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Estudo aponta que 23 estados e o DF ainda não recuperaram voos domésticos de 2015

Mateus Tamiozzo
28/08/2025 às 9:41

Estudo aponta que 23 estados e o DF ainda não recuperaram voos domésticos de 2015

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23 estados e o Distrito Federal ainda não recuperaram o número de operações aéreas domésticas que tinham há dez anos! Essa é a principal conclusão de um estudo da ForwardKeys – especializada em inteligência para o setor aéreo – publicado pelo portal Panrotas, que mostra que os 784.696 voos nacionais programados para todo o ano de 2025 ainda estão muito abaixo das 916.739 registradas em 2015.

A recuperação está concentrada apenas em estados do Nordeste: Alagoas, Paraíba e Pernambuco – locais, evidentemente, com forte atração turística. Vale ressaltar, porém, que os números de voos nesses locais são muito menores do que em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

O estudo também aponta que os números de voos domésticos em todo o Brasil em 2025 será maior do que o de 2024 (764.727), mas ainda estará abaixo de 2019 (799.798), último ano antes da pandemia.

Menos voos, mas mais assentos

Já do ponto de vista de oferta de assentos domésticos no comparativo de 2025 com 2015, a situação melhora um pouco. Segundo o levantamento, são 10 os estados que devem superar o número de 2015: São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás, Alagoas, Paraíba, Sergipe, Acre e Roraima.

Os números da pesquisa apontam que 2025 fechará com uma oferta doméstica nacional de 126,5 milhões de assentos domésticos, superior a 2024 (119,2 milhões) e 2019 (118,7 milhões), mas ligeiramente abaixo de 2015, quando o país teve 128,5 milhões de lugares nos aviões.

Sem surpresas, São Paulo lidera a lista. Com a força dos aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Viracopos, serão pouco mais de 42 milhões de lugares ofertados em 2025, representando 33% do total nacional. Em 2019, o estado teve 38 milhões de assentos; em 2015, 36 milhões.

Chama a atenção, mas não surpreende, a ausência do Rio de Janeiro, já que o estado passou muitos anos com o Aeroporto do Galeão completamente desidratado em termos de voos nacionais (e internacionais, mas que não integram o estudo).

Só agora a relevância do terminal vem sendo recuperada, com a atuação do governo federal para transferir grande parte das operações domésticos que estavam concentradas no Aeroporto Santos Dumont.

O estado do Rio deve fechar 2025 com 11,5 milhões de assentos, contra 11,6 milhões em 2019 e 15,3 milhões em 2015.

Comparação com 2015 e 2019

A comparação com 2015 é importante porque coincide com um período de recordes no transporte de passageiros no Brasil, e é imediatamente anterior à crise econômica que levou companhias aéreas internacionais a abandonarem o país e à redução de voos das empresas locais. Já a comparação com 2019 é mais óbvia, pois foi o último ano “normal” da aviação antes da pandemia.

Com esse contexto em mente, confira abaixo a relação completa de estados + Distrito Federal na evolução do número de voos e de assentos desde 2015:

Número de voos domésticos

Unidade da Federação 2015 2019 2025
São Paulo 259.704 252.734 257.217
Rio de Janeiro 104.182 76.941 72.271
Distrito Federal 76.233 58.189 54.177
Minas Gerais 71.701 58.887 68.859
Bahia 51.217 40.611 41.633
Paraná 56.735 48.943 42.450
Pernambuco 31.044 37.394 38.734
Rio Grande do Sul 40.803 33.546 30.216*
Santa Catarina 30.740 27.991 28.246
Ceará 26.535 25.340 20.615
Pará 28.484 20.318 20.628
Goiás 16.395 15.483 13.803
Espírito Santo 16.126 13.679 12.835
Mato Grosso 21.066 17.150 12.994
Amazonas 14.443 13.197 12.878
Alagoas 7.332 7.481 9.672
Maranhão 10.147 7.723 7.407
Rio Grande do Norte 9.915 8.455 7.599
Paraíba 6.583 5.874 7.186
Mato Grosso do Sul 9.206 7.599 6.008
Sergipe 5.550 4.765 4.983
Piauí 5.855 4.458 3.837
Tocantins 4.300 3.497 2.860
Rondônia 6.017 4.003 2.650
Acre 2.266 2.107 1.969
Amapá 2.869 2.260 1.973
Roraima 1.291 1.183 1.279

Número de assentos

Unidade da Federação 2015 2019 2025
São Paulo 36.358.357 38.280.894 42.421.918
Rio de Janeiro 15.373.469 11.674.413 11.549.912
Distrito Federal 11.787.547 9.702.376 9.602.381
Minas Gerais 8.905.338 7.576.173 8.916.113
Bahia 7.127.811 6.023.185 6.559.814
Paraná 7.619.625 6.667.053 6.315.193
Pernambuco 4.636.469 5.334.009 6.038.950
Rio Grande do Sul 5.143.731 4.950.858 5.059.362
Santa Catarina 4.188.667 4.148.149 4.714.668
Ceará 4.250.766 4.353.841 3.733.482
Pará 3.939.598 2.949.595 3.258.408
Goiás 2.152.408 2.135.123 2.388.423
Espírito Santo 2.281.642 2.033.563 2.268.573
Mato Grosso 2.421.657 2.048.679 1.970.700
Amazonas 2.113.808 1.942.149 1.914.415
Alagoas 1.140.582 1.195.680 1.681.442
Maranhão 1.553.724 1.243.295 1.338.014
Rio Grande do Norte 1.581.883 1.327.327 1.328.377
Paraíba 978.010 856.071 1.190.001
Mato Grosso do Sul 1.142.938 1.045.184 1.029.196
Sergipe 787.640 662.951 805.761
Piauí 810.778 706.410 665.658
Tocantins 492.338 429.984 467.697
Rondônia 788.158 569.197 421.626
Acre 330.850 335.691 354.467
Amapá 422.672 367.336 347.158
Roraima 197.776 200.245 229.499

Por trás dos números

Os números por si só revelam a evolução absoluta (para cima ou para baixo) de voos domésticos e de assentos no Brasil em momentos-chave de sua história econômica recente, mostrando claramente que alguns estados estão mais à frente do que outros.

Mas é importante observar o que está além das tabelas, e que ajuda a entender por que a oferta nacional de voos e assentos ainda está abaixo de 2015.

Aviões novos com mais lugares

Como pode o número de assentos de 2025 ser quase igual ao de 2015 se há 130 mil voos a menos na comparação entre o mesmo período? Uma resposta está nas novas gerações de aviões.

A Azul, por exemplo, tem ampliado a sua frota de Embraer E2, que tem mais capacidade de assentos (146) do que o seu irmão mais velho Embraer E195 (124). No lado de Airbus e Boeing, as novas gerações do A320 (usado por Azul e Latam) e do B737 (usado pela Gol) têm mais lugares do que as aeronaves mais antigas dos mesmos modelos, ainda que a diferença não seja tão grande.

Portanto, sem necessariamente ampliar a frota de aeronaves, as companhias aéreas conseguem colocar um número maior de assentos por voo.

Falta de aviões impede aumento de voos

Desde o início da pandemia, quase todas as companhias aéreas ao redor do mundo têm lidado com um problema que começa na cadeia de suprimentos de materiais e equipamentos para a fabricação de aeronaves.

Airbus, Boeing e Embraer ainda admitem gargalos importantes em sua produção de novos aviões pela falta de recursos materiais. O impacto também atinge o setor de manutenção de aviões que já estão com as companhias aéreas.

Sem as peças necessárias para novas aeronaves e para reparos, parte da frota é  obrigada a ficar no chão.

A boa notícia é que a situação parece estar começando a evoluir positivamente. A Gol, por exemplo, informou neste mês que espera ter toda a sua frota de volta à  operação no primeiro trimestre de 2026. Por enquanto, porém, a lógica é: sem aviões, sem novos voos – ou se há novos voos, possivelmente outra rota terá que pagar a conta.

Dificuldades financeiras das companhias aéreas

Você pode até reclamar de que as passagens aéreas estão caras – você provavelmente está certo – e questionar como é possível que as companhias passem por dificuldades financeiras. Mas, com tantos custos em dólar em sua operação (e com a disparada da moeda desde 2020), muitas empresas passaram ou passam por dificuldades recentemente, sobretudo desde a pandemia.

As três companhias aéreas nacionais já estiveram ou estão em recuperação judicial. Em 2020, a Latam entrou no processo de reestruturação financeira, seguida pela Gol em 2024 e pela Azul em maio deste ano. Em todos os casos, as empresas se viram obrigadas a reduzir a sua operação, embora dissessem (e digam) que os passageiros não foram e não são afetados.

Enquanto a Latam já mostra uma oferta mais sólida de rotas e assentos, a Gol ainda está tentando voltar à normalidade depois da saída da recuperação judicial em junho deste ano. Por outro lado, a Azul, que está no meio do processo de reestruturação, já cortou operações em mais de 15 cidades e deve cancelar mais de 50 rotas – e pode não parar por aí.

Brasil bate recorde no transporte de passageiros

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o setor aéreo registrou, em julho deste ano, o maior número de passageiros transportados em um mês: um total de 11,6 milhões incluindo os dois mercados (doméstico e internacional). A movimentação é a maior desde o início da série histórica, em janeiro de 2000.

Do total de passageiros, os voos domésticos receberam 9 milhões de pessoas no mês passado, um aumento de 5,9% em comparação ao mesmo mês do ano passado. A demanda nacional por assentos registrou aumento de 8,2% em comparação a julho de 2024. Já a oferta doméstica cresceu 6,2%.

Em números anuais, os aeroportos brasileiros atingiram 73,4 milhões de passageiros entre janeiro e julho de 2025, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, com base nos dados da Anac. O número representa alta de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

No mercado interno, 57 milhões de pessoas viajaram de avião, crescimento de 8,2%. Já no internacional, o aumento foi de 15%, com 16,4 milhões de passageiros. Também houve expansão de 3,6% no número total de voos, que atingiram 554 mil no período.

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