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Além do ALL Accor: 4 programas de hotel que todo viajante milheiro deveria conhecer

Cleverson Lima
12/09/2026 às 9:00

Além do ALL Accor: 4 programas de hotel que todo viajante milheiro deveria conhecer

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Se você usa milhas, é bem possível que já tenha descoberto e até usado o ALL Accor, programa de fidelidade da rede Accor (ibis, Novotel, Mercure e outros hotéis), em que 2.000 pontos equivalem a 40 euros em créditos para usar em diárias no mundo todo – e que é parceiro de Azul, Smiles, Latam Pass, Livelo e Esfera.

Mas é bem possível também que você tenha parado por aí.

Enquanto isso, outras grandes redes hoteleiras como Wyndham, Hilton, IHG e Marriott têm parcerias ou promoções de compra de pontos com até 100% de bônus várias vezes ao ano e pouca gente no Brasil aproveita.

Quem acompanha essas promoções e compra no momento certo dorme bem e pode economizar bastante. É verdade que esses programas não são tão simples: a compra é sempre em dólar e sem parcelamento, então exigem planejamento. Mas, para quem se prepara, as vantagens são reais. Bora conhecer?

Logos dos programas de fidelidade ALL Accor, Hilton Honors, Marriott Bonvoy, Wyndham Rewards e IHG One Rewards

Quais são e por que aproveitar esses programas

Abaixo, separamos e detalhamos quatro programas em que você não precisa viajar com frequência para acumular:

Neles, as próprias redes vendem seus pontos diretamente, em promoções ao longo do ano. Não chega a ser a mesma coisa, mas a lógica de comprar pontos também se aplica aos programas nacionais (Azul, Smiles, Latam Pass, Livelo, Esfera), em que depois é possível transferir para o All Accor. Já nesses quatro, a compra é direta na rede de hotel.

Além disso, são boas opções para não ficar dependendo apenas do ALL Accor, que é um ótimo programa, mas que, vamos combinar, pode não atender você no seu destino. Nos EUA e no Caribe, por exemplo, a cobertura da Accor é bem baixa. Em outros destinos, os hotéis da rede podem ser caros ou não atender aos seus critérios de localização e conforto. Vale sempre ter opções.

Os 4 programas de hotel que valem atenção

Wyndham Rewards: o mais vantajoso da lista, na minha opinião

Começamos pela rede Wyndham, que tem mais de 9.000 hotéis e resorts em 95 países, entre Ramada, Days Inn, La Quinta, Tryp e Super 8. A presença é forte nos EUA e no Caribe, e razoável em alguns países da Ásia e da Europa.

Logo do Wyndham Rewards sobre a fachada de um hotel Ramada by Wyndham

O Wyndham Rewards é o destaque por dois motivos específicos: tabela fixa de resgate e promoções frequentes. Enquanto Hilton e Marriott usam precificação dinâmica (a diária em pontos acompanha o preço em dinheiro), no Wyndham cada hotel tem um valor fixo por noite. Isso dá uma previsibilidade que quase não existe mais no mercado.

Hoje são três faixas: 7.500, 15.000 ou 30.000 pontos por quarto/noite —, e a maioria dos hotéis fica em 15.000. Nas promoções, o bônus vai de 80% a 100%, o que coloca o milheiro entre US$ 6,50 e US$ 7,22. Na prática, uma noite de 15.000 pontos comprada com 100% de bônus sai por cerca de US$ 98 — muito abaixo do que os mesmos hotéis cobram em alta temporada.

O limite anual padrão é de 100.000 pontos comprados, com mínimo de 3.000 por transação para ativar o bônus (em algumas campanhas, o teto sobe temporariamente).

Atenção à mudança: a partir de 15 de setembro de 2026, o Wyndham passa a ter quatro faixas de resgate: 5.000, 15.000, 30.000 e 45.000 pontos por noite. A entrada fica mais barata, mas surge a faixa de 45.000 para os hotéis mais sofisticados, e os demais serão redistribuídos.

Hilton Honors: luxo mais em conta quando tem promoção

Você já deve ter ouvido falar dos hotéis Hilton: são mais de 6.200 propriedades em 118 países, incluindo marcas de luxo como o próprio Hilton, o Conrad e o Waldorf Astoria.

Logo do Hilton Honors sobre a vista aérea do hotel Hilton São Paulo Morumbi.

Sem bônus, o programa vende o milheiro por cerca de US$ 10, o que raramente compensa. Nas campanhas de 100% de bônus, o custo efetivo cai para US$ 5 por 1.000 pontos – e é só nesse cenário que a estratégia faz sentido.

Nessas promoções, o limite de compra também sobe bastante: já foram registradas ofertas com teto de 240.000 pontos comprados (480.000 com o bônus), bem acima do limite anual padrão do programa.

Se você quer se hospedar com mais conforto, é aqui que a conta fica interessante, porque a rede tem hotéis e resorts caros em dinheiro no mundo todo. Uma diária de 100.000 pontos sai por US$ 500 com o milheiro a US$ 5, contra tarifas que passam de US$ 1.500 em algumas propriedades. Como os preços são dinâmicos e variam bastante, confira quantos pontos o resgate custa antes de comprar.

No Melhores Destinos, temos um guia completo sobre a rede Hilton e como funciona o Hilton Honors.

IHG One Rewards: mais opções de acúmulo no Brasil, com Livelo e Esfera

O IHG reúne mais de 6.000 hotéis em 100 países, incluindo InterContinental, Crowne Plaza, Holiday Inn, Hotel Indigo e Regent.

Logo do IHG One Rewards sobre a fachada de um hotel Holiday Inn

Nas promoções de compra, os bônus geralmente são escalonados: costumam começar em 80% acima de 5.000 pontos e chegar a 100% em volumes maiores, com o milheiro caindo de cerca de US$ 13,50 (preço cheio) para algo entre US$ 5,00 e US$ 6,75, dependendo da faixa comprada. Geralmente, é possível comprar até 200.000 pontos em promoções.

No Brasil, vale destacar que o programa também tem parceria ativa com a Livelo e com a Esfera, o que permite transferir pontos acumulados em cartões brasileiros. Mas vamos ser honestos: acaba valendo pouco a pena, pois em ambos os casos, a transferência tem deságio de 2:1 (2.000 pontos geram 1.000 no IHG. Considerando o custo típico do milheiro Livelo/Esfera, na faixa de R$ 30 a R$ 32, o ponto gerado assim sai mais caro do que comprado direto na promoção do IHG.

Portanto, as parcerias servem para quem já tem saldo parado nos programas nacionais, ou gerado muito barato, e sem resgate melhor à vista. Funcionam para complementar a estratégia, não como o caminho principal.

Um detalhe importante: os pontos IHG expiram com 12 meses de inatividade, prazo mais curto que o dos concorrentes. Mas qualquer movimentação renova a validade de todo o saldo.

Marriott Bonvoy: a maior rede do mundo, com bônus mais modestos

Por fim, não dá para ignorar o Bonvoy: mais de 30 marcas e 9.000 propriedades em 141 países, desde as mais práticas, como Fairfield e Four Points, passando pelas premium, como Sheraton, Le Méridien e Autograph Collection, até as de ultraluxo, como The Ritz-Carlton, St. Regis e Bulgari Hotels.

Daqui, o Marriott é o menos generoso da lista. Historicamente, os bônus ficam entre 30% e 50%. Com o milheiro cheio a US$ 12,50, mesmo o melhor cenário ( 50% de bônus) deixa o custo efetivo em torno de US$ 8,33, quase o dobro do Hilton em promoção. O limite anual é de 150.000 pontos comprados, com aumentos temporários em algumas campanhas.

Além disso, as ofertas ainda costumam ser segmentadas: o bônus que aparece na sua conta pode ser diferente do anunciado, e menor do que o de outras pessoas. Vale sempre fazer login antes de colocar na ponta do lápis.

Uma vantagem real: os pontos não expiram desde que haja alguma movimentação na conta em 24 meses, o que é bom para quem acumula devagar.

Comparativo rápido entre os programas de fidelidade de hotel

Programa Bônus máximo Custo do milheiro na promoção Limite de compra Diferencial
Wyndham Rewards 100% US$ 6,50 a US$ 7,22 100.000 pts/ano Tabela fixa de resgate e o melhor custo por ponto da lista
Hilton Honors 100% US$ 5,00 Até 240.000 pts em promoções Ideal para resorts e hotéis de luxo caros em dinheiro
IHG One Rewards 100% US$ 5,00 a US$ 6,75 Até 200.000 pts em promoções Parcerias com Livelo e Esfera e boa presença no Brasil
Marriott Bonvoy +-50% US$ 8,33 150.000 pts/ano Maior cobertura do mundo; pontos válidos com movimentação em 24 meses

Como aproveitar esses programas na prática

A sequência abaixo vale para qualquer um dos quatro programas:

  1. Cadastre-se nos programas. Todos são gratuitos, e o cadastro leva poucos minutos.
  2. Acompanhe as promoções de compra. Elas acontecem várias vezes ao ano e costumam durar de uma semana a um mês.
  3. Escolha o hotel antes de comprar. Verifique quantos pontos a diária custa nas suas datas — assim você sabe exatamente quanto precisa comprar.
  4. Compre os pontos em dólar, à vista, durante a promoção, já com o resgate definido.
  5. Reserve pelo site do programa, diretamente com os pontos.

Nessa ordem, a chance de aproveitar é bem maior — sobretudo em datas de alta demanda, quando os preços em dinheiro disparam e o custo em pontos amortece o golpe.

Importante: nunca compre pontos sem promoção. No preço cheio, a conta não fecha.

E lembre-se do dólar. Em todos esses programas a compra é à vista, sem parcelamento, com IOF e spread por cima. Se o seu cartão tem spread alto, leve isso em conta e dê preferência aos de taxa baixa ou às contas globais. A Revolut, por exemplo, zerou o IOF e o spread na compra de dólar dentro da conta, com limites que variam conforme o plano. Nesse caso, a estratégia é converter os reais primeiro e pagar a compra já com saldo em dólar.

Importante: não fique bitolado nos pontos!

É sempre bom lembrar, milheiro: seja em hotéis ou em passagens aéreas, nunca dependa apenas de pontos. Sim, eles podem gerar uma boa economia, mas não são a única estratégia disponível.

Quarto de hotel com cama de casal, indicativo de promoção de hotel com desconto e cupom de desconto na Booking.com

Compare sempre com outras promoções. Nos hotéis, a Booking oferece regularmente descontos Genius e cashback, o que pode render uma economia melhor e na hora do que a dos pontos em muitos casos. Já o Hoteis.com dá descontos com cupons e parcela em até 10 vezes sem juros, o que faz diferença para quem sabe se planejar.

No fim, a lógica é simples: cadastro é de graça, alerta de e-mail é de graça, e comparar antes de reservar também. Quem faz as três coisas sai na frente quando a promoção certa aparecer – seja ela qual for!


Você já utilizou algum desses programas? Conte sua experiência nos comentários!

Cleverson Lima
Cleverson Lima

Sou editor de Promoções no Melhores Destinos – ou, traduzindo: passo boa parte do dia garimpando ofertas de viagem na internet para ajudar você a viajar mais gastando menos. Sou de Curitiba, publicitário e escrevo no MD e no Melhores Cartões sobre passagens aéreas, milhas, cartões e contas digitais.

Tenho 40 países na bagagem, uma queda por grandes cidades, destinos históricos, comida de rua e viagens que rendem histórias. De preferência, acumulando alguns pontinhos no caminho. Além disso, sou Superhost no Airbnb, porque receber bem também é parte da viagem.

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