Grupo dono da Gol deve aumentar preço das passagens em 20% para aliviar custos com combustível
Grupo dono da Gol deve aumentar preço das passagens em 20% para aliviar custos com combustível
O Grupo Abra, do qual fazem parte as companhias aéreas Gol e Avianca, disse hoje que subirá em aproximadamente 20% o preço das passagens por conta da alta do combustível de aviação. O contexto, como não seria diferente, é a guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo desde o início de março.
Segundo o CEO do Grupo Abra, Adrian Neuhauser, com o aumento nas tarifas, a ideia é compensar a disparada do querosene de aviação (QAV) integralmente até o fim deste ano. A companhia não estimou o custo extra com o QAV.

“Esperamos atingir 100% de repasse da alta do combustível às tarifas até o fim do ano, mas, na média do período, a recuperação deve ficar em torno de 60%”, afirmou Neuhauser, durante teleconferência de resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre deste ano.
O chefe da Abra explicou que essa diferença decorre do tempo necessário para implementar os reajustes tarifários, da existência de passagens vendidas antes da disparada do combustível e de algum impacto sobre a ocupação dos voos.
“A parcela não recuperada via tarifas acaba pressionando o caixa, embora parte desse efeito seja compensada pelas operações de hedge de combustível”, acrescentou.

O hedge é uma estratégia de proteção financeira usada para “travar” o preço de compra de combustíveis no futuro. O objetivo é minimizar prejuízos ocasionados pela volatilidade do mercado e garantir um custo mais previsível.
O grupo afirmou ter ampliado o hedge para cerca de 60% do consumo de combustível do negócio de passageiros entre junho e agosto, com teto de US$ 4 por galão. Entre março e maio, a cobertura era de aproximadamente 50%, com teto de US$ 2,45 por galão.
Neuhauser disse ainda que, por conta da crise, os viajantes têm esperado mais para comprar uma passagem. Atualmente, o prazo médio de compra está em cerca de 45 dias, uma queda de 10% contra um período comparável em 2025.
Voos cancelados e revisão de rotas
O CEO do Grupo Abra também afirmou que a empresa tem flexibilidade para reduzir a oferta acompanhando um desaquecimento do mercado.

“Um dos nossos objetivos principais aqui é garantir que não estamos oferecendo um excesso de capacidade”, disse. Cortes de até um dígito alto (entre 7 e 9%), disse, seriam simples de fazer sem grandes esforços, afirmou o executivo.
Em relação ao Brasil, o CEO da Gol, Celso Ferrer, deixou claro que a empresa tem feito ajustes em rotas semanalmente, sem especificar o tamanho dos cortes na operação da companhia.
Vale destacar que a empresa ampliou sua oferta no primeiro trimestre de 2026, muito em razão da retomada total da frota que ainda estava parada.
Azul e Latam também veem impactos
O discurso do Grupo Abra não foge muito do que já se ouviu de Azul e Latam recentemente em relação a preço de passagens, gastos com combustível e cancelamento de voos.

Segundo a Azul, as passagens já estão, em média, 30% mais caras na comparação com o fim de fevereiro, quando a guerra no Oriente Médio começou. O número se refere a reservas futuras, e o aumento é sentido principalmente em voos nacionais. A empresa também confirmou que está reduzindo em cerca de 5% a oferta de assentos em maio e junho.
A Latam, por sua vez, cortará 3% de sua oferta de assentos projetada para o mês que vem e espera um impacto extra de US$ 700 milhões (R$ 3,4 bilhões na cotação atual) em gastos com combustível de aviação de abril a junho.
Com informações de Estadão e Valor Econômico
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Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
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