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Itapemirim Transportes Aéreos (ITA): tudo o que você precisa saber sobre a nova companhia aérea do Brasil

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
02/07/2021 às 15:13

Itapemirim Transportes Aéreos (ITA): tudo o que você precisa saber sobre a nova companhia aérea do Brasil

Esta semana o Brasil ganhou uma nova companhia aérea, a Itapemirim Transportes Aéreos (ITA). A empresa, até então reconhecida pelo transporte rodoviário de passageiros, chega com uma meta ambiciosa de ser uma das maiores companhias aéreas do Brasil. Já tem passagens aéreas à venda para 19 destinos e planeja voar para 35 cidades já em 2022. Para isso, terá que superar grandes desafios, além da pandemia, e uma concorrência acirrada de Azul, Gol e Latam.

Neste post exclusivo você confere um raio-x da empresa, com todos os destinos atendidos e planejados pela Itapemirim, como são seus aviões e serviços, diferenciais e estratégias para conquistar os clientes e as dificuldades que terão que ser superadas.

O que a Itapemirim promete de diferente?

A Itapemirim escolheu como estratégia inicial competir principalmente com a Gol e com a Latam em rotas com grande fluxo de passageiros, ligando as principais capitais brasileiros das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e Nordeste. No entanto, não começou com muita agressividade nas tarifas. A ideia original é conquistar o passageiro com bagagem despachada grátis, mais espaço nos aviões, refeições nas viagens e um serviço de alto padrão, mas com preços competitivos. Será que vai dar certo?

Diferenciais da Itapemirim

Destinos da Itapemirim

A Itapemirim terá 3 centros de operações (hubs) que vão concentrar a maioria dos voos da empresa: São Paulo (Guarulhos), Rio de Janeiro (Galeão) e Brasília. A maior parte dos voos da empresa vai decolar de um desses três aeroportos, que devem concentrar as conexões para outras cidades.

A empresa começou a operar com voos para oito destinos brasileiros em julho. Já entre agosto e setembro serão adicionados 11 novos destinos a malha, chegando a 19 cidades atendidas. Todas com passagens à venda. Foi divulgada a previsão de iniciar voos também para Manaus, Santarém e Foz do Iguaçu, ainda em 2021. No entanto, esses três destinos ainda não sendo comercializados.

Confira um mapa com as cidades atendidas pela empresa e a previsão do início de cada rota.

Destinos da Itapemirim – 2021

Mapa de rotas e destinos 2021 da Itapemirim Linhas Aéreas

Planos para atender 35 destinos em 2022

Para 2022, a Itapemirim planeja uma grande expansão, adicionando 13 novos destinos a sua malha aérea, chegando a 35 cidades atendidas. Se os planos de confirmarem, será uma rápida expansão. Confira um mapa com as cidades que serão atendidas pela Itapemirim no ano que vem, conforme divulgado pela empresa:

Destinos da Itapemirim – 2022

Mapa de rotas e destinos 2021 da Itapemirim Linhas Aéreas

A ambição é ir ainda mais longe e até ter rotas internacionais. No entanto, a empresa precisa vencer os primeiros desafios e conquistar clientes antes de alçar voos mais longos.

Aviões da Itapemirim

A ITA já recebeu quatro aeronaves modelo Airbus A320. Uma quinta deve chegar amanhã. Até agosto, a previsão é ter um total de dez aeronaves. Para 2022, a empresa chegou a anunciar 50 aeronaves, mas em entrevista recente os executivos admitiram que esse número poderá ser revisto em função da demanda do mercado brasileiro.

Houve um atraso no recebimento dos aviões. A Itapemirim minimizou os impactos e atribuiu o problema a pandemia e a segunda onda da Covid-19 no Brasil. “Um dos aviões viria da Índia, por exemplo, e o Brasil proibiu a entrada de viajantes provenientes do país. Em outro caso, nossos tripulantes não tiveram permissão para ir buscar o avião em outro país, dada as restrições de viagem. A pandemia deixou tudo mais difícil e complexo, mas conseguimos superar as dificuldades e começar a voar com êxito.”, lamentou Piva.

Os aviões da Itapemirim estão sendo reconfiguradas para transportar 162 passageiros. É uma densidade mais leve que a utilizada pela Latam e pela Azul, que também operam este modelo, com maior espaço entre as poltronas para os passageiros. Os clientes terão entre 79 cm e 107 cm de espaço, dependendo do assento.

As aeronaves que foram entregues têm pouco mais de 15 anos de uso (uma aeronave comercial pode ser utilizada por 25 a 30 anos, se estiver com a manutenção em dia). Vieram de companhias como a Easy Jet, US Airways e a Tiger Airways, e foram pintadas nas cores tradicionais da empresa, em amarelo e preto.

Programa de fidelidade da Itapemirim

A Itapemirim ainda não lançou seu programa de fidelidade. Mas vai fazê-lo em breve. Vai se chamar ITA Clube. Segundo o CEO da companhia, Adalberto Bogsan, será algo diferente do adotado pelas demais companhias. “Nós vamos ter o programa de fidelidade, mas não vamos trabalhar com milhas, será uma nova forma de remuneração”, diz Bogsan.

A promessa da empresa é revolucionar o mercado de fidelidade. Será? Vamos aguardar! O Grupo Itapemirim também vai lançar um banco digital, o ITA Bank! E ele poderá ser integrado com o programa de fidelidade.

A nova companhia aérea também espera já no ano que vem oferecer salas VIP nos aeroportos aos clientes. “Temos conversado com aeroportos e procurado mais sobre as salas VIP. Isso provavelmente vai ser no ano que vem porque as salas agora estão fechadas em função da pandemia. Não adianta investir nisso agora sendo que não podemos ter ninguém lá dentro”, completa o CEO.

Principais desafios da Itapemirim

Para atingir objetivos ambiciosos a empresa vai precisar superar alguns desafios importantes. Listamos quatro questões importantes que podem atrapalhar os planos da Itapemirim de vingar no mercado de aviação brasileiro:

1) Fôlego financeiro para começar em meio à pandemia

“A única certeza que temos ao investir em uma companhia aérea é que em algum momento ela terá prejuízo.” A frase do mega investidor Warren Buffett ficou famosa por refletir uma realidade dura da aviação no mundo! É um setor extremamente regulado, com demanda instável e muito sensível a preço, custos dolarizados e limitação de repasse de custos na tarifa. Os aviões precisam ser encomendados com anos de antecedência. A tripulação precisa ser treinada e certificada meses antes de começar a operar. São muitas complexidades que demandam caixa, num momento em que a receita ainda é incerta.

O Grupo Itapemirim ainda enfrenta uma recuperação judicial. Por mais que alegue que o processo está perto de ser encerrado, o endividamento é alto e há muito a ser pago nos próximos anos. E, no setor aéreo, qualquer vestígio de falta de dinheiro é encarado com muita desconfiança, já que isso colocaria a empresa em risco iminente de quebra.

Neste aspecto, não há muita informação e transparência em relação à quantidade de recursos que a Itapemirim dispõe para iniciar suas operações no setor aéreo, nem mesmo quem são os misteriosos investidores árabes que estariam financiando a empreitada. Até atingir uma certa estabilidade entre receitas e despesas, algo difícil nesse setor, mesmo antes da pandemia, a empresa terá que trabalhar dobrado para mostrar que veio mesmo para ficar!

2) Limitação de operação em aeroportos importantes

Alguns dos aeroportos mais importantes do Brasil estão saturados, como o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, dominado pelas concorrentes. Já no Santos Dumont, no Rio de Janeiro, ainda sobram alguns horários, mas sua pista curta demanda aviões com adaptações que a Itapemirim não conseguiu viabilizar neste primeiro momento.

Além disso, há um espaço limitado para a expansão de rotas em horários de pico nos aeroportos de Guarulhos e de Brasília, que contam com forte presença da Latam e da GOL. Neste caso, para expandir em São Paulo, principal mercado da aviação nacional, a Itapemirim talvez tenha que enfrentar a Azul em Campinas, território amplamente ocupado pela concorrente. Não será uma tarefa fácil. Mas, se acontecer, vai gerar mais concorrência, o que tende a reduzir as tarifas e melhorar os serviços.

3) Provar que seu modelo de negócio é viável

O modelo de negócio da Itapemirim tem muitas similaridades com o da falida Avianca Brasil, que parou de operar repentinamente em 2019, deixando milhares de passageiros sem voo. E o desafio da nova entrante será mostrar que pode oferecer um serviço premium, diferenciado, com refeição, bagagem e assento grátis, sem cobrar mais do passageiro que suas concorrentes que não oferecem nada disso.

Questionado por jornalistas sobre a viabilidade do negócio, o presidente Sidnei Piva defendeu o modelo da Itapemirim: “Vamos reduzir nossa margem de lucro e reverter esse dinheiro em serviços e benefícios para os clientes. Não queremos ser mais uma, igual as outras, queremos mostrar que as companhias aéreas podem fazer melhor mantendo sua viabilidade.”

4) Conquistar a confiança dos passageiros e do mercado

Com relação a confiança dos passageiros, a empresa já cometeu um deslize, cancelando dezenas de voos poucos dias antes da estreia. Isso acabou prejudicando as pessoas que tinham programado viagens no mês de julho. No entanto, para compensar o transtorno, a Itapemirim prometeu passagens aéreas grátis para todos os clientes afetados. “Se queremos ser diferentes temos que começar reconhecendo nossos erros e compensando adequadamente os clientes”, disse Piva.

A empresa alegou que as mudanças fazem parte do processo estrutural para o lançamento de uma companhia aérea e que, apesar dos cancelamentos, todas as bases e rotas foram mantidas. O executivo da Itapemirim, Adalberto Bogsan, justificou que a demanda não veio na medida esperada e que tiveram que readequar a malha para evitar começar no prejuízo. A taxa de ocupação média dos voos estaria em 45%, quase metade da média do setor durante a pandemia.

“Nossa expectativa é ter sempre 162 assentos ocupados, dos 162 que oferecemos. Claro que é algo muito otimista, mas eu acredito que com o avanço da vacinação vamos ter um fim de ano muito bom! Até então, a receptividade tem sido bem satisfatória e compatível com o momento que vivemos no Brasil. Os nossos voos para Porto Alegre, por exemplo, estão quase todos lotados!”, destacou Piva.


Confira o vídeo promocional da chegada da Itapemirim ao mercado:


Mesmo quem não planeja viajar com a Itapemirim pode ser beneficiado pela chegada dela ao mercado doméstico. A concorrência ajuda a reduzir os preços das passagens e contribui para que o setor melhore sua eficiência e os serviços oferecidos aos passageiros. Portanto, sucesso e vida longa à Itapemirim!

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