Exclusivo! Latam corre risco de ficar sem voos para Amsterdã a partir de outubro – entenda o cenário
Exclusivo! Latam corre risco de ficar sem voos para Amsterdã a partir de outubro – entenda o cenário
A Latam está sob risco de não operar em Amsterdã entre o fim de outubro e o fim de março. A aérea atualmente não tem slots (horários de pouso e decolagem) no aeroporto holandês para a temporada de inverno da aviação 2026/2027 – integra uma “lista de espera“, informou ao Melhores Destinos a Airport Coordination Netherlands (ACNL), autoridade que distribui slots no país.

Ou seja, a Latam fez o pedido para Amsterdã, mas não encontrou espaço. A primeira distribuição dos slots teria ocorrido no fim de maio, mas ainda não é definitiva: a aérea pode garanti-los por meio, por exemplo, da desistência de outras companhias. O prazo para as “devoluções” termina em meados de julho, segundo o calendário da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata).
Em nota ao Melhores Destinos, a Latam disse que “a operação da rota São Paulo/Guarulhos–Amsterdã está disponível para venda até outubro de 2026, período para o qual a companhia possui slots confirmados no aeroporto de Amsterdã. Quaisquer novos ajustes em sua malha aérea serão comunicados oportunamente pela companhia.”
Por que a Latam está sem slots em Amsterdã?

A distribuição de slots não é tão simples quanto parece. Em aeroportos congestionados, como é o caso de Amsterdã, não há espaço para todo mundo, e as autoridades locais passam a exercer um papel de “coordenação”, com o objetivo, por exemplo, de organizar a distribuição dos horários de pouso e decolagem e garantir a viabilidade e a eficiência da operação aeroportuária.
O Aeroporto de Amsterdã se encaixa no nível mais crítico de coordenação de slots, o chamado Level 3. Na definição da Iata, são “aeroportos nos quais os provedores de capacidade não desenvolveram infraestrutura suficiente ou onde os governos impuseram condições que tornam impossível atender à demanda. Nesses casos, um coordenador é designado para alocar slots às companhias aéreas e a outros operadores de aeronaves que utilizam ou planejam utilizar o aeroporto, como forma de gerenciar a capacidade declarada.”

Mas se a Latam conseguiu slots para a temporada de verão da aviação, que vai do fim de março ao fim de outubro, por que não conseguiu agora? Embora os motivos não estejam totalmente claros, uma das hipóteses é que a companhia pode ter esbarrado em uma questão de “prioridades”.
Em primeiro lugar, de acordo com as regras da Iata, os coordenadores de slots devem dar preferência às companhias aéreas que já tiveram operações aprovadas na temporada equivalente anterior (inverno de 2025/2026, neste caso) e que não pretendem alterá-las de forma significativa, como o horário. Ou seja, como a Latam ainda não operava em Amsterdã entre o fim do ano passado e o início deste ano, não seria elegível a essa prioridade.

A partir da alocação inicial de slots, as companhias que ficaram sem espaços passam a disputá-los em um slot pool (uma espécie de “reserva de slots” disponível para distribuição). Segundo a Iata, é a partir desse grupo que são atendidas solicitações de novos entrantes, companhias já estabelecidas e pedidos de alteração de slots.
A distribuição, de acordo com a Iata, deve ser igualitária: 50% para novos entrantes e 50% para já estabelecidos, a menos que um desses blocos não alcance 50% das solicitações.
Outro fator que pode ter pesado na análise é a recomendação da entidade para que os coordenadores de slots priorizem serviços que contribuam para uma operação ao longo de todo o ano. Dependendo do conjunto de solicitações recebidas, esse critério pode favorecer determinados pedidos.

De qualquer modo, a dificuldade em conquistar os slots em Amsterdã para a próxima temporada de inverno não é algo exclusivo da Latam. Outras companhias passam pela mesma situação, e muitas delas, no fim das contas, acabam conseguindo os horários de operação.
Vale lembrar a trajetória da aérea antes mesmo de estrear em Amsterdã, no fim de março. Inicialmente, a Latam havia recebido um número limitado de slots, o que permitia a operação de apenas alguns voos semanais. Com o passar do tempo, porém, ampliou as frequências, chegando a praticamente uma decolagem diária, à medida que a coordenação holandesa liberava mais espaço.
Como está a ocupação dos voos da Latam para Amsterdã?
Slots à parte, a Latam tem anotado um desempenho misto na rota entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e Amsterdã. De acordo com dados registrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a ocupação média das aeronaves ao sair do Brasil está em ótimos 96%.
O sentido inverso é mais preocupante, com pouco mais de 60% dos assentos ocupados desde o início da operação. Na média geral, a Latam enche 78% dos assentos de suas aeronaves a cada voo.

Em comparação, a concorrente KLM registrou 95% de taxa de ocupação na perna Brasil-Holanda e 89% no trecho Holanda-Brasil desde março. É importante ressaltar que os holandeses estão há décadas operando essa rota, e muito mais consolidados do que a Latam.
Em termos de passagens, ambas as companhias praticam preços muito próximos. Uma viagem de ida e volta em classe econômica de uma semana em setembro está custando em torno de R$ 6.500 na tarifa mais baixa.
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Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!