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Briga de aeroportos? Proposta de aumento de passageiros no Santos Dumont gera polêmica

Luigi Rigoni
22/12/2025 às 18:22

Briga de aeroportos? Proposta de aumento de passageiros no Santos Dumont gera polêmica

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O limite de passageiros nos aeroportos cariocas voltou a ser discutido e reacendeu uma polêmica que já se arrasta há anos.

O ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, afirmou nesta segunda-feira (22), em entrevista à GloboNews, que o governo pretende aumentar o volume de passageiros do Aeroporto Santos Dumont.

Atualmente, o terminal tem um limite anual de 6,5 milhões de passageiros. A proposta é elevar esse número para 8 milhões até o fim de 2026. Mas por que o assunto gera tanta controvérsia?

Entenda a polêmica

Em 2023, quando o teto de passageiros foi estabelecido no Santos Dumont, a justificativa era equilibrar o fluxo de viajantes entre os dois principais aeroportos do Rio de Janeiro.

Na época, o Aeroporto Internacional do Galeão enfrentava um momento delicado, provocado por fatores como a forte concorrência com o Santos Dumont, os impactos da pandemia de 2020 e contratos de concessão que não vinham dando os resultados esperados.

Com a limitação de voos no Santos Dumont, o Galeão passou por um aumento expressivo. O número de passageiros saltou de 8 milhões em 2023 para 17 milhões em 2025.

Os dados foram divulgados pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, que demonstrou muita insatisfação com a possível mudança. Por meio das redes sociais no domingo, ele afirmou que “forças ocultas estão se movimentando na Anac para alterar uma política bem-sucedida”.

Em outra postagem, o prefeito acusou diretamente a companhia aérea Latam:

Em resposta, a Anac repudiou as acusações e afirmou atuar com transparência, seguindo diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos, do TCU e do Governo Federal.

Veja também:
Santos Dumont ou Galeão: qual aeroporto no Rio de Janeiro escolher para a sua viagem?

Quais os impactos da mudança

O ministro de Portos e Aeroportos afirmou que o aumento de 1,5 milhão de passageiros no Santos Dumont não deve afetar as operações do Galeão. Segundo ele, o crescimento da economia brasileira e do turismo internacional no Rio tende a aumentar naturalmente o movimento nos dois aeroportos.

O ministro também destacou que os terminais têm vocações diferentes. “O Galeão é importante pela sua história e pelo potencial no turismo internacional, que cresce no Rio. Mas também precisamos olhar para o Santos Dumont”, disse, comparando os aeroportos a filhos que precisam de atenção.

Com o aumento do teto, é provável que algumas rotas que haviam sido transferidas para o Galeão ou até canceladas retornem ao aeroporto central. Ainda assim, a principal preocupação da prefeitura é que as companhias aéreas priorizem a conveniência do Santos Dumont, reduzindo a oferta de voos no Galeão.

O Galeão em 2026

A discussão sobre o limite de voos no Santos Dumont ocorre em um momento sensível para o Galeão. Em março de 2026, o aeroporto será leiloado com o objetivo de garantir a sustentabilidade das operações. O lance mínimo fixado é de R$ 932 milhões.

Neste cenário, manter um bom fluxo de passageiros é considerado essencial para atrair investidores e reforçar a percepção de que o Galeão é um investimento viável e lucrativo.

Veja na íntegra da postagem do prefeito do Rio

“Forças ocultas estão se movimentando na ANAC para alterar a política bem sucedida do @govbr [conta oficial do governo federal] de restringir os voos no Aeroporto Santos Dumont para coordenar o sistema de aeroportos do Rio de Janeiro e fortalecer o Aeroporto Internacional do Galeão – que é fundamental para o desenvolvimento do Rio e do Brasil. Os números dos últimos 2 anos mostram isso com recorde de passageiros (17 milhões em 2025 x 8 milhões em 2023), turistas internacionais (+2 milhões em 2025) e amplo reconhecimento da medida que beneficiou o Rio e o Brasil. Depois de tanto esforço do Presidente Lula, do Ministro [de Portos e Aeroportos] Silvio Costa Filho e dos Ministros do TCU [Tribunal de Contas da União] para viabilizar o acordo e a relicitação do Galeão que acontecerá em março de 2026 – chama atenção a movimentação às escuras da Anac para flexibilizar a restrição de voos no Santos Dumont, que já é conhecidamente contrária aos interesses do Rio e do Brasil. Veja o despacho ANAC do dia 17 de dezembro convocando as companhias aéreas para reunião de última hora em que comunicaram a mudança! Inacreditável! E o mais grave: se baseando em parâmetros do acordo realizado no TCU – cuja decisão foi justamente para criar mecanismos de preservar a política pública que salvou e fortaleceu o Galeão! Um absurdo! Tenho certeza que o Presidente Lula @lulaoficial e o Ministro Silvio Costa @mporoficial não vão permitir que a maior conquista do @govbr para o Rio seja ameaçada por esses interesses que são no mínimo estranhos!”

Leia na íntegra a nota da Anac

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recebe com surpresa a postagem feita, em rede social, pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sobre operações nos aeroportos do Galeão e Santos Dumont. A Anac repudia qualquer insinuação de atuação “às escuras” ou de existência de “forças ocultas”, reafirmando que todos os seus atos ocorrem por meio de processos administrativos transparentes, auditáveis e devidamente documentados, em consonância com os princípios da administração pública.

A Anac reforça que é a autoridade da aviação civil brasileira e cumpre a diretriz de política pública estabelecida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), referendada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e alinhada às decisões do Governo Federal.

A Agência esclarece que mudanças nas operações dos dois aeroportos, com flexibilização das restrições no Santos Dumont, decorrem do acordo de repactuação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão do Aeroporto do Galeão, aprovado no âmbito TCU, em solução consensual entre os envolvidos, incluindo a concessionária do Galeão.

A flexibilização das operações do Santos Dumont vem sendo discutida desde junho deste ano, de forma aberta e transparente. A medida foi determinada pelo MPor, como instrumento para preservar a política pública de coordenação do sistema aeroportuário do Rio de Janeiro e assegurar a sustentabilidade do Galeão, inclusive no contexto da relicitação prevista para 2026.

Trata-se de um cenário complexo e, por esse motivo, a Anac coloca-se à disposição da Prefeitura do Rio de Janeiro para apresentar, de forma detalhada, todo o processo administrativo, seus fundamentos técnicos, jurídicos e as orientações recebidas tanto do TCU quanto do MPor, contribuindo para o esclarecimento público e o fortalecimento do diálogo institucional.

Assim que foi comunicada sobre a flexibilização, a Anac se reuniu com as companhias aéreas para avaliar, de maneira técnica e operacional, as possibilidades da alteração, considerando os ciclos de planejamento da malha aérea e as limitações operacionais apontadas pelas empresas.

A Agência reafirma, por fim, seu compromisso com a segurança jurídica, a previsibilidade regulatória e a fiel execução das políticas públicas estabelecidas para o setor de aviação civil, em benefício do Rio de Janeiro e do Brasil.”


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