acredita que há alternativas? Deixe sua opinião nos comentários.

Aline Bernardes

Aline Bernardes

Sou jornalista formada pela UFRGS, com mais de 12 anos de experiência em conteúdo de viagem. Já escrevi de tudo: guia, revista de bordo, blog, release, post, SMS, e-mail… o que você imaginar. A paixão pelo tema me levou de volta à sala de aula para estudar Turismo, pela UFOP. Estou sempre pensando qual vai ser o próximo destino, monitorando preço de passagens e prontinha para elaborar um roteiro e partir pro aeroporto amanhã. Mas na hora de viajar mesmo, tenho uma queda por metrópoles, cidadezinhas históricas e praias de mar sem onda. Aqui no Melhores Destinos, fico de olho nas novidades dos destinos, o que pode envolver atrações, hotéis, parques temáticos e tudo mais que mereça a sua atenção e contribua para a sua viagem.

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