Latam ameaça cancelar rota de Florianópolis para o Peru antes mesmo da estreia – veja o motivo!
Latam ameaça cancelar rota de Florianópolis para o Peru antes mesmo da estreia – veja o motivo!
A nova taxa de conexão do Aeroporto de Lima, no Peru, continua gerando reações da Latam. Em uma carta enviada ao Ministério de Transportes e Comunicações do país, a companhia aérea afirma que está “avaliando cancelar o início de um primeiro grupo de quatro novas rotas programadas para o começo de dezembro”. Entre elas está Florianópolis–Lima!

Trata-se do mais recente capítulo de uma briga entre a Latam e a Fraport, concessionária do Aeroporto de Lima, que começou em outubro, quando a administração do terminal informou que passaria a cobrar uma taxa de conexão de US$ 12,67 (em torno de R$ 67 na cotação de hoje) para quem tiver voos internacionais de conexão saindo ou chegando ao terminal.
Depois da repercussão negativa em torno da medida, a Fraport decidiu adiar para 7 de dezembro o início da cobrança da nova taxa. Confira mais detalhes na sequência deste post.
Além de Florianópolis-Lima, com estreia marcada para 2 de dezembro e três voos semanais, a Latam ameaça cancelar o início das linhas Lima-Orlando (prevista para 26 de outubro e adiada para 1º de dezembro), Lima-Curaçao e Lima-Tucumán (Argentina). De forma concreta, já afirmou que vai deixar de voar na rota Lima-Havana (Cuba) a partir de março do próximo ano.

Em nota, a Latam disse que a estreia está mantida “até o momento”, mas sujeita a “questões regulatórias e tributárias”: “O grupo LATAM esclarece que está mantida até o momento a data de 2 de dezembro de 2025 para a inauguração da rota Florianópolis-Lima, conforme planejado inicialmente. No entanto, a continuidade sustentável desta operação está sujeita a fatores externos relacionados a questões regulatórias e tributárias. Portanto, qualquer mudança na continuidade operacional da rota será comunicada oportunamente pela LATAM”.
Reação negativa fez Lima adiar início da nova taxa
Como explicamos acima, ainda em outubro, depois da reação negativa das companhias aéreas – especialmente da Latam – e dos passageiros, o Aeroporto de Lima decidiu postergar o início da cobrança da taxa de conexão para dezembro.
À época, o Ministério de Transportes e Comunicações do Peru afirmou que o adiamento é “temporário, enquanto se concluem os processos de revisão tarifária e adequação da normativa correspondente”. O Aeroporto de Lima, por sua vez, afirmou que a mudança de data da cobrança da taxa de conexão vem com algumas condições firmadas com o governo local.

Uma das medidas envolve a modificação da Lei de Aeronáutica Civil, “para garantir que todos os custos do transporte aéreo sejam inclusos e sejam informados de forma clara e transparente em todos os bilhetes aéreos, em benefício dos passageiros”, diz a administração do terminal.
Quando anunciou a taxa, o Aeroporto de Lima deu três opções de pagamento: (1) acessar uma plataforma online, (2) pagar diretamente a agentes que estarão circulando no aeroporto ou (3) pagar em guichês exclusivos no terminal. Definitivamente, uma burocracia que tende a aborrecer e afastar muitos passageiros.

Outra iniciativa é a proposta para ajustar a taxa de conexão doméstica, “analisando alternativas a partir do estado para não afetar o usuário e manter a recuperação do investimento privado feito pela concessionária [do Aeroporto de Lima]”, afirmou a concessionária. Neste momento, não há cobrança de tarifa para transferência nacional.
A concessionária argumenta que a nova cobrança “assegura mais serviços e melhora a experiência dos passageiros”. Também declarou que, do valor total, ficará com US$ 5,74, sendo o resto destinado ao estado para “melhorar outros aeroportos do país”.
Aeroporto de Lima diz que anúncios das companhias buscam “desinformar”
Diante da ofensiva das companhias aéreas, a administração do terminal foi para cima das empresas e disse, em comunicado: “Manifestamos com preocupação a difusão de anúncios públicos por parte das companhias aéreas que buscam desinformar e gerar confusão em torno da aplicação da Tarifa Unificada de Uso Aeroportuário (TUUA) de transferência”.

A Fraport argumentou que a tarifa “não constitui uma cobrança adicional”, mas sim a “execução de um mecanismo contratual” que está previsto no contrato de concessão do aeroporto.
O CEO do Grupo Latam, Roberto Alvo, disse em um evento recente da Associação Latino-americana e do Caribe de Transporte (ALTA) que a medida do Aeroporto de Lima “não só afetará a conectividade do Peru, mas também afetará o turismo e o desenvolvimento econômico do país”.
E em uma entrevista ao jornal peruano El Comércio, afirmou que “a TUUA de conexão vai converter o [Aeroporto] Jorge Chávez em uma oportunidade perdida”.
Vale ressaltar que a Latam inaugurou, em agosto, uma sala VIP de US$ 10 milhões no Aeroporto de Lima, o que agrava a situação da companhia aérea, que fez um investimento milionário para, agora, começar a cortar voos na capital peruana. O novo lounge é um dos maiores da empresa.
Arrecadação com nova taxa pode passar de US$ 17 milhões
Somente em 2024, segundo dados do Aeroporto de Lima, 1,3 milhão de passageiros que transitaram pelo terminal estavam fazendo conexão. Isso renderia algo em torno de US$ 17 milhões em arrecadação anual só com essa nova taxa.

Com a perspectiva de aumento da demanda global por viagens aéreas, é possível que as cifras sejam ainda maiores considerando números futuros.
Ainda de acordo com dados da própria administração do aeroporto, o investimento no terminal no ano passado ficou em torno de US$ 555 milhões. Vale lembrar que o Aeroporto de Lima é completamente novo e ainda está com algumas obras em andamento.
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