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Preço do combustível de aviação sobe quase 14% em setembro – como isso afeta as suas viagens?

Mateus Tamiozzo
02/09/2026 às 13:43

Preço do combustível de aviação sobe quase 14% em setembro – como isso afeta as suas viagens?

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A Petrobras elevou o preço do combustível de aviação (QAV) para setembro. A estatal informou que o valor médio do insumo foi reajustado em 13,9%, equivalente a R$ 0,68 por litro em relação ao mês passado. No acumulado de 2026, o aumento é de 53,3%, correspondente a R$ 1,94 por litro em comparação ao preço de dezembro de 2025.

Segundo a empresa, o reajuste reflete a “elevação das cotações internacionais do querosene de aviação, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio“. Os Estados Unidos e o Irã estão em um conflito na região desde março, o que tem impactado os preços do petróleo, uma vez que 20% da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.

Ainda de acordo com a Petrobras, a precificação do QAV no Brasil segue uma “fórmula paramétrica contratual que atua como amortecedor de curto prazo, resultando em ajustes mais moderados do que os observados nos mercados internacionais”.

De acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o preço do QAV em julho (último dado disponível) ficou em R$ 4,89 o litro. No auge da crise, chegou a R$ 6,45 o litro em maio, e atingiu R$ 5,66 em junho. Antes da guerra, o valor era de R$ 3,65 o litro. O cenário mais recente, portanto, é de queda, acompanhando as reduções feitas pela Petrobras em junho e julho. Agora, contudo, é possível que vejamos um “repique” nos preços.

Passagens aéreas podem ficar mais caras?

Como em qualquer outro setor da economia, as companhias aéreas tendem a repassar custos extras ao consumidor – portanto, a resposta objetiva é sim, considerando o aumento de quase 14% para setembro. E essa já é uma realidade praticamente desde o início do conflito, com passagens aéreas mais caras e a redução de voos em determinadas rotas.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a crise no Oriente Médio fez com que o combustível de aviação passasse a responder por cerca de 45% dos custos de operação das companhias – esse número ficava na casa de 30% antes de março. Isso naturalmente fez com que a pressão sobre as passagens aumentasse.

No segundo trimestre deste ano, a Azul gastou 41% a mais com combustível em comparação com o mesmo período do ano passado. O Grupo Abra, do qual fazem parte Gol e Avianca, viu os custos com o insumo aumentarem 80% na mesma comparação, enquanto o Grupo Latam (que inclui a operação brasileira e de outros quatro países) atingiu 93%.

Esse impacto é claramente sentido nas passagens aéreas. A Azul, por exemplo, registrou tarifas médias quase 10% mais caras entre abril e junho, na comparação com os mesmos meses de 2025 – a Gol e a Latam não fornecem esse dado em seus relatórios de resultados. Os dados da Anac, entretanto, trazem um recorte nacional das três companhias, e mostram que a tarifa média ficou em R$ 655 no segundo trimestre deste ano, contra R$ 612 no ano passado.

Brasil corre risco de ficar sem QAV?

Atualmente, não. Segundo a Petrobras, os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para o mês de setembro estão confirmados, “garantindo o abastecimento nos polos de atendimento”.

Fato é que o Brasil produz cerca de 80% do QAV que consome, segundo a Abear, o que coloca o país em uma posição confortável frente à possibilidade de escassez. A América Latina como um todo, de acordo com a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), importa do Oriente Médio apenas 2% do combustível de aviação que precisa para atender à demanda regional.

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Mateus Tamiozzo
Mateus Tamiozzo

Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.

Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!

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