Naufragou? Azul e Gol dizem que não há mais conversas para fusão das empresas
Naufragou? Azul e Gol dizem que não há mais conversas para fusão das empresas
Saudade daquilo que nunca vivemos? As companhias aéreas Azul e Gol negaram à Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados a intenção de uma fusão de suas operações. De acordo com as empresas, a possibilidade foi estudada durante a pandemia, mas que, com a recuperação do setor aéreo nos últimos três anos, foi deixada para trás.

“A fusão não é um fato, a gente não chegou a submeter formalmente nada ao Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]. Fizemos um formulário de consulta, um pré-formulário, em outro ambiente, outro cenário, em outro momento das empresas que já passou, já não está mais aí”, disse à Câmara o gerente de Relações Institucionais da Azul, Camilo Coelho.
“Não tem mais fusão. Teve uma análise. A fusão foi estudada […], não se fala mais nisso”, afirmou o assessor da presidência da Gol, Alberto Fajerman.
Em janeiro deste ano, porém – ou seja, muito depois do pico da Covid-19 -, a Azul assinou um memorando de entendimento com o Grupo Abra, do qual a Gol faz parte. O documento prevê uma combinação de negócios que criaria uma nova empresa no mercado nacional, mas com operação separada.
Codeshare de Azul e Gol na mira do Cade

O acordo de compartilhamento de voos (codeshare) entre Azul e Gol, anunciado em maio do ano passado, também foi alvo da comissão. Os participantes da audiência com as companhias aéreas questionaram as companhias aéreas sobre uma suposta combinação de preços – que inclui a Latam – e de corte de rotas prejudiciais ao consumidor.
“As projeções indicam que estamos tendo o aumento de passageiros, as projeções do setor são muito positivas, ou seja, seria uma época em que as empresas estariam investindo e ampliando. E nós estamos vendo o movimento contrário, ou seja, uma diminuição do número de voos. Isso chama a atenção. Os dados ainda não são 100% conclusivos, mas os dados que temos até agora indicam problemas de rivalidade”, disse o presidente do Cade, Gustavo Lima.

Em decisão divulgada no início do mês, o Cade decidiu que Azul e Gol devem notificar (ou apresentar) ao órgão o acordo de codeshare anunciado no ano passado. As companhias aéreas também ficam proibidas de expandir a parceria até o fim da análise do processo.
Caso o acordo não seja notificado no prazo de 30 dias, o codeshare deverá ser suspenso “imediatamente”.
O que prevê o acordo entre Azul e Gol?

A aliança permite que as duas empresas vendam conjuntamente bilhetes em voos próprios e/ou da parceira, ampliando a conectividade de suas malhas aéreas. O acordo também vai permitir o acúmulo dos pontos ou milhas dos voos compartilhados nos programas Smiles e Azul Fidelidade, conforme a preferência do passageiro.
De acordo com as empresas, a parceria inclui as rotas domésticas exclusivas, ou seja, operadas por uma das duas empresas e não pela outra.
O movimento feito em 2024 gerou burburinho no setor, pois poderia ser o sinal de uma fusão entre as empresas que poderia acontecer posteriormente. À época, a Gol estava em plena recuperação judicial, o que aconteceria com a Azul a partir de maio.