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Como escalar o Monte Kilimanjaro: 15 dias pela Tanzânia

Redação
29/06/2019 às 6:00

Como escalar o Monte Kilimanjaro: 15 dias pela Tanzânia

Até onde vai a sua sede de aventura? No caso dos nossos leitores Julio e Thiago Ferreira — pai e filho —, a vontade de superar desafios os levou até o cume do Monte Kilimanjaro, a montanha mais alta da África e uma das maiores do mundo. Localizado na Tanzânia, o pico de 5.895 metros de altura possui toda a estrutura de trilhas, guias e acampamentos, atraindo excursões de alpinistas de todo o globo. Confira o relato e comece a planejar sua viagem!

Como escalar o Monte Kilimanjaro: 15 dias pela Tanzânia

Por Julio e Thiago Ferreira

kilimanjaro tanzania

O destino foi escolhido pelo fato de ser um dos 7 cumes mais altos de cada continente (Seven Summits). A relativa facilidade de escalada e o acesso ao local também contaram, pois o avião desce no aeroporto de Kilimanjaro, que é próximo à montanha. Escolhemos a Ethiopian Airlines pela passagem ser bem em conta e permitir a marcação de assento na saída de emergência sem custo adicional.

O avião partiu de São Paulo com destino a Adis Abeba, onde passamos uma noite no hotel providenciado pela Ethiopian: quartos amplos, porém a situação caótica da Etiópia é perceptível no hotel, com falta de luz, Wi-Fi que não funciona, pouca opção de alimentação, etc. No dia seguinte, cedo, partimos em direção ao aeroporto de Adis Abeba em direção a Kilimanjaro.

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1° Dia

Chegamos ao aeroporto de Kilimanjaro, pagamos uma pequena taxa correspondente ao visto, e em seguida fomos recebidos pela equipe da Monkey Adventures, empresa da Tanzânia especializada na escalada do Kilimanjaro, contratada ainda aqui no Brasil, via internet. A equipe nos levou até o hotel Keys Lodge Moshi.

Lá recuperamos as nossas energias. Na manhã seguinte os nossos guias vieram conferir os equipamentos que tínhamos trazido: calças, camisetas, garrafas d’água, protetor solar, óculos escuros, casacos, mantas, gorros, etc., enfim, todo o material necessário para a escalada.

Não contávamos com alguns itens tidos por indispensáveis, como calça térmica, manta para chuva, entre outros. Portanto, antes de nos dirigirmos ao parque nacional do Kilimanjaro, nossos guias nos levaram a uma loja na qual pudemos alugar o equipamento faltante.

Nossa opinião é de que é possível – dependendo das circunstâncias e da perspectiva de uso ou não do material especializado – alugar absolutamente todo o material em Moshi, evitando ter que trazer coisas do Brasil, e no retorno ficar com equipamentos que talvez nunca mais serão utilizados.

Alugados os itens indispensáveis, nos dirigimos de van até a entrada do Parque Nacional, sendo o caminho muito confuso, o trânsito caótico, a mão é inglesa, mas ainda assim contando com carros com volante do lado esquerdo.

Chegamos no parque na metade da tarde, tendo como primeiro desafio uma caminhada pela trilha de aproximadamente 5 km até o primeiro acampamento.

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2° Dia

Inicia a rotina de escalada gradual ao cume do Kilimanjaro, passando por vários pontos pré-determinados pelos guias. Em cada local você registra sua passagem em um livro do parque. Elegemos como rota a Lemosho para ser trilhada em 7 dias, por apresentar um panorama de boa climatização e adaptação, belas vistas e por ser menos popular, portanto, possibilitando maior contato com a natureza.

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O segundo dia foi especialmente cansativo, sendo que andamos aproximadamente 12 km, subindo e descendo morros. Entretanto, já neste dia somos contemplados com a visão do Kili, o que é bastante motivador, pois a impressão (que se confirma) é que a jornada não será fácil.

3° ao 5° Dias

Em direção ao cume, é bom estar preparado fisicamente, pois não há muito espaço para descanso. Entretanto, a rota é pensada para que seja possível a aclimatação. A escalada alterna trilhas de fácil caminhada, com caminhos pedregosos e até mesmo a utilização das mãos em determinados pontos.

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São 7 dias sem tomar banho (lenços umedecidos são mais do que recomendados) e sem banheiros adequados. Em compensação, a alimentação fornecida pela equipe de apoio é boa e farta.

Na verdade, são aproximadamente 10 pessoas que apoiam apenas dois montanhistas. Essa equipe é responsável por armar e desarmar o acampamento, fornecer comida e água, carregar os nossos equipamentos, roupas e mochilas, enfim… Sua rotina envolve obviamente sair antes dos montanhistas, de modo que cada trajeto completado é aguardado pela equipe com comida, chá, frutas e barracas prontas para descanso.

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Nos sete dias de escalada e descida há substancial variação de quilometragem percorrida, entretanto, podemos apontar como média 10 km por dia.

6º Dia

A prévia do “ataque” ao cume. No dia anterior à escalada final ao cume do Kilimanjaro há apenas uma leve caminhada de manhã até o último acampamento, no qual almoçamos. À tarde somos orientados pelos guias a descansar durante a tarde e nos prepararmos para a saída perto das onze horas da noite: antes de prosseguirmos somos orientados a utilizar três camadas de roupa, balaclava, duas luvas, mantas e gorros, bem como o mais pesado dos casacos e calça de montanhismo.

São aproximadamente 7 horas de caminhada até o topo, partindo do último acampamento. No início o calor é agonizante, pois o esforço é grande e a temperatura não é baixa o suficiente a fim de justificar tantas roupas.

Entretanto, conforme as horas de caminhada vão passando, o frio começa a tomar conta, assim como a falta de ar. Aqui toda a aclimatação se justifica, pois de fato o ar é rarefeito.

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A partida perto da madrugada é justificada pelo nascer do sol. Em outras palavras, a proposta é chegar ao cume antes do nascer do sol, para evitar a neve derretida na descida.

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A recompensa, de fato, é enorme. Apreciar o nascer do sol a 5.895m de altura é uma experiência que não encontra explicação por palavras. Entretanto, essa contemplação é cronometrada: se não descermos rapidamente, a neve começará a derreter, o que nos permite ficarmos apenas 15 minutos no topo.

A descida é bastante tensa e cansativa. No início, prepare-se para escorregar e cair na neve. Em seguida, prepare-se para deslizar pelas cinzas e pedras: os bastões de caminhada são fundamentais, pois ajudam a estabilizar o corpo, especialmente neste trajeto.

No próprio dia em que subimos ao topo já percorremos grande parte do trajeto necessário até a saída do parque, sendo que temos uma breve noite de descanso.

7º Dia

Falta apenas uma caminhada leve pela floresta, até chegarmos à saída do parque. Nossos guias em seguida nos acompanham até a loja onde alugamos alguns itens, nos levam até a sede da companhia de aventuras para acertarmos valores pendentes e, por fim, nos levam até nosso hotel para o merecido banho e descanso.

Tanzânia além do Kilimanjaro

Preparados para relaxar e conhecer outras atrações do lugar, trocamos de hotel, pois com frequência a água do chuveiro não esquentava. Nos dirigimos, assim, ao PTL Neneu, uma verdadeira pechincha pelo que entrega (praticamente um paraíso). Aproveitamos o tempo para descansar, ir ao centro a pé para sentir os aromas, ruídos locais, ter contato com as pessoas, comprarmos lembranças, etc.

Na alimentação fomos um pouco ortodoxos, pois tínhamos medo de uma infecção alimentar.

No segundo dia após a escalada do Kili, contratamos um motorista para nos levar as águas termais Kikulewa Hotsprings, na periferia de Moshi. Trata-se de um lugar simplesmente maravilhoso, que toma ares ainda mais interessantes em razão do caminho que tem que ser traçado até chegarmos nas águas termais. Nosso pacote incluía o transporte, a entrada, água e uma refeição, por um preço bastante justo.

O último dia sempre é um dia tenso. O transfer para o aeroporto de Kilimanjaro foi realizado pela empresa de escalada, saímos com bastante antecedência para evitar imprevistos, haja vista que nos aeroportos africanos você passa por dupla checagem de raio X e revista.

O que mais gostamos da viagem

Gostamos de tudo! Da escalada, de termos superado o medo de não conseguir atingir o topo do Kilimanjaro, do contato com outras culturas, das paisagens, dos costumes, da comida, de realizar este feito entre pai e filho.

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Se pudéssemos mudar alguma coisa, escolheríamos uma rota de escalada mais fácil, pois a Lemosho é muito árdua.

Raio X

Onde se hospedar: PTL Neneu, Moshi; – Restaurantes ou comidas que recomenda: durante a escalada você tem um contato rico com a culinária local, quanto a restaurante locais preferimos evitar.

Passeios e atrações imperdíveis: Kikulewa Hotsprings é imperdível. Não fomos aos safáris fotográficos.

Melhor forma de transporte: Recomendamos a contratação da escalada de uma empresa confiável, no TripAdvisor você vê os relatos, o pacote de chegada e saída incluídos, o que é interessante, pois agrega comodidade e não significa em grande acréscimo do preço.

Como levar dinheiro: Se você tem dólares em espécie, leve. Quando você chega ao hotel os funcionários da empresa de escalada vão cobrá-lo adiantado, se for pagar com cartão de crédito há cobrança de sobretaxa.

Dicas da Tanzânia e escalada do Kilimanjaro

– Leve o máximo de equipamento possível daqui do Brasil, sempre pensando no custo benefício e na perspectiva de uso no futuro;

– Não esqueça lenços umedecidos para higiene, não esqueça, você vai ficar 7 dias sem tomar banho;

– Faça um bom seguro saúde;

– Treine o seu inglês, na Tanzânia esse é um dos idiomas oficiais;

– Compre a passagem aérea com bastante antecedência visando preços bons;

– Evite a época de chuvas da Tanzânia, vai tornar as coisas mais fáceis;

– Não esqueça da prevenção da malária, do mal da montanha e levar o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela: se não tiver não embarca no avião;

– Prepare-se fisicamente e psicologicamente: tivemos dificuldades com a respiração durante a escalada.

Conclusão

Vale a pena viajar para a Tanzânia e escalar o Kilimanjaro? Sim, vale muito a pena! Trata-se de um destino exótico, experiência única de isolamento e contato com a natureza.


Agradecemos ao Julio e ao Thiago pelo relato! Quer compartilhar sua experiência de viagem com a gente? Envie um e-mail para convidado@melhoresdestinos.com.br!

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