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Preocupação! Europa pode ter apenas mais seis semanas de combustível de aviação, diz agência de energia

Mateus Tamiozzo
16/04/2026 às 11:35

Preocupação! Europa pode ter apenas mais seis semanas de combustível de aviação, diz agência de energia

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O chefe da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), Fatih Birol, alertou hoje que a Europa tem “talvez cerca de seis semanas de combustível de aviação restantes“. A declaração à agência de notícias Associated Press está relacionada à guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo regular de petróleo na região.

O principal motivo para esse cenário crítico mora no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e que virou o palco central da disputa com os Estados Unidos enquanto os países tentam chegar a um acordo para encerrar o conflito. Por lá passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

Desde o início das hostilidades o tráfego de navios pela área é muito limitado, o que não só diminuiu a oferta e aumentou o preço da commodity (está em torno de US$ 100 o barril) como fez, por consequência, disparar os valores de diversos produtos e serviços, incluindo passagens aéreas.

Segundo Birol, sem um acordo que reabra permanentemente o Estreito de Ormuz, “todo mundo vai sofrer”. E adicionou: “Posso dizer que em breve vamos ouvir notícias de que alguns voos de cidade A para cidade B podem ser cancelados como resultado da falta de combustível“.

Companhias aéreas e aeroportos já alertam para cancelamentos de voos

A Airports Council International (ACI) Europe, que representa os aeroportos europeus, pinta um quadro muito mais crítico. Na semana passada, a entidade afirmou à Comissão de Energia e Transportes da União Europeia que o continente tem somente três semanas de combustível de aviação restantes.

O problema acontece no pior momento possível para o setor na Europa, uma vez que milhões de turistas já estão organizando as férias de verão. O pico das viagens acontece em julho e agosto, e a falta de voos pode trazer um impacto financeiro severo para as aéreas e gerar um efeito dominó em diversos outros setores que dependem do setor aéreo.

Em uma declaração recente, a Airlines for Europe (A4E), que representa diversas companhias aéreas do continente, afirmou que as empresas estão em contato com fornecedores de combustível e com os aeroportos para mapear os estoques.

“A situação atual no Oriente Médio e a incerteza sobre quanto tempo ela irá durar estão, de fato, gerando preocupações quanto à disponibilidade de combustível de aviação na Europa nas próximas semanas e meses. Embora o cessar-fogo possa trazer algum alívio, ainda é cedo demais para saber com que rapidez o abastecimento será restabelecido”, disse a A4E.

avião SAS

De forma ainda mais concreta, a companhia aérea escandinava SAS afirmou, em março, que cancelaria 1.000 voos ao longo deste mês, mas ainda por conta do aumento no preço do combustível, e não por escassez. A Ryanair, por outro lado, avisou que está considerando cortar 10% de seus voos.

O Grupo Air France-KLM também já expressou preocupação, e está elaborando planos para lidar com a possível escassez de combustível. Em outra frente, nesta semana ambas as companhias aumentaram novamente em € 50 os preços das passagens de ida e volta. Um acréscimo também de € 50 já havia sido feito no mês passado.

Qual é a situação no Brasil?

No Brasil o problema fica mais concentrado no preço do petróleo e do combustível de aviação (QAV) do que na escassez – segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o país produz cerca de 80% do QAV. O valor, porém, segue a paridade internacional e é dado em dólar, o que faz com que os custos de Azul, Gol e Latam cresçam substancialmente.

No início deste mês, a Petrobras oficializou um aumento de 54,8% no preço do combustível de aviação. Na visão da Abear, a medida tem “consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”.

Se antes da guerra o QAV representava 30% das despesas das companhias aéreas nacionais, a Abear aponta que essa fatia agora é de 45%. A consequência mais imediata desse cenário é o aumento no preço das passagens, uma vez que os custos adicionais tendem a ser repassados ao consumidor.

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Mateus Tamiozzo

Mateus Tamiozzo

Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.

Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!

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