Etihad no Azul Pelo Mundo: como combinei pontos baratos e isso foi (muito) melhor do que emitir na Qatar
Etihad no Azul Pelo Mundo: como combinei pontos baratos e isso foi (muito) melhor do que emitir na Qatar
Um dos grandes (e talvez poucos, atualmente…) tesouros do Azul Fidelidade é o Azul Pelo Mundo, que permite usar pontos Azul para emitir passagens aéreas em voos operados por companhias parceiras, como Turkish Airlines, United Airlines e Air Canada (e, quem sabe em breve, até a American Airlines 👀).
Em alguns casos, há boa disponibilidade saindo do Brasil, como no caso da United, Copa e Air Canada. Já outras companhias concentram a disponibilidade em seus hubs internacionais, como a Turkish a partir de Istambul e a Etihad a partir de Abu Dhabi, permitindo emitir voos para diversos lugares do mundo.
E é sobre a Etihad que quero dar alguns exemplos que podem ser interessantes, especialmente se você deseja ir para a Ásia com uma boa companhia aérea.
A parceria entre Azul e Etihad
A parceria entre Azul e Etihad foi anunciada no ano passado e animou muita gente no começo. Mas, vamos ser honestos, poucos realmente deram bola desde então – e por motivos compreensíveis.

A Etihad não opera voos diretos para o Brasil desde 2016, o que dificulta o uso para quem busca algo simples (ida e volta saindo do Brasil).
Além disso, as cabines mais desejadas da companhia, como a classe executiva (com raras exceções de Lisboa, Madri e alguma coisa ou outra saindo de Abu Dhabi) e a famosa The Apartment, não estão disponíveis para resgates no Azul Pelo Mundo, o que esfriou o interesse de quem apenas quer dar uma de dublê de rico.
Confesso: eu estava nesse grupo que não deu muito bola às emissões da Etihad no Azul Pelo Mundo.
Como usei Etihad + Azul Pelo Mundo na minha viagem ao Japão (e você pode usar para a Ásia)
Meu olhar mudou quando busquei opções de retorno para uma viagem que farei ao Japão. A minha estratégia era usar Avios, milhas geradas através do Santander Esfera e que transfiro para a Iberia e Qatar Airways. De lá, emitiria com a Qatar Airways – até a ida deu tudo certo!
Mas a passagem de volta não rolou, pois não consegui disponibilidade razoável com milhas Avios em nenhuma das datas em que eu precisava. Logo, tinha certo desespero por achar uma opção barata que simplesmente não aparecia.
Na busca por alternativas, resolvi dar uma passada no Azul Pelo Mundo e tive uma grata surpresa: a conexão que eu precisava estava lá, com disponibilidade em vários dias e um preço bem interessante para emissão com pontos Azul.

Foi uma emissão de Osaka para Doha, no Catar, com escala em Abu Dhabi, em classe econômica, por 86 mil pontos – com bagagem despachada inclusa.
O resgate me custou 86 mil pontos Azul, que comprei a pouco mais de R$ 13, mais R$ 278 de taxas. Então, o custo final foi de R$ 1.396 pela passagem.
Como comprei pontos Azul baratos? Aproveitei uma oportunidade de transferência bonificada da Livelo em janeiro (veja aqui) com o Azul Fidelidade, com bônus de até 120%. Isso possibitou gerar o milheiro a R$ 13,09 no meu caso.
O Melhores Destinos sempre avisa quando essas oportunidades aparecem, então não deixe de baixar nosso app e acompanhar a página de Cartões e Milhas do MD.
Se eu fosse comprar esse trecho em dinheiro, minhas alternativas seriam:
- R$ 1.952 com uma escala longa na Malásia ou na China;
- R$ 3.000 no voo direto com a Qatar;
- R$ 4.200 com a Japan Airlines.
No fim das contas, consegui um voo com uma excelente companhia (a Etihad), pagando bem menos e com uma escala curta em Abu Dhabi, a apenas 1 hora de voo do Catar. A economia seria real tanto se seu comprasse os pontos (o que foi o caso), como se eu enviasse eles organicamente, já que a transferência para a Azul é mais vantajosa, rápida e com muito mais mais chances de bônus do que para o Privilege Club (via Iberia Club) nos programas nacionais.
Com isso, complementei a minha vinda de Doha para o Brasil com a Qatar Airways, que, aí sim, consegui emitir com milhas Avios, por 37.500 pontos.
Quanto custaria emitir a passagem com a Qatar?
Como disse, a Qatar era a minha primeira opção. Considerando o preço do milheiro de Avios na última promoção do Esfera (janeiro de 2026), a opção que estava disponível para emitir com milhas no Privilege Club da Qatar teria me custado R$ 3.254, mais que o dobro da opção da Etihad.
Ou seja, tive uma baita economia! Isso mostra que a Qatar, queridinha de muitos milheiros atualmente, nem sempre vai ser a opção mais barata, principalmente em classe econômica.

Quando vale a pena emitir Etihad no Azul pelo Mundo?
Sendo bem sincero: essa estratégia me salvou, mas pode não fazer sentido para todo mundo.
Por exemplo, para quem quer sair do Brasil já com a passagem fechada até o destino final, sem pensar em combinações, ou para quem conseguiu uma boa tarifa em dinheiro direto para a Ásia ou para o Oriente Médio, o processo pode não ser vantajoso.
Por isso, é importante analisar com calma.

Dito isso, há muitos cenários em que emitir passagens da Etihad Airways pelo Azul Pelo Mundo vale e muito a pena.
Resumidamente, vai funcionar melhor se você:
- Gera pontos Azul baratos: isso é o primordial! Para a emissão valer a pena, o custo dos pontos Azul tem de estar abaixo de R$ 14 (em alguns casos, abaixo de R$ 15 já compensa). Isso claro para quem compra pontos. Se você gera eles organicamente (via cartão, compras bonificadas etc), melhor ainda.
- Vai comprar as passagens em etapas, e não tudo em um único bilhete (ir por uma cidade e sair por outra, como foi meu caso);
- Consegue chegar de forma barata no Oriente Médio (em dinheiro ou milhas) a um dos três principais aeroportos da região: Abu Dhabi (hub da Etihad), Dubai ou Doha;
- Chegou barato à Europa e quer ir para a Ásia com uma boa companhia (por exemplo: você pode ir barato até Madri ou Milão, ótimas portas de entrada, e de lá emitir uma passagem para Bangkok ou Tóquio com a Etihad).
- Combina boas emissões da Qatar Airways com Avios até Doha e, de lá, segue com a Etihad para outro destino;
- Quer enriquecer o roteiro, passando alguns dias no Oriente Médio antes de seguir viagem;
- Não faz questão de viajar em executiva – já que os resgates da Etihad nessa classe são bem raros no Azul Pelo Mundo, ao contrário da classe econômica;
No meu caso valeu a pena, pois emiti os trechos separadamente e minha passagem de Doha para o Brasil já estava certa, faltando apenas a ida do Japão até o Oriente Médio.
Destinos que funcionam muito bem com a Etihad
O grande trunfo da Etihad está justamente no hub em Abu Dhabi (AUH). A partir dali, a companhia conecta com eficiência Europa, Ásia, Oriente Médio e parte da África, abrindo um leque enorme de destinos com apenas uma escala.
É uma rede mais enxuta do que a de suas “primas” Qatar Airways e Emirates, mas, ainda assim, muito funcional para quem sabe montar o roteiro.
Alguns exemplos de lugares que você consegue alcançar emitindo com a Etihad, em voos diretos de Abu Dhabi ou via Doha:
- Ásia Oriental: Japão, Tailândia, China, Cingapura, Vietnã, Coreia do Sul
- Sul e Centro da Ásia: Índia, Maldivas, Azerbaijão
- Oriente Médio: Catar, Israel, Líbano, Jordânia
- África: Egito, África do Sul, Tanzânia, Marrocos
- Europa: Grécia e Turquia com ótimas emissões, Polônia, Romênia, Itália, Espanha, Portugal e outros
Embora não tenhamos voos diretos (ainda) do Brasil para Abu Dhabi, ainda assim quem chega por Dubai (DXB, hub da Emirates) ou Doha (DOH, hub da Qatar) consegue aproveitar as emissões da Etihad.
De Dubai, dá para ir de carro até Abu Dhabi em pouco mais de uma hora. Já de Doha, o acesso é por avião, em um voo curto que também dura cerca de 1h.
E a boa notícia é que as emissões saindo de Doha com a Etihad custam o mesmo em pontos do que as saindo de Abu Dhabi (com a diferença da conexão via AUH), o que torna a combinação com voos da Qatar Airways ainda mais interessante.
No fim das contas, emitir Etihad pelo Azul Pelo Mundo vale a pena quando você vai montar seu roteiro por etapas, combinando hubs, milhas diferentes e um pouco mais de planejamento. Para quem topa essa lógica, o custo final e a qualidade do voo costumam compensar bastante.
O que faz a Etihad valer a pena no Azul Pelo Mundo
O primeiro ponto é o custo – e aqui ele pesa em dobro. Você paga barato na passagem e, ao mesmo tempo, viaja com uma companhia aérea de alto nível, por um valor que fica bem abaixo da tarifa normal em dinheiro para rotas longas.
Mesmo fora das cabines premium, a Etihad Airways entrega um padrão de conforto e serviço acima da média, algo que faz muita diferença em voos longos para destinos distantes como Japão, Tailândia e outros pontos da Ásia.
Quando os pontos da Azul custam pouco, essa combinação transforma a Etihad numa das formas mais baratas e inteligentes de viajar para longe.
Além disso, as emissões da Etihad no Azul Pelo Mundo costumam valer a pena porque:
- Têm boa disponibilidade ao longo do ano
- São bem menos concorridas do que as emissões da Qatar Airways
- Têm valores fixos em pontos, que variam por região ou distância, não por data
- Permitem usar pontos Azul, o que é especialmente vantajoso quando o milheiro está barato ou se você tem o Cartão Azul Itaú
No fim das contas, a Etihad vale a pena justamente porque está menos afetada atualmente pelo hype.
Diferentemente do que acontece hoje com a Qatar (muito disputada pelas emissões “baratas” em Avios) ou com a tabela fixa da Latam, a Etihad segue fora do radar da maioria, mas entregando igualmente boa experiência e uma rede eficiente, especialmente nas viagens em econômica.
Para quem entende minimamente o jogo das milhas, isso faz toda a diferença.
VEJA TAMBÉM:
Valor das milhas: qual o melhor preço para conseguir milhas Azul, Latam e Smiles em 2026?
Exemplos de emissão Etihad no Azul Pelo Mundo
Confira abaixo algumas opções interessantes de emissões da Etihad pelo Azul Pelo Mundo, para combinar roteiros baratos (considere o valor de R$ 13 para cada 1.000 pontos Azul nos preços apresentados):
- Madri – Abu Dhabi por 72.500 pontos Azul o trecho (ou R$ 942)

- Abu Dhabi – Jordânia por 28.500 pontos o trecho (ou R$ 370)
Vários destinos no Oriente Médio por 28.500 o trecho, como Amã, na Jordânia, e Beirute, no Líbano.

- Abu Dhabi – Pequim por 86.000 pontos o trecho (ou R$ 1.118)
As passagens para a China andam caras. Uma opção interessante pode ser ir até Doha/Abu Dhabi e combinar com uma emissão da Etihad para Pequim ou Shangai.

- Abu Dhabi – Cairo (Egito) por 28.500 pontos o trecho (ou R$ 747)

- Tóquio – Milão por 159.000 pontos o trecho (ou R$ 2067)
Emissão que vale a pena para combinar Europa com Japão. Etihad tem opções por Osaka e Tóquio e uma rede ampla na Europa.

- Abu Dhabi – Malé (Maldivas) por 28.500 pontos o trecho (ou apenas R$ 388 o trecho)
Ótima opção para combinar Dubai ou Abu Dhabi com Maldivas, um destino cujas passagens em dinheiro são caríssimas.

Para minha viagem, escolhi pernoitar em Abu Dhabi, destino que ainda não conheço. Por sorte, verifiquei que há ótimos preços em hotéis 4 e 5 estrelas da Accor, que pago com pontos através do programa All Accor. E se for em baixa temporada (entre junho e setembro), o custo é melhor ainda, apesar do calor no Oriente Médio.
⚠️ Fique atento: tarifas award X tarifas públicas no Azul Pelo Mundo
Aqui existe um detalhe fundamental que faz toda a diferença entre fazer um ótimo negócio ou jogar milhas fora. No Azul Pelo Mundo, você vai encontrar dois tipos de resgate:
Tarifas award (bilhetes prêmio)
São as verdadeiras oportunidades do programa. Elas vêm de companhias parceiras específicas (Emirates, Etihad, Turkish, Copa, United e Air Canada) e têm valores fixos em pontos, que não acompanham o preço em dinheiro da passagem.
É justamente nessas tarifas que aparecem os resgates realmente baratos, onde o custo em milhas pode cair muito abaixo do valor cobrado no mercado.
Tarifas públicas (convertidas em milhas)
Aqui a lógica é outra: o Azul Pelo Mundo pega uma passagem normal em dinheiro e apenas converte o preço para um valor em pontos. Na prática, você está pagando a passagem quase como se fosse em reais, só que em milhas.
Neste caso, além das companhias parceiras, há mais opções de empresas, como TAP, Iberia, Air France, Lufthansa, ITA Airways e mais.
Na maioria das vezes, não vale a pena.
Os únicos casos em que as tarifas públicas do Azul Pelo Mundo valem a pena são quando o valor da conversão das milhas compradas ficar igual ou mais barato que o preço em dinheiro, já que você pode aproveitar o parcelamento em até 10x sem juros na compra de pontos, algo que as companhias estrangeiras geralmente não oferecem.
Concluindo: vale a pena usar o Azul Pelo Mundo? E trocar a Qatar pela Etihad?
No fim das contas, emitir voos da Etihad pelo Azul Pelo Mundo pode ser uma excelente jogada, desde que você compre pontos baratos (por menos de R$ 14 o milheiro) e monte sua viagem por trechos, em vez de tentar resolver tudo em um único bilhete.
No meu caso, a conta fechou muito bem: viajei com uma companhia de alto nível, paguei bem menos do que custaria em dinheiro ou com Avios na Qatar e ainda ganhei flexibilidade para montar o roteiro do jeito que eu queria. A economia foi de alguns milhares de reais.
Por outro lado, para quem prefere simplicidade, quer sair do Brasil já com ida e volta fechadas ou não acompanha o preço das milhas, essa estratégia tende a perder sentido, e muitas vezes sai mais caro ou dá mais trabalho do que vale.
👉 Resumindo: para quem entende o básico do jogo das milhas e compra pontos no preço certo, a Etihad é uma das melhores emissões para a Ásia no Azul Pelo Mundo. Para o resto do público, provavelmente é melhor seguir nas tarifas em dinheiro ou nas emissões mais tradicionais.
Se você gosta de montar rotas com estratégia e economizar, vale muito a pena ficar de olho nessas oportunidades!