Quais novas companhias aéreas podem vir para o Brasil?

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Publicado 2 · jul · 2019       4:56Atualizado 21 · ago · 2019

O ano de 2019 está sendo decisivo para a aviação brasileira. Com a mudança na lei que permite 100% de abertura ao capital estrangeiro em companhias aéreas e o veto a bagagem gratuita nos voos domésticos, diversas companhias manifestaram interesse em vir para o Brasil. Some isso à recente isenção de visto brasileiro para turistas dos Estados Unidos, e o cenário fica cada vez mais favorável à chegada de novas opções no mercado. Com mais concorrência e maior oferta de voos, os preços tendem a ficar bem mais baratos!

De acordo com o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, ao menos três companhias aéreas de origem americana e europeia estão negociando entrada no Brasil. Listamos abaixo algumas das novas companhias com chances reais de explorar o espaço aéreo brasileiro.

Façam suas apostas!

Air Europa

O Grupo Globalia, dono da Air Europa, pediu autorização para a criação de uma empresa aérea no Brasil e já recebeu autorização da Anac para operar voos domésticos! A companhia low cost espanhola possui 18 voos semanais de Madri para São Paulo, Salvador e Recife. A partir de novembro a Air Europa também terá voos para Fortaleza.

Essa é a primeira companhia aérea internacional a manifestar interesse em constituir empresa com 100% de capital estrangeiro em operação regular de passageiros no país.

Confira os quatro desafios que a Air Europa terá que enfrentar para operar voos domésticos no Brasil!

Gulf Air

Há pouco tempo publicamos uma notícia sobre o interesse da Gulf Air em operar voos para o Brasil. O que já seria uma ótima novidade, aumentando a oferta de voos para o exterior, agora pode surpreender ainda mais. A companhia aérea do Bahrein afirmou que estuda operar rotas domésticas no Brasil!

A novidade foi informada pelo Presidente da Câmara do Comércio, Indústria e Turismo Brasil-Bahrein, Marcos Ferraz. “Identificamos uma demanda latente sobre a necessidade de mais uma companhia área no mercado nacional…” Gostaríamos de informar que as conversas a partir da Câmara Bahrein-Brasil são sim para que a Gulf Air possa operar também em rotas domesticas”.

Norwegian Air

Os voos da companhia de baixo custo norueguesa já são uma realidade no Brasil. A Norwegian iniciou suas operações entre o Rio de Janeiro e Londres em março de 2019, com promoções a partir de R$ 1.580. A companhia também voa de Londres a Buenos Aires, e já chegou a solicitar voos da Argentina para o Brasil. A possibilidade de uma filial brasileira operando voos domésticos por aqui não é pequena, já que a própria Norwegian declarou seu interesse no mercado brasileiro.

Vale mencionar que a Skytrax, consultoria do Reino Unido que analisa o mercado de aviação, elegeu a a Norwegian como a melhor companhia aérea de baixo custo e longa distância do mundo.

Virgin

Desde 2008, o excêntrico bilionário e dono do grupo Virgin, Richard Branson, tem dito que pretende lançar uma companhia aérea no Brasil. O foco dessa nova empresa não seria voar para outros países, mas sim fazer voos domésticos, concorrendo diretamente com as companhias aéreas nacionais. O assunto ficou engavetado durante todos esses anos, devido ao limite do capital estrangeiro. Com a mudança na legislação, uma nova declaração é questão de tempo.

Frontier

A norte-americana Frontier pode ser a primeira companhia ultra low cost a voar para o Brasil. O CEO da companhia, Barry Biffle, afirmou que o recém-adquirido A321XLR “irá permitir voar da Costa Oeste à Costa Leste dos EUA, além de alcançar o Havaí com máximo de passageiros e oportunidades internacionais interessantes, tanto na Europa como América do Sul”. De fato, o A321XLR tem autonomia para voar do hub da companhia, em Orlando, para qualquer cidade do Brasil. A Frontier tem parceria com a chilena JetSMART, além de uma subsidiária na Argentina.

Spirit Airlines

E por falar em companhias low cost norte-americanas, a Spirit Airlines está estudando um novo tipo de aeronave para adicionar à sua frota que deve possibilitar sua chegada ao Brasil. Robert Fornaro, CEO da companhia, declarou que “na escolha será avaliado o desempenho do A321LR e do mais novo A321XLR, bem como das aeronaves narrow-body de longo alcance da Boeing, modelos que podem permitir que a Spirit se expanda para lugares como o Brasil”.

Caso a rota venha a se concretizar, é quase certo que os voos serão para Fort Lauderdale, cidade ao lado de Miami, que é hub da companhia na Flórida. A Spirit já opera voos de FLL para destinos na Colômbia, Equador e Peru na América do Sul.

Flybondi

Flybondi, primeira companhia aérea low cost da Argentina, é também uma das mais ambiciosas: pediu mais de 25 voos para o Brasil! Inicialmente, o objetivo da companhia é operar 99 rotas, ao menos 25 delas tendo o Brasil como destino. Os voos da Flybondi para o Rio de Janeiro começam no dia 11 de outubro e a base será em El Palomar, aeroporto que fica mais próximo de Buenos Aires que Ezeiza.

A Flybondi apresentou pedido de voos diretos de Buenos Aires a São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Fortaleza, Natal, Porto Seguro, Brasília, Belo Horizonte e Maceió. A companhia também planeja ter voos com origem em Córdoba, Mendonça, Rosário, Bariloche e Salta.

Os voos entre o Brasil e Argentina deve ganhar outros competidores em breve. Outras low cost argentinas como a Norwegian, Alas del Sur, American Jet, Andes Líneas Aéreas e a Avian, nova filial argentina da Avianca, também apresentaram pedidos oficiais de voos para o Brasil!

Ryanair

A Ryanair, a maior companhia aérea de baixo custo da Europa, parece ter uma relação de desconfiança com o mercado brasileiro. No passado chegou a conversar com a Webjet, mas mudou de ideia e resolveu sondar o mercado argentino. Não foi muito à frente. Um dos fundadores da companhia chegou a dizer que estava em negociações com vários países da América Latina, exceto o Brasil, “porque no Brasil há muita corrupção”.

Polêmicas à parte, a companhia novamente declarou que planeja uma companhia low cost na América Latina. O Equador ou a América Central estariam sendo considerados como base para a nova companhia aérea, embora outros países não tenham sido descartados. Algumas especulações sugeriram que haveria interesse no espólio da Avianca Brasil, mas aparentemente são apenas boatos.

AirAsia

Eleita pela 11ª vez a melhor low cost do mundo, a AirAsia revelou que está interessada em atuar no Brasil. Segundo Ricardo Catanant, Superintendente de Acompanhamento de Serviços Aéreos da Anac, a possibilidade foi manifestada pela companhia asiática durante o Evento de Negociação de Serviços Aéreos (Ican), em dezembro de 2017.

Apesar da ausência de maiores detalhes, imagina-se que o interesse da AirAsia seja atuar no mercado doméstico. A companhia atua no modelo de subsidiária em outros países asiáticos, como a Thai AirAsia. A AirAsia X (subsidiária para voos de média e longa duração) possui voos até a Austrália e o Havaí, nos Estados Unidos.

Companhias que provavelmente NÃO virão para o Brasil

Entre notícias e especulações, uma coisa podemos adiantar: algumas companhias aéreas possuem poucas chances de vir para o Brasil, muito menos ingressar no mercado doméstico.

Por exemplo, a Delta Airlines detém participação na GOL e não entraria no mercado doméstico para competir consigo mesma. O mesmo para a United, que possui participação na Azul e deve preferir a conveniência do codeshare. Já a Qatar Airways possui participação da Latam. Além disso, a Latam está se unindo  numa joint venture com a British Airways e com a American Airlines, parceiras de aliança, para compartilhar as operações entre o Brasil e os Estados Unidos e a Europa.

Algumas companhias já chegaram a solicitar voos para o Brasil no passado. É o caso da Asiana AirlinesPhilippine Airlines, SataAfrica World Airlines (AWA) e até a Cubana de Aviación. Muitos desses pedidos foram feitos antes de 2014, no período pré-Copa, e nunca saíram do papel. Outras companhias que chegaram a voar no Brasil e suspenderam suas operações, como a Etihad Airways, Singapore Airlines e a Korean Air, não se manifestaram sobre um possível retorno, mesmo com todos os incentivos.

Mas tudo pode mudar. Lembre-se que a chilena Sky Airline deixou de voar para o Brasil em 2016, e acabou retornando em 2018, com sucesso. Tanto que a Sky Airline Peru também já solicitou voos para o Brasil.

O mercado de aviação brasileiro é uma caixinha de surpresas. Nós estamos otimistas, e você? 🙂