Em recuperação judicial, Azul espera cortar mais de 50 rotas e deixar de operar em 13 cidades
Em recuperação judicial, Azul espera cortar mais de 50 rotas e deixar de operar em 13 cidades
A companhia aérea Azul já faz planos para o futuro imediato no contexto de sua recuperação judicial, processo que pode ser concluído entre o fim de dezembro de 2025 e o início de 2026. Uma das projeções da empresa é cortar 53 rotas de menor rentabilidade e sair de 13 cidades! As informações estão em uma apresentação institucional divulgada no início deste mês.
Com a redução prevista e já anunciada de 35% de sua frota futura, a empresa afirma que passará por uma “redução significativa de novos mercados” e terá “uma malha simplificada”. Com isso, a estratégia da Azul é focar no que considera “demanda de maior rentabilidade” e atuar com passagens aéreas mais caras.

Não se sabe ao certo quais são as rotas e as cidades que poderiam deixar de ter operações da companhia e se os números consideram encerramentos já efetuados. Mas fato é que a Azul vem reduzindo sua malha aérea doméstica e internacional desde o início deste ano, antes mesmo de entrar em recuperação judicial. Em fevereiro, a empresa anunciou cortes em 14 cidades brasileiras. Em junho, foi a vez dos voos internacionais.
Nos documentos, a Azul menciona, ainda, uma “mudança no produto a bordo”, mas não traz mais detalhes. Vale ressaltar que a empresa vem testando o modelo de serviço de bordo pago.

A ideia da companhia aérea também é concentrar a operação em seus principais hubs (como Viracopos, em Campinas, Confins, em Belo Horizonte, e Recife) e depender menos de conexões. O objetivo é chegar a uma ocupação média de 83% em seus voos, o que leva a empresa a esperar um aumento em “receitas auxiliares” por passageiro – exemplos comuns são a cobrança por bagagem e marcação de assento.
Recuperação judicial da Azul
O processo de reorganização financeira da Azul está avançando nos Estados Unidos. No fim de julho, a empresa informou que recebeu aprovação do tribunal local, onde mantém as ações relacionadas à sua recuperação judicial, para um financiamento de US$ 1,6 bilhão. O empréstimo faz parte da estratégia da empresa para reestruturar suas dívidas e garantir a continuidade dos voos enquanto reorganiza as finanças.

O financiamento anunciado era algo que a companhia almejava desde que entrou em recuperação judicial, e é um passo importante para o andamento do processo. A companhia também espera eliminar US$ 2 bilhões em dívidas.
No início de julho, em outro desdobramento, definiu-se que a companhia aérea devolverá menos aviões do que o previsto – uma redução de 20 para 12 – além de sete motores.

A Azul entrou em recuperação judicial em maio deste ano. A medida foi protocolada em Nova York sob o Capítulo 11 (Chapter 11) da Lei de Falências dos EUA – um dispositivo que protege empresas estrangeiras contra ações judiciais de credores no país enquanto reorganizam suas finanças em seus territórios de origem. É o mesmo modelo usado pela Gol no começo de 2024 e pela Latam em maio de 2020.
A dívida da Azul era motivo de preocupação no mercado há algum tempo, passando de R$ 30 bilhões no primeiro trimestre de 2025.