Europa tem menos de 30 dias de combustível de aviação em estoque por efeitos da guerra
Europa tem menos de 30 dias de combustível de aviação em estoque por efeitos da guerra
O continente europeu pode estar a menos de 30 dias do esvaziamento de seus estoques de combustível de aviação, de acordo com um levantamento da agência de notícias Reuters. O motivo não poderia ser outro: a guerra no Oriente Médio, que tem prejudicado o abastecimento da Europa.

De acordo com a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), o continente geralmente importa do Oriente Médio 24% do combustível usado em aviões, número que só fica atrás da África (33%). Cerca de 20% da produção mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e que se tornou o palco central dos conflitos com os norte-americanos.
Segundo a Reuters, o Reino Unido, a França e a Alemanha são particularmente vulneráveis em um continente onde décadas de fechamento de refinarias tornaram a região mais dependente dos insumos que saem do Oriente Médio, sobretudo via Ormuz.
Quanto combustível resta na Europa?

A agência trouxe dados da consultoria Energy Aspects, de 18 de junho, que já projetavam um déficit de oferta de quase 600 mil barris por dia na Europa de julho a setembro. Em contraste, os Estados Unidos devem registrar superávits de 116 mil barris por dia, enquanto a região Ásia-Pacífico deve ter superávits de 425 mil barris por dia.
Segundo a consultoria, os estoques na Europa somavam 38 milhões de barris no início de junho, ante 99 milhões de barris nos Estados Unidos. Isso deixa a Europa com menos de 30 dias de cobertura da demanda, segundo os cálculos da Reuters. É o cenário mais apertado entre os principais mercados de combustível de aviação do planeta.

A “margem de segurança” de um mês também está indicada nos dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA). E a Comissão Europeia reconhece a gravidade da situação: em junho, o comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, afirmou que a União Europeia poderá ter estoques ainda mais apertados de combustível no fim da temporada de férias de verão (agosto).
Como consequência, as lideranças da União Europeia avaliam a liberação das reservas nacionais, se necessário. Por enquanto, a Europa tem se apoiado em novos fornecedores, como o Canadá, para evitar a escassez. Em junho, a Europa importou ao todo 673 mil barris por dia de querosene de aviação, o maior volume desde outubro de 2025, segundo dados da Kpler.
Brasil corre risco de ficar sem combustível de aviação?

A situação no Brasil é muito mais tranquila. O país produz cerca de 80% do querosene de aviação que consome internamente, o que reduz drasticamente a possibilidade de escassez do insumo. O problema mesmo está no preço, que segue a paridade internacional, fazendo com que flutue de acordo com os movimentos do mercado no exterior.
Considerando toda a América Latina, dados da Iata mostram que a região importa do Oriente Médio apenas 2% de todo o combustível de aviação usado localmente. A produção própria atinge quase 57%, enquanto os outros 41% se referem a importações de outras partes do mundo, que seguem operando normalmente.
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Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!