Conheça 5 aviões futuristas que podem revolucionar as viagens aéreas – um deles já tem até encomendas!
Conheça 5 aviões futuristas que podem revolucionar as viagens aéreas – um deles já tem até encomendas!
Voar em uma asa de avião pode ser uma cena comum em um futuro próximo. Mas calma lá: não estamos falando da imagem absurda de passageiros sentados do lado de fora porque as companhias aéreas estão cada vez mais restritivas e “criativas” em seu espaço a bordo, mas sim de uma série de aviões em formato de asa que prometem revolucionar as viagens.

Os chamados wing body são vistos como a próxima geração de aviões comerciais. O aspecto futurista não é por acaso: as fabricantes dizem que o formato de asa contribui para a redução no consumo de combustível por conta do menor arrasto aerodinâmico (ou da resistência do ar). O querosene de aviação é um dos maiores custos para as companhias aéreas, e projetos assim podem ser altamente atraentes, e também podem ajudar as empresas no cumprimento de metas ambientais.
Além disso, o interior dos aviões também chama muito a atenção, com o elemento futurista também presente e uma série de novos desenvolvimentos de assentos e disposições diferentes. Mas que bebe da fonte da aviação atual, com primeira classe, classe executiva e classe econômica. As fabricantes também prometem mais espaço para os passageiros e aviões silenciosos, mas será que na prática vamos ver isso mesmo?

Pode não demorar muito para tirarmos a prova, já que um futuro assim está mais próximo do que você pode imaginar! A expectativa do setor aéreo é que o primeiro avião em formato de asa decole no início da próxima década, já em operação regular de passageiros.
Evidentemente, ainda faltam muitas etapas de testes e desenvolvimento até que se chegue no formato definitivo que guiará as fábricas, bem como as certificações de autoridades de aviação civil, mas nunca estivemos tão próximos dessa realidade!
Qual foi o primeiro avião em formato de asa?
Engana-se quem pensa que a humanidade só começou a pensar em aviões em formato de asa há pouco tempo. Um dos primeiros projetos (e talvez, de fato, o primeiro) data de 1923! Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o desenvolvimento de aviões avançou para uso pacífico e para benefício da sociedade.

Chamado de Westland Dreadnought, da extinta fabricante Westland, o avião tinha uma proposta que unia a fuselagem e as asas como um “aerofólio contínuo”. Depois de conduzidos os testes, o modelo alçou voo, mas foi um grande desastre: após uma decolagem tranquila, o comandante do Dreadnought perdeu o controle do avião, que caiu de uma altura de 30 metros. Foi o suficiente para que ele ficasse gravemente ferido, a ponto de ter as duas pernas amputadas.

Mesmo com o projeto desastroso, pode-se dizer que o Dreadnought é o precursor do que vemos hoje e que poderá ser o novo normal nos céus para todos nós. Vale ressaltar que projetos assim exigem muitos anos de estudos e testes para que seu uso seja comprovadamente vantajoso, justificado e seguro.
No meio militar, porém, já é uma realidade: basta olharmos para o caso do B-21, avião bombardeiro usado recentemente pelos Estados Unidos em um ataque contra o Irã.

Com esse breve contexto em mente, você conhece abaixo um pouco mais sobre 5 dessas ideias engenhosas para o transporte de passageiros. Poderiam estar apenas em episódios do desenho animado Os Jetsons ou em filmes de ficção científica, mas estão aqui, em 2025, e de forma bastante real!
Z4 – fabricante: JetZero

A JetZero lidera a corrida dos aviões wing body. Fundada em 2020, a empresa tem a meta de fabricar o seu primeiro modelo para voos comerciais – o Z4 – até 2030. Segundo a JetZero, o projeto está dentro do cronograma estabelecido, sendo que a etapa mais recente foi a conclusão da “revisão crítica” do projeto junto à Força Aérea dos Estados Unidos.
O Z4 deverá ter capacidade para 250 passageiros e autonomia de voo de pouco mais de 9 mil quilômetros. Segundo a JetZero, o modelo já estará adaptado para a infraestrutura atual dos aeroportos – ou seja, não haverá necessidade de ajustes para comportar as asas voadoras.

Tanto a JetZero quanto seus concorrentes apostam em elementos de sustentabilidade para atrair, inicialmente, os compradores. O Z4, segundo a fabricante, poderá economizar 50% de combustível em comparação às gerações atuais de aviões.
Isso porque o principal benefício do formato de asa, por exemplo, é que toda a estrutura contribui para a sua decolagem, ao contrário dos atuais modelos em formato de tubo. O combustível pode ser tanto o convencional quanto uma mistura que inclua a versão sustentável de aviação.
A JetZero criou um grupo de trabalho com mais de 15 companhias aéreas para colaborarem com ideias para o desenvolvimento do projeto. Entre os pedidos das empresas está a “redução de risco”, com a exigência de uso de peças e elementos já certificados, até mesmo para que o projeto avance mais rápido. Ou seja, a JetZero não está autorizada a inventar (tanta) moda.

Ainda entre as companhias aéreas, os norte-americanos saíram na frente para colocar o avião em suas frotas. A United Airlines anunciou um pedido de 100 modelos Z4 com opção para mais 100, o que depende de marcos a serem atingidos pela JetZero no projeto. A Alaska Airlines, por sua vez, fez um aporte financeiro na empresa e anunciou um número não revelado de opções de Z4. Não há data prevista para entrega da primeira unidade às companhias aéreas.
A fabricante espera ter o seu primeiro protótipo em tamanho real para testes de voo em 2027. Neste momento, os estudos seguem sendo feitos em torno de modelos em escala reduzida e simulações virtuais.
- Dimensões: não informado
- Capacidade de passageiros: 250
- Autonomia de voo: 9.200 km
- Companhias aéreas com pedidos: United Airlines e Alaska Airlines
- Total de pedidos: 200+
- Tipos de uso: comercial, carga, militar
- Exemplos hipotéticos de rotas a partir do Brasil: São Paulo–Lisboa, Fortaleza–Miami, Rio de Janeiro–Paris (no limite de autonomia), Recife–Madri, São Paulo–Nova York
Horizon – fabricante: Natilus

Atualmente, a Natilus é a principal concorrente da JetZero. A fabricante foi criada em 2016 e reúne profissionais que já passaram até mesmo pela SpaceX, de exploração espacial! Depois de alguns anos focada no desenvolvimento do avião de carga Kona, a empresa anunciou em outubro do ano passado o início do projeto do seu primeiro modelo para transporte de passageiros, o Horizon.
Ainda que esteja atrasada no cronograma em relação à JetZero, a Natilus promete entregar o primeiro avião para uso comercial no início da próxima década, mas a empresa sequer tem uma fábrica neste momento para a montagem do Horizon.

A ideia é que o modelo comercial tenha capacidade para até 200 passageiros. Ao contrário da JetZero, a Natilus já divulgou até mesmo conceitos completos das cabines do Horizon.
A proposta inclui espaços de primeira classe, classe executiva, econômica premium e econômica tradicional – por isso, o número de assentos pode variar.
O design é futurista, aposta em ajustes individuais de iluminação, privacidade, espaços para grupos de até quatro pessoas e traz, inclusive, a ideia de salas de reunião. E na classe econômica veremos o primeiro avião comercial com três corredores!
- Área com quatro assentos para viagens em grupo
- Assento de primeira classe na Horizon
- Salas de reunião
- Área interna da sala de reunião
- Assentos de classe econômica
- Mapa de assentos do Horizon
Embora a Natilus não tenha divulgado a autonomia do Horizon, a empresa afirma que o modelo poderá voar em rotas como Boston–Los Angeles e Nova York–Londres. Isso nos leva a crer que a capacidade de voo sem paradas seria de algo em torno de 6 mil quilômetros.
A Natilus promete concorrer com o Boeing 737 e o Airbus A320, modelos mais usados atualmente no mercado e escalados para viagens de curta e média distância.
Em seu site, a fabricante aponta alguns elementos que contribuem para ganhos de eficiência em relação aos modelos atuais de aviões: 50% menos emissões de CO2, 40% mais espaço para carga, 30% menos consumo de combustível e o fato de ser 25% mais leve.
Assim como a JetZero, a Natilus destaca o formato de asa como um fator que reduz o arrasto do avião e permite mais economia de combustível para as companhias aéreas.

Como já dissemos, a Natilus tem em seu portfólio o Kona, irmão mais velho do Horizon voltado ao transporte de carga. Autônomo, o primeiro modelo deve ser entregue ainda em 2025. As descobertas e as tecnologias usadas no Kona serão adaptadas para a versão comercial.
- Dimensões: não informado
- Capacidade de passageiros: 200
- Autonomia de voo: aproximadamente 6.000 km
- Companhias aéreas com pedidos: não divulgado
- Total de pedidos: 500+ entre Kona e Horizon (a Natilus não divulgou os números separadamente)
- Tipos de uso: comercial
- Exemplos hipotéticos de rotas a partir do Brasil: Fortaleza–Buenos Aires, Natal–Lisboa, Manaus–Miami, Fortaleza–Nova York, Rio de Janeiro–Santiago
Flying V – idealizadores: TU Delft e KLM

Com a KLM sendo uma companhia aérea e a TU Delft uma universidade holandesa, obviamente não veremos nada saindo de fábrica pelas mãos delas. No entanto, a empresa e a instituição de ensino se uniram em torno do Flying V, um projeto de avião de longo alcance em formato de asa. A fabricante Airbus é parceira do projeto (será uma pista?).
A KLM e a TU Delft afirmam que o Flying V poderá ter uma capacidade de 361 assentos em uma configuração de classes executiva e econômica. As dimensões projetadas do avião são de 57 metros de comprimento, 65 metros de envergadura e 17 metros de altura, o que coloca o Flying V muito perto do Airbus A350-1000, o modelo comercial mais tecnológico da atualidade, em termos de tamanho!

Com tanto espaço disponível, a KLM e a TU Delft também já imaginaram como serão as cabines a bordo. Um dos exemplos é uma área com quatro assentos e uma mesa no meio, para que os passageiros possam viajar juntos e se sentar frente a frente.
Outro formato são fileiras de assentos escalonados, posicionados de forma perpendicular à cabine, que acomodam passageiros viajando sozinhos, o que supostamente aumenta o espaço para os ombros e as pernas e dá uma sensação maior de isolamento.
- Aspecto geral da cabine
- Mesa com quatro assentos
- Assentos perpendiculares
- Área com assentos-cama
- Espreguiçadeiras
Espreguiçadeiras (ou chaise longue) também são consideradas – nesta configuração, fileiras alternadas de assentos são montadas no teto! Este tipo de layout permite que os passageiros se acomodem em diferentes posturas. Por fim, as empresas também pensaram em um módulo de cama de três leitos que é convertível em um banco de três lugares.
A KLM e a TU Delft afirmam que o consumo de combustível pode ser 20% menor do que o Airbus A350-1000. O argumento é o mesmo dos outros projetos: o formato de asa produz menos arrasto aerodinâmico permitindo, por exemplo, que o avião decole e trafegue no ar sem tanta resistência.

O Flying V está atualmente em fase de testes em um modelo de tamanho reduzido. Segundo a KLM, pilotos da companhia aérea acompanham as simulações de voo, e outras equipes também contribuem com informações e novas ideias. A KLM e TU Delft não têm uma data prevista para a entrada em operação do Flying V.
- Dimensões: 57 x 65 x 17m (comprimento x envergadura x altura)
- Capacidade de passageiros: 361
- Autonomia de voo: 16.000 km (em uma comparação livre com o A350-1000)
- Companhias aéreas com pedidos: 0 (podemos apostar que a primeira será a KLM, certo?)
- Total de pedidos: 0
- Tipos de uso: comercial
- Exemplos hipotéticos de rotas a partir do Brasil: São Paulo–Sydney, Fortaleza–Tóquio, Manaus–Pequim, Rio de Janeiro-Auckland
Menções honrosas – Maveric (Airbus) e X-48 (Boeing)

As duas maiores fabricantes de aviões do mundo também têm protótipos em formato de asa para chamar de seus, e podemos dizer que são pioneiras, como costumam ser no setor. Muito mais discretas em comparação ao barulho que JetZero e Natilus têm feito, as empresas certamente estão, nos bastidores, de olho nas asas voadoras.
No entanto, com a concorrência sempre acirrada entre as duas empresas sobre os aviões atualmente em fabricação e operação, a Boeing e a Airbus definitivamente têm outras preocupações (em outras palavras, as empresas têm mais o que fazer).
Os norte-americanos trabalham para entregar logo o Boeing 777X, que já está atrasado, enquanto os europeus tentam colocar de pé o A350-1000 de ultra longo alcance, que está com o cronograma de entregas apertado.

De toda forma, é possível imaginar que Airbus e Boeing contam com equipes especializadas e dedicadas para o desenvolvimento dos wing bodies que vão concorrer com as opções que chegarão ao mercado antes.
Não há, hoje, qualquer indício de data para que as duas maiores fabricantes de aviões do mundo apresentem um projeto definitivo neste sentido e comecem a receber pedidos de companhias aéreas.
Abaixo, você conhece um pouco mais sobre os modelos de Airbus e Boeing.
Maveric

O Maveric foi anunciado oficialmente pela Airbus em 2020. Não há muitas informações disponíveis sobre o projeto, mas a fabricante europeia afirma que o avião pode gerar uma economia de 20% de combustível sobre os modelos atuais por conta do formato de asa.
E as portas ficam claramente abertas para o futuro, já que, segundo a Airbus, a próxima geração de aviões de corredor único “tem muito a aprender a partir do Maveric”.
O primeiro voo-teste ocorreu ainda em 2019 com um modelo de tamanho reduzido (2 metros de comprimento e 3 metros de largura), depois de certo ceticismo dentro da Airbus. O Maveric chegou a ser chamado de “hobby” e de algo que não traria conhecimento suficiente para a empresa. No fim das contas, porém, parece ter conquistado corações.
Embora o Maveric não seja a solução definitiva por si só, será a base da fabricante para o futuro. E vale lembrar que, como já dissemos acima, a Airbus é parceira da KLM e da TU Delft no projeto do Flying V!
X-48

O avião em formato de asa da Boeing é bem mais antigo. Remonta aos anos 90, mais especificamente a 1997, depois da fusão com a fabricante McDonnell Douglas. À época, nasceu e decolou o primeiro protótipo de avião em formato de asa em escala reduzida produzido pela empresa. O projeto avançou, ganhou apoio da Nasa, e, em 2001, uma versão do X-48 com 10 metros de envergadura foi testada.
A agência espacial dos Estados Unidos deixou o projeto de lado em 2002, mas a Boeing deu sequência ao X-48 e realizou mais uma série de voos-teste até 2013, quando os estudos foram finalizados. Os protótipos nunca avançaram para além de versões em tamanho reduzido.

Depois da conclusão, a Boeing e a Nasa anunciaram planos para um demonstrador maior, com capacidade de voos transoceânicos. No entanto, como podemos notar, isso (ainda) não aconteceu.
De toda forma, segundo a Boeing, “as pesquisas e os dados adquiridos continuam a influenciar estudos em andamento e potenciais projetos futuros relacionados a aeronaves com fuselagem de asa integrada”. Assim como a Airbus, os norte-americanos claramente estão de olho nesse mercado.
Cabe destacar, por fim, que a JetZero pode ser vista como uma “sucessora” do X-48. Isso porque entre os fundadores da empresa estão Mark Page, Bob Liebeck e Blaine Rawdon, que levam os créditos por inventarem o X-48 ainda na McDonnell Douglas!
Não sei você, mas eu estou 100% pronto para esse futuro. Conte nos comentários qual é o seu projeto favorito e em quais rotas você gostaria de voar com esses aviões maravilhosos!