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Equador, Peru, Chile: como a Gol prepara o terreno (e os céus) para sua prometida expansão internacional

Mateus Tamiozzo
30/08/2025 às 14:00

Equador, Peru, Chile: como a Gol prepara o terreno (e os céus) para sua prometida expansão internacional

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Desde que saiu da recuperação judicial, em junho, a companhia aérea Gol tem deixado claro que colocará uma grande energia em suas operações internacionais. A intenção é voar, no mínimo, para todos os países da América do Sul em um prazo de cinco anos – hoje, a empresa não está presente em Equador, Peru, Chile e Guiana – e aumentar a oferta em outras nações da região.

A Gol já tem se movimentado neste sentido, com a retomada para Caracas, na Venezuela, após quase 10 anos. Também anunciou alguns outros voos na América do Sul e solicitou slots (autorizações de pousos e decolagens) para operações, sobretudo, do Nordeste para a Argentina.

A meta da empresa é ter 25% de sua malha aérea focada no exterior até 2029 – hoje, esse número está em 17%. Mas como avançar e consolidar esse processo? Neste post, vamos entender alguns aspectos que serão importantes para esse novo movimento da Gol.

Antes de tudo, a Gol precisa de aviões

Como já disse em diversos posts, o setor aéreo enfrenta uma situação crítica desde o início da pandemia: problemas na cadeia de suprimentos que ocasionam atrasos na fabricação de novos aviões e dificuldades para tarefas de manutenção pela falta de peças. Isso atingiu companhias em todo o mundo, incluindo as brasileiras.

Segundo seu último relatório de resultados financeiros, a Gol tem uma frota de 141 aeronaves, sendo que cerca de 10 ainda estão fora de operação. A expectativa da empresa é ter toda a frota recuperada até o primeiro trimestre de 2026, o que abrirá caminho para adicionar (muita) capacidade e – por que não? – novas rotas, incluindo as internacionais.

Na comparação do segundo trimestre de 2024 com o mesmo período de 2025, a Gol trouxe 20 aviões de volta à malha e recebeu 12 novos Boeing 737 MAX. Com isso, a empresa aumentou a capacidade de assentos em quase 20%.

Atualmente, a Gol tem um pedido em andamento com a fabricante norte-americana para cerca de 90 novos aviões. A companhia aérea diz que os problemas na cadeia de fornecimento continuam sendo um obstáculo, mas que o tempo de espera por novas aeronaves e por atividades de manutenção diminuiu.

Custos com operações internacionais

Com uma frota unificada em torno de aviões Boeing 737 (e suas variações), que são de corredor único e com capacidade para até 186 passageiros, a Gol consegue explorar diferentes tipos de mercados de curta e média distância.

Por um lado, consegue encher com mais facilidade as aeronaves em rotas internacionais de alta demanda, como do Brasil para Buenos Aires. E mesmo em rotas de baixa procura, essa missão fica mais fácil se comparada a aviões de grande porte (250+ assentos), já que naturalmente há menos assentos a serem preenchidos.

Além disso, a tarifa média de um voo internacional costuma ser mais elevada do que uma viagem doméstica, o que pode ajudar a empresa em seus objetivos de receita, ainda que a fatia do exterior na Gol venha a ser de 1/4 do total de sua malha.

Por outro lado, os custos com combustíveis, tripulação, logística de manutenção e taxas aeroportuárias podem pesar mais do que em uma operação doméstica. Por isso, a Gol precisará se equilibrar de uma forma saudável para garantir que a sua presença internacional seja sustentável, e não um mero voo de galinha.

Novo hub no Aeroporto do Galeão

Ainda há espaço de sobra no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Depois de muitos anos de esvaziamento de operações domésticas e internacionais e a priorização do Aeroporto Santos Dumont para voos nacionais, o jogo mudou.

A partir de uma ação do governo federal que restringiu muitas viagens domésticas no Santos Dumont, as companhias aéreas foram obrigadas a mudar diversas operações para o Galeão. Assim, o terminal voltou aos holofotes e vem recebendo cada vez mais aeronaves e passageiros, e há impacto positivo para o exterior, por conta da maior conectividade.

A Gol está de olho nisso, e, ao sair da recuperação judicial, disse que o Galeão será um novo hub da companhia – a mudança de foco deve começar a partir deste semestre. A decisão acompanha o aumento recente no tráfego internacional direto para o Rio, que cresceu entre 30% e 40%.

Com isso, o Galeão desponta como o local perfeito para a Gol colocar novos voos domésticos e alimentar viagens para o exterior, sejam eles próprios ou de parceiros, e vice-versa. Atualmente (ao fim de agosto de 2025), a empresa tem cerca de 500 decolagens por semana no terminal internacional do Rio de Janeiro.

Hub na região Norte

A Gol também sinalizou avanços na cobertura de outras regiões do Brasil. A companhia planeja reforçar sua presença no Norte e no Nordeste. Entre as ações previstas estão a criação de um novo hub no Norte, ainda sem local definido, e a ampliação das operações no Nordeste, com destaque para Salvador.

No Norte do país, voos internacionais para a parte norte da América do Sul fariam bastante sentido, sobretudo considerando que companhia aéreas concorrentes já percorrem os céus de trechos como BelémBogotá e ManausPanamá. Já há conhecimento de mercado e da relação oferta x demanda para a empresa avaliar a viabilidade de novas operações para fora do Brasil a partir, no mínimo, das capitais paraense e manauara.

A presença internacional da Gol na região Norte ainda é muito tímida, atualmente limitada a poucos voos semanais nas rotas Manaus-Bogotá, Belém-Miami e Belém-Paramaribo.

Mãos dadas com o governo federal

À parte dos desdobramentos mais técnicos, a Gol parece estar bem atenta às máximas de que “marketing é a alma do negócio” e de que “quem não é visto não é lembrado”. Se as companhias aéreas e (e tantas empresas de outros setores) fazem vistas grossas para o potencial de uma boa divulgação de marca sob a justificativa de que se gasta muito dinheiro para pouco retorno, vale buscar alternativas, incluindo a máquina estatal.

A companhia aérea assinou, em agosto, um acordo com a Embratur “com o objetivo de ampliar a oferta de voos e atrair mais visitantes estrangeiros ao Brasil”. A parceria vai permitir à Gol lançar novas estratégias de marketing, fazer ativações conjuntas (isso geralmente significa exposição de marca) com o setor de turismo em feiras internacionais e campanhas publicitárias.

Assim, a Gol consegue acessar um orçamento gigantesco de marketing e se projetar para a região com ajuda de dinheiro público, além de surfar a onda de divulgação de destinos brasileiros para a atração de turistas.

Isso não exclui, é claro, os seus esforços próprios de marketing, mas ter um suporte tão importante como o do governo federal pode fazer com que a Gol gaste muito menos do que o previsto com algo que pode custar bastante.

No comunicado conjunto de Gol e Embratur, há destaque também para o “compartilhamento de dados e estudos de mercado para identificar oportunidades e aprimorar a experiência do turista estrangeiro nos aeroportos brasileiros”. O governo federal é, definitivamente, o dono da maior base de dados pessoais do país.

Equador será o próximo país?

A assinatura do acordo entre Gol e Embratur aconteceu em Brasília durante uma semana movimentada para a empresa. O CEO da companhia, Celso Ferrer, sentou-se com o presidente do Equador, Daniel Noboa, que estava em visita oficial na capital federal.

A reunião de ambos logo causou o esperado alvoroço no setor, já que o encontro foi com ninguém menos do que com um presidente de um país, que pode não ser quem toma a decisão final sobre um voo, mas pode ter grande influência. Alguns veículos de imprensa do Equador e o próprio governo local já afirmam que a operação da Gol no país começa no próximo ano.

Vale lembrar que um voo para o Equador seria, na verdade, um retorno. A Gol teve uma breve presença por lá entre 2018 e 2020 – a rota entre São Paulo e Quito foi encerrada logo antes da pandemia. Sobre essa retomada, a Gol diz apenas que “mantém conversas com diversos entes governamentais, entre eles o governo do Equador”.

O anúncio, porém, deve ser questão de tempo, e a Gol terá céus livres do Brasil para o Equador – possivelmente em uma rota São Paulo-Quito -, já que atualmente não há voos conectando os dois países de forma direta.

Na esteira do Equador estão Peru e Chile. Repercutiu recentemente na imprensa uma declaração do CEO da Gol sobre voos para estes países. No entanto, a afirmação é mais um reforço do que uma novidade, porque, como já dissemos neste post, a Gol saiu da recuperação judicial já com a intenção declarada de voar em toda a América do Sul – e neste caso, além do Equador, faltam justamente os retornos ao Peru e ao Chile.

Há também a Guiana, que raramente é mencionada. O país passou a chamar a atenção mais recentemente por conta do boom da exploração de petróleo, a partir da descoberta de reservas gigantescas do recurso natural. E, com isso, o número de voos explodiu por conta da demanda de negócios e de viajantes de lazer que descobriram que o país tem muita força no ecoturismo. Estará a Guiana no radar da Gol em algum momento?

Chile e Peru são um bom negócio com a forte presença da Latam?

Se por um lado a Gol terá caminho livre e zero concorrência para voar do Brasil para o Equador, mais ao sul a situação (e muito) muda de figura.

É uma obviedade dizer que a Gol está, com certeza, de olho na Latam para a sua possível retomada no Chile e no Peru. A concorrente domina Santiago e tem uma fortíssima presença em Lima – por isso, a Gol não terá uma tarefa fácil se quiser entrar e se manter nesses mercados.

Além disso, a Latam saiu da sua própria recuperação judicial com uma postura que a fez melhorar os seus serviços, tanto em solo quanto a bordo. Atualmente, a empresa tem, na média, um produto melhor do que o da Gol.

A Latam também leva vantagem na conectividade. Tanto em Lima quanto em Santiago, são inúmeras possibilidades de continuação de viagem. Na capital peruana esse movimento é ainda mais forte, já que os turistas, na maioria dos casos, seguem para Cusco.

Se quiser oferecer conexões a seus passageiros, a Gol terá que buscar um parceiro nesses países. E a solução pode estar mais perto do que a empresa imagina. A Gol faz parte do Grupo Abra, que também tem uma participação – minoritária – na Sky Airline, do Chile. A companhia chilena tem justamente em Santiago e Lima as suas principais bases de operação. Uma orquestração interna pode resultar em uma malha aérea benéfica para a Gol, tornando-a mais competitiva em espaços dominados pela Latam.

Vale ressaltar que a Gol já esteve presente no Peru e no Chile no passado, mas saiu na pandemia. Até houve uma previsão de retorno para Lima e Santiago, mas a companhia desistiu da ideia e nunca mais tocou no assunto – pelo menos até agora.

E a África nessa história toda?

Menos provável, mas não impossível, a Gol também está de olho na África – mais especificamente na Nigéria. Recentemente, executivos da empresa estiveram em Lagos, a maior cidade do país africano, para avaliar as condições de mercado para a criação de um voo a partir do Brasil. De forma protocolar, a companhia aérea diz que sempre estuda possibilidades, mas que não há previsão de operações na Nigéria.

Com os aviões que tem, a empresa não teria condições de sair direto de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Portanto, uma saída seria decolar a partir de alguma capital no Nordeste.

Vale lembrar que, em 2013, a Gol chegou a comunicar oficialmente ao mercado financeiro a intenção de voar para Lagos com três frequências semanais a partir do Recife. Também à época, a CAPA – Centre for Aviation, empresa de inteligência de mercado, afirmou que a companhia procurava um destino na África “a pedido do governo brasileiro”. A ideia, no fim das contas, até hoje nunca saiu do papel.

Retomada internacional ainda é tímida, mas não irrelevante

A Gol ainda não fez grandes movimentos internacionais desde que saiu da recuperação judicial. O mais importante até agora foi o reinício dos voos entre o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e Caracas, na Venezuela, mas a rota já havia sido anunciada durante a reestruturação da empresa.

Neste momento, a Gol tem focado em adicionar voos temporários, com ênfase em atender a demanda de alta temporada de verão, principalmente em ligações do  Nordeste para a Argentina e o Uruguai. São operações que acontecerão uma ou duas vezes por semana e receberão, sobretudo, estrangeiros que querem visitar as praias nordestinas.

O anúncio mais recente foi a rota FortalezaMontevidéu. A empresa também estuda a criação de um voo entre Salvador e Montevidéu, o aumento de frequências da capital baiana para Buenos Aires e a reativação da rota temporária de João Pessoa para a capital argentina. Já há pedidos de slots para essas operações.

No Sudeste, a Gol já anunciou voos de alta temporada entre São Paulo e Punta del Este e do Rio de Janeiro para Mendoza. De Punta del Este, aliás, a companhia continuará viagem até Buenos Aires.

Quais são os destinos internacionais da Gol?

mudança hub da Gol para o Rio

Atualmente (ao final de agosto de 2025), a Gol está presente em 16 destinos de 11 países de todo o continente americano. Confira na lista abaixo, que não contempla destinos futuros.

A partir do Brasil, 14 cidades têm voos internacionais da Gol. Todas têm ligações diretas para a Argentina, exceto Belém e Manaus. Na lista abaixo também não estão incluídos destinos futuros.

  • São Paulo: Buenos Aires, Bariloche (temporário), Mendoza, Córdoba, Montevidéu, Assunção, Santa Cruz de la Sierra, Caracas, Aruba, Punta Cana, San José
  • Rio de Janeiro: Córdoba, Rosário, Buenos Aires, Montevidéu
  • Brasília: Buenos Aires, Bogotá, Cancún, Miami, Orlando
  • Fortaleza: Buenos Aires, Orlando
  • Belém: Paramaribo, Miami
  • Recife: Buenos Aires, Córdoba
  • Belo Horizonte: Buenos Aires
  • Florianópolis: Buenos Aires
  • Porto Alegre: Buenos Aires
  • Manaus: Bogotá
  • Salvador: Buenos Aires
  • Maceió: Buenos Aires
  • Natal: Buenos Aires
  • Porto Seguro: Buenos Aires

Com informações da plataforma de monitoramento de voos e aviões Flightradar24

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