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Peru: dicas de viagem muito além de Machu Picchu

Redação
Redação
27/08/2018 às 19:04

Peru: dicas de viagem muito além de Machu Picchu

Que o Peru é um destino incrível, isso todo mundo sabe. Mas o país também pode oferecer experiências turísticas muito além de Machu Picchu. Nosso leitor Ernesto Lippmann, o Pato Econômico, fez mais uma viagem diferente e vai dar dicas de lugares pouco conhecidos do Peru, que continua bem acessível, mesmo com a alta do Dólar. Confira!

Por Ernesto Lippmann e Cibele Fabichak

Esta é a minha quarta viagem ao Peru. E, apesar de Machu Picchu ser inesquecível, vou dar um conselho: há muitas atrações neste país além da cidade perdida dos Incas. Mais baratas, menos muvucadas, e pouco conhecidas. Pirâmides maiores do que as do Egito, a mais alta ferrovia do mundo, que vai de Lima a Huancayo, as atrações históricas daquela que foi a mais rica Província Colonial Espanhola, os ingredientes de uma culinária rica e diferente que vão fazer uma festa inesquecível de sabores na sua língua, museus maravilhosos, que vão da contemplação santa do barroco cusquenho às esculturas eróticas do Museu Larco.

Por sinal, uma das viagens que realizamos ao Peru, com mais de mil fotos tiradas, foi agraciada com uma Exposição Itinerante de 16 fotos do SESI-SP, cujo título foi justamente, “Peru, Muito Além de Machu Pichu” que percorreu todas as cidades com SESIs do Estado de São Paulo durante cinco anos!

Vamos começar em Lima e conhecer uma civilização que é anterior aos Incas, pouco conhecida (você praticamente não vai ver referências ao Norte do Peru em blogs, ou nas revistas de viagens) e avançadíssima para sua época, onde há mais pirâmides do que no Egito, e sua principal atração, e ao contrário dos Incas que tiveram a maior parte da sua cultura saqueada, uma pirâmide real intacta foi descoberta há menos de 30 anos, o Senor de Sipan, onde você poderá se sentir como a reencarnação de um antigo rei.

Há muito para conhecer neste país fascinante e barato, onde um tour de um dia não sai por mais de R$ 50, e pelo mesmo valor se viaja um dia inteiro num ônibus confortável, ou se come um belo Ceviche, com os melhores peixes do mundo.

Lima

A primeira parada é Lima, uma cidade caótica. Não se deixe levar pela primeira impressão do caos que você vai ter na chegada do aeroporto. Descanse um pouco da viagem, e comece seu roteiro pelo Parque de los Amores, uma caminhada a beira mar por belas esculturas, com direito a um liquado de Lucuma (é uma deliciosa fruta que fica ainda melhor em doces ou sorvetes), um Pisco Sour, ou uma “chicha morada” (refresco de milho de cor roxa) no Shopping Larcomar, onde você pode comprar um chip local para seu celular. Sua paixão pelo Peru vai começar!

Lima colonial

Você vai andar bastante de táxi. Este vai ser um dos aspectos antropológicos mais interessantes de seu passeio no Peru. Há uma infinidade de táxi de todos os tipos, de Toyotas Corolla numa razoável ordem, até os pequenos Hyundais. Qualquer um pode fazer um bico nas suas horas extras, é só colocar um adesivo “Táxi” no seu carro. Nenhum deles tem taxímetro, de modo que deve dizer para onde vai, e antes de entrar no carro perguntar o preço para o motorista, e dependendo do que for dito, pechinche um pouco, ou se achar caro, dispense e pare o próximo motorista. Parece muito bagunçado mas funciona bem.

Não sei se tive muita sorte, todos os motoristas foram muito honestos, e nunca tive problemas em nenhum táxi, o preço cobrado sempre foi o combinado – mesmo quando o motorista não conhecia o caminho e deu várias voltas – e é muito barato, mesmo uma corrida para o distante porto ou para o Museu Larco, que demoram mais de meia hora, raramente saem mais do que 5 dólares. Uma pequena corrida, por volta de 2 a 4 dólares, ou seja algo como metade do preço de São Paulo. Não tomei nenhum cuidado em especial, a não ser evitar os táxis muito molambentos, e no começo, eu perguntava para algum local sobre o valor aproximado que deveria ser cobrado. Para quem não quiser encarar a aventura, Uber e Cabify funcionam bem.

O que fazer em Lima

Para quem gosta de história a Região Central é um passeio inesquecível pela espiritualidade do Século 17, assim como a Catedral de Lima. A Plaza de Armas guarda a Catedral, o palácio arcebispal, com as típicas sacadas de madeira, e que deve ser visitado. Há vários outros que recomendo, como o Convento de São Francisco, que é o maior conjunto de arte colonial barroca espanhola bem preservado, e com atrações únicas, como a biblioteca repleta de livros bem preservados do Século XVI e XVII, a “última ceia” com toques indígenas, e a enorme catacumba, com milhares de ossos que lembram a transitoriedade da vida.

Se perca um pouco pelas simpáticas ruas do Centro velho até Museo del Banco Central de Reserva del Perú (Calle Lamp y Ucaly), uma antiga agência bancária que tem uma bela exposição de peças incas de ouro e de arte pré colombiana. Continue caminhado, e se misture na multidão dos locais que almoçam Ceviche barato, fresco e delicioso do Embarcadero 42. Finalize na Casa de Cultura, bela estação de trem transformada em Biblioteca. O Museu da Inquisição também merece uma visita, mas por enquanto está fechado e sem previsão de abertura, quem sabe ele tenha voltado a funcionar quando você chegar.

Não deixe de conhecer outros pontos da capital, como o Parque Los Olivos, uma bela plantação de azeitonas que virou um parque, talvez o único no mundo dentro de uma cidade. Outro passeio diferente, muito popular entre os locais é o Circuito Mágico das Águas, e suas dezenas de fontes luminosas, para você se molhar enquanto as águas dançam e imagens são projetadas. Pode me chamar de brega, mas eu acho que você vai curtir.

O Museu Larco fica numa antiga mansão e tem uma das coleções mais ricas de arte pé colombiana do Peru, incluindo tecidos, belas peças de ouro e… esconda as crianças, mas não deixe de curtir a coleção de arte erótica do mundo, de um tempo onde estas atividades eram glorificadas na casa da pessoas. Se estiver na hora do almoço, ou do chá, você vai gostar de tomar um pisco sour, um chá, ou mesmo uma refeição no seu agradável restaurante.

Onde comer em Lima

A culinária peruana é um capítulo à parte, e a mistura de temperos e ingredientes diferentes aprimorados por milhares de anos de uma das mais ricas culinárias do mundo.

Se na Argentina estão as melhores carnes, no Peru estão os melhores peixes e frutos do mar. A corrente mais fria do mundo, a de Humboldt desde a Antártica, proporciona uma das maiores quantidades e diversidades de peixes e faz da costa peruana uma das principais áreas pesqueiras do mundo. Isso sem falar nas inúmeras variedades de batata (ela é originária da região andina peruana com mais de 40 espécies) e de milho que geram inúmeros sabores; que vem de um pais com uma grande variedade de climas, do desértico à Amazônia. E o melhor: estômago cheio não significa bolso vazio.

A comida vai muito além do ceviche, um peixe marinado, que pode vir na versão natural, ou com o molho amarelo, levemente apimentado. Também, deguste o arroz com lagostas ou os arrozes negros com camarões e conchas… Se você for no Santo Pez, ou nos Pescados Capitales, você vai comer muito bem. Uma refeição de primeiríssima, com aquela sensação de satisfação de rei leão bem alimentado, fica em aproximadamente 70 a 100 reais por pessoa.

Ceviche

Outra opção única no mundo é o sofisticado (e caro!) restaurante do Centro Arqueológico Huaca Pucllana onde você terá a experiência de saborear sua refeição ao lado de ruinas arqueológicas, ainda em atividade de escavação, Patrimônio da Humanidade.

Se você estiver curtindo um momento romântico o Rosa Náutica vai ser inesquecível. É uma bela casa em estilo inglês do começo do século, e que fica sobre o mar, com um pôr do sol maravilhoso. Dizem que é “pega turista”, mas eu achei o ambiente inesquecível e a comida muito boa. É possível que seja um pouco mais caro que outros lugares, mas o romantismo vale a diferença. Preço por casal: 70 dólares.

A grande imigração de orientais para o Peru também faz deste um paraíso das comidas japonesa e chinesa, com as chifas, que são os restaurantes chineses com um toque peruano, e que podem ser encontradas em variações que vão do “boteco pé de porco” ao luxo esplendoroso.

Compras em Lima

O charmoso artesanato é barato e fascinante. A prataria e as jóias de pedras semipreciosas são irresistíveis, com motivos como o calendário inca e os pássaros sagrados. Os tapetes feitos à mão são maravilhosos. As blusas de lhama e de alpaca, imperdíveis. Há uma grande concentração de lojas de artesanato e um shopping em Miraflores, a uma curta caminhada do Shopping Larcomar, o Mercado Inca na avenida Petit Touras, além das várias lojas no entorno. Não esqueça que barganhar é um hábito local, que deve ser exercido.

Lojas de departamento como a Falabella, na praça Kennnedy em Miraflores, também podem render boas compras, principalmente de artigos de Algodão, devido à famosa qualidade do tecido peruano.

Agora é só para mulheres (e os homens vão me matar pela sugestão!). Pode ser uma furada, pode ser um achado… Roupas, com muitos produtos falsificados, alguns de boa qualidade (confira atentamente) e a preços absurdamente baratos, pois são feitos no Peru (o algodão peruano é famoso mundialmente pela sua alta qualidade), no clone andino da 25 de Março, o mercado Polvos Azules (é só pedir para um taxi lhe levar), perto do centro é uma tentação para quem curte este tipo de programa . Mas, lembre-se “la garantia soy yo”, e nada de reclamações no MD, ou para o Pato que vos escreve!

Onde ficar em Lima

Desta vez fiquei numa oferta do Whydhman Costa del Sol, por 80 dólares por casal, com um ótimo café da manhã incluído e uma jacuzzi perfeita para você descansar seus pés depois de uma caminhada. É um excelente hotel, mas um pouco longe de tudo, o que não chega a ser um problema num lugar onde os táxis são numerosos e baratos. Em outras viagens fiquei no Hotel Leon de Oro e Ariosto, em Miraflores e recomendo ambos, embora a experiência seja antiga. Na dúvida, procure sempre hotéis em Miraflores e San Isidro, e como em muitas cidades, o centro é perigoso à noite.

Mas íamos falar do Peru muito além de Machu Pichu, não é mesmo? Esta viagem foi para o norte do Peru, para as Cidades de Trujillo e Chiclayo, para ver as pirâmides do Perú. Fui para Trujillo de avião, pois a diferença de uma passagem com este trecho adicionada, comprada como multi trechos junto com a do Brasil  na Avianca era de 50 dólares. É um voo curto, de uma hora. De ônibus são aproximadamente 9 horas, e a melhor opção é o ônibus suíte da Cruz del Sur.

Trujilo e o Valle de la Luna

Esta é uma viagem para quem ama história, arqueologia, civilizações e deuses antigos, e curte uma certa aventura à moda do Indiana Jones em cidades empoeiradas. Se este não é você, pode parar por aqui. Vai achar as cidades sujas, e tudo um monte de velharias e amontoado de pedras sem graça. Mas, se estes temas fascinam você, bem vindo a uma das melhores e menos conhecidas viagens históricas do planeta, e com a vantagem de ser perto, barata e num lugar onde todo mundo entende seu portunhol.

A cidade colonial de Trujillo é pequena e compacta, e tem alguns museus, mas não tem nada de especialmente interessante além de seu pequeno centro. Logo após sua chegada, vá à praça e procure a Colonial Tours, e pegue o tour completo Huacas Del Sol y la Luna, Chan Chan, Huanchaco, Huaca Arco Iris. O preço é barato, 70 reais por um passeio de um dia completo. Recomendo a empresa, a van estava em bom estado e o guia era muito atencioso e não um mero “guia papagaio”. Ele realmente conhecia o assunto, ruinas pré-incas. É possível fazer tudo por conta própria, mas certamente os perrengues não valem uma economia de 10 dólares, e a visita guiada é bem mais interessante.

O complexo arqueológico Huacas do Sol e da Lua – principal núcleo político e cerimonial da cultura moche (ou mochica), entre 200 e 850 d.C. – fica a uns 8 km ao sul da Plaza de Armas de Trujillo e está situado abaixo do Cerro Blanco, um monte em formato de pirâmide que se destaca no vale verdinho do rio Moche. Você também pode chegar ao complexo através dos colectivos (informe-se no hotel ou com algum taxista onde pegá-lo).

Mas, o que são huacas? São templos: no da Lua (com 21m de altura e 80m de base), logo abaixo do Cerro Blanco, as pesquisas indicam que aconteciam rituais de sacrifício humano do povo mochica (foram encontrados, em uma tumba somente, os restos mortais de 40 guerreiros sacrificados), que se desenvolveu entre os anos 100 e 900 d.C. A Huaca do Sol, a maior, e ainda pouco explorada, provavelmente era um centro de poder e administrativo dos mochicas, rodeado por bairros delimitados pela função dos habitantes. Por exemplo, bairro dos tecelões, dos ceramistas, dos construtores de tijolos de adobe ou barro etc.

Contudo, o que realmente impressiona nesse centro urbano cerimonial é que o povo construiu gradativamente 5 templos de “dentro para fora”. Ou seja, de tempos em tempos, eles renovavam o templo da Lua e construíam um novo, em cima do anterior, com as paredes em alto relevo e pinturas feitas de pigmentos naturais de cores bem vivas que ainda podem ser vistos. O deus moche Ai Apaec é uma das figuras mais emblemáticas. Sua expressão assustadora se repete em padrões quadrangulares, como se fossem em tecido. Há também desenhos de cabeças de peixes, serpentes e aves. Curioso é que tudo foi construído com tijolos de barro (adobe) feitos pelos habitantes que imprimiam sua “assinatura” nos tijolos.

Agora, vamos seguir para Chan-Chan: não se trata de ruinas Incas, mas de uma civilização anterior, a Moche, que foi até o ano de 700. Declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1986, está é a maior cidade de barro do mundo pré-hispânico das Américas, e a segunda do mundo. Está localizada a 5 km de Trujillo e tem mais de 20 km² de área entre Trujillo e a praia de Huanchaco. Nos seus áureos tempos teve mais de 100 mil habitantes.

À medida que se começa a caminhar percebe-se que era uma cidade bem estruturada com palácios, praças, depósitos, ruas, templos de sacrifícios, casas e até pirâmides. Era rodeada por grandes muros decorados com figuras coloridas geométricas. Num dos muros há o desenho curioso representativo dos fenômenos climáticos de El Niño e La Niña: de um lado os peixinhos seguem numa direção da corrente oceânica e no outro lado no sentido inverso (pelo menos essa é a interpretação que dão…).

O labirinto de ruelas entre as construções de adobe nos leva, em direção ao mar, mas antes de chegar à praia, há uma pequena lagoa cuja história tétrica é repetida pelos guias locais. Nessas águas estão submersos os esqueletos de inúmeros jovens e adolescentes que foram escolhidos para ser sacrificados em oferenda para aos deuses da época. É um lugar sagrado e muito reverenciado na cidade dos Chimús…

Um dos detalhes que mais chamam a atenção dos turistas, é a grande beleza, variedade e quantidade de muros decorados com alto-relevos. Estes foram feitos com moldes e decoram as paredes dos pátios, audiências e corredores, no interior das 9 cidadelas que compõem o sitio arqueológico. Os motivos decorativos mais comuns foram as combinações geométricas, mas também são comuns as representações de peixes e aves.

O passeio termina na praia de Huanaco, famosa pelos seus pescadores nos “cabalitos de totora”, barcos típicos de totora (do quéchua: tutura, planta aquática) onde você pode arriscar uma volta, por um pequeno troco. Não fui pois estava frio, mas no verão este “surfe” diferente deve ser uma boa experiência.

Chiclayo

Depois peguei um tour para Chiclayo e as tumbas, que são o auge desta viagem. O Museu del Senor de Sipán é um dos mais impressionantes que já vi.

A Cidade de Chiclayo é feia e suja, mas nos seus arredores, num ano tão recente quanto 1997, uma descoberta iria mudar para sempre os nossos conceitos de arqueologia e das civilizações pré-incas e de seu grau de técnica e sofisticação: Trata-se do Senhor del Sipan, que ao lado de Tutancâmon no Egito é a única tumba com todos os apetrechos e oferendas intactos, altamente diferenciados de um grande líder local, que nos mostram em detalhes uma civilização antiga (os Moches) com ritos funerários totalmente preservada.

Curiosamente, não devemos esta descoberta aos historiadores ou arqueólogos, mas a ladrões. Em 1997 o arqueólogo Walter Alva recebeu alguns policiais, que lhe contaram sobre o saque de peças de ouro no vilarejo de Sipan. Ele viu algumas das peças aprendidas pelos policiais e rapidamente concluiu que os tesouros eram incalculáveis. A área foi cercada, e muitas das peças que tinham sido enviadas para serem vendidas em leilões nos Estados Unidos foram recuperadas e retornaram ao Peru.

A excursão começa cedo, e a primeira parrada é no vale onde forma feitas as escavações, o Museo Huaca Rajada – Sipan, onde se situam as pirâmides do Peru, que são pouco visitadas. São 26 e algumas maiores do que as do Egito, e chegam a ter 700 metros de comprimento. Tal e qual os Egípcios, os Moches acreditavam que deviam levar para a sua reencarnação aquilo que gostavam em vida. inclusive seus criados que eram sacrificados, e todos os seus adornos, e o sítio arqueológico mostra as escavações e como foram achados os corpos, e os objetos que eles queriam levar para a eternidade, o que de certa forma conseguiram, pois acho que cada vez que se admira alguém que morreu, ele revive dentro de nós…

Tudo isto inclusive as lindíssimas peças de ouro, prata e os tecidos estão no Museu do Senor del Sipan, nossa próxima parada. Jóias, tecidos, que embora tenham mais de 1.500 anos impressionam pelos detalhes e requintes de sua criação. E ainda hoje são muito belas, e mesmo não acreditando na reencarnação, elas fazem ressurgir este belo passado esquecido e abandonado. A coleção é fascinante, bem explicada e com um trabalho de restauração impecável da antiga civilização Mochica. E, esta foi apenas a escavação de uma das pirâmides, sendo que existem pelo menos mais 10 a serem escavadas….

O final do museu traz uma fascinante reconstrução em 3 dimensões, com bonecos que se movem, sobre como seria uma cerimônia religiosa, tal qual como teria sido feita pelo Senor de Sipan com seus súditos, e você vai se sentir um deles. Infelizmente não é permitido fotografar, então as imagens são do site oficial do museu, um dos melhores que já vi até hoje, e confirmo a cotação de 5 estrelas para o museu.

Fiquei no Eras Hotel, uma boa relação custo / benefício para passar a noite. A cidade não tem nada de especial, e fui apenas dar uma volta para um pequeno lanche.

O próximo destino foi o Equador, rumo a Viccabamba, a cidade onde os anciãos com mais de 100 anos vivem de uma forma saudável, e é considerada um dos centros de estudos do envelhecimento. Mas esta viagem, com as belezas naturais deste pais, fica para o próximo relato.

Não recebi qualquer convite para esta viagem. As eventuais recomendações são frutos de boas experiências pessoais apenas. Espero que você tenha curtido nosso roteiro!

Dez dicas sobre o Peru:

1) Leve dólares. O câmbio é melhor que o do real. Notas novas de 50 e 100 são mais bem aceitas. A cotação nas ruas e nas casas de câmbio são semelhantes, assim acho melhor trocar em um ambiente fechado.

2) Ao sair do aeroporto, pegue um táxi oficial ou ônibus oficial do Aeroporto de Lima. Não saia do aeroporto para pegar um ônibus local pois os arredores são uma região perigosa, o que junto com o seu cansaço pós voo pode levar você a uma roubada.

3) Deixe sua carteira de motorista no Brasil. Não alugue carro, o trânsito nas cidades é caótico, muitas estradas são esburacadas, e os táxis nas cidades são baratos e é fácil se deslocar de ônibus entre as cidades.

4) Para ônibus interurbanos, as melhores empresas são a Cruz del Sur e a Ormeňo, mas elas não cobrem todos os trajetos. Máxima atenção com sua bagagem de mão, deixe-a próxima de você, e nunca no compartimento de cima. Quanto à mala, se não derem recibo, como às vezes ocorre nas rotas mais curtas, não use o bagageiro do porão, pois há a possibilidade furto de malas durante as várias paradas. Reserve sempre a primeira fileira para poder apreciar melhor a paisagem, especialmente nos ônibus de 2 andares. Para quem for para o Sul do Peru, não experimentei, mas achei o Peru Hop uma alternativa interessante, pois leva direto ao hotel.

5) No almoço, peça o menu del dia ou a promoción, que muitas vez são ignoradas pelos atendentes, mas são bem mais em conta e incluem sobremesa e café.

6) Não fique neurótico com a questão de segurança, mas tenha um pouco mais de precaução do que você teria com seu celular e sua carteira em uma cidade grande do Brasil, embora a criminalidade seja diferente. Os roubos são raros, mas os batedores de carteira são frequentes.

7) Não faça bate e volta de Lima para Paracas ou para as linhas de Nazca. As distâncias são grandes, e você vai passar mais tempo dentro do ônibus do que aproveitando o passeio. Se organize, para fazer um dia completo em Paracas, um dia no Deserto e um dia completo em Nazca.

8) Um roteiro pouco conhecido, mas uma das melhores viagens de trem que já fiz no mundo é aquele que era o trem mais alto do mundo até a China inaugurar a ferrovia até o Tibete, que via de Lima a Huancayo. São poucas saídas que você deve conferir no site. Se você não se importar com o rústico, o ônibus de Huancayo é uma das viagens mais lindas que já fiz até hoje, passando por vales, precipícios e montanhas de perder o fôlego, e curiosidade… é parte da mística rota de Che Guevara nos “Diários de Motocicleta”. Não deixe de pegar a primeira fila do lado oposto ao do motorista, para apreciar a paisagem.

9) Não fui a Haruaz, nem à Amazônia Peruana, com sua famosa revoada de araras, mas me parecem destinos fantásticos, ainda mais em tempo de dólar caro.

10) Não estou dizendo que Machu Picchu e Cusco não merecem sua visita! Apenas que são muito mais caras e muvucadas do que os roteiros que mostrei.

E você, já foi para o Peru? O que você mais gostou? Qual a sua dica? Vale um restaurante simples, mas delicioso, um passeio diferente, um hotel bom e barato. Espero que eu tenha te convencido a ter vontade de conhecer um novo destino, e até a próxima viagem.


Agradecemos ao Ernesto e à Cibele pelas dicas! Envie você também seu roteiro de viagem para convidado@melhoresdestinos.com.br !