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Conheça os templos do Kama Sutra, na Índia [+18]

Redação
Redação
19/12/2020 às 6:03

Conheça os templos do Kama Sutra, na Índia [+18]

Os templos do Kama Sutra são a principal atração da cidade de Khajuraho, na Índia. Apesar do cenário erótico, nem de longe trata-se de pornografia ou vulgaridade. Arte e religião se misturam neste complexo de edifícios ligados às crença hindus, em obras cuidadosamente esculpidas que expressam prazer e sensualidade, num país onde o sexo ainda é tabu.

Nosso querido leitor Ernesto Lippmann, o Pato Econômico, encarou uma viagem de 30 dias pela Índia das vacas sagradas e Taj Mahal, nos presenteando com um incrível relato de sua visita ao monumento erguido (opa!) e inspirado na arte milenar do Kama Sutra. Encontre uma posição confortável, relaxe e delicie-se com essa instigante leitura! PS: Clique nas fotos para ampliá-las.

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A Índia dos templos do Kama Sutra

**Por Ernesto Lippmann, o Pato Econômico

Leitor Ernesto Lippmann em visita à Índia

Leitor Ernesto Lippmann em visita aos templos do Kama Sutra, na Índia

Aos 54 anos, consegui visitar a Índia. Uma vez, no carnaval do Rio, me contaram qual a diferença do carnaval para os ricos e pobres. O rico vai na arquibancada, ou compra a fantasia, e simplesmente entra na avenida e curte. O pobre costura a fantasia o ano todo, e sonha com o dia do desfile o ano todo, além de torcer pelo resultado. A viagem para a Índia foi assim. Foram 10 anos de estudo e preparação, para chegar lá.

Meus “estudos” se basearam em vários blogs sobre a Índia e o post do MD sobre Como (realmente) é viajar pela Índia? Roteiro e dicas atualizadas, além dos comentários e as trocas de ideias com outros que gostam de comentar aqui.

Também fiz pesquisas em fóruns e e-mails trocados com blogueiros, amigos que moram na Índia, e outros viajantes em grupos no Facebook e no site dos mochileiros. Foi um grande aprendizado! Aconselho a todos, as dicas foram muito úteis. Li alguns livros de Javier Moro, que são interessantíssimos, como Paixão Índia e o Sári Vermelho, que tratam de duas estrangeiras que se apaixonaram por indianos, a primeira, esposa de um marajá no começo do século passado, e o segundo mostra a vida de Sonia Gandhi que se casou com o filho de Indira Gandhi.

Também comprei o Guia da Folha e o Lonely Planet. Guardei todas as reportagens das revistas de turismo sobre o destino. Estudei atentamente os roteiros das agências que oferecem passeios a Índia, e vários sites de empresas indianas recomendadas pelo TripAdvisor, para verificar quais as atrações que seriam do nosso gosto, dentro dos 30 dias que tínhamos para viajar.

Planejamento feito, foram 30 dias de viagem, entre Mumbai (ou Bombaim), onde embarcamos num cruzeiro que nos levou a todo litoral da Índia por Mangalore, Kochi (antigo porto de especiarias), Goa (a parte colonizada por Portugal) e às inesquecíveis Maldivas, e ao Sri Lanka, e uma aventura na Índia por Khajuraho, Agra, um parque pouco conhecido, o Keoladeo Ghana National Park, onde há uma reserva de pássaros e se faz um inesquecível passeio de bicicleta; Rathimbore, de onde partem os safáris para ver os tigres, finalizando em Jaipur com seu inesquecível palácio e elefantes. A experiência é marcante.

Mas, por maior que tenha sido o estudo, nada vai preparar você para a Incredible India, com seus cheiros que misturam especiarias, incenso e sujeira; seus inúmeros deuses e crenças reverenciados em lindos templos, suas multidões, e cenas que você nunca verá em outro país, como uma vaca passeando em plena estação, ou um caminhão cruzando uma auto estrada na contramão; a beleza dos templos e uma cultura vibrante e completamente diferente de tudo o que eu já vi depois de viajar em mais de 50 países.

Templos do Kama Sutra, na Índia

Templos do Kama Sutra, na Índia

A Índia de Shiva, de Krishna, de Gandhi. São inúmeros animais, dos elefantes e camelos nas estradas do Rajastão, aos macacos que estão em várias estações, passando pelas vacas que pensamos ser sagradas, mas são coitadas. Aliás, eu esperava que as vacas fossem veneradas, mas elas são magras e esfomeadas e muitas vezes comem papel, plástico ou qualquer coisa que esteja no lixo.

Diz-se que a Índia se ama ou se odeia. Eu fui, gostei, mas não amei nem odiei. Achei uma experiência inesquecível, e que valeu cada segundo de planejamento, e cada centavo que pagamos. E como uma lição do destino, foi minha última grande viagem antes da pandemia. E, possivelmente este é um dos motivos pelos quais escrevemos esta viagem, para que pelo menos você leitor possa ser transportado na sua imaginação e nos seus desejos.

Vá preparado para os pontos negativos como a sujeira, que muitas vezes é tão profunda que tudo parece encardido… O esgoto a céu aberto. Os cartazes não mostram, mas a 300 metros da entrada do Taj Mahal, que é inesquecível, há um esgoto com porcos. Em alguns lugares, há muitas pessoas insistentes pedindo dinheiro. Motoristas de táxis ou de tuk tuk acham que você é trouxa e querem cobrar dez vezes mais do que o correto, só porque você é estrangeiro.

A angústia de ficar horas sem ir ao banheiro, ou até sem comer, porque é difícil arrumar um lugar com um mínimo de higiene. Templos que exigem que você ande descalço, mas são sujos e às vezes até com excrementos no chão. A dificuldade para atravessar uma rua e a sensação de quase ser atropelado, pois uma vaca é muito mais respeitada do que um pedestre. E, na Índia, não tenha a pretensão de ser um viajante. Você vai sempre ser um turista. E a desigualdade na Índia é tão grande que, acredite, na comparação o Brasil até parece um país socialista.

Visitando os templos do Kama Sutra

Mas, vamos ao ponto. Vamos para um dos lugares que eu mais apreciei: os “templos do Kama Sutra”, que como veremos, não tem nada a ver com o Kama Sutra, muito menos são odes ao sexo ou uma expressão de pornografia ou libertinagem na pequena cidade de Khajuraho, de 20.000 habitantes, mas que tem uma das atrações mais famosas da Índia, e que é Patrimônio da Humanidade. E é uma das atrações únicas na face da Terra, uma magia que só existe naquele lugar, onde se tem uma imagem única da vida antiga e de seus mitos.

Khajuraho: Patrimônio Mundial da Humanidade

Khajuraho: Patrimônio Mundial da Humanidade

O Kama Sutra, vem de Vatsyayana. A tradição diz que ele foi um estudante celibatário que viveu em Pataliputra, um importante centro de aprendizagem. Esta obra é do século 4, e é um guia de modos e comportamentos, sendo que uma pequena parte de seu conteúdo é dedicado ao sexo. Os “templos do Kama Sutra” de Khajuraho foram feitos por outra cultura, e em época bem posterior.

Templos do Kama Sutra em Khajuraho, Índia

Embora tenham cerca de 1.000 anos, eles só foram redescobertos em 1838 por um oficial do exército inglês, e certamente foi o isolamento que preservou este patrimônio da humanidade, pois embora apenas 10% das esculturas presentes são de natureza sexual, certamente o domínio islâmico da região iria resultar na destruição destas incríveis obras de arte.

Os templos são de duas religiões distintas: hinduísmo e jainismo, e se propõem a contar os 4 objetivos da vida, a Dharma, Artha, Kama e Moksha. Dharma é o dever religioso que produz riquezas. Artha são as riquezas que se transformaram em prazeres, e Kama significa o prazer, e Moksha diz respeito à reencarnação e uma nova vida.

Templos do Kama Sutra em Khajuraho, Índia

São vários templos para serem visitados em um dia, numa boa caminhada, e há vários bancos para uma parada, enquanto se aprecia o voo dos pássaros que dão vida aos jardins.

São similares no tempo às grandes catedrais medievais, sua decorações veneram todos os aspectos da vida, como o trabalho, a natureza, a guerra, e claro o sexo, que era visto como apenas mais um aspecto da vida, sem os tabus da sociedade Ocidental, e que deveria fazer parte das alegrias da vida. Estas estão misturadas com outras, como a de estátuas representando músicos, artistas, ou de tratadores interagindo com animais como os elefantes.

Sim, as esculturas eróticas são bem liberais, e mostram muitas das variações sobre o tema: homens, mulheres e animais em atividades sexuais, em algumas posições que se você tentar repetir vão levar a um… pescoço dolorido. Se isto lhe incomoda devido às suas convicções, simplesmente não vá. Uma das lições mais importantes que aprendi nestes 40 anos de viagens é que não devemos julgar outras culturas pelos nossos valores.

O sexo não era tabu em outras culturas que não tinham os valores ocidentais, como se vê Museu Larco no Peru, que tem uma sessão inteira dedicada à arte erótica, com representações de cenas sexuais, que eram parte das decorações das casas, ou a arte erótica de Pompeia, que está exposta no Museu Arqueológico de Nápoles.

Os templos estão bem preservados e os deuses em seu interior são belíssimos. Muito mais do que uma rica natureza artística, vale a reflexão sobre uma cultura diferente, com esculturas feitas com delicadeza e um realismo impressionantes.
A cidade é tranquila e acolhedora, um verdadeiro oásis no caos barulhento da Índia.

Os templos estão espalhados num parque, numa caminhada bem agradável, e um dia é suficiente para vê-los. Próximo à cidade há o parque Nacional de Panna, uma das reservas de tigres da Índia.

Ficamos no Hotel The Lalit Travel Khajuraho, um excelente 4 estrelas, muito limpo, com uma ótima piscina e SPA e com excelente localização a 10 minutos a pé dos templos. Pagamos 50 dólares pela diária do casal, com um ótimo café da manhã, e ainda fomos convidados a assistir uma bela festa de casamento que se realizava no Hotel.

E possível ir de Délhi a Khajuraho diretamente por avião. As comparas nos sites diretos das companhias aéreas indianas costumam ser recusadas pelas operadoras de cartão de crédito em razão das constantes fraudes, assim é melhor comparar de site consolidadores, de quem comprei os voos internos e que funcionou perfeitamente, e com taxas baixas.

15 dicas para planejar uma viagem à Índia

1 – Você decide… Pessoalmente não curto o modo mais barato e simples de ir para a Índia que é com uma excursão, que pode até ser contratada na CVC. Como tenho alguma experiência na Ásia, África e América Latina, sempre por conta. Queremos viajar, e não nós aborrecer, e não fazemos questão de luxo, a melhor solução é planejar um roteiro, e nos percursos de até 500 km. Alugar um carro (sempre com motorista, o trânsito indiano é insano) e fazer alguns trechos maiores de avião.

2 – Planeje sua viagem na época certa. Há menos calor e menos chuva de novembro a fevereiro, sendo que o carnaval é uma boa época, pois é uma baixa temporada. Evite a semana do ano novo chinês, por volta do fim de janeiro, pois é uma alta temporada na Ásia, com todos seus inconvenientes.

3 – Viajar pela Índia é barato? Só se você for mochileiro roots, pegando trens e dormindo em lugares sujos e tendo tempo e paciência para resolver todos os perrengues de locomoção sozinho o que é bem mais complicado do que em outros países da Ásia, África ou América Latina. Caso contrário, se fizer com motorista, e avião, não é um destino barato como outros países do Sudeste Asiático.

4 – Orçamento: Para viajar por conta num hotel confortável, comer fazer alguns trechos com carro, pagar as atrações, e comparar algumas lembranças considere algo como 100/150 dólares por dia, por pessoa viajando em dupla, ou seja, mais ou menos o que se gasta numa viagem para a Europa. De qualquer maneira é bem mais barato do que as agências brasileiras que oferecem roteiros na Índia.

5 -Personalização: Se você for num roteiro individual personalizado com tudo organizado, espere gastar no total algo como 300 dólares por dia por pessoa, se contratar uma operadora brasileira, e cerca de 200 se pesquisar uma agência indiana na internet.

Leitor Ernesto Lippmann em visita à Índia

6 – Transporte: É bastante complicado usar o trem na Índia, pois é necessário comprar os bilhetes com antecedência, mesmo em rotas equivalentes a um Rio- São Paulo, e só são aceitos cartões indianos, isto significa que você vai ficar na mão dos intermediários. Dependendo do seu roteiro uma boa ideia é alugar um carro com motorista para fazer seus deslocamentos entre as cidades. Tivemos uma ótima experiência com a India Car and Drive. Os carros eram bem mantidos, os motoristas foram atenciosos e estavam sempre no horário combinado, e foi 30% mais barato que outros orçamentos.

É costume se deixar uma gorjeta entre 10 e 20 dólares por dia para o motorista, se você for bem atendido. É mais econômico fazer apenas os trechos entre as cidades do que alugar o carro por uma semana. Assim, por exemplo, usamos o carro para ir de Khajuraho a Agra. E para ir ao Taj Mahal, ou ao Forte de Jaipur, se pode ir com um táxi, sendo desnecessário ter um carro próprio. As viagens nos ônibus urbanos são fáceis de fazer, e são uma experiência inesquecível como as que fizemos em Mumbai

7 – Avião na Índia:  Para os trechos mais longos o avião e as linhas internas são uma boa opção. Mas é difícil comprar direto no site das companhias indianas, pois devido ao grande número de golpes as operadoras de cartão recusam o pagamento, mesmo nos cartões de débito pré-pagos. A melhor alternativa são os sites de consolidadores e agências idôneas que representem a maioria das empresas. E prepare sua paciência nos aeroportos indianos. Num deles tivemos 8 checagens de bilhetes e revistas antes de entrar no avião.

8 – Celular: A habilitação de um simples chip de celular na Índia é uma pequena maratona, na qual você precisará apresentar seu passaporte original e visto, e vai demorar pelo menos 1 hora.

9 – Hotéis na Índia: Nunca chegue numa cidade sem hotel reservado. Isto significa uma multidão pegajosa querendo saber onde você vai e indicando hospedagens de gosto duvidoso, para receberem uma comissão. Não pense que você pode se livrar delas – elas esperam na saída da estação ou da rodoviária e são insistentes! Vale a pena reservar para evitar este perrengue. E nunca acredite quando dizem que o hotel que você reservou fechou, está lotado ou em reforma. Este é um dos truques mais velhos! Procure sempre pelos guichês de serviços pré-pagos, são mais caros, mas bem mais tranquilos do que ficar negociando com malas e dezenas de pessoas olhando curiosas.

10 – Ninguém merece adoecer em viagem! Ficar internado então, nem pensar! É recomendável fazer uma consulta na medicina dos viajantes antes do Hospital Emilio Ribas com médicos que atendem de graça e com muita atenção, e sugerem um kit de remédios para serem levados, além de aplicar a maioria das vacinas que são recomendáveis. Eu segui todos os conselhos, como não abrir mão da água mineral, somente comer comidas cozidas, dentre outros, e não tive nem mesmo uma modesta enxaqueca.

11 – Tenha o máximo de cuidado com a água, e só consuma após observar o lacre. Não coma salada, nem tome sucos. Toda a comida deve ser cozida. Imagine o que ter um estômago rebelde num lugar onde os banheiros minimante higienizados são uma raridade!

12 – Troca de dinheiro: Quando for numa casa de câmbio confira o valor recebido, pois são muitas notas, e os “enganos” fazem parte dos golpes.

13 – Compras: As compras de artesanatos e tecidos são uma tentação. Mas pechinche muito antes de fechar negócio.

14 – Roupas: Como em todo oriente, seja discreto nas roupas, e lembre-se que casais não se abraçam, ou mesmo andam de mãos dadas em público.

15 – Sugestão: Se for para outros lugares na Ásia, vá depois da Índia, porque a comparação entre a “facilidade” do dia a dia nos outros países como Tailândia, Singapura ou Malásia e o cotidiano na Índia, irá tornar as coisas mais estressantes.

E você, já foi ou pretende ir para a Índia. Ficou mais animado depois do relato, ou desistiu da viagem?


Agradecemos ao Ernesto pelo relato e dicas! Quer ver sua viagem publicada no MD? Mande um e-mail para convidado@melhoresdestinos.com.br!