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Europa tem menos de 30 dias de combustível de aviação em estoque por efeitos da guerra

Mateus Tamiozzo
23/07/2026 às 13:03

Europa tem menos de 30 dias de combustível de aviação em estoque por efeitos da guerra

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O continente europeu pode estar a menos de 30 dias do esvaziamento de seus estoques de combustível de aviação, de acordo com um levantamento da agência de notícias Reuters. O motivo não poderia ser outro: a guerra no Oriente Médio, que tem prejudicado o abastecimento da Europa.

De acordo com a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), o continente geralmente importa do Oriente Médio 24% do combustível usado em aviões, número que só fica atrás da África (33%). Cerca de 20% da produção mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e que se tornou o palco central dos conflitos com os norte-americanos.

Segundo a Reuters, o Reino Unido, a França e a Alemanha são particularmente vulneráveis em um continente onde décadas de fechamento de refinarias tornaram a região mais dependente dos insumos que saem do Oriente Médio, sobretudo via Ormuz.

Quanto combustível resta na Europa?

A agência trouxe dados da consultoria Energy Aspects, de 18 de junho, que já projetavam um déficit de oferta de quase 600 mil barris por dia na Europa de julho a setembro. Em contraste, os Estados Unidos devem registrar superávits de 116 mil barris por dia, enquanto a região Ásia-Pacífico deve ter superávits de 425 mil barris por dia.

Segundo a consultoria, os estoques na Europa somavam 38 milhões de barris no início de junho, ante 99 milhões de barris nos Estados Unidos. Isso deixa a Europa com menos de 30 dias de cobertura da demanda, segundo os cálculos da Reuters. É o cenário mais apertado entre os principais mercados de combustível de aviação do planeta.

A “margem de segurança” de um mês também está indicada nos dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA). E a Comissão Europeia reconhece a gravidade da situação: em junho, o comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, afirmou que a União Europeia poderá ter estoques ainda mais apertados de combustível no fim da temporada de férias de verão (agosto).

Como consequência, as lideranças da União Europeia avaliam a liberação das reservas nacionais, se necessário. Por enquanto, a Europa tem se apoiado em novos fornecedores, como o Canadá, para evitar a escassez. Em junho, a Europa importou ao todo 673 mil barris por dia de querosene de aviação, o maior volume desde outubro de 2025, segundo dados da Kpler.

Brasil corre risco de ficar sem combustível de aviação?

A situação no Brasil é muito mais tranquila. O país produz cerca de 80% do querosene de aviação que consome internamente, o que reduz drasticamente a possibilidade de escassez do insumo. O problema mesmo está no preço, que segue a paridade internacional, fazendo com que flutue de acordo com os movimentos do mercado no exterior.

Considerando toda a América Latina, dados da Iata mostram que a região importa do Oriente Médio apenas 2% de todo o combustível de aviação usado localmente. A produção própria atinge quase 57%, enquanto os outros 41% se referem a importações de outras partes do mundo, que seguem operando normalmente.

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Mateus Tamiozzo

Mateus Tamiozzo

Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.

Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!

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