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Com salários defasados, pilotos da Latam no Chile podem entrar em greve nos próximos dias

Mateus Tamiozzo
06/11/2025 às 5:00

Com salários defasados, pilotos da Latam no Chile podem entrar em greve nos próximos dias

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O Sindicato de Pilotos da Latam (SPL) no Chile aprovou ontem, com 97% de votos favoráveis de seus associados, uma proposta de greve por melhores condições salariais. A medida foi tomada após a entidade e a companhia aérea não chegarem a um acordo trabalhista.

Agora, a pedido da Latam, ambas as partes participarão de uma mediação com autoridades trabalhistas chilenas para tentar alcançar um consenso e evitar a paralisação. A expectativa é que as conversas sigam até a próxima terça-feira (11/11).

O que pedem os pilotos da Latam no Chile?

A principal reivindicação do sindicato é a retomada dos salários e benefícios praticados em 2020, antes da pandemia. Segundo a entidade, os pilotos foram os únicos a não terem suas condições restauradas na Latam.

A SPL enfatizou que estes profissionais “estiveram disponíveis para reduzir seus pagamentos pela metade” na pandemia e contribuir para que uma empresa que estava “à beira do precipício” pudesse fazer frente aos impactos da Covid-19.

“Dado o excelente momento financeiro e operacional da empresa, com resultados históricos segundo seus próprios executivos, esperava-se que esta negociação fosse mais próxima e colaborativa, especialmente porque as reivindicações dos pilotos – expressas em um projeto de contrato coletivo elaborado ao longo de mais de um ano – se limitam à recuperação das condições de trabalho pré-pandemia. Essa restituição já foi feita para todos os outros grupos da empresa, mas não para os pilotos”, disse o SPL.

O sindicato argumenta, ainda, que a Latam “recusou-se a devolver as condições perdidas durante os anos de crise, marcados pela pandemia e pelo processo de reorganização sob o Chapter 11 da Lei de Falências dos EUA”.

“É doloroso constatar que a administração utilizou mais de US$ 800 milhões este ano para distribuir dividendos e recomprar ações próprias, mas não quer reconhecer o esforço de seus trabalhadores. Pelo contrário, nos deram uma porta na cara, e agora estamos a dias de uma greve que não buscamos – e que, lamentavelmente, pode afetar os passageiros, a conectividade do país, os fundos de pensão investidos na Latam e até nós mesmos, com a suspensão de nossos direitos trabalhistas e salários durante a paralisação”, declarou Mario Troncoso, presidente do SPL.

Sindicato brasileiro se manifesta em apoio aos pilotos chilenos da Latam

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Em nota publicada hoje, o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) manifestou “seu apoio e solidariedade aos colegas pilotos da Latam Airlines Chile que, no exercício legítimo de seus direitos, lutam por uma negociação coletiva justa, transparente e com visão de longo prazo”.

O SNA também destacou que “um acordo sólido e equilibrado entre empresa e trabalhadores não deve ser visto como um custo, mas como um investimento em segurança operacional, reputação e motivação das tripulações”.

Latam diz que está em negociação e aposta em “acordo benéfico”

A Latam se manifestou, por meio de nota, a respeito da possibilidade de greve no Chile. Disse que está em negociação e quer chegar a um acordo satisfatório, sustentável e benéfico para todas as partes.

A empresa também afirmou que suas operações continuam ocorrendo normalmente – vale lembrar que os pilotos não estão em greve, mas aprovaram a paralisação.

Confira abaixo a íntegra da nota da companhia aérea:

“O Grupo LATAM Airlines informa que está em negociação coletiva com um dos dois sindicatos de pilotos de passageiros do Chile, a fim de chegar a um acordo satisfatório para ambas as partes. A companhia solicitou à Dirección del Trabajo (órgão do governo chileno responsável por assuntos trabalhistas) o início do processo de mediação obrigatória.

Esse processo tem duração legal de cinco dias úteis (previsto para 5 a 11 de novembro) e seu objetivo é facilitar o diálogo entre as partes e buscar um acordo que ponha fim ao processo de negociação. 

A LATAM informa que, durante a mediação, suas operações continuarão ocorrendo normalmente, reafirmando seu compromisso com a continuidade do serviço e com a minimização de qualquer possível impacto sobre seus clientes.

A empresa reforça sua disposição permanente para o diálogo e sua convicção de continuar trabalhando com abertura e espírito construtivo para alcançar um acordo sustentável e benéfico para todas as partes”.

Em 2022, pilotos da Latam no Chile quase entraram em greve

É a segunda vez em três anos que os pilotos da Latam no Chile flertam com uma paralisação. Em 2022, a categoria esteve muito perto de uma greve, mas que foi evitada após um acordo de última hora com a companhia aérea. Segundo o SPL, seria a primeira suspensão de atividades em 17 anos.

Assim como agora, os pilotos reivindicavam as reposições salariais e de benefícios referentes ao período mais crítico da pandemia.

Latam domina o mercado chileno

Uma eventual greve de amplo alcance na filial chilena da Latam pode trazer danos significativos às finanças da empresa. A companhia detém mais de 60% do mercado doméstico no Chile e cerca de 70% do tráfego Brasil-Chile.

Vale ressaltar que a greve envolve apenas os pilotos chilenos, mas a depender de como a paralisação venha a se configurar, pode haver impacto para voos internacionais que ligam Brasil e Chile. Isso porque, em alguns casos, a tripulação e a aeronave, por exemplo, são chilenas.

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