Preocupação! Europa pode ter apenas mais seis semanas de combustível de aviação, diz agência de energia
Preocupação! Europa pode ter apenas mais seis semanas de combustível de aviação, diz agência de energia
O chefe da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), Fatih Birol, alertou hoje que a Europa tem “talvez cerca de seis semanas de combustível de aviação restantes“. A declaração à agência de notícias Associated Press está relacionada à guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo regular de petróleo na região.
O principal motivo para esse cenário crítico mora no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e que virou o palco central da disputa com os Estados Unidos enquanto os países tentam chegar a um acordo para encerrar o conflito. Por lá passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

Desde o início das hostilidades o tráfego de navios pela área é muito limitado, o que não só diminuiu a oferta e aumentou o preço da commodity (está em torno de US$ 100 o barril) como fez, por consequência, disparar os valores de diversos produtos e serviços, incluindo passagens aéreas.
Segundo Birol, sem um acordo que reabra permanentemente o Estreito de Ormuz, “todo mundo vai sofrer”. E adicionou: “Posso dizer que em breve vamos ouvir notícias de que alguns voos de cidade A para cidade B podem ser cancelados como resultado da falta de combustível“.
Companhias aéreas e aeroportos já alertam para cancelamentos de voos

A Airports Council International (ACI) Europe, que representa os aeroportos europeus, pinta um quadro muito mais crítico. Na semana passada, a entidade afirmou à Comissão de Energia e Transportes da União Europeia que o continente tem somente três semanas de combustível de aviação restantes.
O problema acontece no pior momento possível para o setor na Europa, uma vez que milhões de turistas já estão organizando as férias de verão. O pico das viagens acontece em julho e agosto, e a falta de voos pode trazer um impacto financeiro severo para as aéreas e gerar um efeito dominó em diversos outros setores que dependem do setor aéreo.

Em uma declaração recente, a Airlines for Europe (A4E), que representa diversas companhias aéreas do continente, afirmou que as empresas estão em contato com fornecedores de combustível e com os aeroportos para mapear os estoques.
“A situação atual no Oriente Médio e a incerteza sobre quanto tempo ela irá durar estão, de fato, gerando preocupações quanto à disponibilidade de combustível de aviação na Europa nas próximas semanas e meses. Embora o cessar-fogo possa trazer algum alívio, ainda é cedo demais para saber com que rapidez o abastecimento será restabelecido”, disse a A4E.

De forma ainda mais concreta, a companhia aérea escandinava SAS afirmou, em março, que cancelaria 1.000 voos ao longo deste mês, mas ainda por conta do aumento no preço do combustível, e não por escassez. A Ryanair, por outro lado, avisou que está considerando cortar 10% de seus voos.
O Grupo Air France-KLM também já expressou preocupação, e está elaborando planos para lidar com a possível escassez de combustível. Em outra frente, nesta semana ambas as companhias aumentaram novamente em € 50 os preços das passagens de ida e volta. Um acréscimo também de € 50 já havia sido feito no mês passado.
Qual é a situação no Brasil?

No Brasil o problema fica mais concentrado no preço do petróleo e do combustível de aviação (QAV) do que na escassez – segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o país produz cerca de 80% do QAV. O valor, porém, segue a paridade internacional e é dado em dólar, o que faz com que os custos de Azul, Gol e Latam cresçam substancialmente.
No início deste mês, a Petrobras oficializou um aumento de 54,8% no preço do combustível de aviação. Na visão da Abear, a medida tem “consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”.
Se antes da guerra o QAV representava 30% das despesas das companhias aéreas nacionais, a Abear aponta que essa fatia agora é de 45%. A consequência mais imediata desse cenário é o aumento no preço das passagens, uma vez que os custos adicionais tendem a ser repassados ao consumidor.
Baixe o app do Melhores Destinos e receba promoções e ofertas de passagens aéreas em primeira mão!
Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!