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Estudo aponta que “efeito Ozempic” pode gerar economia de US$ 500 milhões para companhias aéreas

Mateus Tamiozzo
26/01/2026 às 16:57

Estudo aponta que “efeito Ozempic” pode gerar economia de US$ 500 milhões para companhias aéreas

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Um estudo publicado pela Jefferies, uma empresa de serviços financeiros, aponta que as quatro maiores companhias aéreas dos Estados Unidos – American, Delta, Southwest e United – podem economizar até US$ 580 milhões por ano em combustível a partir do uso de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, pelos passageiros.

Tal afirmação decorre do fato de que quanto mais pesado um avião, mais combustível será necessário para a realização de um voo. Além disso, o querosene de aviação é um dos maiores custos nas operações das companhias em todo o mundo, e seu preço é dado em dólar.

Segundo o estudo, as quatro maiores empresas aéreas dos Estados Unidos deverão consumir 16 bilhões de galões de combustível em 2026 a um custo total de US$ 38,6 bilhões. O valor representa 20% do total das despesas.

No Brasil, os últimos dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que os gastos com combustível representam cerca de 30% dos custos de uma companhia aérea.

Em 2024, a Gol desembolsou R$ 5,3 bilhões para comprar combustível, e a Azul, R$ 5,5 bilhões. A Latam não disponibiliza dados específicos sobre gastos com combustível em sua operação no Brasil. Os números completos de 2025 ainda não estão disponíveis.

Também em 2024, a Azul usou um total de 1,3 bilhão de litros de combustível em suas operações. É a única companhia aérea nacional que disponibiliza esse dado em seus relatórios financeiros.

De acordo com o estudo da Jefferies, a economia a partir de passageiros mais magros representaria apenas 1,5% do custo com combustíveis. No entanto, as empresas precisam ficar atentas, uma vez que quaisquer alterações nos padrões de voo dadas por novos hábitos dos viajantes podem levar a mudanças na avaliação de peso e balanceamento de uma aeronave.

Um terço dos brasileiros vive com obesidade

Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, aproximadamente um a cada três brasileiros (31%) vive com obesidade – e essa porcentagem tende a crescer nos próximos cinco anos. No país, cerca de metade da população adulta, entre 40% e 50%, não pratica atividade física na frequência e intensidade recomendadas.

O levantamento revela que 68% da população brasileira tem excesso de peso e, dessas, 31% tem obesidade e 37% tem sobrepeso. O estudo traz ainda uma projeção de que o número de homens com obesidade até 2030 pode aumentar em 33,4%. Entre as mulheres, essa porcentagem pode crescer 46,2%.

Ainda de acordo com o Atlas, mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com obesidade. As projeções indicam que esse número pode ultrapassar 1,5 bilhão até 2030, caso medidas efetivas não sejam implementadas.

No ano passado, o Brasil foi o segundo país no mundo com mais buscas por Ozempic e Mounjaro no Google, atrás apenas dos Estados Unidos. Nas farmácias, os brasileiros já deixam de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões ao ano em medicamentos desse tipo, com projeção de ultrapassar R$ 9 bilhões em 2026, segundo a IQVIA, uma consultoria do setor farmacêutico.

Fique atento: consulte um médico antes de usar medicamentos para emagrecimento e compre apenas produtos originais e certificados!

Companhias aéreas já pesam passageiros

Algumas companhias aéreas já pesaram e ainda pesam seus passageiros – e geraram muita polêmica! Entre as iniciativas mais recentes estão as de Air New Zealand (Nova Zelândia), Finnair (Finlândia) e Korean Air (Coreia do Sul). Em todos os casos, a pesagem é voluntária.

De maneira geral, o acesso aos dados de peso dos passageiros (mais a bagagem de mão) costuma ter relação com o fato que já mencionamos antes a respeito de balanceamento de aeronave e projeção de consumo de combustível, bem como outras variáveis importantes para a operação.

Quando anunciou a ideia, em 2024, a Finnair afirmou: “Pesamos clientes voluntariamente junto com sua bagagem de mão. Na medição, não solicitamos dados pessoais, mas o peso total do passageiro e da bagagem de mão, bem como idade, gênero e classe de viagem, são registrados no banco de dados. Nenhuma informação que permita identificar os participantes é coletada.”

A questão em torno do peso dos passageiros – e da aeronave – não é algo necessariamente novo. Segundo a National Geographic, em um voo inaugural de São Francisco para Nova York em 1933, a Boeing assegurou que sua aeronave 247D (com dez passageiros) não passasse de 7.623 kg na decolagem. Isso demandou a pesagem de tudo, inclusive dos passageiros.

Em 2001, o jornal The New York. Times contou um caso dos anos 1980, quando a American Airlines tomou a decisão de remover uma única azeitona da salada de cada passageiro. A iniciativa teria gerado economia de US$ 40 mil por ano em comida e custos com combustível.

“As companhias aéreas têm um histórico de grande vigilância em relação à economia de peso das aeronaves, indo de azeitonas (sem caroço, claro) até o tipo de papel utilizado”, dizia a reportagem de 2001. “As cinturas dos passageiros, até agora, estiveram fora do controle delas.”

Com informações do jornal The New York Times


O que achou do estudo? Faz sentido? Acredita que possa servir de inspiração para as companhias aéreas criarem novas medidas para reduzir o peso dos aviões? Participe nos comentários!

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