Pode isso? Companhia aérea dos EUA é acusada de usar dados pessoais para definir preços de passagens
Pode isso? Companhia aérea dos EUA é acusada de usar dados pessoais para definir preços de passagens
Uma ação apresentada nesta semana em um tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos, colocou a companhia aérea JetBlue em maus lençóis. A empresa low cost está sendo acusada de usar dados pessoais de consumidores para definir os preços de passagens.

A suspeita surgiu após uma interação da equipe da JetBlue com um passageiro na rede social X (ex-Twitter) em 18 de abril. Na ocasião, um usuário disse que “um aumento de US$ 230 em uma passagem depois de um dia é algo maluco. Eu só estou tentando chegar a um funeral”.
Como resposta, a aérea disse que o consumidor deveria “limpar o cache e os cookies [do navegador] ou reservar usando uma janela anônima”. Nesta segunda-feira, a empresa disse que a informação estava incorreta e que “tarifas podem mudar a qualquer momento à medida que assentos são comprados ou à medida que o inventário é ajustado baseado na demanda”.
O que dizem as partes envolvidas no processo?

Nos documentos do processo, o autor da ação, Andrew Phillips, afirma: “os consumidores não deveriam ter seus direitos de privacidade violados para participar da ‘corrida digital’ [da JetBlue] por passagens aéreas, que deveriam custar o mesmo para cada passageiro em assentos equivalentes”.
A JetBlue optou pelo silêncio quando questionada a respeito do processo. A empresa negou, porém, que utiliza dados pessoais nem inteligência artificial para definir os preços das passagens.
Limpar cache e cookies pode mudar preços de passagens?

Delta tem projeto para precificar passagens usando IA

A polêmica envolvendo a JetBlue encontra eco em um projeto da também norte-americana Delta Airlines. A gigante do setor aéreo afirmou em julho do ano passado que pretendia terminar 2025 definindo 20% dos valores de suas passagens com base em inteligência artificial (IA).
À época, o presidente da Delta, Glen Hauenstein, disse que os resultados iniciais do projeto mostravam “unidades de receita incrivelmente favoráveis”. Até meados do ano passado, o projeto da companhia era capaz de precificar 3% de todos os seus bilhetes à venda com base em IA.
Não está claro como a Delta aplica a IA para a precificação de suas passagens. Especialistas, porém, já apontaram que a companhia pode buscar o acesso a dados pessoais dos passageiros para definir as tarifas de forma hiperpersonalizada.
Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!