Voamos na nova rota da Latam entre São Paulo e Bruxelas – como foi o voo?
Voamos na nova rota da Latam entre São Paulo e Bruxelas – como foi o voo?
Na semana passada, a Latam abriu um novo caminho entre o Brasil e a Europa e ele passa por uma cidade por onde pouca gente esperava: Bruxelas. Eu embarquei no segundo voo da nova rota entre a capital belga e Guarulhos e vou responder o que muita gente deve estar se perguntando: será que vale a pena trocar Paris, Madri ou Lisboa pela Bélgica na hora de cruzar o Atlântico?
Ao longo da viagem, encontrei um aeroporto agradável, uma excelente tripulação, um sistema de entretenimento que merece elogios e uma parceria importante com a Brussels Airlines. Por outro lado, também encontramos alguns desafios, tanto na operação ainda incipiente da Latam em Bruxelas quanto em um velho problema brasileiro: a demora na entrega de bagagens em Guarulhos.
E será que vale a pena usar Bruxelas para uma viagem à Europa? Como está sendo a conexão no aeroporto belga? Confira o review abaixo!

Bruxelas: destino ou nova porta de entrada para a Europa?
Antes mesmo de falar do voo, vale entender por que a Latam escolheu justamente Bruxelas.
A capital da Bélgica talvez não tenha o mesmo apelo turístico de Paris, Roma ou Lisboa para os brasileiros, mas reúne características que a tornam um tanto estratégica. Além de sediar instituições importantes da União Europeia, a cidade possui localização privilegiada, excelente rede ferroviária e um aeroporto relativamente eficiente para conexões.

E falando em conexões, Bruxelas também é a casa da Brussels Airlines, companhia do grupo Lufthansa, um antigo parceiro da Latam e que agora vai conectar o novo voo a 17 destinos logo de cara (veja mais abaixo).
Na prática, a Latam não está vendendo apenas uma rota para Bruxelas. Está criando uma nova porta de entrada para diversos destinos europeus.
Vale lembrar que a ligação com a Bélgica não chega a ser inédita: nos anos 90, a VASP chegou a operar São Paulo-Bruxelas com MD-11 durante alguns anos e relativo sucesso até sua falência.
Ficha rápida do voo São Paulo–Bruxelas: horários, duração, aeronave e preços
O novo voo foi lançado com três frequências semanais e se manteve assim – ao contrário da outra rota europeia estreante da Latam, a de Amsterdã, que já opera com seis voos semanais. Na ida, o voo sai de Guarulhos no comecinho da noite e chega a Bruxelas antes do almoço do dia seguinte. Na volta, parte no início da tarde e pousa em São Paulo ainda no mesmo dia.

A duração é de aproximadamente 11h50 na ida e 12h no sentido contrário (horários abaixo no fuso local de cada cidade).
| ORIGEM | DESTINO | VOO | PARTIDA | CHEGADA | FREQUÊNCIA |
| São Paulo | Bruxelas | LA 8088 | 18:10 | 10:50 | Segundas, quartas e sábados |
| Bruxelas | São Paulo | LA 8089 | 13:10 | 20:10 | Domingos, terças e quintas |
Todos os voos são operados com Boeing 787-9, com capacidade para 300 passageiros, sendo 270 assentos na cabine Economy e 30 na Premium Business.
💸 Preços: como editor de promoções do Melhores Destinos, acompanho semanalmente os preços das passagens aéreas e até agora não vi essa rota entrar em uma promoção. O menor preço que encontramos ficava na faixa de R$ 4.200 a R$ 4.500 em épocas de Mega Promo. Atualmente, você encontra ele por R$ 5.200 saindo de São Paulo ou de outras cidades com conexão, um valor salgado para a Europa nos dias de hoje, onde encontramos voos por R$ 4.000 ida e volta ou menos facilmente.
Em milhas, os resgates pelo Latam Pass partem de 85 mil milhas por trecho na econômica, o que também não é interessante, considerando que há opções para a Europa pela Latam por menos de 60 mil milhas. (Confira a página de alerta de emissões com milhas do Melhores Destinos).
Eu emiti esse voo por 25 mil milhas Avios pela Qatar Airways, parceira da Latam, o que me atendeu bem, já que eu precisava em uma data e rota específica e os voos estavam caros.
De trem do Centro de Bruxelas ao aeroporto
Uma das grandes vantagens de Bruxelas é a facilidade de acesso ao aeroporto.
As principais estações de trem da cidade são integradas ao terminal, permitindo chegar diretamente ao aeroporto sem necessidade de táxis ou ônibus. Para quem está hospedado no centro da cidade ou mesmo em outras regiões da Bélgica, da Holanda e da França, essa integração facilita bastante a logística da viagem.
Eu estava próximo da estação Bruxelas-Midi, que fica mais ao sul da cidade, e cheguei ao aeroporto em menos de 40 minutos, comprando o ticket na própria estação. Custou-me menos de 12 euros.
O aeroporto também causa uma boa primeira impressão. É limpo, organizado e relativamente fácil de navegar, especialmente quando comparado a alguns dos grandes hubs europeus.
Check-in e imigração: um contraste interessante
O balcão da Latam no Aeroporto de Bruxelas estava localizado na área de check-in 9, muito próximo do elevador que dava acesso à estação de trem do aeroporto. Então muito fácil e rápido se localizar e se locomover do centro até literalmente o check-in, mesmo com as malas para despachar.

Como cliente Black da Latam, tive acesso a alguns benefícios na viagem. O principal deles foi a franquia de três bagagens despachadas gratuitamente. Porém, a equipe do check-in era terceirizada e ainda não parecia totalmente familiarizada com os benefícios do status, algo compreensível em uma rota recém-inaugurada. Após uma breve explicação, porém, o despacho foi realizado sem dificuldades.
Outro benefício bastante útil foi o acesso ao fast track para a área de embarque, o que economizou alguns bons minutos em um horário que estava bastante movimentado.
O verdadeiro problema veio depois, na imigração de saída.
Entrei na fila às 10h30 e só consegui concluir o processo às 10h57. Apesar de diversos guichês estarem funcionando, o ritmo era extremamente lento.
Bruxelas não é um caso isolado. Com o novo EES (Entry/Exit System), vários aeroportos europeus estão registrando filas significativas nos controles migratórios, principalmente na entrada – o caso mais notório é Lisboa. Alguns países, como Itália e Espanha, têm facilitado a vida de brasileiros com fila automática, mas com o novo controle de fronteiras implementado recentemente, vale ficar atento aos tempos de espera.

Evidentemente, cada país tem o direito de proteger suas fronteiras da forma que considerar adequada, mas é difícil não questionar como um bloco de 27 países ainda enfrenta dificuldades para tornar esses processos mais eficientes em 2026. Nesta mesma viagem, passei pelo Japão, China e Hong Kong e não passei mais do que 5 minutos em filas de imigração, mesmo com eles lotados de visitantes.
Duty Free e uma lembrança belga
Depois da imigração, passei rapidamente pela área comercial do aeroporto, que é ampla. Há várias lojas de marcas luxuosas que minha carteira não permite acessar, mas que podem interessar se você for algum afortunado.
O que me interessou mesmo foi que o Duty Free de BRU oferece uma boa variedade de produtos tipicamente belgas, como chocolates, cervejas e até outros produtos locais, como queijos, que ocupam espaços de destaque.
Aproveitei para comprar uma barra de chocolate da tradicional marca Leonidas por apenas 3 euros, um preço bastante razoável para uma lembrança de última hora.

Sala VIP The View no Aeroporto de Bruxelas: uma grata surpresa
Nossa escolha antes do embarque foi a sala VIP The View, operada pelo próprio Aeroporto de Bruxelas. Eu confesso que, por ser uma sala operada pela gestora do aeroporto, fiquei receoso (geralmente são salas ruins). Mas no fim, foi uma grata surpresa.

A sala The View em Bruxelas é ampla, bonita, confortável e oferece diversos ambientes para trabalho, descanso ou refeições. A seleção de alimentos e bebidas é bastante interessante e inclui até cervejas belgas e chocolates. Mesmo com o alto movimento pelo horário, não estava lotada.
Outro ponto positivo é a acessibilidade. A sala está entre as opções disponíveis para passageiros que utilizam programas tanto para DragonPass, quanto para Priority Pass e LoungeKey. Eu entrei acessando com meu cartão Revolut Ultra, que tem acessos ilimitados para o titular.
Esta também é a sala VIP conveniada da Latam e clientes Platinum, Black e de classe executiva podem acessar caso estejam voando com a companhia. No entanto, não foi mencioado isso no check-in.

Cervejinha trapista belga à vontade… ô coisa boa!
Embarque rápido e tripulação exemplar da Latam
Fiquei na sala VIP The View Lounge até o aplicativo da Latam me avisar da hora do embarque. De lá até o portão, foram cerca de 10 minutos de caminhada.
Ao contrário do que vemos frequentemente nos aeroportos brasileiros, onde há uma longa lista de prioridades, em Bruxelas o processo seguiu basicamente a ordem dos grupos de embarque. Cheguei e já entrei, nem tive tempo para tirar foto.

A operação em solo foi realizada por equipe terceirizada, o que reforça a sensação de que a estrutura local ainda está em processo de amadurecimento.
Já a bordo, a tripulação da Latam que nos atendeu merece destaque especial. Desde o embarque até o pouso, os comissários demonstraram profissionalismo, simpatia e disposição genuína para ajudar os passageiros. Mudanças de assento, dúvidas e solicitações foram resolvidas com rapidez e cordialidade.
Em tempos em que as críticas costumam ganhar mais destaque, vale registrar quando uma equipe entrega um atendimento realmente acima da média.
Como é voar no Boeing 787 da Latam
O voo foi operado por um Boeing 787 Dreamliner, principal aeronave utilizada pela Latam em suas rotas intercontinentais. A cabine conta com janelas eletrocrômicas, sistema de entretenimento individual e configuração 3-3-3 na classe econômica.

Embora seja uma aeronave moderna, a densidade da cabine é relativamente alta. Passageiros mais altos podem sentir certo desconforto em voos de longa duração nos assentos mais ao fundo.
Como cliente Black, pude selecionar gratuitamente um assento Latam+ na fileira 12, próxima à saída e aos lavatórios. Além da localização conveniente, ainda tivemos a sorte de viajar sem ninguém ocupando o assento central.

Fones de ouvido, cobertores e travesseiro
Uma novidade que experimentei pela primeira vez foi a conexão de fones Bluetooth diretamente ao sistema de entretenimento. Parece um detalhe simples, mas melhora bastante a experiência ao eliminar a necessidade dos tradicionais fones distribuídos pelas companhias aéreas que são de baixa qualidade e não servem para muita coisa.

Além disso, nos voos longos, a Latam também oferece uma pequena manta e um travesseiro, ambos produzidos com materiais recicláveis, para que o cliente possa manter o conforto térmico ao longo do voo.
Latam Play merece elogios
Um dos destaques do voo foi o Latam Play. O sistema de entretenimento oferece um catálogo bastante robusto, com filmes recentes, séries, músicas, conteúdo infantil, animes, jogos e mapa interativo do voo. A tela também era de boa qualidade e reconhecia o toque com facilidade.

Chamou atenção especialmente a curadoria do conteúdo. Havia diversos títulos recentes disponíveis, além de conteúdos provenientes de parcerias com HBO, Disney e Globoplay. Se você preza por isso em um voo longo, é algo a se pensar.
Hoje, o Latam Play está facilmente entre os melhores sistemas de entretenimento disponíveis nas companhias aéreas que fazem voos internacionais no Brasil – e eu diria que no mundo.
Como é o serviço de bordo da Latam no voo para Bruxelas
Ao longo das quase 12 horas de voo, foram oferecidos três serviços de alimentação.
Cerca de uma hora e meia após a decolagem, os passageiros receberam uma refeição principal com opção entre massa ou carne, acompanhada de focaccia, biscoito, manteiga, stroopwafel e bebidas. Escolhi massa, que veio com molho vermelho, queijo e abobrinha. Sabor bom, mas a textura um pouco grudenta.
Na metade do voo, foi servido um snack com escolha entre batata frita ou barra de cereal.

Antes da chegada ao Brasil, uma segunda refeição quente foi servida, novamente com opções de massa ou carne com focaccia. Desta vez, escolhi carne com batatas e estava bem gostoso, servido, com bom ponto e tempero. Boa escolha. Aliás, essa focaccia da Latam também merece um elogio à parte.
Em geral, diria que o serviço de bordo não é surpreendente, mas tudo estava bem preparado, servido adequadamente e em quantidade suficiente para a duração da viagem. Quem prefere algo diferente, pode levar alguns snacks adicionais para comer ao longo do voo.
Chegada ao Brasil: atraso na bagagem em Guarulhos
Se o voo de Bruxelas deixou uma impressão positiva, Guarulhos acabou entregando o maior problema de toda a viagem.
O pouso ocorreu cerca de 20 minutos após o horário previsto, sem maiores impactos. A imigração foi rápida e merece elogios pelo aumento do número de portões automatizados para brasileiros.
O problema apareceu na restituição de bagagens.
Chegamos à área de esteiras por volta das 20h45 e só recebemos nossas malas perto das 22h. Mais de uma hora de espera.

O impacto vai muito além do desconforto. Como todo passageiro que chega ao Brasil precisa obrigatoriamente retirar sua bagagem para passar pela fiscalização aduaneira e realizar novo despacho em caso de conexão doméstica, acabamos perdendo nosso voo para Curitiba, programado para as 23h05.
Segundo funcionários da Latam que auxiliavam passageiros na área de desembarque, outros voos internacionais enfrentavam situação semelhante e a culpa era da Receita Federal. Havia relatos de passageiros vindos de Miami aguardando quase três horas pela entrega de bagagens.
Independentemente das causas, trata-se de uma situação incompatível com o principal aeroporto da América Latina.
O verdadeiro trunfo da rota: as conexões
Mais importante que Bruxelas em si é a parceria firmada entre Latam e Brussels Airlines.
A partir da capital belga, os passageiros passam a ter acesso a 17 destinos europeus em voos operados pela companhia belga, incluindo Berlim, Hamburgo, Munique, Frankfurt, Estocolmo, Gotemburgo, Copenhague, Zurique, Genebra, Praga, Oslo, Manchester, Varsóvia, Cracóvia, Lyon, Marselha e Toulouse.
Os voos são vendidos em codeshare, com reserva integrada, check-in único, bagagem despachada até o destino final e proteção em caso de conexões perdidas. Na prática, isso transforma Bruxelas em um novo hub europeu para a Latam, ampliando significativamente as possibilidades para os passageiros brasileiros.
Mas além disso, Bruxelas entrega conexões interessantes com outras companhias tradicionais para outros cantos da Europa, o que permite montar roteiros mais amplos. E de trem, você chega muito fácil e rápido à França, Holanda, Alemanha e Inglaterra.
E até para a Ásia é possível fazer algumas emissões interessantes – incluindo com milhas – como para Hong Kong com a Cathay Pacific, Japão com a ANA e via Helsinque com a Finnair, para o Oriente Médio com Qatar, Etihad e Emirates, e Bangkok com a Thai Airways, todos destinos com voos diretos a partir de Bruxelas.
Para quem pensa em conectar com low costs com Ryanair, a má notícia é que elas não operam por ali, mas no aeroporto secundário de Bruxelas que é o Aeroporto de Charleroi Bruxelas Sul (CRL), popularmente conhecido como Aeroporto de Charleroi. Ele fica a cerca de 55 minutos do Centro da cidade e pode ser acessado de ônibus ou trem. Não deixa de ser uma opção interessante para quem busca preços preços, mas vale ficar atento à logística.

Vale a pena voar para Bruxelas?
Depois desta experiência, saí com a impressão de que Bruxelas talvez não seja o destino mais óbvio da malha europeia da Latam – e justamente por isso pode ser um dos mais interessantes.
O aeroporto é agradável, a integração ferroviária funciona muito bem e a parceria com a Brussels Airlines amplia significativamente as opções de conexão pelo continente.

Se a rota conseguir consolidar esse papel de porta de entrada alternativa para a Europa Ocidental, complementando os tradicionais hubs de Paris, Madri, Londres, a aposta da Latam pode se mostrar muito mais inteligente do que parecia à primeira vista.
E você, o que acha dessa nova rota para Bruxelas? Pensa em voar nela caso esteja com preço bom? Deixe sua participação nos comentários!
Cleverson Lima
Sou editor de Promoções no Melhores Destinos – ou, traduzindo: passo boa parte do dia garimpando ofertas de viagem na internet para ajudar você a viajar mais gastando menos. Sou de Curitiba, publicitário e escrevo no MD e no Melhores Cartões sobre passagens aéreas, milhas, cartões e contas digitais.
Tenho 40 países na bagagem, uma queda por grandes cidades, destinos históricos, comida de rua e viagens que rendem histórias. De preferência, acumulando alguns pontinhos no caminho. Além disso, sou Superhost no Airbnb, porque receber bem também é parte da viagem.
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