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PIX deve acelerar mudanças no mercado de cartões de crédito, com benefícios para os clientes

Leonardo Cassol
22/10/2020 às 9:43

PIX deve acelerar mudanças no mercado de cartões de crédito, com benefícios para os clientes

Em menos de um mês vai ser lançado no Brasil o PIX, novo meio de pagamento eletrônico instantâneo, desenvolvido pelo Banco Central. A plataforma, disponível a partir de 16 de novembro, vai permitir a realização de transferências bancárias sem custo, a qualquer momento (24 horas por dia, 7 dias por semana), com o uso de informações simples (como e-mail, número do telefone ou CPF). E as transações serão efetivadas de forma instantânea.

O impacto do PIX vai muito além da facilidade para valores trocarem de mãos. Ele deve mudar de maneira permanente a nossa relação com o dinheiro em espécie e com o cartão de débito, além de ter potencial para tornar os boletos bancários tão atuais quanto um aparelho de vídeo cassete ou uma máquina de escrever, com ganhos no tempo de processamento e no custo de transação.

Mas quem acha que o PIX só vai mexer com transações à vista está enganado. Há previsão de uma versão de pagamento pré-datado do PIX, inclusive com parcelamento, numa segunda fase de implantação da ferramenta, prevista para julho de 2021. Por conta disso, o mercado de cartões de crédito deverá ser impactado nos próximos anos.

Nesse post você confere quem ganha e quem perde com o PIX e as mudanças que o novo sistema deve provocar no mercado de cartões de crédito e na vida de seus clientes. Confira:

Quem ganha com o PIX?

Os principais ganhadores, sem dúvida, são os consumidores, que terão mais facilidade e deixarão de pagar tarifas de transferências bancárias (DOC e TED) . Mas não apenas eles. Os recebedores serão fortemente beneficiados. A modalidade não será gratuita para lojistas e outras pessoas jurídicas, mas terá um custo muito menor para as empresas.

Além disso, disseminação do PIX deve favorecer as Fintechs, sejam bancos digitais (como o Nubank, C6 Bank, Inter, Original e BS2) e carteiras digitais (PagSeguro, PayPal, Mercado Pago, Apple Pay e PicPay), que passarão a contar com uma rede de aceitação muito maior. A mudança também cria um mercado para o surgimento de outras empresas de tecnologia e serviços financeiros e para novos modelos de negócio, como o de crédito garantido.

Se antes uma empresa precisava investir muito tempo e dinheiro na criação de sua própria plataforma de soluções financeiras, e de um contrato com suas parcerias, agora ela só precisa de uma simples interface com o PIX (chamada de API). Os especialistas afirmam que esta é uma das grandes vantagens do PIX, um grande passo para um sistema bancário aberto e mais competitivo no Brasil (conhecido como open banking). As pessoas não precisarão mais manter contas em vários bancos, porque as transferências entre eles serão gratuitas.

Quem sai perdendo com o PIX?

Por outro lado, há perdedores com o PIX. Para cada venda processada por um cartão de crédito ou débito hoje, o estabelecimento comercial é cobrado por um percentual da transação (chamado de MDR, do inglês Merchant Discount Rate), composto por três tarifas: a de intercâmbio (que fica com o banco associado ao cartão), a de bandeira (que vai para Visa, MasterCard, Elo ou American Express), e uma terceira, retida pela empresa que processa o pagamento (vai para a dona da maquininha). Com o PIX esses três intermediários deixam de ser necessários e vão precisar reinventar seus negócios. Para se ter uma ideia, a taxa média cobrada hoje é 1,7% por transação na maquininha, podendo passar de 5%.

O mercado também estima que os bancos de varejo percam até 8% de suas receitas com o PIX, não apenas com a redução nas taxas de processamento de compras do débito, mas com a perda de tarifas de transferências de TED e DOC, além de outros serviços associados.

Dados da Abecs, associação que representa as empresas do setor de meios eletrônicos de pagamento no Brasil, em 2019 as compras com cartão movimentaram R$ 1,84 trilhão, um crescimento de 18,7% em relação a 2018. Quase dois terços desse montante foram de pagamentos com cartões de crédito, modalidade mais rentável para o setor, uma vez que permite a exploração de serviços financeiros, como a antecipação de recebíveis para os lojistas.

4 tendências que o PIX deve impulsionar no mercado de cartões de crédito

1. O fim da anuidade

A tendência para os próximos anos, com o avanço do PIX, é que os cartões sem anuidade ganhem ainda mais espaço e que as instituições financeiras ofereçam cada vez mais isenção de anuidade mediante os gastos com o cartão de crédito. Com o aumento da concorrência entre os meios de pagamento e dentro do próprio mercado de cartões de crédito, vai ser difícil um produto sobreviver cobrando taxas dos clientes sem oferecer alternativas com custo zero ou reduzido. A mudança não será de uma hora para outra, mas virá!

2. Maior flexibilidade e novos formatos para a liberação de limite de crédito

Isso começou a acontecer. Por exemplo, o C6 Bank, o Banco Inter e o PagBank do PagSeguro lançaram cartões com limite de crédito atrelado a investimentos em renda fixa – CDB (Certificado de Depósito Bancário). Nessa modalidade de “limite investido”, o que você aplica no fundo é revertido para o limite do cartão de crédito, enquanto o dinheiro fica rendendo na conta.

O Banco Inter está oferecendo rendimentos de 100% do CDI e o PagSeguro promete 170% do CDI (CDI é uma referência para investimentos, representando a taxa anual de juros que os bancos cobram para empréstimos entre eles). Isso não exime o cliente de passar por uma análise de crédito, mas dá segurança às instituições para liberar limite, já que elas podem utilizar os recursos da aplicação em caso de inadimplência.

Já o Banco Bari lançou em 2019 uma modalidade diferente, prometendo limite de até R$ 1 milhão para clientes com imóveis quitados. É possível ter o limite na metade do valor de mercado do imóvel, que é usado como garantia do pagamento. Será que num futuro próximo também poderemos usar o carro, a previdência e outros tipos de bens e investimentos como garantia para limite de crédito? Eu aposto que sim!

3. Benefícios diretos e mais claros para incentivar o uso do cartão

Gaste esse valor e receba isso em troca! Isenção de anuidade, cashback, milhas bônus, cartão adicional gratuito, produtos e serviços. A tendência é que as instituições financeiras sejam cada vez mais diretas e transparentes com seus clientes nos mecanismos para incentivar o uso do cartão de crédito e de outros produtos financeiros.

Com uma maior concorrência, o setor pode ver suas margens reduzidas e perder mercado para o PIX nos pagamentos que são feitos à vista, já que para comprar uma passagem aérea ou um item no varejo online não vai ser mais necessário emitir um boleto ou utilizar obrigatoriamente o cartão de crédito. Isso pode levar bandeiras e instituições financeiras a ajustarem seus pacotes de benefícios, visando racionalizar custos e oferecer ao cliente aquilo que ele realmente valoriza.

Não me surpreenderia se as empresas passassem a oferecer um amplo cardápio de vantagens para o cliente escolher aquelas que mais valoriza, dentro de um limite pré-estabelecido.

4. Novas opções de cartões e serviços associados ao uso do plástico

Nos últimos dois anos temos visto uma enxurrada de novos cartões de crédito. Fintechs, bancos digitais, cooperativas, bancos e administradoras tradicionais estão lançando novos e diversificados produtos para todas as faixas de renda. E a tendência é que isso continue, com novos nichos e também com produtos voltados para a massa. Ter um cartão de crédito dependerá cada vez menos de uma relação longeva e burocrática com uma instituição financeira.

O próprio Banco Central vai dar um empurrão nesse sentido, com a primeira fase do Open Banking, prevista para 2021. O cliente vai passar a levar com ele o histórico de crédito de uma instituição para outra. Ou seja, vai ser cada vez mais comum baixar um app e começar a utilizar um novo produto ou serviço, como já vemos hoje, pressionando os bancos a se adaptar ao novo contexto.

Só como exemplo, nos últimos 24 meses, nada menos do que 25 cartões novos entraram no nosso ranking de melhores cartões de crédito do Brasil, que conta com quase 100 opções. Isso sem contar mudanças em produtos que já figuravam na lista, o que comprova que o setor segue num ritmo acelerado, que deve se intensificar com o lançamento do PIX.


Sistemas de pagamento instantâneo, como o PIX, já foram implantados em pelo menos 34 países, com diferentes graus e estágios de adesão. No Brasil, tem grande potencial para reduzir os custos de transação e aumentar a competição e a modernização do setor financeiro, com benefícios para os usuários.

Ainda temos muito para avançar. Mas o PIX tem tudo para iniciar uma nova fase na nossa relação com o dinheiro e os meios de pagamento. E, certamente veremos outros impactos no mercado de meio de pagamentos e de cartões de crédito além dos citados nesse post. Vamos acompanhar!

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